Beautiful and Dangerous
6 5. Omissões
Notas iniciais
Depois de um demorado banho Lila se arrumou, pegou suas coisas e saiu do dormitório. Ela caminhou despreocupadamente até a saída da universidade e depois vagou pelas ruas seguindo a visão do prédio marrom de tijolinhos, ela acabou em uma rua sem saída que era onde o prédio ficava.
Era um lugar meio estranho, muito quieto e escuro e poucas das janelas tinham luzes acesas. Receosa Lila discou o numero 13 no interfone, a porta abriu quase que imediatamente, o apartamento de Macon ficava no final do corredor. Ela bateu na porta e esta foi aberta pelo rapaz.
–Jane. – ele deu um meio sorriso para ela.
Lila estava preparada para sorrir de volta quando um grande cachorro (que aliás parecia mais um lobo do que qualquer outra coisa) saiu do apartamento latindo e avançando nela.
–Boo! Garoto mau, ela é minha amiga. – repreendeu Macon.
No mesmo instante Boo parou de latir e rosnar para ela e se sentou sob as patas choramingando como se pedisse desculpas. Lila levantou os olhos para Macon curiosa.
–Boo? – ela riu – Como Boo Radley em O Sol é Para Todos?
–Exatamente. – ele também riu.
–Você tem um humor estranho, Macon Ravenwood.
Ele pareceu enrijecer ao ouvir seu nome completo e novamente ela se perguntou quais segredos aquele rapaz esconderia.
–Vamos, entre. – disse ele abrindo a porta por completo.
Lila entrou no apartamento tendo sua primeira dica concreta de quem ele realmente era. A sala de estar tinha duas paredes com prateleiras de livros que as cobriam do chão até o teto, havia um sofá vermelho escuro e uma poltrona combinando, os móveis eram pretos e todos tinham adornos como entalhes na madeira. Na única parede livre estendia-se uma grande lareira e na frente dela se encontrava uma mesinha de centro onde os materiais escolares de Macon estavam espalhados.
O lugar era simplesmente muito belo, Lila pensou que gostaria de viver ali. Boo passou por ela e se deitou em um canto próximo à lareira, ele era tão grande que ela duvidava que ele fosse mesmo um cachorro.
–Sente-se Jane. – disse Macon.
Ela caminhou até o sofá e se sentou, já ele ignorou o espaço vazio ao seu lado e preferiu ficar na poltrona. Lila abriu a bolsa relutantemente e retirou de lá sua pesquisa e a ofereceu à Macon.
–Você queria relê-la, não é mesmo?
Ele assentiu em silencio e começou a ler.
–Você acha que podemos usar algo do que está escrito ai na apresentação? – perguntou ela, não aguentando ficar calada.
–Acho. – disse Macon – Eu tenho certeza de que poderemos utilizar muitos aspectos de ambas as pesquisas escritas na apresentação. Podemos fazer alguns cartazes explicativos com datas e lugares de onde ocorreram cada um dos eventos da Guerra.
–É uma boa ideia. – concordou ela.
O rapaz voltou a ler os papéis em sua mão, porém por mais que quisesse permanecer quieta Lila não conseguia, parecia quase uma necessidade conversar com ele.
–Você sente falta da sua casa? – perguntou.
–Ás vezes. Sinto falta da minha mãe e da minha irmã mais nova, Leah. – disse ele.
–Entendo. Você tem quatro irmãs não é mesmo?
–Três – corrigiu Macon – Tenho três irmãs e um irmão, mas meu irmão e eu não nos falamos.
–Por quê?
Os olhos do garoto se estreitaram, imediatamente ele colocou as folhas sob a mesa de centro e se levantou da poltrona.
–Vou pegar um café para você.
Irritada por Macon ter ignorado sua pergunta, Lila o assistiu se dirigir até a cozinha. Boo levantou-se rapidamente, ela pensava que o cachorro fosse seguir seu dono, porém este veio até ela. Aproximou-se vagarosamente, quase como se fosse mesmo um lobo e estivesse analisando sua caça.
O cão apoiou a cabeça no joelho dela e Lila acariciou seu pelo. Boo a olhava como se fosse humano, seus olhos escuros subitamente a lembrando dos de Macon.
Alguns minutos depois o rapaz retornou da cozinha trazendo consigo uma xícara de café preto.
–Boo, saia daí! – repreendeu ele.
O cachorro saiu correndo como se tivesse visto um fantasma e desapareceu pelo corredor.
–Do que estávamos falando? – perguntou Macon, sentando-se na poltrona novamente.
–Do seu irmão. – respondeu a garota.
A expressão dele se fechou.
–Eu acho que não.
Aquilo estava deixando Lila com raiva. Ela queria que ele lhe desse respostas concretas, queria que não evitasse todos os assuntos que se diziam respeito à sua vida pessoal, não era pedir muito.
–Por que você não gosta de falar da sua família? – perguntou ela com o tom de voz repentinamente alterado. – Por que não gosta de ser sincero comigo? Acha que eu não sou uma pessoa confiável ou é alguma outra coisa?
Macon se inclinou para frente na poltrona.
–Jane, eu acho que você é a pessoa mais confiável que eu já conheci, porém não posso me dar ao luxo de lhe contar tudo sobre a minha vida.
Lila balançou a cabeça irritada.
–Se acha que sou confiável então apenas me diga por que você não fala com seu irmão!
–Peço que não insista.
Perdendo a paciência e não querendo mesmo insistir no assunto a moça se levantou, colocou a xícara de café sob a mesinha e a bolsa no ombro.
–Ótimo!
Ela se dirigiu à porta, agarrou a maçaneta, mas quando ia abri-la seu pulso foi segurado por Macon. Ele a fez se virar e olhá-lo nos olhos.
–Não vá, por favor, não assim. – pediu ele.
–Então seja sincero comigo.
–Eu não posso Jane, eu quero, mas não posso!
Lila olhou bem dentro dos olhos escuros dele e viu que pela primeira vez ele estava sendo realmente sincero com ela. Viu que ele tinha medo de algo e que era isso que o estava impedindo de falar o tempo todo.
Uma das mãos de Macon se encostou sob a porta, prendendo-a no lugar e então ele se aproximou vagarosamente. No instante seguinte os lábios dele estavam nos dela. Ele a beijou de maneira hesitante inicialmente, mas depois de forma apaixonada e então, em um tempo que não foi o suficiente para saciá-la, o beijo terminou e Macon se afastou.
–Você tem que ir embora. – disse ele, desencostando-se da porta e deixando seu caminho livre.
–Mas... – começou ela.
–Saia!
A voz ríspida de Macon quase a assustou. Ela foi incapaz de pronunciar sequer mais uma única palavra, abriu a porta e depois a bateu atrás de si, então fez a única coisa que podia fazer: correu em direção à faculdade.
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