A noite caiu lentamente sobre a pequena casa da família, e Renesmee deitou-se em sua cama, embora o sono estivesse longe de alcançá-la. Os pensamentos sobre a decisão que tomou consumiam sua mente, e ela sabia que, apesar da relutância de seu pai em protegê-la, não havia outra escolha. Se Edward perdesse suas terras, a família mergulharia na miséria e seus irmãos menores, Eliot e Emma, padeceriam sem ter para onde ir.

Renesmee pensou em seus irmãos, tão pequenos e indefesos. Eliot, com seus olhos curiosos e perguntas incessantes sobre o mundo ao seu redor, e Emma, com seu riso contagiante e inocente. Ela não podia permitir que eles sofressem as consequências da dívida. Preferiria morrer do que ver sua família perecer por sua covardia.

Deitada em sua cama, Renesmee olhava para o teto, as lágrimas escorrendo silenciosamente por seu rosto. A tristeza pesava em seu peito como uma pedra, e o medo do que a aguardava na floresta de Umbra era quase paralisante. Ela conhecia as histórias sobre Jacob Black, o príncipe exilado, e as terríveis mortes das jovens que o precederam.

Ela pensou em como seria sua vida na floresta, longe de sua família e dos pequenos momentos de alegria que compartilhavam. Pensou no rosto de seu pai, marcado pelo desespero e pela luta constante para sustentar a família, e soube que sua decisão era a única forma de lhes dar uma chance de sobreviver.

Renesmee virou-se para o lado, abraçando seu travesseiro como se fosse um escudo contra a realidade cruel que se desenhava à sua frente. As lágrimas continuavam a cair, cada uma carregando uma parte de sua esperança e de seu medo. Ela sabia que estava prestes a enfrentar algo terrível, mas também sabia que era sua responsabilidade proteger aqueles que amava.

A noite parecia interminável, cada minuto arrastando-se com uma lentidão torturante. Renesmee fechou os olhos, tentando encontrar alguma paz em meio ao turbilhão de emoções que a assolava. Ela rezou silenciosamente por força e coragem, por uma maneira de enfrentar o destino que a aguardava sem sucumbir ao desespero.

Na manhã seguinte, Renesmee foi despertada pelo som alto da voz de seu pai. Ela ouviu o barulho de uma discussão acalorada vindo do lado de fora. Saindo rapidamente de seu quarto, ela encontrou sua mãe, Isabella, na sala de estar, tentando acalmar Eliot e Emma, que estavam assustados com a comoção.

— Renesmee, fique aqui — Implorou Isabella, segurando os ombros da filha com firmeza. — Seu pai está tentando resolver a situação. Não se envolva.

Mas Renesmee, determinada a proteger sua família, a desobedeceu. Ela saiu da casa e encontrou seu pai, Edward, cercado por soldados armados e um mensageiro do rei. A expressão de Edward era de desespero e impotência enquanto ele enfrentava a multidão.

— O senhor Edward Cullen — Anunciou o mensageiro com uma voz autoritária- Deverá desocupar estas terras imediatamente. Por desobediência à coroa, será condenado à morte.

Ao ouvir a mensagem do Rei, Renesmee interveio, com seu coração batendo forte no peito. — Por favor, tenham clemência — Ela implorou, colocando-se entre seu pai e os soldados. -Eu aceito a proposta do rei de me casar com o príncipe.

Edward tentou impedi-la, sua voz cheia de pânico. — Filha, não! Eu não permitirei que você se sacrifique por isso!

A ruiva segurou a mão de seu pai, olhando em seus olhos com uma determinação inabalável. – Pai – Ela olhou para os soldados — Por favor, me dê alguns minutos para falar com meu pai- Pediu ela ao mensageiro. O líder do grupo assentiu relutantemente, concedendo-lhes um momento de privacidade.

Ela puxou seu pai para um canto, longe dos ouvidos curiosos dos soldados. — Pai, se eu morrer, você e a mamãe ainda terão Eliot e Emma. Vocês poderão viver e cuidar deles — Disse Renesmee, sua voz embargada pela emoção. — Mas se você morrer, e a mamãe e os meus irmãos perderem nosso lar, como eles irão sobreviver?

Edward, com lágrimas nos olhos, tentou falar, mas Renesmee o interrompeu. — Eu jamais poderei viver com a culpa pelo sofrimento da nossa família. Se meu sacrifício é necessário para que vocês possam viver, então eu me sacrificarei de bom grado.

Edward, lutando contra as lágrimas, finalmente assentiu, percebendo a coragem de sua filha. — Eu te amo tanto, minha filha — Sussurrou ele, abraçando-a com força. — Você é mais corajosa do que eu jamais poderia ser.

Renesmee sorriu tristemente, sabendo que estava tomando a decisão certa, embora dolorosa. Ela se virou para os soldados, pronta para enfrentar seu destino. — Estou pronta — Disse ela, com a voz firme, embora seu coração estivesse partido.

Isabella correu para a porta, gritando o nome da filha. — Renesmee! Não, por favor, não a levem! — Ela tentou avançar, mas Edward a segurou firmemente, impedindo que ela alcançasse os soldados. — Isabella, por favor — sussurrou ele, a voz embargada pela dor. — Precisamos confiar nela.

Renesmee, com lágrimas nos olhos, montou em um dos cavalos dos soldados. Ela olhou para trás, vendo sua mãe chorando em desespero e seus irmãos menores, Eliot e Emma, abraçados um ao outro, confusos e amedrontados. Cada lágrima que escorria por seu rosto era uma prova do amor que sentia por sua família, mas ela sabia que aquilo era necessário para que eles pudessem viver.

Os soldados a escoltaram até o castelo, uma estrutura imponente e fria que se erguia contra o céu cinzento. O caminho parecia interminável, cada passo do cavalo levando-a para mais longe de sua casa e de tudo que conhecia.

Ao chegarem ao castelo, Renesmee foi levada diretamente ao salão do trono, onde o Rei Samuel a aguardava. Ele estava sentado em seu trono, uma expressão de satisfação no rosto enquanto observava a jovem sendo trazida até ele. Seus olhos avaliavam Renesmee com um misto de curiosidade e cálculo.

— Vossa Majestade – Disse o mensageiro ajoelhando-se diante de Samuel – Como ordenado visitamos o camponês, e sua filha lhe foi dada como pagamento por sua dívida.

O Rei Samuel olhou para Renesmee, seus olhos avaliando cada detalhe de sua aparência. Ela era, sem dúvida, linda, com seus longos cabelos ruivos e olhos marrons brilhantes. Por um breve momento, ele ponderou sobre a possibilidade de mantê-la para si. Ela poderia lhe dar lindos herdeiros ao trono, especialmente considerando que Olivia, sua esposa atual, não era capaz de lhe proporcionar filhos.

No entanto, Samuel sabia que jovens como Renesmee estavam em falta no reino. A pressão das dívidas e da escassez fazia com que o sacrifício fosse necessário para manter Jacob longe do reino e garantir a estabilidade. Ele não podia arriscar a condenação de seu irmão exilado. Além disso, a tradição e o medo mantinham o controle sobre a população, algo que ele não estava disposto a sacrificar.

— Então, minha doce jovem, você decidiu se sacrificar pela dívida de sua família? Perguntou ele, a voz ecoando pelo grande salão. — Corajosa, sem dúvida. Mas será que possui a força necessária para sobreviver ao destino que a espera?

O coração de Renesmee acelerou, mas ela manteve-se ereta e olhou diretamente nos olhos do rei. — Estou disposta a fazer o que for preciso para salvar minha família, Vossa Majestade. Aceito meu destino, desde que dê sua palavra que meu pai e minha família poderão viver em paz.

O Rei Samuel sorriu, satisfeito com a resposta. — Muito bem, então. A senhorita tem minha palavra de que a partir de hoje seu pai está livre das dívidas, a levem para um dos aposentos- ordenou ele aos guardas. — Que a cerimônia seja realizada ao pôr do sol.

Os guardas assentiram e conduziram Renesmee para os aposentos designados para sua preparação. Enquanto a levavam, Samuel continuava a observá-la, lutando internamente com a decisão que havia tomado. Ele sabia que, ao final do dia, estaria selando o destino de mais uma jovem, mas o desejo pelo poder o guiavam, deixando pouco espaço para a compaixão.

Renesmee foi levada para um quarto luxuoso, onde servas esperavam para ajudá-la a se preparar. Elas a banharam, arrumaram seus cabelos e a vestiram com um magnífico vestido de seda branca, adornado com detalhes dourados. A tristeza e o medo eram visíveis em seus olhos, mas ela mantinha uma expressão resoluta.

Enquanto as servas trabalhavam em silêncio, Renesmee pensava em sua família. Ela sabia que sua decisão era a única maneira de protegê-los e garantir que tivessem um futuro. A imagem de seu pai, Edward, sua mãe, Isabella, e seus irmãos, Eliot e Emma, fortalecia sua decisão.

Ao final da tarde, Renesmee estava pronta. Com o coração pesado, ela foi levada para o grande salão onde a cerimônia seria realizada. O sol começava a se pôr, lançando um brilho dourado através das janelas altas do castelo. Ao entrar, ela achou estranho o fato do príncipe Jacob não estar presente. Como ela poderia se casar sem seu noivo? O salão estava parcialmente cheio, com o Rei Samuel e algumas testemunhas presentes. A atmosfera era solene, carregada de uma expectativa silenciosa.

Logo, um padre se apresentou diante dela, uma figura imponente com uma expressão séria. — Na ausência do príncipe, você se casará com seu representante legal — Explicou ele, dirigindo-se a Renesmee com uma voz calma, mas firme.

O Rei Samuel gesticulou para que Renesmee se colocasse diante do padre, e ela obedeceu, o coração batendo acelerado. O padre levantou as mãos, pronunciando uma bênção sobre o casamento e com um gesto solene, o padre entregou a ela um anel real, um símbolo da união que agora se estabelecia, em seguida, colocou em sua cabeça uma pequena coroa, proclamando: — Eu te declaro Condessa de Fenrithia.

Renesmee se sentiu esmagada pela magnitude do momento. Ela havia se tornado parte da família real, mas a que custo? O título que agora carregava era uma marca de seu sacrifício.

O Rei Samuel se aproximou, um sorriso calculado em seus lábios. — Agora você faz parte da nossa família, Renesmee — Disse ele, sua voz carregada de autoridade. — É hora de partir.

Renesmee olhou ao redor, e seus olhos encontraram os de Olivia, a rainha. Olivia sorriu suavemente, um alívio perceptível em sua expressão. Ela estava aliviada com o fato de que a camponesa seguiria o destino das demais. Nas ultimas horas, Olivia havia percebido o interesse do Rei na jovem e temeu que ele mudasse de ideia, mantendo-a no castelo. Mas agora, vendo Renesmee partir para um destino mortal, a rainha sentiu uma tranquilidade sombria

O rei acenou para os guardas, que imediatamente se aproximaram de Renesmee. Ela lançou um último olhar ao salão, tentando memorizar cada detalhe, cada rosto. Então, com um aperto no coração, ela seguiu os guardas para fora do castelo.

Eles a conduziram através das ruas e dos portões do castelo, até os limites do reino. O sol começava a se pôr, lançando sombras longas e sombrias pelo caminho. A cada passo, Renesmee sentia o peso de seu destino se intensificar.

Renesmee viajou com os guardas por algumas horas. O caminho era árduo, passando por estradas tortuosas e trilhas esquecidas. Ao chegar à floresta de Umbra, a escuridão se fechava ao seu redor, densa e opressora. As árvores altas e retorcidas pareciam formar uma barreira intransponível, suas folhas sussurrando segredos antigos ao vento.

Os guardas a acompanharam até uma clareira oculta no coração da floresta. Ali, o líder dos guardas se voltou para Renesmee e disse, com uma expressão quase compassiva: — Aqui é onde nos despedimos. Siga sozinha agora. O príncipe irá encontrá-la.

Renesmee olhou ao redor, sentindo o medo se intensificar dentro dela. Antes que ela pudesse dar um passo, um dos guardas se aproximou, tirando uma adaga de sua cintura e a entregando a ela com um sorriso cruel. — Você pode precisar disto — Disse ele, sua voz cheia de malícia.

Os outros guardas caíram na gargalhada, o som ecoando assustadoramente pela clareira. Sem mais palavras, eles se viraram e desapareceram na escuridão, deixando a ruiva completamente sozinha.

Apavorada, ela segurou a adaga com força, sentindo o frio do metal contra sua pele. Cada som na floresta parecia amplificado — o farfalhar das folhas, o estalo de galhos sob seus pés, o distante uivo de um lobo.

Com passos hesitantes, Renesmee começou a caminhar pela escuridão da floresta, tentando manter a calma. O medo se misturava à sua determinação, e a imagem de sua família lhe dava forças para continuar. Ela sabia que, apesar de todo o terror que sentia, não tinha outra escolha.

A cada passo, a escuridão parecia mais opressiva, as sombras mais profundas. Ela não sabia o que a aguardava, mas estava decidida a enfrentar qualquer coisa para proteger sua família. O som de sua própria respiração ofegante era a única companhia que tinha enquanto caminhava cada vez mais fundo na floresta de Umbra, temendo por sua própria vida e pelo que poderia encontrar no caminho.