Beautiful and Dangerous
35 34. Pequena Luz
Notas iniciais
Ainda naquela noite de sábado Macon e Lila resolveram fazer sua última parada no apartamento do rapaz.
Duas xícaras de chá descansavam sobre a mesinha de centro e eles sentavam-se lado a lado no sofá, seus olhos baixos enquanto suas mentes se perdiam em devaneios. Ambos ainda pensavam no que havia ocorrido no carro.
Macon Ravenwood não queria admitir para si mesmo, mas ele sabia que naquela noite ele a havia desejado como nunca antes, não apenas porque ela estava especialmente linda, mas porque tê-la em seus braços fazia com que ele se sentisse tão humano quanto era possível para um demônio.
Ele sabia, no entanto, que aquele momento que ele havia desejado seria para ela e outro homem, não para ele. Macon nunca teria a chance de amá-la daquela forma. Com o canto dos olhos, ele a observou, reparando seu claro nervosismo refletido no modo como ela apertava os dedos uns contra os outros.
– Desculpe. – murmurou ele – Acho que fui longe demais hoje.
Lila Jane mordeu o lábio e se aproximou dele, pegando sua mão.
– Você não tem pelo que se desculpar, Macon. Essa noite toda foi um sonho, mas acabamos nos dando conta da realidade. – disse ela, estendeu a mão livre para seu rosto e acariciou-lhe a bochecha – Esta noite eu o quis de uma forma que sei que não poderei tê-lo, mas tudo em mim queria se entregar a você e eu teria alegremente perdido a razão em seus braços sem me importar que minha morte fosse a consequência de tal ato, no entanto sei que valho mais viva para procurar uma solução pela qual possamos ficar verdadeiramente juntos sem ter que nos preocupar. Porém quero que fique sabendo, para o caso de eu não encontrá-la, que não me importo de não podermos ficar juntos fisicamente. Temos um ao outro e somos nossa própria Luz, é isso o que deve importar.
Os braços de Macon a puxaram para si e a envolveram em um abraço apertado.
– Eu te amo, Jane.
– Eu também te amo, Macon.
O toque do telefone vindo da cozinha fez com que ele a soltasse e seguisse o som estridente com Boo em seu encalce. Assim que ele tirou o aparelho do gancho e o colocou em seu ouvido a voz de Leah o invadiu vindo apressada e eufórica.
– Macon, sou eu, Leah. Eu e mamãe estamos indo para Barbados, você simplesmente tem que ir para lá também e nos encontrar! – disse a menina.
As sobrancelhas de Macon se franziram.
– O que te faz pensar que eu sairia da faculdade à uma hora dessas para ir a Barbados, Leah?
– Você não quer conhecer seu novo sobrinho ou sobrinha? – perguntou ela – Delphine está tendo o bebê, Emmaline acabou de nos ligar.
Macon pensou por um instante, olhou para trás onde Jane continuava sentada no sofá e Boo balançava o rabo em animação.
– Talvez eu encontre vocês lá, mas não prometo nada.
– Tudo bem. – rebateu Leah – Até mais tarde.
Ele desligou o telefone e voltou para a sala.
– Quem era? – questionou Lila.
– Minha irmã Leah. – disse ele – O que me diz de ir conhecer um recém-nascido?
Lila Jane levantou-se do sofá e pegou a bolsa que havia largado no chão.
– E a noite fica cada vez mais interessante... – ela riu – Ainda bem que Marian não ia me esperar acordada.
...
Era um pouco mais demorado percorrer os Túneis até Barbados do que até Gatlin, pois é claro que a distancia geográfica continuava existindo mesmo dentro de um túnel Conjurador.
Macon não fazia ideia de como Lila ainda estava acordada, ele sabia que já era bem tarde e que ela já deveria estar com sono, mas suas últimas madrugadas de pesquisa na Lunae Libri deviam tê-la treinado para aguentar um tempo maior acordada.
Ele não tinha um grande apreço pelos túneis, embora admitisse que eram a melhor forma de locomoção, pois ali embaixo haviam Sobrenaturais de todos os tipos. Da Luz e das Trevas e nunca se sabia quando se iria esbarrar em alguém.
– Será que você se importa se eu fizer uma pergunta? – questionou Lila Jane.
– Não. Pergunte o que quiser.
A moça hesitou por um momento, deram mais alguns passos antes que ela finalmente falasse.
– Como sua mãe e sua madrasta se dão assim tão bem?
Uma risada seca escapou pelos lábios de Macon.
– Fácil. Ambas foram enganadas pelo mesmo homem, nunca o disputaram, mas entendem-se mutuamente, uma compreende a situação que a outra enfrentou.
Arelia e Emmaline haviam caído na armadilha de Silas da mesma forma, embora suas histórias com ele fossem diferentes haviam tido o mesmo final. Arelia e Silas haviam se conhecido na universidade, Emmaline e Silas numa biblioteca pública.
Macon e Del tinham a mesma idade o que queria dizer que Silas estiveram traindo as duas mulheres. Casara-se com uma e prometera casamento a outra, havia tido cinco filhos e desejara trazer todos eles para as Trevas, mas as mães dos jovens jamais permitiriam que o Incubus fizesse isso assim tão simplesmente.
Talvez fosse por essa razão que as duas nunca houvessem se odiado como seria comum acontecer. Macon havia crescido tendo as Duchannes como parte de sua família e Izzy e Del eram tanto suas irmãs quanto Leah e Hunting.
Depois de um tempo de caminhada eles finalmente chegaram a porta que dava à um anexo na casa de Barc e Del. Ele puxou a corrente que fechava a porta e passou pela soleira pegando a mão de Jane e puxando-a para dentro consigo. Subiram as escadas e depararam-se com a pequena sala de estar, ali encontravam-se Leah, Emmaline e sua mãe.
– Macon, cher, é tão bom vê-lo. – disse Arelia aproximando-se para abraçar o filho e depois sua namorada – Olá, Lila Jane, querida.
– Oi, Sra. Valentin, é ótimo revê-la.
– Como está a Del? – perguntou Macon.
Leah levantou-se da cadeira onde estava sentada em um pulo e se apoiou no ombro do irmão mais velho.
– Você tem que vê-la, Macon! Ela teve uma menininha linda.
Olhando para Emmaline ele pôde ver a preocupação que seus olhos transpareciam pela filha e pela neta. Os Duchannes sempre temeriam ter meninas em sua família, pois a Maldição faria com que sua Invocação fosse temida durante dezesseis anos.
– Vamos, Macon, você e Lila tem que vê-la. – insistiu Leah.
Sua irmã os arrastou até o quarto onde Barclay e Del estavam. Delphine estava deitada na cama e segurava uma pequena bebezinha enrolada em um cobertor felpudo.
– Oi, Del, querida. – disse Macon sentando-se ao lado da irmã e beijando seus cabelos louros – Como você está?
– Estou bem agora que a dor toda terminou. – disse ela, depois levantou os olhos para Lila e sorriu para ela – Oi, Jane.
Lila sorriu de volta para ela e aproximou-se deles, ela observou por cima do ombro de Macon a pequena criança que sua irmã tinha nos braços. Ela respirava levemente e mexia as mãozinhas e os pezinhos.
– Qual o nome dela? – perguntou Lila Jane.
– Por enquanto ela se chamará Annabel. — respondeu Del.
– Por enquanto?
Macon virou-se para ela e acariciou seu braço enquanto punha-se a explicar o que a irmã quisera dizer.
– Os Conjuradores tem o costume de dar um nome para seus filhos quando eles nascem e usarem outro até que este seja invocado. No dia da Invocação o nome verdadeiro da criança será revelado a ela, mas até lá ela terá esse nome provisório.
– Ah. – murmurou ela.
Seus olhos se voltaram para Del e a bebê novamente. A moça ajeitou a criança a estendeu para a namorada do irmão.
– Quer segurá-la um pouquinho? – perguntou Delphine.
– Claro.
Lila Jane estendeu os braços para pegar a menininha e a acomodou em seu colo, depois sentou-se na cama de frente para Macon, os olhos brilhando enquanto balançava o bebê.
– Olá, Annabel. – sussurrou ela – Você é uma menina muito linda, sabia?
Macon sorriu e estendeu a mão, correndo um dedo com delicadeza pela bochecha rosada da sobrinha recém-nascida, um ser tão pequenino que teria que enfrentar uma Maldição no futuro, que como ele havia sido entregue a um destino no momento em que nascera.
Ele levantou os olhos para Jane e ela encontrou seu olhar. Um sorriso surgiu nos lábios de ambos e eles se permitiram aquele momento mimando a pequena Annabel Duchannes.
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