Beauty and the Beast
29 O adeus à um velho amigo
Jacob sentiu o coração apertar ao ver os rostos sombrios de Quil, Collin e Brad. Seus olhos varreram o ambiente, buscando por qualquer sinal de Renesmee. A inquietação crescia em seu peito, sufocando-o.
— Há feridos? Perguntou Jacob, a voz carregada de preocupação.
Collin assentiu. — Sim, muitos.
Jacob percebeu a troca de olhares entre Collin e Quil, o que apenas aumentou sua ansiedade. — O que mais aconteceu? Sua voz tremia de urgência. — Renesmee está bem?
Quil respirou fundo, lutando para manter a compostura. — Jacob... sentimos muito. Lutamos com todas as nossas forças, mas... Samuel a levou.
O mundo de Jacob parecia desmoronar. A dor e o desespero o invadiram, e ele começou a caminhar em direção à floresta- Eu vou buscá-la- Disse ele, com determinação feroz.
Antes que pudesse avançar mais, Sam, Embry e Paul o seguraram. — Jacob, você não pode ir assim- Implorou Sam, segurando-o firmemente.
Reginald se aproximou, a expressão séria. — Jacob, precisa se controlar. É isso que Samuel deseja. Ele sabe que Renesmee é sua fraqueza e não vai feri-la imediatamente. Ela é a moeda de troca.
Edward, embora igualmente preocupado, tentou manter a razão. -Reginald tem razão. Sozinhos, não conseguiremos entrar no castelo. Precisamos de um plano.
Emmett, Jasper e Darius concordaram com Edward. — Vamos pensar juntos, Jacob- disse Emmett. — Vamos trazer Renesmee de volta, mas precisamos ser estratégicos.
Mesmo lutando contra o desespero, Jacob sabia que seus amigos estavam certos. Ele respirou fundo, tentando acalmar-se.
Entraram em Eirondel, onde a destruição deixada por Samuel estava por toda parte. As casas queimadas, as plantações arrasadas, e o cheiro de cinzas no ar eram testemunhas do ataque. No centro do povoado, avistaram um corpo estendido no chão.
Jacob se aproximou lentamente, o coração apertado. Era o ancião, o velho Quill. Quil, com os olhos cheios de lágrimas, explicou com a voz embargada. — Meu avô... não resistiu. O coração dele não suportou ver Eirondel assim.
Jacob ajoelhou-se ao lado do corpo do ancião, sentindo um peso esmagador no peito. Lágrimas brotaram em seus olhos. — Samuel pagará por isso- Murmurou ele, a voz carregada de emoção e fúria.
Sam correu em direção a Leah e seus filhos, os braços abertos para envolvê-los num abraço apertado. O alívio foi palpável quando ele finalmente os segurou, sentindo o calor dos corpos familiares. — Graças aos deuses, vocês estão bem- murmurou, a voz embargada pela emoção. Leah acariciou o rosto dele, um sorriso trêmulo nos lábios. — Estamos aqui, Sam. Estamos aqui.
Isabella, por outro lado, estava devastada. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e ela tremia ligeiramente ao lado de Edward. — Não acredito que ela foi levada novamente- soluçou, escondendo o rosto no peito do marido. Edward a abraçou com força, a determinação em seus olhos contrastando com a dor. — Eu prometo, que dessa vez vou trazer nossa filha de volta.
Jacob, apesar do medo e da dor pulsando em seu coração, sabia que precisava se recompor. — Vamos preparar o velório do Velho Quill- Disse ele, sua voz firme apesar do tumulto interno. — E os demais, ajudem na reconstrução das casas. Precisamos de um lugar seguro para todos.
Alice se aproximou, um brilho de preocupação em seus olhos. — Minha magia não pode recuperar totalmente a floresta- explicou. — Só Renesmee pode fazer isso, por ter parte da mágia de Morgana. Mas farei o que puder para ajudar.
Jacob assentiu, grato. — Obrigado, Alice. E Emmett, Edward, levem suas famílias para minha casa. Eles precisam descansar.
Emmett e Edward agradeceram, guiando suas esposas e crianças para a casa de Jacob. Edward parou por um momento, apertando a mão de Jacob. — Vamos resgatá-la- Prometeu. Jacob assentiu, o peso da responsabilidade em seus ombros.
Reginald se aproximou, colocando uma mão encorajadora no ombro de seu pupilo. — Lembre-se, Jacob- Disse ele com uma voz firme, mas gentil. — Um líder é forjado nas adversidades. É nas horas mais sombrias que sua luz brilha mais forte.
Jacob repetiu essas palavras em sua mente, tentando encontrar força nelas. " eu vou buscar voce meu amor" murmurou para si mesmo, o amor por Renesmee e a necessidade de proteger seu filho o esmagando por dentro — Vamos trazê-la de volta, e faremos Samuel pagar por tudo isso.- Disse Reginald.
Os lobos de Eirondel trabalharam incansavelmente durante o dia, seus corpos se movendo em sincronia enquanto levantavam tábuas, reconstruíam paredes e consertavam telhados. A energia vibrava entre eles, um misto de determinação e tristeza, enquanto ajudavam a reconstruir as moradias destruídas pela ira de Samuel. Jacob liderava com firmeza, mas seus olhos traíam a preocupação que sentia por Renesmee e o bebê.
À medida que o sol se punha, uma calmaria solene envolveu o vilarejo. Todos se reuniram diante do corpo do Velho Quill, o silêncio pesado apenas interrompido pelo crepitar suave das tochas acesas que clareavam a escuridão da noite. As tochas estavam enfileiradas em volta do corpo do ancião, criando um círculo de luz e calor em meio à escuridão fria.
Quill, com os olhos vermelhos de dor, aproximou-se do corpo de seu avô, de mãos dadas com Claire. Ele tremia ligeiramente, e Claire o amparou em seus braços, oferecendo-lhe o apoio que ele tanto precisava naquele momento.
Jacob deu um passo à frente, seu olhar triste mas determinado. Ele respirou fundo antes de começar a falar, sua voz ressoando no silêncio da noite.
— Estamos aqui hoje para nos despedir de um grande homem- Começou Jacob, sua voz firme mas suave. — O Velho Quill foi mais do que um líder para nós. Ele foi um guardião, um sábio, um guia em tempos de incerteza. Sua sabedoria nos conduziu, e sua força nos inspirou.
Ele fez uma pausa, olhando para Quill e Claire, antes de continuar. — Agora, ele se junta aos nossos ancestrais, entre eles o grande Ephraim. Juntos, eles vigiarão e protegerão Eirondel, como sempre fizeram. O legado do Velho Quill viverá em cada um de nós, em cada pedra que levantamos e em cada semente que plantamos. Sua memória será uma chama que nunca se apagará.
Quill se aproximou do corpo do avô, as lágrimas escorrendo silenciosamente pelo rosto. Com mãos trêmulas, ele acendeu o fogo sobre o corpo do Velho Quill. As chamas começaram a dançar, subindo lentamente e envolvendo o corpo em um abraço quente e luminoso.
Alice deu um passo à frente, levantando as mãos. Sua magia fluiu como uma corrente suave, transformando as cinzas do Velho Quill em poeira mágica que subiu ao céu. Todos ergueram os olhos, maravilhados, quando a poeira tomou a forma do rosto do ancião, sorrindo para eles de cima.
— Ele está conosco- Sussurrou Alice, sua voz cheia de reverência. -Sempre estará.
A imagem do rosto do Velho Quill brilhou no céu por um momento, antes de se dissipar, espalhando-se como estrelas brilhantes na noite. A poeira mágica desapareceu, deixando uma sensação de paz e tranquilidade entre todos.
Jacob respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade e da perda. Mas também sentiu a força de todos, a união que os manteria firmes. Enquanto a noite avançava, todos permaneceram juntos, seus corações e almas ligados pela lembrança do Velho Quill e pela determinação de continuar lutando por Eirondel.
Aria estava escondida nas sombras, observando à distância o velório do Velho Quill. As palavras de Jacob ecoavam em sua mente, um lembrete doloroso de sua traição. Apesar de ter feito parte do plano que levou Samuel a Eirondel, ela não esperava que o ancião dos lobos perecesse. Sentia um peso esmagador em seu coração, uma dor que a vingança não poderia aliviar. Aria percebeu, tarde demais, que havia deixado o ciúme e a raiva contra Jacob a cegar.
Os olhos de Aria brilharam com lágrimas não derramadas enquanto ela observava a cerimônia. Cada palavra de despedida, cada olhar de tristeza e determinação nos rostos de sua antiga matilha, eram punhais em seu coração. Não aguentando mais, ela se retirou silenciosamente, sem ser vista pelos demais. Seus passos rápidos e silenciosos a levaram para a floresta, onde a escuridão oferecia um breve consolo.
Após alguns minutos, Aria se transformou em loba, suas patas movendo-se com uma precisão e velocidade que apenas o desespero poderia conferir. Ela correu, guiada por memórias antigas e dolorosas, até um lugar que uma vez tinha sido seu refúgio com Jacob. Era uma clareira escondida entre árvores antigas, com um pequeno riacho que corria silenciosamente pelo meio. A luz do luar se filtrava pelas folhas, lançando um brilho suave e prateado sobre a água. Eles costumavam se encontrar ali, longe dos olhos curiosos, compartilhando momentos de paz e amor.
Aria retornou à sua forma humana, seu corpo cansado e ferido. Sentou-se à beira do riacho, olhando para a superfície da água que refletia o céu estrelado. O lugar estava impregnado de lembranças, cada canto da clareira sussurrando segredos de um passado feliz. Ela ergueu os olhos para o céu, sentindo a brisa noturna acariciar seu rosto.
— Perdão- murmurou, a voz embargada pela dor. — Perdão, grande Ephraim. Eu me perdi no meu próprio ódio e ciúmes. Não queria que isso acontecesse... não assim.
As lágrimas finalmente caíram, rolando silenciosamente por seu rosto. Aria ficou ali, sozinha com sua dor e arrependimento, ciente de que o caminho que escolhera a levara a uma ruína pessoal. Ela não podia desfazer o passado, mas naquele momento de vulnerabilidade, esperava encontrar um fragmento de redenção. Sentindo o peso de suas ações, Aria chorou, pedindo perdão ao céu estrelado, onde talvez seus antepassados pudessem ouvir sua súplica.
Após a despedida do Velho Quill, o ar em Eirondel estava carregado de tristeza e comoção. Jacob reuniu todos em volta da grande fogueira, suas feições sombrias refletindo o brilho das chamas.
— Sam- Jacob começou, sua voz firme mas cheia de preocupação- Como está a situação de todos no povoado?
Sam, com o rosto endurecido pela responsabilidade e pelo cansaço, respondeu, — Eles estão assustados, Jacob. Não se sentem mais seguros aqui. A invasão de Samuel abalou a confiança de todos.
Jacob franziu o cenho, a raiva borbulhando sob a superfície. — Precisamos descobrir como Samuel descobriu a entrada para Eirondel. Era protegida por magia.
Brad, que estava em silêncio até então, deu um passo à frente. — Há uma forma de descobrir- Disse ele. Hoje antes de vir para o velório eu passei por uma parte próxima ao lago e encontrei um homem ferido, temos um prisioneiro.
Jacob sentiu uma urgência crescer dentro de si. Aquele soldado poderia ser a chave para descobrir como eles haviam entrado em Eirondel-Onde ele está?
Brad o levou até uma parte da floresta próxima ao lago, onde um soldado ferido e amarrado aguardava. Emmett decidiu acompanhar, sabendo que sua experiência poderia ser útil.
Ao se aproximarem, o soldado ergueu o olhar e soltou uma risada zombeteira. — Bem, bem, se não é o traidor do rei- Disse ele, mirando Emmett. — Quem diria que um dos cães mais leais do rei se tornaria um vira-lata.
Emmett ignorou a provocação, mas Jacob não perdeu tempo. Aproximou-se, sua presença intimidante. — Eu sou o único rei- declarou Jacob, a voz carregada de autoridade. — Agora, fale. Quem mostrou a entrada para Eirondel?
O soldado riu novamente, um som amargo e insolente. — Eu vou responder- disse ele, o tom sarcástico. — Mas não porque esta ordenando, pois eu sirvo apenas um rei- A voz do homem era fraca demonstrando que ele não sobreviveria por muito tempo- Mas Porque aquela mulher é muito atrevida.
Jacob franziu o cenho, confuso. — De que mulher está falando?
O soldado riu mas percebeu que estava sem ar e tossiu- Não imagina Majestade? respondeu o soldado, o sorriso irônico ainda nos lábios. — A loba traidora.
—Aria...
A raiva de Jacob explodiu como um vulcão. Sem esperar que o soldado terminasse de falar, ele girou sobre os calcanhares e correu pela floresta, sua mente inundada de fúria. Cada passo era um martelo batendo em sua cabeça, cada batida do coração um grito de traição. Aria, alguém de dentro da própria matilha, havia traído todos eles.
A paisagem ao redor passou em um borrão enquanto ele corria, seus pensamentos fixos em encontrar Aria. Sentia a adrenalina pulsar em suas veias, alimentando sua determinação feroz. A traição de Aria era imperdoável, e Jacob estava decidido a fazer com que ela pagasse pelo que fez.
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