Beautiful and Dangerous
39 38. Sofrimento
Notas iniciais
A aproximação do fim do mês de maio trouxe consigo uma preocupação que Macon havia tentado evitar ao máximo, porém seu aniversário seria em 6 de junho o que queria dizer que em poucos dias ele seria um monstro exatamente como seu pai, seu irmão e todos os Incubus da familia Ravenwood desde Abraham.
Ele temia o que poderia se tornar, mas mais do que isso temia o momento em que tivesse de dizer adeus à Jane. Pensar em deixá-la era como pensar matar a única felicidade que ainda existia em sua vida.
Porém apesar de seus receios, Macon sabia que cedo ou tarde ele a deixaria ir, não era egoista o suficiente para testar seus limites e colocar vida daquela garota em risco. Ele diria adeus, se afastaria, se esconderia nas sombras e deixaria que ela vivesse, porque era aquilo que ela verdadeiramente merecia.
Lila Jane Evers. Os olhos azuis como o céu de uma linda manhã de verão, sorriso doce e timido, rosto delicado escondido atrás de um par de óculos pretos, cabelos lisos da cor de chocolate belga... E o principal é claro! Honestidade e generosidade transbordavam dela, suas palavras continham uma sabedoria invejável e sua determinação parecia não ter limites.
Ele a amava. Céus, como ele a amava!
Levaria seu amor por aquela única mulher para o túmulo junto consigo, pois num mundo inteiro de opções jamais encontraria alguém como ela e, mesmo que encontrasse ainda não seria ela. Nunca mais seria. Ele nunca mais a beijaria ou a tocaria, entregaria-a ao destino e condenaria-se ao seu.
Macon Ravenwood era nobre o suficiente para fazer isso. E de fato o fez.
Macon Ravenwood sabia que amar era fazer sacrificios. Amar era colocar a felicidade de alguém acima da sua.
Era alegria e dor ao mesmo tempo.
...
A porta do dormitório foi batida com estrondo tão alto que fez Marian Ashcroft pular de susto. Ela virou o rosto em direção à entrada do pequeno apartamento apenas a tempo de ver Lila correr em direção a seu quarto. Frazindo as sobrancelhas Marian seguiu a amiga até o cômodo ao lado e deparou-se com Lila Jane chorando como uma criançinha embolada em sua cama.
– Ei. – disse Marian enquanto se aproximava e se sentava ao lado da garota – O que houve?
A moça não respondeu só continuou chorando como se seu coração tivesse sido arrancado de seu peito e a morena acariciou seu braço até que os soluços diminuissem e o choro se tornasse silencioso.
– O que aconteceu, Jane?
– Ele se foi. – murmurou ela – Macon Ravenwood finalmente me disse adeus.
O rosto de Lila Jane estava vermelho, seu olhos inchados e seu queixo tremia. Talvez Marian devesse ter advinhado qual era o problema da amiga, pois sabia que haveria um momento em que o Incubus e a Mortal teriam que dizer adeus, mas não percebera o quão próxima estava a Transformação.
– Ah, Lila, eu sinto muito querida.
– É muito cedo. – disse ela – Não posso perdê-lo ainda, May. Simplesmente não posso... – ela fungou e puxou uma caixa de lenços de cima do criado mudo – Depois que minha mãe morreu, Macon havia se tornado meu único suporte. Eu o amo, mais do que desejava amar. Queria poder esquecê-lo, mas sei que não serei capaz.
Marian puxou os cachos que caiam em frente a seu rosto para trás da orelha e depois se deitou de frente para a amiga.
– Escute aqui, Lila Jane, você vai voltar a sorrir de novo, vai conhecer caras incriveis, vai ser uma ótima escritora e vai seguir em frente. Um futuro inteiro se estende diante de você, pegue uma estrada, siga por ela e continue, um dia Macon será apenas uma memória distante.
Um riso sinico escapou pelos lábios de Lila.
– O tipo de memória distante que te assombra pelo resto da vida e que abre buracos no seu coração toda vez que lhe vem a superfície da mente. É assim que deveria ser o amor?
Ela balançou a cabeça negativamente.
– Quem sou eu para dizer como deveria ser o amor? Nunca amei, nem anseio por amar, não assim, quando amar quer dizer sofrer.
Mais lágrimas correram pelas bochechas de Lila e ela não se importou em enxugá-las, tampouco se importou em respondê-la, a dor que havia em seu coração não podia ser expulsada por palavras gentis.
Aquela dor não tinha cura.
Talvez fosse mais díficil enfrentar a dor de um amor proíbido do que a dor de um término por concessão ou mesmo por traição. Deveria ser mil vezes mais fácil ser deixada por não ser mais amada do que ser deixada para o seu próprio bem. Saber que Macon ainda a amava com todo o seu coração devia fazer com que aquela dor fosse insuportável para Lila Jane, pois ela também o amava incondicionalmente, desistiria de muito por ele, sem nunca queixar-se de suas decisões não fosse o fato do amor dos dois ser impossível de levar adiante. Hora ou outra ela sabia que ele lhe diria adeus, ela sabia que ele se tornaria algo irreconhecível.
No entanto, ainda diante disso sua melhor amiga era impotente diante de algo que a condenava: um sentimento. Aquele tipo de sentimento que se enraizava no coração e do qual se tornava impossível se livrar.
– Não me importo em morrer. – disse Lila Jane – Não me importo que amá-lo me leve para o túmulo contanto que eu esteja ao lado dele.
Marian franziu o cenho.
– Nunca mais diga isso. – rebateu ela – Isso vai passar, pois por mais profunda que seja a dor do amor uma hora ela te deixará em paz e você poderá ver o quanto estava sendo tola nesse momento.
– Não. Quando você ama como as pessoas ao nosso redor fazem, por uma noite ou duas, ou mesmo simplesmente para brincar de casinha é uma coisa completamente diferente de amar como eu amo Macon. Acredite em mim, May, você nunca vai querer se apaixonar dessa forma a não ser que não haja nenhuma barreira entre você e a pessoa que você ama.
Nunca, pensou Marian. Eu realmente nunca vou querer me apaixonar assim.
Se amar significasse sofrer daquela forma, então a morena havia tomado uma decisão, estaria sempre melhor sozinha.
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