Beauty and the Beast
6 Lute
Notas iniciais
Pov Caspian
Não sabia muito bem o que estava fazendo, meu coração estava animado, angustiado, confuso. Aqueles momentos que passei com a Susana foram ótimos, algo dentro de mim gritava para não me afastar, para ficar com ela, esquecer tudo que estava em volta e aceitar que sinto no mínimo uma atração por ela. Entretanto o jeito que aquele rapaz estava com ela a preocupação, os olhares, o jeito possessivo estava me deixando angustiado, e se ela sentisse algo por ele? Se eles logo se envolvessem? Em um dia ela já havia me deixado louco, se eu me aproximasse mais eu não ia aguentar outra queda.
— Meu deus Caspian, por que todo esse sentimentalismo? – disse enquanto estacionava o carro na garagem de casa. Desliguei tudo entrando em casa correndo, tudo estava quieto, provavelmente todos ainda dormiam tranquilamente. – Graças a deus! Sem sermões de mãe.
Entrei no meu quarto, trocando de roupa rapidamente, quando estavam tirando a calça jeans um pedaço de papel caiu, o desenho, e logo Susana invadiu meus pensamentos novamente, eu precisava de ajuda com isso e só uma pessoa poderia me ajudar, coloquei a calça cinza de moletom e fui acordar o Edmundo.
Andei apressadamente parecia que meu coração ia sair pela boca, cheguei no quarto respirando fundo, tentando passar a imagem de um irmão normal, não aquele doido que está sentindo algo pela melhor amiga do irmão que é quase 10 anos mais nova que ele. Dei três batidas na porta, entretanto não houve resposta nenhuma, girei a maçaneta com calma entrando no quarto todo escuro, meu irmão dormia profundamente, o cabelo estava todo bagunçado, as cobertas todas para o chão e a boca aberta deixando uma fina camada de baba sair da mesma.
— Essa cena merecia uma foto. – disse baixinho enquanto ria dele, fui até as janelas abrindo as cortinas, deixando que o sol invadisse o lugar e que aquele dorminhoco começasse a se mexer. – Vamos Edmundo acorde! – me sentei na cama balançando ele de leve, ele apenas resmungou e voltou a se aconchegar. – Edmundo se você não acordar agora, vou publicar em todas as suas redes sociais aquela foto onde você está todo cheio de espinha com uma cueca rosa de ursinhos, enquanto a mamãe está tirando os piolhos da sua cabeça.
— Caspian você jurou que tinha apagado aquela foto! – disse ele de mal humor se levantando com tudo.
— Você está horrível maninho. – ria alto me referindo ao cabelo dele todo bagunçado e a baba que ainda molhava seu rosto.
— Caspian, vá a merda e me deixe dormir, você teve sua noite de diversão, sumiu deixando a mamãe sem graça perto da Susana, então agora me deixe quieto dormindo e sonhando com um mundo onde não tenho preocupações. – ele se ajeitou na cama, abraçando seu travesseiro igualzinho quando era bebê, de fato ele não havia mudado nada, era o meu menininho com as mesmas manias e o mesmo mal humor matinal.
— É sobre a Susana que quero conversar. – respondi num sussurro, ele me olhou assustado, me dando apenas um olhar de prossiga. – Euqueromeaproximardela. – falei tão rápido que ele se sentou para poder tentar entender.
— Meu maninho cabeludo, fale devagar eu acabei de acordar. – eu sabia que no fundo ele havia entendido o que eu queria dizer, mas queria que eu assumisse para os quatro ventos quais eram os meus planos.
— Eu quero me aproximar dela. – disse alto o suficiente para acordar a casa toda.
— Pare de escândalos, logo mamãe aparece aqui e não quero que ela te leve para o sermão antes de arrancar toda a fofoca de você. – olhei pra ele incrédulo. – Não me olhe assim, você que começou a fofocar então agora quero saber tudo. – ele ajeitou o cabelo limpou o rosto tentando se fazer mais sério. – Vai me conte tudo! Como tomou essa decisão? E que eu tenho a ver com isso?
— Edmundo certeza que você não é fofoqueiro? – disse rindo enquanto via os olhos dele brilharem de curiosidade, ele apenas me deu um soco no ombro me mandando continuar a focar na Susana. – Bom, eu achei ela linda e senti algo estranho desde que a vi a primeira vez nesse quarto, era como se eu conhecesse ela a muito tempo, porém eu sabia que devia ficar longe, não sou o tipo de cara para ela.
— Por que não? – perguntou ele me interrompendo.
Suspirei tentando pensar numa desculpa, já que Edmundo não sabia a verdade sobre mim e se dependesse de mim não saberia jamais, ele não merecia ter a vergonha de saber que o irmão é um monstro.
— Ah Ed, porque já vivi muito na boemia, já fiz muitas coisas erradas, enquanto a Susana deve ser um anjo um exemplo de pureza.
— Que nada, ela é uma menina normal, maravilhosa, mas normal, ela até já ficou com meninas. Pelo que sei ela prefere meninos, mas já ficou com meninas sim. – olhei para ele meio assustada, não esperava que a minha menina fosse tão liberal.
— Isso não é nenhum erro, ela tem o direito de experimentar e descobrir o que gosta. – disse percebendo que nada poderia fazer mudar a admiração que eu sentia por Susana. Para mim ela era um anjo, uma coisa pura que eu não merecia ter.
— Fala isso só porque está todo apaixonado por ela. – ele me deu um tapa na cabeça me fazendo retornar da conversa.
— Claro que não Ed, eu acredito que não exista apenas uma forma de amor, acredito que o amor é variado, livre e diverso, todos tem o direito de amar quem quiser, independente de sexo, cor, religião e todas essas barreiras que a sociedade coloca.
Ele me olhou confuso, parecia que não esperava aquela resposta de mim.
— Se fosse eu? Você diria a mesma coisa? – perguntou ele com uma sobrancelha erguida.
— Sobre você ficar com meninos? Claro que sim, Edmundo você é meu irmão e o que mais quero nessa vida é sua felicidade, se um outro garoto te fizesse feliz eu iria apoiar e quebrar a cara de qualquer mané que falasse algo ou te magoasse. – ele ficou em silencio me olhando com um sorriso contido, mas um brilho no olhar. – Por acaso você está gostando de algum menino e não tem coragem de falar? – perguntei tentando ser o mais compreensivo possível.
— Não, até hoje nunca senti nada por nenhum menino. Mas achei legal sua posição e fico feliz em saber que você estaria do meu lado não importa o que aconteça. – insisti perguntando para ele mais uma vez se era aquilo mesmo. – É serio Cas, até hoje só senti atração por mulheres, mas nunca se sabe o dia de amanhã né? Vai que eu cruzo com um Ben Barnes aí e ele me pede em casamento. O cara é bonito e rico. – ele gargalhou me fazendo rir junto, Ed era um cara maravilhoso, conseguia deixar qualquer conversa leve. – E no momento estou gostando da Alice, mamãe já deve ter comentado sobre ela. Mas enfim me conte mais sobre Susana e tudo que está sentindo. Por que acha que a minha cara amiga não é para ti?
— Já disse Ed, eu sou um lixo perto dela, ela é o exemplo de anjo do céu, aquela coisa pura que Deus envia para terra, para deixar melhor, mais bonita, mais pura. E sem contar que tenho quase dez anos a mais que ela, ela deve me achar um tio.
— Okay, descordo de suas teorias, mas o que te fez descordar das mesmas? – perguntou ele me olhando serio.
— Ontem eu estava ficando com uma menina, ruiva muito bonita por sinal, mas aí na hora eu lembrei da Susana e não consegui mais ficar com a garota, por mais que meu lado homem falasse para ir até o fim, por mais que ela fosse linda, maravilhosa, por mais que tudo estava ao meu favor, eu só pensava na Susana e quanto estava sendo sujo para ela, então apenas a deixei lá plantada e fui para o carro repensar em tudo e até dormir. – disse omitindo a parte da transformação e do sonho. – Pela manhã acordei meio pensativo, na verdade bem confuso, queria me manter afastado dela, mas mesmo assim algo falava para vir para casa e ainda tentar ver ela. Foi quando a encontrei num ponto de ônibus.
—- Continua meu filho eu estou curiosa. – disse minha mãe com um sorriso enorme no rosto, escorada na porta do quarto.
— Mãe? – indagamos assustados. – O que faz aqui? – completou Ed.
— Ouvi vozes vindo do seu quarto, sabia que não era Susana, então vim ver se era o Senhor Caspian, para dar um belo puxão de orelha nele e até umas palmadas nessa bundinha que a mamãe limpou e beijou com tanto amor. – fiquei vermelho com o comentário dela, enquanto Ed gargalhava falando do meu bumbum. – Mas aí ouvi vocês conversando sobre a Su, os conselhos de amor que o Cas e não consegui interromper, só falei algo agora, porque filho você estava enrolando demais e eu estou muito curiosa para saber se vocês se beijaram.
— Não mãe, nós não nos beijamos. – disse rindo dela.
— Como? – perguntou ela fechando a porta atrás de si vindo sentar na cama junto com nós dois. – Caspian eu não te ensinei a ser mole assim. – disse ela me repreendendo.
— Eu to falando mãe, esse menino precisa da nossa ajuda. – completou Ed apertando a minha bochecha, dei um tapa na mão dele, fazendo ele recuar e reclamar de dor no mesmo momento.
— Mas vai meu filho acabe de nos contar tudo. – ela pegou na minha mão me olhando com ternura, Ed deitou no colo dela se virando para mim como uma criança que estava vendo o personagem preferido ao vivo.
— Ai eu meio que fiz ela aceitar uma carona, mas antes de leva-la para faculdade levei ela até um café, para podermos conversar, no começo o silencio reinou, ela parecia tímida com medo e eu não sabia bem como chegar, mas depois de uma música, tudo mudou, começamos a conversar sobre tudo. E mãe, ela falava tão lindo, tão cheia de vida, cheia de si sabe? – minha mãe apenas balançou a cabeça sorrindo. – Era tão fácil falar com ela, a gente falou de tudo um pouco, depois a levei para casa ela perguntou se me incomodava, na hora me senti um idiota, mas depois acabei deixando escapar que ela era uma menina maravilhosa e que ela não me incomodava e quando ia me despedir dela um rapaz chegou meio que a tratando de maneira possessiva.
— Rapaz? Que rapaz? – perguntou meu irmão levantando do colo da minha mãe.
— Não lembro bem o nome dele. – menti tentando conter a raiva. – Só sei que ele tinha olhos verdes e cabelo loiro. – continuei falando com desdém.
— Ai Droga! – exclamou ele colocando a mão na cabeça, minha mãe o olhou confusa, perguntando o que havia acontecido. – Tenho quase certeza que o Cas conheceu o Dash.
— Exatamente. – respondi sentindo a raiva chegar em meu corpo.
— O Dash é nosso colega de faculdade, estudou todo o colegial com a Su, é nadador, jogador de futebol e faz medicina lá. O cara é tipo perfeito. – senti como se uma faca tivesse sido vincada em meu coração, era impossível concorrer com um cara como aquele, todo perfeito, amigo dela e ainda da idade dela.
— Sou muito mais meu filho. – disse mamãe fazendo todos rirem. – Ele que venha se achando demais que dou umas bolsadas nele.
— Calma dona onça. – deitei no colo dela abraçando suas pernas, como sentia falta da proteção dela, mesmo já sendo um homem formado o amor e a proteção dela me faziam a pessoa mais feliz do mundo. – Mas ele e a Su tem algo Ed? – perguntei pausadamente, sentindo o medo do peso da resposta.
— Bom como eu posso explicar isso? – ele coçou a cabeça e me olhou com receio. – Diretamente eles não tem nada, mas a Su já gostou dele e sente uma atração por ele, na época do colegial ela era perdidamente apaixonada por ele, mas ele apenas a via como colega, ai na faculdade eles se encontraram se aproximaram bem mais e agora digamos que ela só sente uma atração, enquanto o bonitão está apaixonado por ela. – ele me olhou meio triste. – Ele meio que contou pro melhor dele uma coisa e eu meio que ouvi essa coisa.
— Que coisa Ed? – perguntei, ele não quis falar, porém continuei insistindo, eu precisava saber tudo, mesmo que as minhas esperanças estivessem sendo mortas, eu precisava saber, se podia pelo menos acreditar ou deveria desistir de vez.
— Que até as férias pretende pedir a Susana em namoro.
Aquelas noves palavras fizeram meu mundo cair, eu não deveria ter chances, em um dia tomei a pior rasteira de todas, me encantei pela menina anjo mais maravilhosa que conheci e descobri que ela é de outro, pois era certeza que ela aceitaria o pedido de namoro, o rapaz é jovem, atlético, normal, tem a idade dela e ela já foi apaixonada por ele, com toda a certeza ela estaria radiante ao lado dele, esperando que ambos se formassem para poderem se casar.
— Mas Cas, isso não quer dizer muita coisa. – começou Edmundo tentando me consolar.
— Não precisa Ed, eu já entendi Susana e Dash possuem algo, eles serão felizes. Eu que acabei me metendo em uma história que não deveria. – me levantei da cama, começando a caminhar para a porta do quarto, algo em mim estava quebrado, era estranho dizer, mas eu sentia que algo havia sido arrancado de mim.
— Caspian, pare de drama! – disse minha mãe num tom autoritário. – Se sente nessa cama e escute o que o Ed tem a dizer, vamos pensar em algo, o rapaz pensa em pedir a Susana em namoro, não pediu ainda e ela ainda nem aceitou, você tem que ter mais força de vontade e entender que ainda tem chance. – voltei e me sentei na cama meio extasiado com a atitude da minha mãe. – Amores verdadeiros não são fáceis, todos precisam de luta e dedicação, então levante essa cabeça e vá a batalha. Pode continuar meu príncipe.
— Como eu ia dizendo, eles nem chegaram a ficar ainda e a Su vem perdendo o encanto nele, ainda mais que as vezes ele tem umas atitudes meio que infantis, típico de cara mimadinho. Cas, se você se esforçar, tudo pode dar certo, eu posso te jurar que todo esse tempo que eu conheço a Susana, não vi o olhar dela brilhar como brilhou quando vocês conversaram.
— E eu nunca vi seu sorriso tão largo e leve como quando você estava perto dela filho. – completou minha mãe acariciando meu rosto. – Cas, nas poucas horas que te vi perto da Susana, eu vi o meu menino, não esse homem de 28 anos cheio de responsabilidade, mas sim aquele menino que corria atrás de mim pela casa, com um sorriso largo e um ursinho nos braços.
— Mas mãe, o que eu faço? – Sussurrei, eu queria lutar, porém sabia que era um monstro e que logo a verdade seria revelada para ela, pior ainda, eu poderia machuca-la, eu não merecia ser feliz e se lutasse pela Susana, estaria levando ela para o mesmo destino que o meu, uma vida privada escondida de todos, cheia de dores e cicatrizes, mas por outro lado, quando pensei nela, eu deixei de me transformar, consegui conter minhas reações, talvez tivesse um por cento de chance das teorias do Pedro estarem certas.
— Lute meu filho! Se aproximei dela, podemos chamar ela para vir mais vezes em casa, você pode sair com o Ed, tem várias opções, para você se aproximar e depois disso deixe seu coração aberto para ela entrar e para você conquista-la. – ela me abraçou forte, deixando algumas lágrimas escaparem. – Agora meu menino está crescendo de vez.
— Isso ai molecão, eu vou amar ter a Susana como cunhada! – Ed se juntou a nos dois me abraçando forte também, não entendia bem a reação deles, mas meu coração estava se enchendo de alegria e esperança, muita esperança de ser feliz.
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