Notas iniciais
Introduzindo alguns membros da família de Macon à história. Nós os veremos novamente em breve. Divirtam-se!

Haviam se passado cinco dias desde o beijo. Macon estava em Nova Orleans sentado à varando tomando chá com a mãe.

–Você me vê machucando ela, mãe? – perguntou com a voz temerosa.

A mãe de Macon, Arelia, uma poderosa Adivinhadora, estava sentada de frente para o filho, seus olhos verdes cerrados enquanto ela tentava ver fragmentos do futuro do rapaz.

Há quatro dias ele a havia procurado, Macon estava aflito quando chegara à cidade. Estava tão furioso consigo mesmo, tão irritado, tão magoado!

Por que tinha que tê-la beijado?, pensava ele. Se nunca tivesse provado de seus lábios nunca teria pelo que desejar, ela nunca seria alcançável, mas agora era, pelo menos de certa forma.

Mesmo sabendo o que era, Macon a queria. Queria que Lila Jane Evers fosse apenas sua, mesmo tendo em consciência que se a tivesse a mataria, que a cada beijo tiraria um fio de vida dela, que se alimentaria alegremente de sua energia vital, que ele se fortaleceria e ela desvaneceria. Porque era exatamente isso o que os Incubus faziam, alimentavam-se de sangue, sonhos e desejos. O dicionário escolar dizia isso, o livro de mitologias também.

Macon só tinha certeza de uma coisa naquele momento: ele não podia estar apaixonado. Criaturas das Trevas não amavam.

Arelia abriu os olhos e colocou sua xícara de chá sob a mesa. Seus olhos se voltaram para o filho, havia pena neles e também havia compaixão.

–Eu não o vejo machucando-a, Macon e sei que você jamais seria capaz de fazer isso, cher.

–Depois da Transformação eu seria. – ele desviou o olhar — A senhora sabe o que aconteceu com Hunting.

–Você e seu irmão não são nada parecidos, meu filho. No fundo do seu coração você é um ser da Luz.

Macon continuou com o rosto virado evitando encarar a mãe. Ele estava se sentindo mal pelo que havia acontecido com Jane, ele não queria ter dado esperanças à ela de que talvez pudessem ficar juntos por que isso não podia ocorrer.

A mãe se levantou e depois se ajoelhou ao seu lado, pegou o queixo do rapaz com dois dedos e o fez olhar em seus olhos.

–Não se culpe assim, Macon. Se ela te faz bem, deixe que continue fazendo, de vez em quando devemos enganar a nós mesmos. – ela baixou os olhos – Você quer saber o que eu vi?

–Sim. – respondeu ele.

–Eu vi que ela será a mulher que você mais amará em sua vida. – previu ela — Ela deixará uma marca em você e vice e versa. Nunca serão capazes de esquecer um ao outro, nunca serão capazes de amar do mesmo jeito, mas se isso lhe parecer um castigo saiba que também sei que seu amor por ela vai torná-lo uma pessoa melhor.

–Eu teria de mentir para ela. Teria de enganá-la e depois descartá-la quando eu for uma ameaça à sua segurança. Isso não é amor, aliás, você sabe que não sou capaz de amar.

–Sim, você é, cher! Não posso tomar decisões por você, não posso incentivá-lo a colocar essa jovem em risco, porém posso dizer-lhe que uma vez que um sentimento foi despertado não há como apagá-lo. E o futuro sempre pode ser reescrito, lembre-se da profecia.

Macon riu e afastou a mão da mãe de seu rosto.

–Esqueça os contos de fadas, mamãe, vivemos no mundo real.

Arelia se levantou e recolheu seu jogo de chá, arrumando as louças sujas em uma bandeja de madeira. Empurrou a cadeira para seu lugar e abriu a porta da casa.

–O mundo real nem sempre é tão preto no branco quanto você pensa, meu filho.

Então entrou na casa.

...

Na sexta-feira, passados então, seis dias desde o ocorrido, Lila estava voltando da aula, perdida em seus devaneios.

Era certo que Macon não aparecera na aula naquele dia também, ele havia desaparecido desde sábado quando, no que Lila pensava ter sido um impulso louco, ele a beijara. Ela incompreensivelmente ficava triste ao pensar na ideia de que o beijo tivesse sido apenas um impulso idiota e que poderia nunca mais voltar a acontecer.

Sentira-se incondicionalmente encantada ao ser beijada por ele, como nunca antes. Seu lado racional queria esquecer tudo aquilo (principalmente pelo fato dele ter simplesmente sumido), mas sua teimosia era maior, ela ponderava, questionava e argumentava consigo mesma.

Olhou para sua cópia de O Sol é Para Todos (que não lhe saíra da cabeça desde que Macon apresentara seu cachorro como Boo) e se perguntou se algum dia voltaria a vê-lo novamente.

–Boa noite, gracinha. – ela ouviu a voz atrás de si, mas não deu atenção – Você cursa História, não é mesmo? – novamente Lila ignorou quem quer que estivesse falando – É parceira de Macon, certo?

Dessa vez, porém a moça congelou no lugar. Macon não falava com mais ninguém a não ser ela, como o dono da voz podia conhecê-lo? Ela se virou para se deparar com um rapaz que devia ter cerca de vinte anos. Era alto, tinha uma barba rala no queixo e o principal: cabelos e olhos escuros como a noite. Escuros como os de Macon.

–Quem... – ela quase engasgou – Quem é você?

–Ah, eu sempre esqueço de me apresentar. Eu sou Hunting Ravenwood, minha querida.

–Ravenwood? – seus olhos se arregalaram.

–Exatamente. Sou o irmão de Macon.

O coração de Lila de um pulo, suas batidas ficando aceleradas e parecendo serem audíveis para o mundo todo. Macon não quisera falar sobre seu irmão, ele repudiava o assunto e até mesmo parecia querer que o irmão não existisse e agora ela estava de frente para ele. Sozinha.

–O que você quer comigo? – disse ela tentando parecer corajosa.

–Nada, minha querida, eu apenas gosto de vigiar o meu irmãozinho quando estou sem mais nada para fazer e uma vez que te vi saindo da casa dele no sábado antes dele sair correndo para Nova Orleans onde com certeza foi pedir os conselhos da mamãe... Bem, supus que você fosse algum tipo de problema.

–Não sou.

Ela lhe deus as costas e começou a andar à passadas rápidas, porém Hunting a seguiu.

–Diga o que você quer ou vá embora! – gritou ela para ele sentindo-o ao seu encalço.

–O que eu quero? – ele riu – Essa é uma pergunta com várias respostas possíveis...

Ela se virou, andando de costas e tentando mantê-lo sob seu olhar. Ela não sabia por que, mas diferentemente de Macon, Hunting não lhe inspirava confiança.

–Responda, não tenho tempo para brincadeiras.

Hunting Ravenwood a encarou, como se pensasse em sua resposta e então começou a falar:

–Não vou lhe dizer o que quero hoje, isso vai depender do futuro. Só queria conhecê-la, Lila Jane. – ele sorriu – Nós voltaremos a nos ver, só não sei em que circunstancias. Espero com afinco que meu irmão não seja tão burro quanto penso que é.

Ele começou a se afastar e depois como se fosse possível, pareceu se desmaterializar na escuridão.

Notas finais
Como sempre: Obrigada pelos visualizações! Comentários são muito bem vindos e muuuito apreciados.