Beauty and the Beast

42 A nova rainha de Drakoria


Notas iniciais
História chegando ao fim amores. Essa história é pequena mas espero que tenham gostado.

Em Eirondel, sob a luz da lua cheia, Jacob convocou todos os lobos para um conselho ao redor de uma grande fogueira. As chamas dançavam, projetando sombras sobre os rostos sérios dos presentes. O ambiente estava carregado de tensão e expectativa.

Jacob, em pé, começou a falar.

— Irmãos e irmãs, estamos aqui para decidir o destino de Aria. Lembrem-se que Sam Uley é seu irmão e, apesar de tudo, precisamos ser justos em nosso julgamento.

Ele apresentou as acusações contra Aria: traição ao rei, sequestro de um recém-nascido e tentativa de envenenamento. A cada palavra, o silêncio ao redor da fogueira se tornava mais pesado. Quando terminou, Jacob olhou para os lobos, esperando seus veredictos.

Um a um, os lobos começaram a falar, expressando suas opiniões sobre as ações de Aria. Alguns estavam visivelmente furiosos, exigindo uma punição severa. Outros, embora igualmente perturbados, pediam clemência, lembrando a todos do passado de lealdade de Aria antes de seus crimes recentes.

Aria, algemada e com os olhos baixos, ouviu tudo em silêncio absoluto. Sam Uley, ao seu lado, a havia proibido de falar, temendo que suas palavras pudessem agravar ainda mais a situação.

Após horas de debate, os lobos chegaram a um consenso. O ancião da tribo, um lobo sábio com muitos anos de serviço, se levantou para anunciar a decisão.

— Aria será banida de Eirondel e de todos os territórios de Ferinthia. Ela não será mais reconhecida como uma de nós. Seu nome será apagado das nossas histórias. No entanto, em respeito ao pedido do Rei Jacob e ao nosso código de justiça, não será imposta a ela a pena de morte. Ela será exilada, para viver com o peso de seus crimes.

Jacob assentiu, embora fosse difícil esconder a dor em seus olhos. Ele sabia que essa decisão era justa, mas também sabia que seria uma ferida que demoraria a cicatrizar.

— Que assim seja, — disse Jacob, sua voz firme.

Os guardas levaram Aria, e Jacob olhou para Sam, que parecia igualmente devastado.

— Faremos o que é necessário, irmão, — disse Sam, e Jacob assentiu em concordância.

Enquanto a fogueira continuava a arder, os lobos dispersaram, deixando Jacob em silêncio, refletindo sobre as decisões do dia e as sombras que elas lançariam sobre o futuro.

Após todos dispersarem, Sam e Jacob permaneceram a sós. A fogueira crepitava suavemente, lançando sombras dançantes ao redor dos dois homens. Sam olhou para Jacob com tristeza nos olhos, mas também com uma centelha de acusação.

— Eu aceito que Aria cometeu crimes terríveis, — começou Sam, sua voz carregada de dor. — Mas você a levou a cometer esses crimes, Jacob.

Jacob respirou fundo, mantendo a calma.

— Sam, sei que está sofrendo pela sua irmã. Vou ignorar suas acusações por respeito ao que está sentindo agora.

Sam balançou a cabeça, descrente.

— Não tem palavras para se defender, não é? — ele continuou, a amargura evidente em cada palavra. — Dez anos, Jacob. Dez anos de dedicação de Aria para ser descartada como se fosse nada.

Jacob tentou falar, mas Sam o interrompeu.

— Você não entende o que ela passou. Tudo o que ela fez foi por amor a você. E agora, ela está sendo punida por isso.

Sam deu um passo para trás, olhando Jacob nos olhos.

— Eu não posso perdoar o que ela fez, mas também não posso ignorar que você teve sua parte nisso.

Com essas palavras, Sam se virou e se afastou, deixando Jacob sozinho com sua própria consciência. A noite estava quieta, exceto pelo som distante da floresta e o estalar da fogueira que se extinguía lentamente.

Jacob ficou parado, sentindo o peso das palavras de Sam. Ele sabia que, em parte, Sam estava certo. Ele não era completamente inocente na cadeia de eventos que levaram Aria à ruína. A dor da traição e a responsabilidade de suas decisões pesavam sobre seus ombros.

Enquanto a última chama da fogueira se apagava, Jacob olhou para o céu estrelado. Ele sabia que ainda tinha muito a enfrentar, tanto com sua consciência quanto com os desafios que viriam. Mas naquele momento, a solidão da noite lhe deu um momento de reflexão. Ele sabia que precisava ser forte, não apenas como rei, mas como um homem que tinha que viver com as consequências de suas ações.

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O exército de Ferinthia libertou Aria, e sem hesitar, ela se transformou em sua forma lupina, correndo para longe de Ferinthia e Eirondel. Enquanto corria, lágrimas escorriam por seu focinho, misturando-se ao vento. Seu coração estava pesado com a dor do exílio, mas sua determinação a mantinha em movimento.

A cada passo, a dor do amor perdido se transformava em uma sede ardente de vingança. Aria sabia que não havia como voltar atrás, e seu espírito agora estava envolto em escuridão. Ela pensava em Jacob e em todos os momentos que compartilharam, mas agora tudo isso era apenas combustível para seu desejo de vingança.

Ela corria sem rumo, atravessando florestas densas, cruzando rios gelados e escalando montanhas íngremes. O caminho para Drakoria era traiçoeiro, cheio de perigos e obstáculos naturais, mas Aria estava determinada. Após vários dias de viagem, sua pelagem estava suja e emaranhada, mas seus olhos brilhavam com um propósito renovado.

Quando finalmente chegou ao reino de Drakoria, encontrou-o em ruínas. As muralhas do castelo estavam rachadas, e as torres desmoronadas testemunhavam a decadência do lugar. Aria não encontrou dificuldade em entrar no castelo, já que a vigilância era praticamente inexistente.

Dentro do castelo, encontrou Samuel sentado solitário em seu trono, cercado por sombras e silêncio. Ao vê-la, ele riu, um som vazio e sem alegria.

— Veio buscar ajuda, loba? — Samuel zombou. — Não posso fazer nada por você.

Aria voltou à sua forma humana, seus olhos ainda ardendo com determinação.

— Tudo pode ser resolvido em seu tempo, Samuel.

Samuel ergueu o colar em seu pescoço, um símbolo de sua servidão e derrota.

— Os filhos de Jacob não tiraram isso de mim — ele disse amargamente.

Aria deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dele.

— Tudo é possível se ambos tivermos paciência, Samuel. Não temos outra escolha agora.

Samuel a observou por um momento, então um sorriso lento se formou em seus lábios.

— Ao menos terei companhia — ele murmurou, resignado.

Aria se aproximou e se sentou no trono ao lado de Samuel. Eles ficaram em silêncio por um tempo, ambos refletindo sobre suas perdas e planejando seus próximos passos.

As sombras de Drakoria os envolviam, mas juntos, eles encontraram uma estranha sensação de propósito. Aria e Samuel sabiam que, para eles, a vingança era a única coisa que restava. E com essa nova aliança, o destino de Ferinthia e Eirondel um dia seria testado mais uma vez.