Beautiful and Bizarre

2 Emotions - Versão Kurama - Final Alternativo


Notas iniciais
E aqui, um final alternativo com Claudine ficando com Kurama ^^ Er... Esse capítulo é totalmente centrado no baixinho de cabelo azul. E ele pode ser relacionado, como uma continuação do primeiro. Na parte com o pai do Kurama, eu inventei tudo. Ah, e não me xinguem por uma outra parte com o Minamisawa. Eu sei que ele foi FDP, mas o último cap explica tudo. Tradução título: Emoções Boa Leitura.

“Posso não ser tão forte quanto imagina, mas irei te proteger do meu jeito.” – Kurama Norihito

Kurama não sabia por quê, mas ali estava ele limpando o machucado de Claudine. Já era a quarta vez esta semana.

— Ai. — A morena reclamou de dor. Desta vez foi feio mesmo. Tinha quebrado uma garrafa. O corte foi imenso e um pouco profundo.

— Isso que dá sair espatifando as coisas. — O azulado lhe dá um sermão. Claudine infla as bochechas num muxoxo.

O motivo da garota ter feito isso foi que os dois discutiam sobre quem chutava melhor. A morena havia entrado para o time junto de Kurama e Minamisawa. Nesta discussão banal, o Norihito acabou a deixando frustrada com seus argumentos rudes e tudo resultou na cena de agora.

Kurama enrolava a faixa na mão da morena delicadamente, algo que ela não imaginou que o garoto seria capaz. Na verdade, nem mesmo o baixinho. Mas, ele se questionava quando foi que este hábito começou. Sempre que algo assim acontecia, Kurama é o primeiro a se postar a cuidar dela; se preocupar. Não sabia por quê. Apenas lhe vinha uma vontade absurda de protegê-la.

— Por que faz isso? — Claudine indaga ganhando a atenção de Kurama. — Sempre que me machuco, você faz um curativo em mim. Não seria melhor ir pro hospital? Digo, não que eu esteja sendo mal-agradecida. — Completa Claudine.

Kurama pensou. Era uma pergunta que ele evitava responder.

— Porque... Você é minha amiga. — Respondeu tímido, mas a frase soou meio possessiva para ele, portanto, tratou de disfarçar. — Quantas vezes tenho que dizer? Amigos fazem essas coisas uns pelos outros.

— Ah. Obrigada. — Agradeceu ela com um sorriso singelo.

Kurama terminou o curativo e ambos se dirigiram à Raimon estavam na casa da morena. Natsumi e Endou tinham saído. Durante o percurso, o rapaz estava imerso em seus próprios pensamentos. Fazia algum tempo que refletia sobre como a influência de Claudine em sua pacata vida fora significante. A morena diz para ele e Minamisawa o quanto tinha aprendido ao conhecê-los, porém ela não sabia que os tinha ensinado algumas coisas também. E tudo começou apenas pelo suposto interesse do de cabelos roxos e o incentivo do de cabelos azuis. Era só um forte sentimento de amizade; era só um sentimento de preocupação; era só um carinho amistoso.

Mas ele não quer mais ser só um amigo.

Claudine cantarolava uma canção qualquer enquanto mexia no celular e andava. Quase vai de encontro à um poste se Kurama não a puxasse pelo braço. E ambos interromperam a caminhada.

— Acabei de fazer um curativo em você, já está querendo outro? — Pergunta ele com sua cara séria, apesar de estar normal.

— Se eu batesse no poste, você não ia precisar fazer isso, porque seria minha culpa. — Retrucou Crystal levemente risonha.

— Ingrata. — Ofendeu Kurama, sem falar sério de verdade.

— Não sou ingrata, é você que me trata como uma criança. — Rebate ela iniciando uma discussão amigável.

— Mas você é uma. — Responde Kurama e nota que o sapato dela estava desamarrado. Automaticamente ele abaixa e o amarra. — Viu só?

— Mas eu posso fazer isso. — Argumenta Claudine rindo um pouco.

— Sabe-se lá quanto tempo ia demorar pra perceber, pequena. — Kurama provoca.

— Kura, entre nós dois, quem você acha que é a criancinha? — Indaga Claudine irônica. O baixinho a ignorou e voltaram a andar. Claudine riu.

E Kurama percebeu novamente que o outro sapato da garota havia desamarrado.

Claudine realmente precisa ficar ao seu lado. Pensou Kurama.

As aulas no colégio se passaram com a maior demora que todos odiavam durante o período escolar. A tarde estava linda e ensolarada. Todavia, de repente chegou a chuva intrometida. E justamente, na hora de ir embora. Pelo menos não havia treino.

— Esqueci meu guarda-chuva. — Informou Claudine frustrada. Teria que esperar a chuva diminuir.

Foi então que Kurama viu que o destino estava lhe jogando uma oportunidade. Ficou um pouco nervoso. De certo que queria sair da friendzone, mas não significa que colocava muita fé em si próprio, muito menos esperança. Quem iria se interessar por um baixinho de TPM, como dizia Minamisawa?

— Eu te levo pra casa. — Resolveu arriscar.

Claudine não recusou. Estava doida para voltar pra casa, se jogar no sofá e assistir A culpa é das Estrelas mais uma vez. O moreno abriu seu guarda—chuva preto e ofereceu seu braço para ela segurar, o qual Claudine aceitou, caso contrário, iria molhar metade de seu corpo.

Contato.

O rosto de Kurama corou e o corpo se arrepiou com a sensação do toque de Claudine. Ela pode ser meio fria e calculista ao falar, mas na verdade é quente. E pensou isso em duplo sentido. Ele evitava seu olhar o tempo todo, não queria se entregar, ou não iria saber onde enfiar a cara se ela descobrisse, apesar da garota ser inocente às vezes. A caminhada foi dominada pelo silêncio incômodo, mas felizmente, ou infelizmente, foi cortado por ela.

— Você está tremendo. — Ressaltou vendo o braço do garoto trembilar de leve.

— Estou com frio, ora. — Mentiu. Ele claramente sabe que não era isso.

De repente, Claudine parou de caminhar, para surpresa de Kurama. Antes de ouvi-lo perguntar, ela tocou-lhe a testa suavemente. Kurama sentiu que explodiria de calor.

— Está quente. — Disse ela o analisando.

— Estou? — Indagou desconcertado enquanto a mão dela desceu por seu pescoço para sentir a temperatura dali.

— Está com febre. — Concluiu a morena preocupada. Kurama pensou no que tinha feito para adoecer. Talvez a friagem que encarou ao sair dias antes.

— Em casa eu tomo um remédio. — Responde o moreno lutando pra controlar as emoções.

— É perigoso se medicar sozinho. — Alerta ela séria.

— Eu sei, mas o que posso fazer? — Kurama mora sozinho com o pai, que é ausente na maior parte do tempo. Sem falar que a relação dos dois é péssima. A mãe faleceu quando o mesmo tinha seis anos. — Acho que posso ligar pro meu pai no trabalho, ele deve saber o que eu faço.

— Por que não dorme em casa? Natsumi está lá. E Endou Nii-san não se importa. — Sugere Claudine. — Melhor do que ficar sozinho.

— Certeza? — Perguntou quase recusando a oferta pois não queria dar trabalho a ela.

— Sim, é isso que amigos fazem, não? — Responde Claudine exibindo um sorriso. Ambos rumaram até a residência dos Endou.

— Bem-vindo, Kurama-kun. — Cumprimenta Natsumi feliz. Claudine explica a situação para a ruiva, que ficou de acordo. — Kurama, pode se deitar no quarto de hóspedes. Vou pegar um remédio de febre.

A chuva não deu trégua a noite toda, pelo menos era gostoso dormir com a melodia dela. Porém Kurama tremia entre as cobertas. A febre custava a passar. Claudine trocava a toalha em sua testa à toda hora, interrompendo seu sono durante a madrugada.

— Cloud... — Kurama a chamou. — Vá dormir, eu posso fazer isso.

— Não. Sua febre não abaixou. — Recusou a morena torcendo o pano.

— Por quê? — Indagou o moreno. Talvez no começo de um delírio.

— Porque, você sempre cuida de mim. Porque não cuidar de você também? — Responde a garota o encarando.

— Então é uma troca de favores? — Kurama desviou o olhar se sentindo magoado.

— Não. — Claudine nega. — É porque te amo. E sempre cuidamos do que amamos, certo? — Kurama sentiu seu coração paralisar. Não sabia se aquilo foi uma declaração amorosa ou amistosa. — Boa-noite. — Os lábios da morena tocaram sua testa e ela se afastou, deixando um Norihito atordoado e sem sono com suas palavras.

— Então ela te mimou por três dias? Que inveja. — Diz Minamisawa maroto.

— Você não presta. — Ofende Kurama. Será que o Atsushi só pensa nisso?

— Mas sabe... — Minamisawa começa. Seu tom de voz sério. — Eu... — Ele parecia hesitar no que vai falar.

— Você... — O moreno o incitou a continuar.

— Eu quero... Me afastar de Claudine. — Confessou o de cabelos roxos cabisbaixo.

— O... Quê? — Indagou Kurama perplexo. Foi tudo de repente. — O que... Aconteceu?

Minamisawa fica em silêncio e olha para o céu acima do campo de futebol que estavam. Suspirou pesadamente e se explicou.

— Não aconteceu nada. Eu só... Só preciso de um tempo pra pensar.

Kurama o agarra pelo colarinho. Era mais baixo que o amigo, mas isso nunca o intimidou. Estava furioso. Estava à ponto de dar um soco no Atsushi.

— Você só pensa em si mesmo? Não parou pra pensar uma vez nos sentimentos de Claudine? — Esbravejou Kurama.

— Claro que sim. — Se defende Minamisawa.

— Olha, eu não faço a mínima ideia do que tá acontecendo com você ultimamente. — Diz o moreno com os nervos a estourar. — Só sei que é bom não decepcioná-la. — Avisou o Norihito. — Ela não é como aquelas as outras.

— Eu sei! — Minamisawa grita exaltado. — É por isso que estou me afastando!

— Brigando de novo? Podem parar! — Uma voz feminina interrompe a discussão. Claudine surge autoritária com as mãos na cintura. Os olhos azuis igual à dois cristais cintilando.

— Pode ficar tranquila, Cloud. — Conforta Minamisawa encarando o chão com uma cara melancólica. — É só uma briguinha de amigos. Eu tenho que ir.

O Atsushi sai correndo, deixando uma morena super confusa e um baixinho revoltado.

— O que deu nele? — Questiona Claudine não entendendo absolutamente nada.

— É só o Minamisawa sendo o Minamisawa. — Responde Kurama decepcionado.

O Atsushi acabou deixando o time de futebol. Não falava direito com ninguém. Se isolou em sua bolha. Claudine sentiu o coração murchar de tristeza, mas todos tinham que continuar. Especialmente porque jogariam uma partida importante essa semana.

A dupla de amigos andava rumo à casa de Kurama para fazer uma lição escolar. Chegando ao destino, — uma casa simples, mas organizada — se acomodaram e começaram a lição de matemática. Claudine tentava ajudar o azulado.

— Chega, você é pior que o Minamisawa! — Reclama a garota largando a caneta. Ela pode não ser uma professora, mas tentava. — Vamos dar um tempo.

— Quer jogar então? — Sugere Kurama igualmente cansado de fórmulas; contas; exercícios de cálculo.

— Quer ser humilhado de novo? — Claudine brinca e ambos disputam partidas frenéticas de vários jogos. De fato, a tristeza vinha e deixava tudo tenso pois faltava alguém com eles. E ficava um espaço incômodo.

Porém no meio da diversão, o barulho de chaves lhes chamou a atenção para a porta. Um homem de um físico adulto adentrou a residência. Tinha cabelos curtos e azuis e olhos negros. A cara do baixinho moreno, sendo assim, uma versão mais velha do amigo de Claudine. Usava um terno e aparentava ter seus trinta e oito anos. Seus olhos se focaram nos adolescentes.

— Pai? Achei que chegaria tarde... — Ressalta Kurama. Sua voz vacilava. O clima pareceu tenso com a presença do homem.

— Me deram folga. — Explicou ele e se dirigiu à garota de cabelos negros e olhos azuis.

— Ah. Essa é Claudine, minha amiga. — Introduz Kurama meio desconcertado. — Claudine, esse é meu pai, Asuma.

— É bom conhecê-la minha jovem. A casa é sua. — Saudou o homem com tom normal, nem entusiasmado, nem sério. Claudine, o cumprimentou, agradeceu e sorriu. — Agora, vou descansar. Com licença.

Asuma foi até seu dormitório e fechou a porta. A morena e Kurama se põem a voltar à lição. Claudine estranhou o modo como os dois se relacionavam. O baixinho parecia nervoso. Mas por quê?

O dia da partida. O estádio, lotado. Animação contagiava a todos ali, exceto um Norihito com cara depressiva. O jogo fora um pouco exaustivo e dificultoso. Porém o oponente não pereceu por muito tempo. A Raimon ganhou por três gols à um. E obviamente o time foi para a casa de Tenma comemorar.

— Você não vem Kurama? — Pergunta Hayami ao moreno um pouco longe dos amigos.

— Não. Dessa vez eu passo. Vou pra casa. — Responde o Norihito, pega seus pertences e sai.

— Ué, o que tá acontecendo por aqui? Primeiro o Minamisawa, agora ele? — Questiona Hamano repentinamente, as mãos atrás da cabeça. — Acho que todo mundo tá com depressão.

Hamano brinca apesar do assunto sério. Claudine sentia seus amigos distantes e queria fazer algo para ambos. É por isso abandonou a festa e se dirigiu à famigerada torre da cidade. O frio castigava seus braços desnudos. Ultimamente estava esquecida, primeiro o guarda-chuva, agora sua jaqueta. Entretanto, ela preferia o frio sem sombra de dúvida. Por que a moça estava indo para o local? Não sabia. Apenas queria ir lá. Porém logo percebeu que instinto é algo meio sobrenatural, porque Kurama estava escorado na grade abaixo da torre. A cabeça baixa. E ainda com o uniforme de jogar. Mas outro detalhe roubou a atenção de Crystal.

Kurama estava chorando.

Automaticamente, seus pés a levaram até o amigo, chegou bem perto dele. Todavia ele não a notou. Parecia completamente distraído. Portanto, Claudine rodeou seus braços por detrás do garoto alguns centímetros mais baixo. E o abraçou forte; carinhosamente. Kurama levou um baita susto. Ao ver que se tratava da dona de seus pensamentos, veio o choque. O coração perdeu seu ritmo; o rapaz tentava controlar o órgão a todo custo. Foi em vão. Sua mente já estava como um turbilhão antes dela chegar, agora estava uma bagunça de emoções. Estava congelado no lugar. Sentia a aproximação dos corpos e seu rosto ruborizou. Inalava o cheiro agradável da menina e se encantou. O calor do sangue dela aquecia gentilmente seus membros franzinos e gelados de frio.

— C-claudine?! O que tá fazendo? — Indagou exasperado de nervosismo. Queria ficar assim com a morena e ao mesmo tempo não.

— Sabe que sempre pode contar comigo. — Assegurou a amiga protetora. — Então? Vai me falar o que acontece?

— Eu... Não sou tão forte quanto pensa. — Alegou o Norihito.

Desfizeram o gesto. Kurama encarou o chão, envergonhado pelo choro. Especialmente por fazer isso na frente da mulher que queria amar e proteger. Hesitou quanto à pergunta. Ficou um tempo em silêncio e Claudine o respeitou enquanto se recuperava do estado atual.

— Meu pai... — Começou ele, murmurando. — Desde que minha mãe morreu, ele nunca se importou comigo. Eu nunca mais tive alguém que me apoiasse. — Desabafa o moreno pesadamente. — Ele nunca me viu jogar. Nenhuma vez. E não aprova a minha decisão de jogar futebol.

— Se ele não te apoia, existem amigos que fazem isso. — Consola a morena o mirando. — Eu mesma sempre te apoiarei. Lembra das vezes que vi espíritos? — Ressaltou tristonha. — E não ouse perguntar se é um favor. — Manda ela. Sua expressão intimidante. — Te apoio porque quero. — Concluiu suavizando a voz.

Kurama não aguentou. Envolveu o corpo delicado da morena e selou seus lábios nos dela. Claudine não sabia o que fazer. Se correspondia ou não. Mas o que era esse sentimento prazeroso que lhe tomava a alma? Será uma nova “cor” que aprendeu? Isso era novo pra ela, mas gostoso. Timidamente, a morena envolveu seus braços no baixinho, assim como ele fazia. Kurama movia sua boca com carinho. Não foi bruto. Não foi abusado. Foi doce. Ele se separa dela sem deixar de agarrar sua cintura.

— Me deixa cuidar de você pra sempre, Cloud? — Pergunta em uma declaração anormal. Kurama era assim.

— Claro. — Consente ela com um sorriso apaixonado. — Até porque você já faz isso.

Kurama nunca tivera descoberto o quanto essas sensações eram maravilhosas e não só bobagens que os amantes pensavam, se Claudine não tivesse invadido sua vida. Ele era mais que grato por ter uma garota tão bela e ao mesmo tempo bizarra em certo ponto, agora do seu lado. Claudine escolheu Kurama, e ele, ela.

Notas finais
Qualquer erro, me avisem ;D