Beauty and the Beast

25 Conversa familiar


Era uma noite escura quando o Príncipe Samuel caminhou pelos corredores silenciosos do castelo, sua mente fervilhando de raiva e frustração. Desde a nomeação de Jacob para o trono, ele não havia tido uma conversa séria com seu pai. Sua revolta era conhecida, mas ainda não havia confrontado Billy diretamente. Determinado a esclarecer tudo, ele se dirigiu ao quarto de seu pai.

Samuel bateu na porta com força. — Pai, precisamos conversar.

— Entre, Samuel- Respondeu Billy, com uma voz gentil, já esperando a visita do filho. — Eu sabia que viria.

Ao entrar no quarto, Samuel encontrou seu pai sentado em uma poltrona, aparentando calma, mas com um olhar atento. — Por que você escolheu Jacob e não a mim? Sempre fui obediente, sempre fiz tudo o que você pediu- Disse Samuel, sua voz tremendo de emoção.

Billy suspirou, sua expressão se suavizando. — Samuel, se eu pudesse, você seria minha escolha sem dúvidas. Mas o povo precisa de um rei que seja caloroso e integrado a eles. Jacob tem um coração que alcança todos. Ele é quem Ferinthia precisa.

— Isso é absurdo- Gritou Samuel, dominado pela raiva — Eu sempre fui leal! Eu mereço o trono!

Billy balançou a cabeça tristemente. — Não é apenas isso, Samuel. Há algo mais... Você não pode ser rei porque, apesar de ter sido criado por mim, você não é meu filho de sangue.

A revelação atingiu Samuel como um golpe. — Isso é mentira- Ele gritou, sua voz carregada de choque e descrença. "Você está inventando isso para dar o trono a Jacob

— Infelizmente, é verdade- Billy afirmou, sua voz cheia de tristeza. — Você é filho de Sarah e Tharion. Eu te criei como meu filho, mas a linhagem do trono não permite que você o herde.

Samuel sentiu o mundo girar ao seu redor. — Isso é uma mentira — repetiu Samuel, sua mente em tumulto. A raiva e a frustração transbordaram em uma explosão de gritos e acusações. — Você me criou com uma mentira! Tudo foi uma farsa!

A discussão esquentou, as palavras se tornando cada vez mais intensas e desesperadas. De repente, Samuel parou de falar, seu corpo começou a tremer de forma descontrolada. Billy levantou-se rapidamente, preocupado. — Samuel, o que está acontecendo?

— Afaste-se! Gritou Samuel, seu corpo se contorcendo de maneira antinatural. Os olhos de Billy se arregalaram de horror enquanto observava a transformação diante dele. Samuel começou a se transformar, suas feições humanas distorcidas em algo monstruoso.

Billy recuou, incapaz de acreditar no que via. — Samuel, não! Ele estendeu a mão, mas o filho, agora uma criatura metade lobo, metade dragão, rugiu ferozmente, seus olhos brilhando com uma fúria sobrenatural.

A transformação completa, a criatura que fora Samuel lançou um olhar selvagem para Billy, que deu dois passos para trás, o pavor estampado em seu rosto. — Filho! Billy chamou desesperadamente, tentando alcançar algum vestígio da humanidade de Samuel.

Mas o monstro não respondeu. Com um rugido, Samuel saltou sobre Billy, atingindo-o com um único golpe mortal. O rei caiu, seu corpo inerte no chão, enquanto Samuel, agora completamente consumido pela besta, se erguia sobre seu pai, suas garras ainda pingando sangue.

O quarto caiu em um silêncio mortal, quebrado apenas pelo som da respiração pesada da criatura, que observava seu feito com olhos frios e desumanos. A tragédia estava completa, e a fúria de Samuel tinha finalmente encontrado uma saída terrível.

Samuel caiu de joelhos diante do corpo inerte do rei, suas mãos trêmulas ainda sujas com o sangue de seu pai. Ele voltou à sua forma humana, mas o horror do que havia feito o envolveu como uma sombra. Atordoado, ele se levantou e, ainda nu, correu pelos corredores vazios do castelo.

Ele sabia que precisava encontrar ajuda, alguém que pudesse pensar claramente. Seus passos o levaram ao quarto de Olivia, a princesa e uma de suas confidentes mais próximas. Sem hesitar, ele abriu a porta com um estrondo, assustando a jovem que estava prestes a se deitar.

— Samuel!Gritou Olivia ao vê-lo, seu rosto pálido de choque. — O que aconteceu? Por que você está...?Ela virou-se rapidamente de costas, a visão do príncipe nu e coberto de sangue era demais para ela.

—Olivia- Dsse Samuel, sua voz cheia de desespero. -Eu... Eu matei meu pai.

O sangue gelou nas veias de Olivia. Ela respirou fundo, tentando manter a calma. Sabia que precisava agir rapidamente. -Samuel, ouça-me com atenção- Disse ela, sua voz firme. — Você deve trancar-se em seu quarto agora e ficar lá até que eu venha buscá-lo. Direi que você não saiu de lá a noite toda.

Samuel olhou para ela, seus olhos cheios de pânico, mas vendo a determinação nos olhos de Olivia, ele assentiu. — Entendi- disse ele. — Eu confio em você.

Ele saiu às pressas, correndo pelos corredores até seu próprio quarto. Olivia ficou parada por um momento, seu coração batendo freneticamente. Ela sabia que precisava pensar rápido para proteger Samuel e ao mesmo tempo usar a morte do Rei a seu favor.

Olivia, ainda recuperando-se do choque, sabia que precisava agir rapidamente para salvar Samuel e proteger o reino. Enquanto pensava nos próximos passos, ouviu uma batida suave na porta. Era Madelaine, a fiel serviçal de Olivia, que sempre estava por perto quando precisava.

— Entre, Madelaine- Chamou Olivia, tentando manter a voz firme.

Madelaine entrou, uma expressão preocupada no rosto. — Senhora, está tudo bem?Perguntou ela, notando a agitação de Olivia.

Olivia suspirou profundamente. — Madelaine, você sabe onde está Jacob?

A serviçal hesitou por um momento antes de responder. — Eu vi o príncipe sair com os amigos mais cedo. Com certeza foram beber.

Olivia assentiu, já suspeitando disso. — Obrigada, Madelaine- Dsse ela, sua mente já planejando o próximo passo. — Me espere no saguão do castelo, não deixe que ninguém a veja.

Madelaine assentiu observando Olivia, que caminhou até um baú antigo no canto de seu quarto. Ela abriu a tampa e retirou um pequeno frasco contendo uma poção especial que sempre guardava para emergências. Com cuidado, escondeu o frasco entre os seios, sentindo a frieza do vidro contra a pele.

A princesa tinha em mente um plano perfeito. Seu objetivo era claro: livrar-se do noivo antes de ser rejeitada e fazer de Samuel o rei, com ela ao seu lado como rainha. Com o frasco escondido entre os seios, ela saiu determinada em direção à taberna, onde sabia que Jacob estaria comemorando.

Ao chegar, viu Jacob no centro de uma mesa, rindo e brindando com seus amigos, feliz por ter sido escolhido por seu pai. Olivia pegou uma bebida e discretamente derramou a poção dentro, certificando-se de que ninguém a observava. Com um sorriso calculado, aproximou-se do noivo, seu coração batendo rápido com a expectativa.

— Para você meu amado- disse ela, oferecendo-lhe a bebida- Uma bebida para comemorar a véspera de sua coroação.

Jacob aceitou a bebida sem suspeitar de nada, levando o copo aos lábios e bebendo profundamente. Olivia permaneceu ao seu lado, observando cada movimento, esperando pela poção fazer efeito. Quando viu os sinais sutis de que Jacob começava a sentir-se estranho, ela se inclinou e o abraçou, sussurrando em seu ouvido.

— Vamos para o castelo- Murmurou ela, insinuando com a voz um desejo de estar a sós com ele. — Quero estar só com você.

Jacob, sentindo-se confuso e sonolento, talvez já tivesse bebido demais e por isso assentiu. — Amigos chegou a minha hora- Ele disse tentando disfarçar a breve confusão em sua mente.

Alguns soldados riram e eles saíram da taberna, com Olivia segurando Jacob firmemente enquanto ele cambaleava. Cada passo dele se tornava mais difícil, mas ela o manteve em movimento, guiando-o pelo caminho até o castelo.

Ao entrarem no saguão, Jacob finalmente não conseguiu mais manter-se em pé. Com um último esforço, ele caiu desacordado, seu corpo pesado desabando no chão.

Olivia olhou ao redor rapidamente, certificando-se de que ninguém havia visto o que acontecera. Em seguida, ela chamou Madelaine, que havia sido informada sobre uma parte do plano.

— Madelaine, rápido, precisamos levar Jacob para o quarto do Rei.

Madelaine, embora surpresa com a urgência, fez como mandado, ajudando Olivia a arrastar Jacob para o quarto do rei. Quando abriram a porta e a luz iluminou o interior, Madelaine ofegou ao ver o corpo do rei Billy estirado no chão, morto. O terror estampado no rosto da serviçal não passou despercebido por Olivia.

— Controle-se, Madelaine- Disse Olivia com firmeza, embora sua própria voz tremesse levemente. — Precisamos concluir o plano.

Madelaine, ainda atordoada, assentiu e ajudou Olivia a tirar as roupas de Jacob. O príncipe estava completamente desacordado, alheio à conspiração ao seu redor. Com esforço, as duas mulheres colocaram Jacob nu ao lado do corpo do rei, criando a cena perfeita para incriminá-lo.

— Precisamos sair daqui antes que alguém nos veja- Sussurrou Olivia, puxando Madelaine pela mão. Elas saíram do quarto em silêncio, fechando a porta suavemente atrás de si. Nenhuma alma as viu enquanto se esgueiravam pelos corredores escuros, deixando para trás o cenário de uma tragédia cuidadosamente orquestrada.

Nos corredores vazios do castelo, Olivia sentiu uma mistura de triunfo e ansiedade. O caminho estava agora livre para Samuel, e ela se preparava para o próximo passo de seu plano ambicioso.

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Floresta de Eirondel, tempos atuais.

Apesar da tensão decorrente da revelação sobre Samuel, Jacob e seus companheiros tentaram aproveitar o jantar. Sentados à mesa, Jacob, Reginald, Jasper, Emmett, Edward e Darius conversavam animadamente sobre acontecimentos passados, muitos dos quais deixavam Jacob um pouco constrangido pelas histórias embaraçosas.

— Então, Jacob, lembra daquela vez em que você tentou escalar a torre de vigia só para impressionar as damas e acabou preso no telhado por horas?Jasper provocou, arrancando risadas de todos.

— Ah, sim! E ele ficou lá, gritando por ajuda até que um dos guardas o encontrou! Emmett acrescentou, rindo alto.

Jacob balançou a cabeça, um sorriso tímido nos lábios. — Vocês nunca me deixarão esquecer isso, não é?

A conversa animada foi interrompida quando Renesmee e Alice entraram, carregando bandejas com o jantar. O aroma delicioso de carne assada, legumes frescos e pães acabados de sair do forno encheu a sala, despertando os elogios dos homens.

— Isso cheira maravilhoso!Exclamou Reginald, os olhos brilhando de expectativa.

Alice sorriu modestamente. — Eu só ajudei. Foi Renesmee quem preparou tudo.

Jacob, orgulhoso, puxou Renesmee para se sentar ao seu lado. — Ela é incrível, não é? disse, beijando carinhosamente os cabelos dela.

Edward observou a interação com um sorriso, percebendo o vínculo especial entre sua filha e Jacob. — Sempre adorei quando Renesmee cozinhava para nós- comentou, os olhos cheios de orgulho paterno.

O jantar transcorreu animado, com todos se servindo e rindo das histórias compartilhadas. Após a refeição, Jacob e Renesmee levaram Edward para o jardim, pois precisavam ter uma conversa particular. Havia muito a ser discutido, especialmente sobre o relacionamento deles.

Antes que pudessem começar, Edward, compreendendo a direção da conversa, antecipou-se. — Eu percebi que vocês dois não são apenas amigos- disse ele, olhando para Jacob. — Existe algo mais entre vocês.

Jacob respirou fundo, afirmando com firmeza. — Meu casamento com Renesmee é válido. Nós somos marido e mulher.

Edward sorriu, surpreso e feliz ao mesmo tempo. — Estou aliviado em saber que minha filha foi protegida por alguém que a ama.

Jacob apertou a mão de Renesmee, dizendo com sinceridade. — Eu a amo mais do que tudo.

Edward segurou a mão de ambos, as emoções transbordando em seus olhos. — Mal recuperei minha filha e já a perdi para o futuro rei- disse ele com uma risada suave, os olhos brilhando com lágrimas contidas.

Renesmee trocou um olhar significativo com Jacob antes de se aproximar mais de seu pai. — Pai, tem mais uma coisa que precisamos lhe contar- disse ela, segurando a mão de Edward com ternura. — Você agora é avô.

Os olhos de Edward se arregalaram, lágrimas finalmente escorrendo por seu rosto. Ele acariciou a barriga de Renesmee com uma mão trêmula, a alegria tomando conta de seu ser. — Este é o dia mais feliz da minha vida duas vezes. Primeiro, recuperei minha filha e agora descobri que serei avô.

Renesmee o abraçou apertado, sentindo os lábios de seu pai pressionarem suavemente sua testa. Edward olhou para Jacob com gratidão e emoção. — Jacob, posso abraçá-lo?

Jacob assentiu, com um sorriso. — Claro, Edward.

Edward abraçou Jacob calorosamente, as lágrimas ainda escorrendo. — Obrigado por cuidar dela- sussurrou ele. — Você é um homem de honra.

Jacob retribuiu o abraço com firmeza. — Sempre a protegerei, até mesmo com minha vida.

O abraço entre Jacob e Edward selou um vínculo de respeito e gratidão. Quando se separaram, Edward voltou seu olhar amoroso para Renesmee. — Eu não poderia estar mais feliz por você, minha querida- disse ele, acariciando o rosto dela. — Você encontrou alguém que a ama e a protege.

Renesmee sorriu, ainda com lágrimas nos olhos. — E agora temos você de volta em nossas vidas. Isso é tudo o que sempre desejei- completou Edward.

Jacob colocou a mão no ombro de Edward. — Temos muito para conversar e muitas decisões a tomar. Mas, por agora, vamos aproveitar este momento de paz em família.