Beauty and the Beast

10 As Sombras do Passado


Fenrithia, 10 anos atrás...

Após o príncipe ser julgado e condenado, ele foi levado para a cela fria e úmida da prisão do castelo. Seus pensamentos estavam confusos e sua alma dilacerada pela traição. Horas se passaram, e então a porta de ferro se abriu com um rangido ensurdecedor. Para sua surpresa, Samuel entrou, com um sorriso irônico no rosto.

— Samuel? Jacob murmurou, sua voz carregada de incredulidade e dor. — Por quê? Sempre fomos amigos. Sempre te amei irmão.

Samuel soltou uma risada amarga. — E é exatamente essa fraqueza que te torna indigno do trono, irmão. Você é fraco, guiado pelo amor e pela compaixão. O reino precisa de um governante forte, alguém que não se deixe abater por sentimentos mesquinhos.

Jacob tentou entender o que havia acontecido com seu irmão, mas a amargura de Samuel parecia impenetrável. — Eu sempre quis o melhor para você. Sempre quis proteger nosso reino.

Samuel revirou os olhos. — Proteção? Você nunca entendeu o que é necessário para proteger um reino. O poder é a única coisa que importa.

Sem mais palavras, Samuel ordenou aos guardas que levassem Jacob. — Assoitem-no antes de largá-lo na floresta de Umbra- ele disse friamente, como se estivesse dando uma simples ordem cotidiana.

Os guardas obedeceram, levando Jacob para fora da cela e chicoteando-o repetidamente até sua pele estar rasgada e ensanguentada. A dor era insuportável, mas o choque da traição de Samuel era ainda mais profundo.

Jacob foi jogado na floresta de Umbra, ferido e algemado. Ele acordou desorientado, cercado pela escuridão densa e pela flora ameaçadora. Cada passo que dava era uma luta contra a dor e o desespero. Ele vagava sem rumo, sentindo-se completamente abandonado e esperando apenas pelo momento da sua morte.

A fome e a sede começaram a corroer suas forças. Os dias passavam lentamente, e ele mal conseguia se lembrar de quem era ou por que estava ali. A figura de Samuel, cruel e impiedosa, aparecia em seus pensamentos, lembrando-o da traição.

Após dias vagando pela floresta, exausto e sem esperança, Jacob avistou um vulto entre as árvores. Por um momento, pensou que estava tendo alucinações devido ao cansaço e à fome. Seus olhos estavam turvos, mas ele se forçou a focar na figura à frente. Conforme se aproximava, percebeu que o vulto era de um grande lobo.

Antes que pudesse reagir, uma grande matilha surgiu entre as árvores, uivando alto. Os uivos ecoavam pela floresta, e Jacob sentiu uma onda de emoção inundar seu peito. Ele conhecia aqueles uivos, aquelas figuras majestosas. Eles eram os guardiões de Ferinthia, a matilha de lobos que sempre protegera o reino.

Rodeado pelos lobos, Jacob sorriu, uma sensação de alívio e gratidão preenchendo seu coração. Ele caiu de joelhos no chão, finalmente se permitindo sentir a esperança renascer. Os lobos se aproximaram, tocando-o suavemente, reconhecendo seu legítimo rei e como se estivessem ali para protegê-lo.
Enquanto a matilha de lobos gigantes uivava, Jacob sentiu seu coração acelerar. A dor que antes era pelos ferimentos transformou-se em algo mais intenso, uma sensação de queimação profunda. Era como se sua pele estivesse prestes a rasgar. Com um grito sufocado, as algemas que o prendiam foram quebradas e, num piscar de olhos, ele se transformou em um grande lobo de pelos acinzentados.

Confuso e atordoado, Jacob cambaleou de um lado para o outro, tentando entender o que estava acontecendo, sempre havia batalhado ao lado dos lobos mas jamais imaginaria ser um deles. A matilha o cercava, observando-o com olhos atentos e compreensivos. De repente, o lobo de pelos negros se adiantou, sua voz profunda e ressonante ecoando na mente de Jacob como um anúncio solene: "O alfa despertou. Salve o descendente direto de Ephraim."

Os lobos, um a um, inclinaram suas cabeças em reverência. Jacob, ainda confuso, tentou encontrar sentido em tudo aquilo. Mas antes que pudesse processar, a matilha começou a correr na direção mais escura da floresta. Sem pensar, ele os seguiu, seus instintos de lobo tomando o controle.

Conforme corriam, uma luz brilhante os envolveu, iluminando o caminho sombrio. Jacob sentiu a energia pulsar ao seu redor, cada passo mais firme e determinado. Quando a luz finalmente dissipou, eles se encontravam em um lugar mágico e etéreo. O lobo negro, líder da matilha, aproximou-se e, baixando suas patas dianteiras em reverência, falou:

"Alteza, bem-vindo a Eirondel."

Jacob, agora mais consciente de sua nova forma e poder, olhou ao redor, maravilhado com a beleza e a serenidade do lugar. Era um refúgio, um santuário escondido no meio do caos, imaginou que talvez houvesse um toque de Morgana usando de suas habilidades protege-lo. Ele sentiu uma profunda gratidão e responsabilidade crescer em seu coração.

Os lobos uivaram novamente, o som ecoando como um juramento solene. O principe faria de Eirondel seu novo lar até que chegasse o momento de enfrentar seu destino e cumprir seu papel como legítimo rei de Ferinthia.

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Atualmente...

Jacob acordou na manhã seguinte, percebendo que havia dormido sentado na cadeira ao lado da cama de Renesmee. Ela ainda dormia, a expressão serena em seu rosto. Ele sorriu, inclinando-se para dar um beijo gentil em sua testa. Deixou um bilhete sobre a mesa ao lado dela e saiu silenciosamente da casa.

O vilarejo estava começando a despertar com os primeiros raios de sol. Os moradores, reconhecendo Jacob, faziam reverências respeitosas enquanto ele caminhava. Ele retribuía com um aceno de cabeça, tinha sua mente focada no objetivo de sua visita. Chegou à casa do ancião da vila, o velho Alteara, e bateu suavemente na porta.

Alteara, um homem de cabelos brancos e olhos sábios, abriu a porta e sorriu ao ver Jacob. — Bom dia, Alteza — Disse ele, inclinando-se levemente. -Entre, por favor.

Jacob entrou, a atmosfera da casa era acolhedora e repleta de relíquias antigas e livros. Ele sempre respeitara Alteara, cuja sabedoria era conhecida em todo o vilarejo e além.

— Precisamos conversar- Jacob começou, sua expressão séria. — Renesmee...

O velho ancião sorriu o interrompendo- Renesmee, a jovem com que agora é casado.

—Sim- Concordou Jacob.

— Eu conheço todas as leis de Ferinthia Alteza e sei que essa união é válida, mas como Alpha é necessário que seja feito o nosso ritual dos lobos.

Jacob suspirou- Ela não sabe...

— É necessário que saiba,um rei deve ser leal ao seu reino e sua rainha.

Jacob assentiu, mesmo tendo o respeito de todos ele respeitada as leis dos lobos, precisava pensar em uma forma de revelar seu maior segredo a esposa- Eu direi a ela.

O velho concordou- Mas o que queria me dizer?

— Renesmee foi atacada por uma besta, metade lobo, metade dragão. Estou preocupado com o que isso pode significar para nós e para Ferinthia.

Alteara ficou tenso ao ouvir a descrição. — Sente-se, meu jovem — Disse ele, indicando uma cadeira. — Há uma antiga lenda sobre uma maldição lançada sobre qualquer habitante de Drakoria que se unisse a um habitante de Ferinthia.

Jacob sentou-se, ansioso por ouvir mais. Alteara continuou: — Segundo a lenda, a união amorosa entre os dois reinos criaria um ser maligno que usaria de seus poderes para destruir Ferinthia. Por séculos, Drakoria buscou o nascimento dessa besta. Parece que finalmente conseguiram.

Jacob franziu a testa, refletindo sobre o que ouvira. — Meu irmão parece dominar a fera- Disse ele — Ele tem usado a besta para manter Ferinthia sobre o seu pode, colocando essa criatura como sendo o príncipe de Ferinthia, matando mulheres inocentes.

O ancião olhou para Jacob com preocupação. — Se ele pode dominar a fera, todo o reino corre perigo. Isso significa que poderá haver outras.

Jacob respirou fundo, sentindo a urgência da situação. — Precisamos nos preparar. Solicito uma reunião com todos os guerreiros lobos.

Alteara assentiu. — Hoje à noite, haverá um conselho diante do fogo. Avisarei a todos. Prepare-se, Alteza, a guerra se aproxima.

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Renesmee acordou e sentou-se na cama, olhando para a janela e sorrindo ao ouvir o som dos pássaros. Ao se levantar, sentiu uma pequena dor na queimadura em sua perna e pensou que talvez fosse melhor descansar. Olhou para a mesa e viu um pedaço de papel dobrado. Pegando-o, desfez as dobras e leu a mensagem do príncipe:

"Minha querida,

Espero que tenha tido uma noite tranquila e revigorante. Saí para resolver algumas questões, mas meu pensamento esteve contigo o tempo todo. Estarei de volta em breve, ansioso para compartilhar mais momentos ao seu lado.

Com todo o meu carinho,
Jacob."

Ela sorriu e suspirou, sentindo uma onda de carinho pelo príncipe. Deixou a carta sobre a mesa e tirou as roupas, entrando na banheira de água corrente de seu quarto. O banho relaxante a revigorou, e depois de se secar, vestiu-se e começou a escovar os cabelos.

Enquanto escovava o cabelo, ouviu batidas na porta do quarto. Com um sorriso, disse que a pessoa podia entrar. Quando Jacob entrou, seu coração saltou.

— Bom dia, Querida! Ele disse, com um sorriso caloroso.

— Bom dia, Jacob- Respondeu ela, tentando conter a timidez que sempre surgia na presença dele.

Jacob notou o brilho nos olhos dela e sorriu ainda mais. — Vamos dar um passeio? Tenho muito o que lhe mostrar.

Renesmee assentiu, curiosa e animada com a ideia. Sairam juntos da casa e seguiram pela floresta seguindo até o centro do vilarejo, onde haviam varias casas com animais e campomeses. A imagem fez Renesmee lembrar de sua familia, a duvida se eles estariam bem e seguros ainda a atormentava.
Ao perceber que todos haviam notado sua presença, o principe segurou sua mão e a puxou para o centro a apresentando a todos como sua esposa e futura Rainha. Os moradores a cumprimentaram e reverenciaram com respeito e admiração, fazendo com que Renesmee se sentisse acolhida pela comunidade, o calor humano era confortante.
Quando todos finalmente retornaram as suas tarefas um grupo de homens se aproximou, Renesmee olhou para eles um pouco curiosa, Jacob então os apresentou a ela como seus amigos mais próximos: Quil, Sam, Embry, Paul, Brad, Jared e Collin. Leah e Claire também estavam presentes deixando a ruiva um pouco mais confortável diante deles.

— Que bom Vê-la bem Renesmee- Disse Claire com um sorriso gentil.

— Obrigada Claire, você é Leah foram muito gentis. — Respondeu Renesmee.

Jacob olhou para Leah que como conhecia o segredo dos príncipe e seus guerreiros compreendeu que ele precisava de um momento a sós com seu marido e os demais homens.

—Estamos indo a casa de minha mãe Sue, a tecelã — Disse Leah em um tom convidativo- Poderia nos acompanhar.

Renesmee sorriu sentindo-se feliz com o comvite, mas olhou para Jacob, buscando sua aprovação.

— Acho uma maravilhosa ideia- Disse ele. — Você precisa de vestes para o inverno.

Ela aceitou o convite com entusiasmo e seguiu Leah e Claire, deixando Jacob a sós com os homens. Uma vez a sós, Quil falou: — Estamos sabendo da reunião das chamas e faremos o que você ordenar, Jacob.

Jacob assentiu, sério. — Precisamos estar preparados. Samuel não vai parar e até eu descobrir o que ele deseja precisamos encontrar sua maior arma.

— O ancião nos deixou cientes da situação- Disse Embry.

— Eu estou pronto para caçar essa, coisa- Paul falou em um tom de entusiasmo.

Sam acrescentou: — Você tem alguma estratégia em mente , Jacob?

— Sim, tenho um plano em mente, direi a todos durante a reunião das chamas.

Enquanto Jacob conversava com os homens sobre as estratégias que tinha em mente, Renesmee chegava à casa de Sue. Leah a apresentou à tecelã com um sorriso caloroso.

— Sue, esta é Renesmee- Disse Leah apresentando a ruiva a mulher .

Sue era uma mulher de meia idade. Mas sua aparência ainda era jovial, ela olhou para a Condessa e sorriu — Oh! Então estou tendo o prazer de conhecer a futura Rainha.

— O prazer é meu senhora- Respondeu Renesmee.

— Ela precisa de vestes de inverno.- Explicou Leah caminhando pela casa e olhando algumas peças.

Sue abriu um largo sorriso — Vamos encontrar algo perfeito para você.

Claire acrescentou, se colocando ao laddo de Renesmee- Ela é a futura Rainha de Ferinthia, então precisa de vestes adequadas.

Sue assentiu com entusiasmo e começou a mostrar uma variedade de tecidos e roupas. Renesmee ficou encantada, maravilhada com a quantidade de vestes lindas à sua disposição. Nunca tinha tido tantas opções, pois a maioria das roupas que possuía haviam sido de sua mãe.

Leah e Claire a ajudavam a escolher, suas vozes gentis e animadas- E este manto é perfeito para o frio- Acrescentou Claire, mostrando um manto de pele forrado.

Renesmee sorria, sentindo-se acolhida e apreciada. Quando terminaram de escolher, Sue garantiu que enviaria todas as roupas para a casa do príncipe e da condessa.

Após acertar os últimos detalhes de seu plano, o principe se despediu dos rapazes com um aceno firme e seguiu em direção à casa de Sue. No caminho, seus pensamentos estavam focados em Renesmee e na importância de garantir que ela se sentisse segura e bem-vinda em Eirondel. Contudo, ao chegar à casa de Sue, encontrou Aria à porta.

— Olá, Aria- Disse ele gentilmente, mantendo um tom respeitoso.

— Jacob- Respondeu ela, os olhos demonstrando uma mistura de saudade e tristeza- Você está bem?

Ao ouvir a pergunta do príncipe, Aria sorriu- Você sabe como estou.

Jacob a encarou com um semblante tranquilo- Espero que fique bem.

— Eu sinto falta... de nós dois. — Disse a mulher.

Jacob suspirou, sabendo que essa conversa era inevitável. — Aria, não existe mais 'nós dois'. Você precisa esquecer o passado e pensar no futuro.

Aria franziu o cenho, sua expressão tornou-se dura. — Você ainda me ama, Jacob? Foi isso que você prometeu, nunca deixar de me amar.

Jacob balançou a cabeça lentamente. — Não, Aria. Eu não a amo mais. Aquilo foi um erro.

A expressão de Aria mudou para incompreensão- Como pode dizer isso? Depois de tudo que passamos, depois de todas as promessas?

Antes que Jacob pudesse responder, percebeu um movimento ao lado e viu Renesmee ouvindo a conversa em silêncio, seus olhos marrons tinham um brilho diferente . Ele sentiu um aperto no coração junto com um sentimento de culpa, não desejava de forma alguma ferir os sentimentos de sua esposa.

— Renesmee- Chamou ele suavemente, dando um passo em direção a ela.

Renesmee olhou para ele, surpresa e um pouco confusa, percebeu que a conversa entre Jacob e Aria não era apenas de uma relação de amigos. Uma sensação estranha, jamais sentida antes, começou a crescer em seu peito. Era uma mistura de desconforto e tristeza, mas ela tentou disfarçar. Afinal, Jacob era um homem que havia vivido por anos naquele lugar solitário; era normal que ele tivesse tido outras paixões. Talvez o tempo que Jacob mencionou para que se conhecessem melhor antes de consumarem o casamento fosse mais para si do que para ela.

Ela deu um tímido sorriso, tentando afastar os pensamentos sombrios.
— Perdão, eu... eu não queria interromper.

Jacob, percebendo o desconforto, tentou suavizar a situação. — Querida, esta é Aria.

Aria nada disse, apenas olhou para Renesmee com um olhar acusador e em seguida caminhou em direçãoa casa, o gesto da mulher fez Renesmee se sentir ainda mais desconfortável. Leah e Claire, que estavam ao lado, notaram a tensão no ar. Elas foram atrás de Aria, deixando Jacob e Renesmee a sós.

— Você está bem? Jacob tentou contornar a situação.
— Sim- A ruiva respondeu.
— Precisamos nos preparar para um compromisso importante que teremos esta noite.
Renesmee concordou com um aceno de cabeça e o acompanhou, mas Jacob percebeu o silêncio da esposa. Ele tentou conversar, mas ela apenas respondeu suas perguntas com respostas diretas e vazias. Ao chegarem em casa, o principe tentou mas uma vez dar explicações a ruiva sobre Aria, ele sabia que ela havia ouvido parte da conversa.

— Sei que lhe devo explicações...

Não me sinto bem- Ela o imterrompeu' Preciso descansar, as queimaduras em minha perna ainda doem.

Jacob assentiu, compreendendo que ela não queria tocar no assunto, apenas a beijou carinhosamente na testa. — Tudo bem, vou deixá-la descansar.

Sem olhar para trás ela caminhou pelo estreito corredor, entrou em seu quarto e se deitou na cama, abraçando o travesseiro. Sentia-se confusa e magoada, tentando processar as emoções que surgiram após ouvir a conversa entre Jacob e Aria. Ela sabia que precisaria lidar com esses sentimentos, mas por enquanto, tudo o que queria era descansar e encontrar algum alívio para a dor física e toda a confusão que sentia.