Beautiful When You Don't Try
7 Capítulo 7
Bip-bip-bip. Bip-bip-bip.
Quinn levantou a cabeça, franzindo a testa e apertando os olhos para examinar ao seu redor.
Bip-bip-bip. Bip-bip-bip.
- Que merda é essa?
Rachel gemeu puxando o braço de Quinn para que ele retornar-se a abraçar sua cintura, entrelaçou as mãos a mantendo no lugar.
- Ignora que já vai parar, volta a dormir.
A loira estava bêbada de sono e extremamente confortável com a diva aninhada contra o seu corpo. Apenas relaxou afundando o rosto contra os cabelos escuros.
- Você tem um cheiro tão bom.
- E eu ainda nem tomei banho. — Rachel comentou com um sorriso.
- Bom dia. — Quinn soltou um gemido baixo. — Se esse era o seu despertador presumo que você saiba que horas são? Posso presumir que são seis da manhã certo?
- Não. Eu chego muito cansada para acordar cedo para malhar a essa hora. Então eu posso dizer que é oito e meia.
Os olhos de Quinn se abriram e ela se sentou rapidamente, despertando de vez a diva.
- Merda.
- O que? O que foi? Aconteceu algo?
Quinn lutou com os lençóis antes de sair catando as roupas.
- Esse não é o meu apartamento Rachel. Pessoas trabalham aqui e... — Parou de falar assim que ouviu o som de passos e papel sendo amassado. Quinn cobriu o rosto com as mãos. — ... e Kim está sempre aqui às oito e quinze. Ela é ansiosa esqueceu?
Rachel instintivamente cobriu seu corpo nu com o lençol enquanto Quinn pegava sua blusa.
- Se livre dela.
- Como que eu faço isso sem que ela saiba o que aconteceu? — Agitou a camisa sem botões para Rachel, a diva fez uma careta. — Você está pronta para sair do armário para a sua maior fã?
Os olhos de Rachel se arregalaram. Ela era gay? Ela iria sair do armário? Como isso aconteceu tão rápido?
- O que vamos fazer? – Ela perguntou sem querer encarar Quinn.
O coração da loira bateu dolorosamente quando viu o olhar de tristeza e incerteza nos olhos de Rachel. Respirou fundo ignorando aquela dor fina. Mesmo que não tivesse significado nada para a morena ela ainda precisava retirar sua cliente de lá com a dignidade intacta.
- Eu preciso que você confie em mim.
- Ok. – Rachel assentiu.
Quinn endireitou a postura pigarreando para limpar a garganta.
- Kim? É você? – Rachel arregalou os olhos, mas logo se lembrou de confiar.
Houve um longo momento de silencio enquanto as duas mulheres esperavam que a assistente absorvesse o choque de ouvir outra voz e rezando para que a jovem não estivesse procurando sua chefe.
- S-sim eu não sabia que você estava aqui. Achei que você só tinha esquecido de trancar a porta. – Quinn revirou os olhos para a frase, claro como se ela fosse esquecer de trancar uma sala com dezenas de milhares de dólares em equipamentos. – Onde você está?
- Eu não queria te assustar, mas eu preciso que você me faça um favor. Você pode ir até a sala e armazenagem e trazer aqueles tripes e gruas antigas? Eu tive algumas idéias e preciso vê-los.
Rachel silenciosamente elogiou o rápido raciocínio de Quinn e a sua habilidade em atuar. – Você pode pega-los?
- É claro senhorita. – As duas mulheres suspiraram de alívio quando ouviram os passos da mulher e o barulho do elevador.
- Vem, temos que que encontrar algo para vestirmos, podemos agir como se tivessemos nos encontrado para tomar café e falar dos velhos tempos. – Quinn acenou para a diva assim que viu a sala vazia, a morena correu envolta no lençol de linho branco.
Adrianne provavelmente estava certa. Rachel não sabia o que queria, só pensava que sabia. A loira empurrou os pensamentos para o lado e seguiu até o camarim, ela precisava de uma camisa nova.
As duas correram para se arrumar em silencio, embora os olhos de Rachel estivessem grudados no rosto inexpressivo da fotógrafa.
- Quinn… eu…
- Não faça isso. – A voz suave lhe cortou, Quinn tentava ajeitar os cabelos. – Só vamos esquecer o que aconteceu. Está tudo bem. Eu entendo ok?
Ela se moveu para sair, mas Rachel pulou em seu caminho. Ela não queria que acabasse daquele jeito. Ela não sabia o que estava sentindo ou o que dizer, mas ver Quinn se machucar não era uma opção.
- Não… eu… eu…
- Não consegue nem me olhar nos olhos. — Quinn terminou a frase interrompendo os engasgos da diva. — Há dois minutos você estava se aconchegando em mim e agora não consegue nem me olhar. O que eu devo pensar? Como devo me sentir?
A calma que Quinn estava mantendo vacilou e a frustração apareceu em sua expressão e palavras.
- Só me deixa processas as coisas, é muito.
Quinn respirou profundamente enquanto Rachel lhe olhava com olhos suplicantes. Isso era muito. Ela realmente não podia esperar que tudo o que havia acontecido no dia anterior seria normal e de repente elas seriam um casal inseparável e feliz. Rachel era governada por suas emoções, e elas variavam da noite para o dia.
- Me desculpe. Termine de se arrumar e eu te levo para tomar café e então quem sabe podemos conversar sobre isso.
Rachel acenou com a cabeça deixando a loira passar. É por isso que as coisas deveriam ser lentas. E ela era culpada. Quinn estava tentando ser profissional e agora estava sendo punida pela decisão precipitada que a morena tomou. O que mudou? Ela acordou tão feliz, mais feliz do que ela havia sido a tempos. Mas quando a ficha realmente caiu tudo pareceu tão fora do lugar. Elas não se viam a quase uma década e agora ela estava dormindo com a loira? Ela nunca havia sentido atração por outra mulher até o dia anterior.
Quinn estava retirando a roupa de cama e a colocando em um saco de roupa suja no momento em que Rachel a encontrou. A loira jogou a bolsa no canto e pegou a câmera abandonada.
- A bateria acabou.
Rachel se afastou para que a mulher pudesse trocar as baterias e transferir as fotos da câmera para o computador.
- Nós não tiramos muitas, mas podemos ter sorte com alguma.
A diva olhava por cima do ombro as dúzias de fotos. Cada uma delas havia aquela centelha em seus olhos que Quinn tinha conseguido registrar em sua ultima foto do primeiro set.
- Essa ficou ótima. — Kim se pronunciou enquanto arrumava a aparelhagem de iluminação. — Ela tem aquele olhar de novo. Quase como se ela estivesse tentando te comer com os olhos. Como você conseguiu uma foto dessas?
Quinn não respondeu, mas Rachel refletiu sobre isso. A primeira vez que isso aconteceu, ela estava imersa na paixão de Quinn. Desta vez, ela estava imersa em Quinn.
- Você tem que fazer uma conexão. — A fotografa e a assistente se viraram para olhar a diva enquanto os olhos desta se fixavam em Quinn. — É necessário que já exista a faísca para ter um olhar desse.
Kim assentiu com a cabeça percebendo o olhar intenso que as duas mulheres compartilhavam.
- Certo, eu vi que você não tinha pegado os recados. — Kim quebrou o silencio incomodo tirando a atenção que Quinn dedicava a Rachel. — Então eu os chequei, tivemos algumas confirmações para amanhã e algumas para a semana que vem e uma mulher chamada Adrienne ligou ela queria encontrar com você, ela disse: "quando tudo acabar da maneira como eu espero, me ligue eu estou disponível na Terça."
A mandíbula de Rachel se cerrou.
- Você está pronta para o café da manhã? Estou morrendo de fome.
- Eu ia perguntar o que você estava fazendo aqui tão cedo. – Kim comentou olhando para a diva com um sorriso intrigado. Era óbvio que a assistente não esperava mais ver a diva depois de ontem.
- Sim, Quinn me convidou para tomarmos um café.
- Reunião. – Quinn a corrigiu. – Uma reunião para um café.
- Não. Encontro. – Os olhos da loira encontraram os de Rachel novamente, mas os olhos verdes ainda estavam cheios de cautela. – Normalmente eu preciso de um encontro antes do sexo, então a noite passada foi apenas uma mostra grátis até eu conseguir o meu café.
- Uau. – Quinn soltou uma risada não tão divertida assim. – Onde foi parar a sua modéstia?
- No chão do seu estúdio.
Quinn corou em três tons de vermelho enquanto Kim não sabia onde se enfiar.
- Você é a pessoa mais bipolar que eu já conheci. Descubra o que você quer antes de vir mexer com os meus sentimentos. – Quinn saiu a passos duros e largos enquanto Rachel tentava lhe alcançar.
- Eu sei o que eu quero.
A loira lhe lançou um olhar por cima dos ombros, a incredulidade estampada em seu rosto.
- Não, você não sabe.
- Você pode parar de andar? Eu não consigo te acompanhar. – Quinn ignorou o pedido de Rachel.
A morena tomada por um impulso infantil correu derrubando a loira no chão e rapidamente montou em suas costas.
-Você está louca? Isso dói!
- Conviva com isso. Você só tinha que parar de andar, mas preferiu continuar então eu fiz a minha escolha. – Rachel mandou a assistente se afastar assim que ela correu para auxiliar sua chefe. – Agora você vai me ouvir.
- Eu tenho que ouvir você?
- Sim, mas pra isso você tem que calar a boca. – Quinn apoiou a testa no chão.
Esta definitivamente não era a mesma Rachel Berry do ensino médio. Esta tinha bolas.
- Eu quero você. Eu quero estar com você. Mas você tem que admitir que as coisas estão indo muito rápido, insamente rápido. – Quinn ia abrir a boca para alegar inocência, mas Rachel tampou sua boca. – Eu não acabei ainda. Você passou os ultimos sete anos sabendo quem você é e como você se sente com relaçao a mim. Até ontem eu só conhecia você como a líder de torcida que me enchia de raspadinhas apenas por diversão. Agora 24 horas mais tarde eu estou acordando nos seus braços. Tenho mais de vinte anos de lembranças dolorosas envolvendo você. Doze horas com você e eu te acho a mulher mais incrivel que eu já conheci. Me desculpa, mas eu precisava me lembrar de tudo isso.
Retirou a mão e se levantou, se afastou alguns passos enquanto Quinn se levantava. Elas estavam ofegantes e frustradas uma com a outra, permaneceram em silencio. Kim olhava de uma para a outra esperando que alguém iniciasse a conversa. Os segundos se arrastavam então ela tomou a iniciativa.
- Isso pareceu bem convincente…
- Viu. – Rachel apontou para a morena, extremamente grata pela sua inexperada intromissão. – Ela entende. Quinn eu quero tentar, eu sei que não iniciamos muito bem, mas eu quero tentar. Por favor não nos impede de tentar. – Ela deu um passo para mais perto. – Podemos recomeçar mais lento como deveria ter sido. Prometo que vou ter mais auto-controle. – Quinn arqueou uma sobrancelha e Rachel suspirou. – Ok, eu vou aprender a ter algum auto-controle. Qualquer coisa vai ser mais do que eu tenho agora e eu vou trabalhar nisso.
Quinn não conseguiu esconder a sombra de sorriso que apareceu em seus lábios, se divertiu com a diva admitindo que precisava trabalhar em uma falha. Rachel deu um passo para mais perto implorando por uma reposta. A loira finalmente balançou a cabeça enquanto Rachel tomava sua mão na dela. O som de Kim as aplaudindo quebrou o contato dos olhos, quando se viraram para a assistente ela imediatamente se sentiu menos entusiasmada.
- Desculpe.
Rachel sorriu e Quinn revirou os olhos.
- Hey! – A diva cutucou a cintura da loira. – Não revire os olhos para a minha maior fã.
- Você já está se intrometendo no meu trabalho? – Quinn arqueou uma sobrancelha.
- Sim. – Respondeu com indiferença. – Agora — Eu pensei que você estava me levando para tomar café.
Rachel pegou o casaco e estendeu o de Quinn, mas a puxou quando a loira tentou pegar.
- Me da um beijo e eu vou saber que você não está zangada comigo.
- Você tem que me beijar ai eu vou saber que você realmente quer tentar.
Os olhos de Kim se revezaram entre as duas mulheres teimosas.
- Vocês duas vão morrer de fome se continuarem assim.
- Não vamos, eu só vou sair sem o meu casaco. — Rachel revirou os olhos diante do nível de teimosia da loira. — Vamos? Tem um lugar ótimo aqui na rua que serve comida vegan. Você ainda é vegan né?
Rachel acenou com a cabeça com um sorriso pequeno nos lábios. Ela se lembrava desse pequeno detalhe.
- Pelo menos é perto assim você não vai congelar até chegarmos lá. — Comentou roçando seu braço no da loira antes de se encaminhar para o elevador. — E pare de olhar para a minha bunda.
Quinn ergueu os olhos imediatamente antes de se virar para Kim que soltava risadinhas.
— Ela te conhece muito bem. Eu nem sabia que você era gay.
- Eu tento manter a minha vida pessoal em privado. — A loira sorriu um pouco encabulada. — Aprendendo com os meus erros do passado.
- Mas a noite passada não conta não é? Ou dormir com as modelos é um hábito seu?
Quinn estreitou os olhos, parecia que Kim sabia um pouco mais do que parecia.
- Você... você está preocupada que eu seja "mulherengo" e acabe machucando-a?
- Eu sou a sua maios fã é claro que eu estou preocupada.
- Anda, Fabray! Estou com fome!
Quinn deu um passo em direção à saída, mas manteve os olhos em sua assistente.
- Você pode ser a sua maior fã, mas eu ainda sou a sua chefe. Lembre-se disso. E também se lembre que minha vida pessoal deve ficar pessoal. Ainda não estamos prontas para vir a publico.
Kim assentiu com a cabeça fazendo um movimento com a mão simbolizando que seus lábios estavam trancados. Quinn finalmente foi se juntar a Rachel no elevador.
- Eu não acredito que você veio até aqui com uma camisa de mangas curtas estando nevando. — Rachel ralhou com ela enquanto corria as mãos pra cima e pra baixo nos braços trêmulos de Quinn enquanto esperavam na fila pra pegar os pedidos.
- E eu não acredito que você deixou. — A loira retrucou.
A diva rolou os olhos puxou o braço de Quinn escondendo a mão da loira nos bolsos de seu casaco as massageando.
- Estamos aprendendo um outro nível de teimosia em nós. É um novo começo. Temos sete anos para descobrir sobre a outra.
- Você realmente quer tentar?
Rachel olhou para o rosto sério de Quinn antes de acenar lentamente com a cabeça.
- Sinceramente? Eu nunca havia pensando em algo assim, mas agora que aconteceu eu quero ver até onde podemos ir. — Abaixou os olhos antes de puxar a outra mão para coloca-la no bolso para aquecê-la também. — Eu não posso dizer que estou apaixonada por você ou que eu sempre quis estar com você, mas eu gosto de estar com você.
- Eu respeito isso. E por causa disso, eu vou deixar você definir o ritmo de quão rápido vamos seguir. Eu não tenho arrependimentos sobre a noite passada, mas talvez devêssemos ir mais devagar.
- Sim, eu concordo. Vamos tentar segurar as mãos primeiro.
Rachel entrelaçado os dedos dentro dos bolsos do casaco brincando com os dedos da loira.
- E deixar o sexo alucinante com a maior duração de um orgasmo que eu já tive para mais tarde.
Quinn sorriu e corou, virando o rosto para longe de Rachel.
- Você é sempre tão direta?
- E você é sempre tão tímida? — Rachel murmurou. Era cativante ver o outrora líder de torcida fria derreter com um elogio.
- Pedido.
Quinn agradeceu ao homem, entregou a Rachel sua comida, e pegou a dela separadamente puxando suas mãos para longe da diva, Rachel se sentiu um pouco triste. Ela não poderia estar no amor com a loira ainda, mas ela definitivamente estava indo para lá. Elas se sentaram em uma mesa pequena no interior do estabelecimento. Quinn beijou a mão dela antes de deixá-la ir. Indo devagar estava rapidamente se tornando um problema. Tudo o que Rachel queria fazer era inclinar-se e devorar os lábios da loira como café da manhã.
- Então, nós vamos definir isso, ou... — Quinn perguntou entre mordidas.
Rachel refletiu sobre isso. As coisas eram fáceis com Quinn. O problema era quando envolvia o resto do mundo, ai as coisas ficavam assustadoras. Ela sabia o que queria dizer, mas a coisa era muito mais complicada do que simplesmente dizer: "Ei mundo, esta é a minha namorada. Agora vamos seguir em frente com a programação normal."
Obviamente, não era incomum ter este tipo de relacionamento nos bastidores da Broadway, mas as pessoas se assumiam antes de sua carreira decolar. Era muito mais complicado quando você tinha milhares de olhos em você.
E também tinha Margaret para se preocupar. Uma vez que ela conseguisse superar o choque e reclamar sobre todos os encontros com excelentes partidos que ela estava arranjando para Rachel, ela iria se voltar para Quinn. Ela iria querer mais detalhes sobre o relacionamento, como aconteceu, como era o passado delas. Em seguida, ela iria começar a aparecer nas revistas e jornais. Em cada entrevista que Rachel desse o ponto de partida seria o relacionamento delas. Quinn iria receber incontáveis telefonemas no estúdio perguntando sobre a intimidade dela. Ela iria ficar confusa.
- Eu não sei. Se definirmos o que temos, então vamos começar o nosso romance aos olhos do resto do mundo.
Quinn franziu as sobrancelhas e passou a comer mais devagar enquanto pensava no que ela havia dito. Em sua mente o ponto de ter um relacionamento era se apoiar uma na outra.
- Ok, me deixa tentar explicar isso melhor Se você e eu somos amigas e tirarem uma foto nossa hoje a legenda seria: "Rachel Berry e amiga foram vistas tomando café da manhã" se já tivéssemos assumido o nosso relacionamento em publico, seria: "Rachel Berry e nova namorada Quinn Fabray, a requisitada fotógrafa cujo o estúdio é extremamente frequentado por mulheres bonitas a qualquer hora, foram vistos tomando café da manhã. Vamos esperar que Rachel não seja ciumenta." você entendeu?
- Entendi, tornar publico seria muito interessante, especialmente porque eu seria sua namorada. — Rachel assentiu. — Então eu acho que não podemos andar de mãos dadas.
Os olhos da diva se arregalaram diante da constatação.
- Se andássemos de mãos dadas, eles suspeitariam que algo está acontecendo. Estamos em uma daquelas situações em que ou a abraçamos de vez ou a escondemos totalmente. A decisão é sua.
Rachel hesitou antes de dar mais uma mordida seus olhos se revezaram entre Quinn e sua comida.
- E como isso se tornou uma decisão minha? Você não tem qualquer preocupação sobre os efeitos que podem acontecer ao assumir um relacionamento comigo?"
- Não. — Quinn respondeu secamente, balançou a cabeça. — Eu queria estar com você por muito tempo, eu vou aceitar tudo o que acontecer apenas porque eu quero estar com você. Se isso exige que fiquemos nos escondendo atrás de portas fechadas por algum tempo então eu posso muito bem lidar com isso.
- O que você prefere?
Ela soltou uma risada baixa e olhou para o próprio prato.
- Eu preferiria não ter que lutar contra os meus desejos em te tocar. Especialmente quando você decidir que podemos passar do estágio de segurar as mãos para beijar. Isso vai ser uma tortura. Eu me tornei uma pessoa muito carinhosa, sabe? Se não sabia agora sabe. Mas de todo jeito eu preciso aprender a lidar com isso, se ir desse jeito é mais fácil pra você então eu posso aceitar. Minha única condição é que eu possa te tocar quando estivermos a sós.
Rachel não queria que fosse assim, mas seria mais fácil nesse momento. Ter um relacionamento já é difícil agora acrescente um passado difícil e um inicio de relacionamento com o mundo olhando. Seria o mesmo que colocar a loira em um inferno.
- Eu não sei.
- Bem... — Quinn começou a pensar nos dois lados da situação. — Os benefícios de nos assumirmos agora é que teremos liberdade. Nós não teríamos que se preocupar com quem está nos observando em cada movimento com medo de que vamos ser descobertas. Mas também temos que pensar nos tablóides como você mencionou. Sobre as belas mulheres e os rumores? Nós realmente não nos conhecemos ainda. Podemos lidar com os rumores nos jornais, teríamos certeza que são apenas boatos? Nós não temos ainda uma base forte de confiança... digamos que você vê uma foto minha com outra mulher... você consegue pensar cheia de ciúmes ou irritada se existe a possibilidade de que eu possa ter te traído? Você não sabe se eu já trai parceiro antes... Finn não conta, éramos crianças.
Rachel congelou por um segundo. Quinn tinha um ponto. Ela confiaria que a loira não iria lhe trair, mas ela realmente não tinha nenhuma razão para acreditar nisso. Ela não era mais a líder de torcida que ela havia conhecido na escola. Ela poderia muito bem ter segredos comprometedores ou ser a melhor manipuladora do mundo.
- Ok, eu consigo ver a sua linha de raciocínio. Mas você não trai, não é?
- Não. Eu não traio. Eu não sou do tipo que engana. Mas essas são as coisas que temos de aprender para que os rumores não nos machuquem e nos separem. Então, já que estamos apenas começando, talvez devêssemos manter em segredo por um tempo, algumas semanas mais ou menos. Não seria nada permanente ou de longo prazo.
Rachel balançou a cabeça lentamente e depois mais rápido, sentia-se mais confortável com a idéia do que elas não precisavam se assumir imediatamente. Elas precisavam estar preparadas para o pior.
- Sim e quando acharmos que estamos prontas podemos deixar o mundo saber. No nosso próprio ritmo.
Quinn sorriu e acenou com a cabeça de acordo.
- É bom saber que você não é do tipo que engana. — Ela acrescentou mais tarde como uma brincadeira casual. — Mas e os esqueletos que você tem em seu armário, eu deveria estar preocupada?
- Uuhhh... — Quinn sentou-se ereta em sua cadeira e ponderou sobre a resposta que deveria dar. — Vamos ser honesta certo? Mesmo que sejam coisas que não vá nos deixar felizes, mas que é melhor descobrir por nós mesmas certo? — Rachel concordou. — Tudo bem... então eu não vou mentir para você. Nos últimos quatro meses... sem Adrianne, eu tenho que admitir, que talvez eu tenha atraído um pouco de reputação.
Rachel arqueou uma sobrancelha.
- Um pouco de reputação?
A loira cruzou os braços sobre o peito e baixou os olhos ligeiramente embaraçada.
- Tenho desfrutado da minha vida de solteira e tenho tido a oportunidade de aproveitar, enquanto os meus dias giram em torno de belas modelos... eu meio que, "me prostitui" como meu pai teria adorado falar.
Agora as sobrancelhas de Rachel corriam o sério risco de sumirem em seus cabelos.
- Você se prostituiu? De quantas mulheres estamos falando? Em quatro meses? Estamos falando de uma por dia, num total de, o que, cento e vinte?
- Não, o estúdio não estava aberto todos os dias. — Quinn zombou.
A diva franziu a testa.
- Talvez uma ou duas por semana. Então seria entorno de uma dúzia ou mais.
A honestidade estava criando alguns problemas. Rachel foi golpeada por uma onda maciça de ciúme e não queria nada mais do que pegar Quinn e ir até o seu apartamento e marcar seu território novamente. Uma dúzia ou mais? Rachel iria se certificar de que Quinn nunca mais olha-se para outra mulher daquelas.
- Bem, eu acho que você deveria saber que eu sou um pouco possessiva.
- Eu sei. — Quinn sorriu para a morena frustrada na sua frente. — Você sempre foi. Mas eu não me importo. Apesar das minhas ações ao longo dos últimos meses, eu não gosto de estar com mais de uma pessoa. Mesmo que não tenhamos nomeado, eu não tenho nenhuma intenção de dar qualquer atenção a outra mulher.
- Eu agradeço isso e é recíproco.
A fotógrafa tentou diminuir seu sorriso, era óbvio que Rachel ainda estava tensa e cheia de ciúmes. Ela adorou. Sexo com raiva era ótimo, mas ela tentou esquecer esses pensamentos. Elas precisavam ir devagar. Mas ela sempre poderia atingir esse nervo novamente, apenas para tirar a diva do sério.
- Então... — A diva começou assim que terminou o seu café da manhã. — Você tem planos para a Ação de Graças?
Quinn negou com a cabeça permanecendo em silêncio enquanto estudava a mulher à sua frente. Queria memorizar cada movimento e cada trejeito.
- Então, você passaria comigo? Eu sei que é na próxima quinta-feira e pode te atrapalhar, mas eu estou indo para casa para Lima e eu gostaria que você viesse. Acho que vou esperar até estar em casa para dizer aos meus pais que eu estou romanticamente interessada, e na definição básica, namorando uma mulher. Isso também nos dá a oportunidade a não nos esconder-mos... — Rachel não tinha certeza sobre qual seria a resposta.
Quinn provavelmente não lhe negaria isso, mas ela não voltava a sete anos. Obviamente, ela nunca teve a intenção de voltar.
A loira mordeu o lábio, estava preocupada.
- É daqui há cinco dias, certo? — Rachel assentiu. — Então, sim, claro eu adoraria. Os seus pais vão se importar que eu vá? Eu ainda sou aquela líder de torcida para eles.
Rachel limpou a boca com um guardanapo.
- Eles vão adorar te conhecer. Eles nunca tiveram essa oportunidade na escola e vão entender que as coisas mudaram. Pessoas mudam. Especialmente quando eu contar que você tem sentimentos por mim desde a graduação. — Quinn revirou os olhos e corou. — É bonito e eles vão adorar. Eles vão te amar.
- Eu espero que sim. — Quinn acrescentou com um sorriso. "Eu realmente espero que sim."
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