Beauty and the Beast

1 A Dívida ao Reino


Notas iniciais
Oie amores; Eu sei, mais uma história, mas estou terminando de escrever as antigas para finalmente termina-las.

Há muitos séculos, nos tempos em que a magia e o mistério permeavam o mundo, dois reinos emergiram com promessas de grandeza e poder. O Reino de Fenrithia, fundado pelo lendário Ephrain Black, ergueu-se em meio a florestas densas e montanhas imponentes. Ephrain, um líder visionário e corajoso, guiou seu povo através de tempos tumultuados, estabelecendo uma terra próspera e pacífica. No entanto, Fenrithia sempre carregou consigo uma sombra, uma lenda de homens-lobo que rondavam as florestas à noite, protegendo o reino e seus segredos mais profundos.

Ao mesmo tempo, nas vastas planícies ao leste, surgiu o Reino de Drakoria, fundado por Baltarion Drakon, um rei feroz e ambicioso. Drakoria, conhecida por seus vales fumegantes e suas criaturas míticas, especialmente dragões, rapidamente se tornou uma potência militar. Baltarion, com sua visão de domínio, viu nas terras de Fenrithia uma oportunidade de expandir seu império, alimentando sua fome por poder e controle.

A rivalidade entre Fenrithia e Drakoria começou quando Baltarion tentou invadir as fronteiras de Fenrithia, buscando tomar posse das ricas florestas e das lendárias criaturas que se diziam habitar ali. Ephrain Black, determinado a proteger seu reino e sua gente, liderou a defesa com bravura, repelindo as forças drakonianas e estabelecendo uma linha de resistência que seria mantida por gerações.

As lendas contam que durante a primeira grande batalha entre os dois reinos, os homens-lobo de Fenrithia surgiram das sombras, lutando ao lado dos soldados de Ephrain, espalhando medo e caos entre os invasores. Estes guerreiros místicos, metade homem, metade fera, foram considerados os guardiões secretos de Fenrithia, uma força sobrenatural que manteve o reino seguro de ameaças externas.

Drakoria, por outro lado, era protegida por dragões imponentes, bestas de fogo e fúria que obedeciam aos comandos de Baltarion e seus descendentes. A presença destes dragões alimentou a reputação de Drakoria como um reino indomável e temido, uma força que poucos ousavam desafiar.

A rivalidade entre Fenrithia e Drakoria se intensificou ao longo dos séculos, marcada por batalhas épicas, alianças traiçoeiras e um ódio mútuo que parecia inextinguível. Ambas as nações se tornaram símbolos de resistência e poder, cada uma com suas próprias lendas e heróis, moldando a história e o destino de suas terras.

Nos anos que se seguiram à ascensão dos reinos de Fenrithia e Drakoria, o equilíbrio de poder começou a oscilar. Drakoria, que havia se erguido sob a proteção dos dragões, enfrentou uma catástrofe devastadora quando esses majestosos seres começaram a desaparecer. As razões para a extinção dos dragões permanecem envoltas em mistério, mas sem seu poder e proteção, Drakoria começou a ruir.

Ephrain Black, o piedoso e sábio rei de Fenrithia, viu uma oportunidade de pôr fim ao conflito que havia devastado ambas as terras por tanto tempo. Ele liderou suas forças em uma campanha decisiva contra Drakoria, onde, apesar da vitória esmagadora, demonstrou uma grande compaixão. Ele poupou a vida dos descendentes do reino rival, acreditando que a paz e a reconstrução eram mais importantes do que a destruição total.

Por um tempo, houve paz. Contudo, essa trégua foi tragicamente interrompida anos depois, quando o novo rei de Drakoria, em um ato de vingança e desespero, assassinou a amada rainha de Ephrain. Este ato de traição desencadeou uma fúria incontrolável em Ephrain. Tomado pela dor e pela ira, ele reuniu suas forças para reiniciar a guerra contra Drakoria, determinado a vingar a morte de sua rainha.

O conflito que se seguiu foi brutal e implacável. Fenrithia, que outrora havia sido o símbolo de esperança e justiça, agora ardia com a chama da vingança. Mas, apesar do poder e da fúria de Ephrain, Drakoria, com uma resistência feroz, conseguiu derrotar Fenrithia. Ephrain caiu em batalha, e seu reino foi forçado a recuar, iniciando um período de escuridão e ocupação.

Séculos se passaram e a chama do conflito nunca se apagou completamente. A linhagem dos Black permaneceu resiliente, esperando pelo momento certo para retomar o que havia sido perdido. Billy Black, um descendente direto de Ephrain, tornou-se o novo líder de Fenrithia. Com sabedoria e força, ele começou a reunir apoio e a treinar seu povo para um novo confronto inevitável com Drakoria.

Billy Black teve dois filhos, Jacob e Samuel, que cresceram em meio a histórias de glória e derrota, de paz e guerra. Jacob, o mais velho, era corajoso e determinado, um líder nato que inspirava aqueles ao seu redor. Samuel, o mais novo, era astuto e estrategista, sempre pensando à frente e planejando cada movimento.

Quando chegou a hora de retomar a guerra contra Drakoria, Jacob e Samuel lideraram as forças de Fenrithia com uma combinação de bravura e inteligência que poucos poderiam igualar. Em uma série de batalhas épicas, eles conseguiram reverter o curso do conflito. Os homens-lobo de Fenrithia, cujas lendas ainda ecoavam pelas florestas, ressurgiram como guerreiros implacáveis, lutando ao lado dos soldados de Fenrithia e espalhando medo entre seus inimigos.

A guerra final foi brutal e decisiva. As forças de Drakoria, agora sem seus dragões e enfraquecidas pela corrupção interna, não conseguiram resistir ao avanço das tropas lideradas por Jacob e Samuel. Com cada vitória, Fenrithia recuperava suas terras e sua honra, empurrando Drakoria cada vez mais para o desespero.

Finalmente, em uma última e devastadora batalha, Fenrithia saiu vitoriosa. Drakoria foi derrotada, seu reino fragmentado e seus líderes capturados. A linhagem dos Black restaurou Fenrithia à sua antiga glória, estabelecendo uma era de paz e prosperidade que há muito havia sido perdida.

Jacob e Samuel Black, com sua liderança e coragem, tornaram-se heróis lendários, lembrados por sua bravura e por terem libertado seu povo. Assim, a saga de Fenrithia e Drakoria chegou a uma conclusão, com o ciclo de vingança e redenção finalmente completo, e o reino de Fenrithia mais forte do que nunca.

Após a vitória sobre Drakoria, o Reino de Fenrithia floresceu sob a liderança de Billy Black. Reconstrução e renovação tornaram-se as palavras de ordem, e uma nova era de prosperidade parecia estar ao alcance. Em reconhecimento ao heroísmo e à liderança de seu filho primogênito, Jacob, o Rei Billy Black decidiu passar a coroa para ele. Jacob, amado por seu povo e respeitado por sua bravura, estava destinado a ser um grande rei.

No entanto, na véspera de sua coroação, uma tragédia inconcebível abalou Fenrithia. Uma maldição, cujas origens eram desconhecidas, caiu sobre Jacob. Sob a influência dessa força sombria, ele foi levado a cometer um ato horrível: assassinou seu próprio pai, o Rei Billy Black.

O assassinato do rei lançou Fenrithia no caos. A corte real, chocada e enlutada, não teve escolha senão condenar Jacob ao exílio perpétuo. Apesar de suas conquistas e do amor que o povo tinha por ele, o ato de regicídio não podia ser perdoado. Assim, Jacob foi banido para a Floresta de Umbra, um lugar temido e evitado por todos, conhecido por suas lendas sombrias e forças malignas.

A Floresta de Umbra era uma vasta e densa extensão de árvores antigas, cujas copas bloqueavam a luz do sol, mergulhando a floresta em uma penumbra eterna. Diziam que a floresta era amaldiçoada, habitada por espíritos inquietos e criaturas das trevas. Aqueles que se aventuravam em Umbra raramente retornavam, e os poucos que voltavam estavam mudados para sempre, assombrados pelo que haviam encontrado.

Com Jacob exilado, a responsabilidade de liderar Fenrithia recaiu sobre seu irmão mais novo, Samuel Black. Samuel, ao contrário de seu irmão, revelou-se um governante sádico e cruel. Sua primeira ação como rei foi tomar Olivia, a noiva prometida de Jacob, como sua esposa. Ele esperava que ela lhe desse um herdeiro para solidificar seu poder. No entanto, seus esforços foram em vão, pois Olivia não conseguiu lhe dar filhos.

Samuel governava com mão de ferro, impondo seu domínio através do medo e da opressão. Sua crueldade sabia poucos limites, e sua busca pelo poder absoluto alienou muitos dos nobres e cidadãos de Fenrithia. A lenda da bondade de Jacob e a injustiça de seu exílio tornaram-se uma sombra constante sobre o reinado de Samuel, alimentando a resistência silenciosa entre os súditos do reino.

Condenado a viver em Umbra, Jacob carregava não apenas o fardo de seu crime, mas também a suspeita de que a mesma maldição que o forçou a matar seu pai continuava a persegui-lo. Isolado do mundo que conhecia e das pessoas que amava, ele vagava pelas profundezas sombrias da floresta, tentando encontrar uma maneira de quebrar a maldição e expiar seus pecados.

As histórias de Jacob, perdido na floresta, tornaram-se lendas contadas em todo o reino. Alguns acreditavam que ele estava destinado a nunca mais voltar, enquanto outros esperavam que um dia ele encontraria a redenção e retornaria para salvar Fenrithia de um destino sombrio.

Enquanto Samuel Black governava com tirania e desespero, o reino de Fenrithia aguardava, dividido entre o medo e a esperança, pela próxima fase de sua história – uma história onde o destino de Jacob e o futuro do reino estavam intrinsecamente ligados, esperando o momento em que a luz finalmente prevaleceria sobre as trevas.

◈ ━━━━━━━━━━━━━━ ◈

Sentada na beira da cama de madeira rústica, a jovem de longos cabelos ruivos e olhos brilhantes, lia em voz baixa para seus irmãos menores, Eliot e Emma. A luz suave das velas iluminava o quarto modesto, lançando sombras dançantes nas paredes. Seus irmãos, com os olhos arregalados, estavam absorvidos na história que ela narrava.

Antes que pudesse continuar, a porta do quarto abriu-se silenciosamente. Um homem alto, com cabelos acobreados e uma expressão cansada, entrou. Seu olhar era terno e preocupado ao mesmo tempo. Era o pai de Renesmee, um camponês dedicado que trabalhava arduamente para sustentar sua família.

— Eliot, Emma — Disse Edward enquanto se aproximava da cama, — vocês estão gostando da história que sua irmã está contando?

Eliot, o mais velho dos irmãos, olhou para Renesmee com curiosidade. — Por que a floresta é amaldiçoada, Renesmee? Quem lançou essa maldição?

Emma, a mais nova, segurou a mão de Renesmee. — O que acontece com o Jacob na floresta, irmã? Ele encontra uma maneira de quebrar a maldição?

Edward suspirou, acariciando os cabelos ruivos de sua filha. "Eu sei que gosta de contar essas histórias para seus irmãos, mas creio que, devemos ser cuidadosos. Se o rei ouve sua versão dos fatos pode mandar matar a todos nós.

Renesmee sorriu para seu pai e abraçou seus irmãos. — Não se preocupem, pai. O Rei Samuel tem muitos afazeres a cuidar. Ele não vai se importar com uma simples escritora camponesa como eu. Além disso, essas histórias dão esperança a eles. Eles precisam saber que há mais do que a tirania e o medo que ele impõe.

— Eu sei, minha querida, mas ainda assim, devemos ser cuidadosos. Prometa-me que você será discreta.

Renesmee sorriu concordando com a cabeça- Eu prometo.

O pai saiu do quarto deixando os três filhos sozinhos e Eliot e Emma olharam para irmã com admiração. — Você acha que um dia a maldição da floresta será quebrada, Renesmee? E o que acontece com o reino depois disso? Perguntou Eliot, com os olhos brilhando de curiosidade.

Renesmee sorriu, sabendo que suas histórias inspiravam esperança nos corações de seus irmãos. — Eu não sei, Eliot, Emma. Mas acredito que, enquanto houver coragem e esperança sempre haverá uma chance de que a luz prevaleça sobre as trevas. E é isso que devemos sempre buscar, não importa quão sombrios sejam os tempos.

Antes que Renesmee pudesse responder a mais perguntas curiosas de Eliot e Emma, a porta do quarto foi aberta novamente, desta vez revelando Isabella, a mãe amorosa dos três irmãos. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque simples, e ela tinha um sorriso gentil no rosto enquanto olhava para sua família.

— Renesmee, Eliot, Emma — Chamou Isabella — Está na hora do jantar. Venham logo, seu pai já está esperando na mesa.

Eliot e Emma levantaram-se animados, prontos para a refeição após a empolgante história de Renesmee. Os quatro desceram as escadas rumo à pequena sala de jantar, onde uma simples mesa de madeira estava posta. Sobre a mesa, havia uma tigela de sopa fumegante, feita com legumes cultivados na horta da família e um pouco de carne de porco defumada, uma iguaria reservada para ocasiões especiais.

Ao lado da sopa, havia fatias de pão de centeio escuro, assado na lareira da cozinha da casa. A manteiga, feita do leite das poucas vacas que a família possuía, era colocada em pequenos potes de cerâmica. Uma jarra de água fresca, retirada do poço da aldeia, completava a modesta refeição.

Isabella, com cuidado materno, serviu a sopa para cada um dos seus filhos e seu marido, Edward, enquanto eles se sentavam à mesa. Os aromas simples, porém, reconfortantes, da comida enchiam o ar, criando uma atmosfera acolhedora e familiar.

— Que cheiro delicioso- Exclamou Edward, olhando para Isabella com amor. — Você sempre faz milagres com os ingredientes que temos, querida.

Isabella sorriu, sentando-se à mesa com sua família. — É o amor que colocamos na comida que a torna especial, meu marido. A comida pode ser simples, mas quando compartilhada com aqueles que amamos, torna-se um banquete.

Após o jantar, Isabella conduziu Eliot e Emma até seus quartos, aconchegando-os nas camas com histórias reconfortantes e canções de ninar. Enquanto isso, Renesmee permaneceu na sala de jantar, recolhendo os pratos e limpando a mesa após a refeição em família.

O crepitar da lareira e o suave chiar das velas criavam uma atmosfera serena na casa enquanto Renesmee trabalhava, seus pensamentos ainda envoltos na história que acabara de contar e nas perguntas de seus irmãos. Ela se perguntava se a maldição de Jacob seria alguma vez quebrada e se haveria esperança para o reino de Fenrithia.

O repente do bater na porta tirou Edward, seu pai, de seus cálculos à mesa. Ele levantou-se com um suspiro, dirigindo-se à porta para atender ao chamado. Ao abrir, um homem estranho se apresentou como cobrador de impostos a serviço da coroa. Seu rosto sério e a pasta de documentos que segurava indicavam uma visita de negócios desagradável.

O cobrador de impostos explicou a Edward que ele estava em débito com a coroa em um valor exorbitante, um montante que ele simplesmente não tinha meios de pagar. A única opção que o cobrador oferecia era entregar seu sítio, a única fonte de sustento para a família, como garantia do pagamento.

Edward, com olhos cheios de angústia, implorou por clemência. Ele explicou que sua família não tinha para onde ir e que perder o sítio significaria a ruína completa para eles. O cobrador, impassível diante do sofrimento de Edward, parecia determinado a seguir o protocolo sem piedade.

Enquanto a conversa se desenrolava, um dos homens que acompanhava o cobrador notou Renesmee retirando os pratos da mesa na sala de jantar.

— Quantos anos tem, senhorita? Ele se aproximou dela e perguntou sua idade.

— 17 anos – Respondeu Renesmee um pouco temerosa.

O homem pareceu ponderar por um momento, olhando de Renesmee para Edward e de volta. — Hmm, talvez haja uma solução para esse problema — Disse ele, sua expressão suavizando um pouco. — O Rei Samuel está em busca de uma nova esposa para seu irmão exilado, já que a última não sobreviveu nem por um mês.

O desespero tomou conta de Edward, pois nos últimos anos todas as moças que foram desposadas por Jacob Black haviam sido assassinadas.

Edward sentiu o desespero se instalar em seu peito ao ouvir a proposta do cobrador de impostos. A ideia de sua amada filha Renesmee sendo oferecida ao temido Jacob Black era uma perspectiva assustadora demais para considerar. Ele conhecia as histórias sombrias que cercavam o rei exilado, todas as moças que haviam sido levadas por ele jamais retornaram vivas.

Com uma expressão de dor misturada com angústia, Edward se caminhou abruptamente até a porta, encarando os cobradores do rei com agressividade — Vocês não têm direito de vir aqui e sugerir tal coisa! Minha filha não será usada como uma oferenda macabra para o príncipe. Saíam da minha propriedade agora mesmo!

Os cobradores, surpresos com a reação feroz de Edward, tentaram argumentar, mas ele não os escutou. Ele os expulsou com veemência, determinado a proteger sua família a todo custo.

Renesmee observou a cena com um nó na garganta, sabendo que seu pai estava desesperado para mantê-la segura. Ela se aproximou dele e o abraçou com ternura, sentindo o coração pesado de preocupação em seu peito.

— Pai, eu sei o quanto você está preocupado, mas não há outra escolha — Sussurrou Renesmee, seus olhos cor de chocolate refletindo a tristeza da situação. – Se o rei tomar nossas terras, para onde iremos? E meus irmãos e a mamãe? Não posso aceitar que isso aconteça. Eu farei o que for necessário para protege-los, mesmo que isso signifique meu sacrifício.

Edward olhou para sua filha mais velha com amor. Ele jurou protegê-la com todas as suas forças, mas no fundo de seu coração, ele temia que talvez não houvesse salvação para Renesmee diante da terrível maldição que pairava sobre Jacob Black e suas noivas.

Os dois ficaram em silêncio por um momento, compartilhando o peso do que estava por vir. Era uma noite sombria na pequena casa da família, onde o futuro parecia incerto e as sombras da tragédia se aproximavam cada vez mais.