Beauty Samantha.
1 Capítulo 1 - A mudança.
As luzes ofuscavam completamente meus olhos naquela noite. A tempos que eu dirigia sem rumo, parando em qualquer motel pela estrada e descançando meu corpo cansado nas acomodações do mesmo. Não fosse minha fé em mim mesma eu teria definhado em meio a tanta dificuldade. Eu já tinha dado conta que eu havia chegado em uma grande cidade, longe de tudo que eu vivi um dia no cantinho mais afastado, esquisito, pequeno e estranho do país: Alameda Grimms. Na verdade eu já tinha viajado uns três estados a sul do meu original, e já tinha ouvido boatos de onde eu me encontrava no momento: Saint Bells.
Aquilo ali era diferente do que eu tinha visualisado mentalemente e por fotos na internet: era melhor e bem maior do que parecia ser no mapa. Haviam carros, caminhões, motos, e outras tantas bicicletas passeando na ciclovia presente ali na Avenida 23, tudo a mais do que eu tinha visto minha vida toda em um lugar só. Quase sorri distraída só em meu carro não fosse pela buzina do carro mais próximo a mim que me fez acordar da intorpecencia que as luzes haviam me causado. Mais minutos, e o trânsito continuava parado foi ai que resolvi ligar a rádio com a intenção de distrair-me, a impaciência sempre fora minha fiel compania e o sono começava a se chegar em mim como um velho conhecido mas me mantive forte até chegar no meu destino.
Nas minhas pesquisas na internet por Saint Bells sempre procurei por lugares ao qual eu pudesse ficar ou alugar por um baixo preço logo que eu chegasse. De toda a grana que me sobrara, se eu mantivesse meus gastos como mantive nos últimos três meses, duraria por no máximo mais seis meses. Dirigi finalmente até o suburbio e o endereço que eu tinha havia me levado a uma rua movimentada de bares e becos, com muita gente caminhando pela calçada e sentadas nelas. Percebi alguns hippies na pequena praça central dali e pessoas fumando e bebendo em todos os lugares livres dali. Estacionei e olhei novamente para o endereço que estava quase que grudado no porta copos do carro e o li atentamente. Era exatamente ali. A cidade continuava me surpreendendo. Receosa sai do carro e o travei, suspirei ainda encostada nele e admirei o prédio ao qual eu havia escolhido semanas atrás. Era pequeno e modesto porém ao seu lado havia um estacionamento de médio porte murado o que me deixou mais tranquila quanto a segurança do meu carro em uma rua tão movimentada quanto esta.
Ao subir os pequenos dregaus que davam para o prédio devo ter apertado a campainha umas três vezes afim que o recepcionista me notasse atrás da porta de vidro logo após fechada por portões de ferro em grades logo após esta. Era um sujeito magricela e baixinho, tinha um cabelo bastante preto e liso muito oleoso se reparando bem para este. Entre tanto apenas sorri enquanto ele abria as portas calmamente.
– Samantha David Murray? — Perguntou o sujeito com uma certeza medonha na voz rouca que saia de sua boca. Assenti contudo entrando no pequeno hall do lugar. – Estava esperando por você desde que temos sua reserva de apartamento e devo acrescentar que estava receoso quanto sua vinda já que já são dez da noite e havia confirmado sua chega hoje.
– Tive um problema com o trânsito quando estava na estrada para entrar na cidade... E mais problemas com o trânsito da Avenida 23 no caminho daqui.- Confirmei em tom amigável.
– Então Samantha... - Falou ele trancando o portão de ferro e caminhando para a mesa montada entre o pequeno espaço da escada e dos dois elevadores da parte direita dali, se sentando no exato instante em que chegou a ela. – Vou precisar de sua identidade para te cadastrar aqui.
Apenas tirei minha carteira do bolso de trás da jeans e o entreguei minha identidade com rapidez, a única coisa que eu queria era cair de vez na cama e pensar no que eu faria da vida dali para a frente. Uma universidade perdida, uma sem família, sem amigos... Eu estava no estágio de "Zé Ninguém" mais crítico que eu poderia imaginar estar um dia. De repente eu não era só a adolescente estranha da escola que andava com gente mais estranha do que eu, eu era a adulta estranha sem referência de vida alguma. Um vazio familiar e um nada pessoal. A burocracia do prédio SB era a mínima o que me fez feliz por minutos não fosse pelo motivo que eu tivesse que sair, colocar o carro no estacionamento e pegar as malas de vez, tudo com a ajuda do recipcionista bizarro que se apresentou como Frederic. Enfim com todas as malas repousadas no hall do prédio e o carro estacionado também nas dependências do deste último esperei que Frederic me entregasse a chave que procurava em uma das gavetas de sua mesinha. Foi quando um "clic" na porta de vidro pode ser escutado e um "zuuum" do portão de ferro foram escutados. Frederic por sua vez levantou a cabeça para lá instantaneamente.
– Ah, olá Jannet. — Falou voltando-se para a gaveta da qual puxou uma pequena chave com um chaveiro pendurado onde lia-se 03-11A.
– Olá Frederic, boa noite. O que faz na recepção uma hora dessas da noite?- A tal da Jannet tinha uma voz macia mas não fiz esforço para virar-me e vê-lá, eu estava cansada demais par isto, em vez disto a única coisa que fiz foi verificar a hora em meu relógio. Agora passavam das onze da noite. – Pelo que vejo, carne nova no pedaço. — Concluiu.
– Bem isso Jannet. — Falou ele por fim me entregando a chave em mãos. – Seja bem vinda ao SB Samantha. — Falou ele para mim.
Apenas sorri, queria evitar diálogos. Me virei de lado e chamei o elevador que abriu-se quase que instantaneamente, após arrastar as cinco malas para dentro entrei neste e vi uma silhueta feminina subindo as escadas. Só podia ser a Jannet. Era magra, branca e usava um short jeans e uma camiseta branca, notável também era o tom de cabelo, um ruivo natural. O que sempre me causou inveja em mulheres e me encantou porém, quando enfim ela virou-se para falar mais alguma coisa com Frederic, e quando enfim ia ver seu rosto o elevador fechou-se e eu apenas me contemplei de forma borrada na porta do mesmo.
Segui as instruções do chaveiro: terceiro andar, apartamento 11A. Arrastei as duas malas de mão e coloquei ambas as duas mochilas desajeitadamente nos ombros, colocando a menor mala delas em cima de uma das de mão, até chegar a porta de meu apartamento. Era tanto quanto quieto o lugar o que era ótimo para mim. Abri a porta e me deparei com um mínimo apartamento, era extamente aquilo que eu queria: nada de exageros, aconchegante, enfim, um lugar meu. Joguei as malas para dentro assim como as mochilas dos meus ombros para o chão já no interior do apartamento. A sala era pequena e fazia uma divisão com a cozinha americana logo ali. Havia também um corredor estreito que dava para o quarto, no fim deste e um banheiro pequeno em seu início.
Não resisti a me jogar no longo sofá no centro daquele lugar, fechei os olhos e senti que de longe a felicidade buscava uma forma de entrar na minha vida novamente. E eu, de fato não iria deixar aquela oportunidade escapar por nada na vida.
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