Beauty and the Beast
31 O retorno do príncipe de Heliodor
Edward, Jacob, Bella e as crianças partiram para Heliodor, com esperanças e temores misturando-se enquanto cavalgavam. Bela e as crianças seguiam em uma carruagem, com as cortinas parcialmente fechadas para protegê-los do sol. Após dois dias de viagem árdua, atravessando florestas densas e campos abertos, chegaram finalmente ao mar. O horizonte se estendia vasto e azul à frente deles, e eles armaram acampamento na praia, o som das ondas batendo suavemente nas rochas ao fundo.
À noite, enquanto todos se reuniam em torno da fogueira, Edward tomou a palavra. — Existe um barco de pescadores que sempre atraca aqui. Eu conheço um dos homens. Eles nos levarão a Heliodor- Ele explicou, seus olhos refletindo a luz do fogo. Jacob assentiu, embora a preocupação permanecesse evidente em seu semblante. O olhar dele se perdia no mar, perturbado pelos pensamentos de Renesmee grávida e nas mãos de Samuel.
Enquanto todos dormiam, Jacob permaneceu acordado, os olhos fixos no horizonte. O mar se tornava um espelho de suas ansiedades, e ele observou a noite transformar-se lentamente em dia. A preocupação com Renesmee o atormentava. Ele se perguntava como ela estaria, se estaria segura, se Samuel a tratava bem. O surgimento dos primeiros raios de sol trouxe um alívio breve, mas seu coração continuava pesado.
Com o amanhecer, um barco se aproximava. Bela, acordada pelos murmúrios de expectativa ao redor, abraçou os filhos e sorriu, aliviada, ao ver o barco chegando. Quando a embarcação atracou, um homem de aparência madura, com cabelos grisalhos e um sorriso caloroso, desceu. Ao ver Bela, ele abriu os braços e chamou: — Filha!
Bela correu até ele, o abraçando com força. — Pai- ela disse, a voz carregada de emoção. Sabia que seu pai sempre passava dias em alto mar, mas não esperava que ele fosse o pescador a qual o marido dissera.
Edward se aproximou e o cumprimentou- Olá Charlie- o homem fez uma reverência leve. — Alteza- disse ele respeitosamente.
Edward então se voltou para Jacob. — Este é Jacob, príncipe de Ferinthia. Precisamos que nos leve a Heliodor.
O homem olhou para Jacob, o semblante ficando sério, mas compreensivo. — Vão retornar para o reino?
— Edward concordou- Irei fazer o que deveria ter feito a quase vinte anos.
Charlie assentiu- Seu pai o procurou. Subam a bordo, é bom ter minha filha de volta.
Jacob respirou fundo, agradecido, mas a preocupação não deixava seu rosto. Quando o barco alcançou o alto mar o principe observou Bella apresentando os filhos ao pai, o homem os abraçou emocionado.
A cena fizera seu coração bater mais rápido, pensou em seu filho e na mulher que amava,ele fixou seu olhar no mar, determinado a enfrentar o que fosse necessário para trazê-la de volta. Edward sentiu o mesmo, o peso da responsabilidade e a necessidade de proteger aqueles que amava. Eles sabiam que em Heliodor encontrariam as respostas e a força necessária para salvar Renesmee e proteger o futuro de suas famílias.
O barco balançava suavemente, cortando as ondas, enquanto todos embarcavam em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos, mas unidos pelo mesmo objetivo. A esperança e a determinação guiavam seus passos, enquanto a jornada para Heliodor começava.
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Renesmee acordou lentamente, sentindo uma forte dor na cabeça e uma tontura que parecia fazer o quarto girar ao seu redor. Ela piscou várias vezes, tentando ajustar sua visão e entender onde estava. Com esforço, sentou-se na cama, observando o local estranho e desconhecido. As lembranças voltaram aos poucos — o ataque, a luta, a queda. Tentando levantar-se, sentiu uma onda de tontura e precisou se segurar na beirada da cama.
A porta do quarto abriu-se com um rangido suave, e uma mulher desconhecida entrou, seus olhos frios e calculistas. — Você acordou- Disse ela com uma voz neutra. — Sou Madelaine. Estou aqui para garantir que você fique bem.
Renesmee franziu a testa, a desconfiança evidente em seu olhar. — Onde estou? Ela perguntou, a voz fraca.
Madelaine colocou uma bandeja com frutas e outros alimentos ao lado da cama. — Você está em Ferinthia- Respondeu. — Você precisa se alimentar. — Ela fez uma pausa, observando Renesmee com uma expressão impenetrável. — O rei me alertou que é uma feiticeira, pois aviso de antemão que sua magia não funciona neste quarto. As paredes estão protegidas com erva-morta, uma planta que anula qualquer feitiço.
Renesmee olhou para a bandeja, sentindo um nó na garganta. A ideia de comer parecia distante, mas ela sabia que precisava recuperar suas forças. — Por que estão me mantendo aqui?- Ela perguntou, tentando manter a voz firme.
Madelaine não respondeu diretamente. — Alimente-se- Foi tudo o que disse antes de sair do quarto, fechando a porta atrás de si.
Renesmee ficou sozinha, sentindo uma mistura de raiva e desespero. Olhou para a bandeja de alimentos, então para sua mão, tentando invocar sua magia. Nada aconteceu. Sentiu-se presa, impotente. Com um esforço renovado, levantou-se novamente, desta vez conseguindo manter o equilíbrio. Caminhou até a janela e olhou para as árvores ao redor do castelo.
Fechou os olhos e tentou se conectar com a natureza lá fora. Para sua surpresa, sentiu uma resposta. Os galhos das árvores começaram a se mover levemente, obedecendo ao seu comando. Um sorriso de esperança iluminou seu rosto. Embora estivesse presa, ainda havia uma faísca de sua magia que os inimigos não podiam apagar completamente.
Renesmee respirou fundo, determinada a encontrar uma maneira de escapar. Sabia que aquelas alturas Jacob e sua família fariam tudo para encontrá-la, e precisava estar pronta quando a oportunidade surgisse. Sentiu uma nova força crescer dentro dela, alimentada pela esperança e pela determinação de proteger seu filho e sua família.
Ela voltou para a cama, sentindo-se um pouco mais forte. Começou a comer lentamente, sabendo que precisava estar bem alimentada para utilizar magia de uma forma nunca usada por ela. Seus pensamentos eram de resistência e luta, enquanto planejava sua fuga, confiando em seu amor por Jacob e sabia que Samuel a mantinha ali por alguma razão e precisava descobrir qual era.
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Quando o barco atracou no porto de Heliodor, Bella desceu primeiro, seguida por Edward, Jacob, e as crianças. O pai de Bella os esperava com um sorriso caloroso, abraçando os netos com carinho. — Prometo que não ficaremos mais longe- Disse Bella, retribuindo o abraço.
Seguiram pelas ruas de Heliodor em direção ao palácio. As ruas eram vivas e coloridas, repletas de vendedores oferecendo frutas frescas, tecidos brilhantes e artesanatos locais. O aroma de pão recém-assado e especiarias enchia o ar. Emma e Eliot, maravilhados, olhavam para tudo com olhos arregalados, encantados com a alegria que emanava de cada canto. Ao passarem por numa mesa com frutas o homem ofereceu ao menino uma maçã, ele aceitou com um sorriso e agradeceu- Olha o que ganhei mamãe- disse Eliot, puxando a saia de Bella.
— Voce agradeceu? Perguntou Bella, sorrindo. O menino confirmou com a cabeça, Bella olhou para o homem que assentiu.
Jacob observava em silêncio, lembrando-se de como Ferinthia costumava ser um lugar tão vibrante e feliz antes de seu irmão usurpar o trono. A visão de Heliodor encheu seu coração de saudade e determinação em reerguer seu reino novamente.
Ao se aproximarem do castelo, Edward parou diante de um dos soldados na entrada. — Preciso ver o Rei- isse ele com firmeza. — Sou o Príncipe Edward, e este é o Príncipe Jacob de Ferinthia.
Os soldados trocaram olhares céticos e riram, fazendo piadas baixas. — Príncipe, é?- um deles zombou. — E eu sou o rei das galinhas!
A risada deles foi interrompida quando um homem de aparência imponente se aproximou. Os soldados se endireitaram imediatamente. — General- disseram- Estes homens desejam ver o Rei.
O general olhou para Edward e sua expressão mudou para surpresa. — Não pode ser- murmurou ele.
Edward sorriu, reconhecendo o velho amigo. — General Alistair, é bom vê-lo novamente.
Alistair ainda estava incrédulo, mas o reconhecimento nos olhos de Edward e a aura de autoridade que ele emanava eram inconfundíveis. — Alteza... realmente é você.- Ele se virou para os soldados, sua voz firme. — Abram os portões. Levem-nos ao Rei imediatamente.
Enquanto os soldados se apressavam a obedecer, Edward virou-se para Jacob. — Vamos conseguir.
Jacob assentiu, a determinação em seus olhos refletindo a mesma queimação em seu coração. — Confio em você- disse ele, com firmeza.
Os portões do castelo se abriram, e a pequena comitiva avançou. O futuro parecia incerto, mas com cada passo dado, a esperança crescia dentro deles.
Enquanto caminhavam pelo vasto e imponente corredor do castelo, Edward, Jacob, Bella e as crianças eram escoltados pelos soldados. As paredes eram decoradas com tapestries ricas e antigas que contavam histórias de glória e bravura do passado. Lustres de cristal brilhavam no teto alto, lançando uma luz suave sobre o chão de mármore polido.
Edward olhava ao redor, absorvendo os detalhes do castelo onde ele havia crescido. Um sorriso nostálgico apareceu em seu rosto ao perceber que, apesar do tempo que havia passado, nada parecia ter mudado nos últimos dezoito anos.
Ao se aproximarem da imensa porta da sala do trono, Edward parou. Ele se virou para Jacob e Bella. — Por favor, aguardem aqui. Preciso falar com meu pai primeiro- disse ele, sua voz cheia de uma mistura de antecipação e apreensão.
Jacob assentiu, colocando uma mão no ombro de Edward em um gesto de apoio. — Estamos aqui com você- disse ele, seu olhar firme e encorajador.
Bella segurou a mão de Edward. — Boa sorte- sussurrou ela, apertando suavemente antes de soltá-lo.
Edward respirou fundo e empurrou as grandes portas da sala do trono, entrando sozinho. A sala era imensa, com um teto abobadado e janelas altas que deixavam a luz do sol entrar, iluminando o trono de ouro e o homem sentado nele. Carlisle, o rei, estava imerso em seus pensamentos quando seus olhos se ergueram e encontraram os de Edward.
Por um momento, o tempo pareceu parar. Os olhos de Carlisle se arregalaram, incrédulos. — Edward?Ele murmurou, quase sem acreditar.
Edward tinha planejado um discurso, palavras afiadas como armas para enfrentar seu pai. Mas diante da visão de Carlisle, tudo se desfez. O rei se levantou lentamente de seu trono e, sem dizer uma palavra, caminhou até seu filho. A distância entre eles parecia se desvanecer em um instante, e então Carlisle envolveu Edward em um abraço apertado.
— Estou tão feliz que tenha voltado, filho — sussurrou Carlisle, a emoção quebrando sua voz. — Eu pensei que tinha perdido você para sempre.
Edward, surpreendido, sentiu a resistência e o ressentimento se dissiparem. Ele retribuiu o abraço, sentindo lágrimas se formarem em seus olhos. — Pai- Disse ele, a voz embargada. — Eu também estou feliz por estar de volta.
Os dois permaneceram assim por um momento, pai e filho reunidos após tantos anos de separação e mal-entendidos. Quando finalmente se separaram, Carlisle olhou para Edward com uma mistura de orgulho e amor. — Temos muito o que conversar, mas quero que saiba que você está devolvendo a vida a este velho pai.
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