Beautiful When You Don't Try
17 Capítulo 17
– Oh, muito obrigada. — Rachel ergueu os olhos para o teto agradecendo. — Você. — Ela olhou para um Elijah perplexo assim que ele entrou pela porta da frente. — Venha terminar este recheio e você. — Ela olhou para Kevin. — Shelby ligou tem uns dois minutos. Eu não sei o que ela queria, mas eu acredito que ela queria falar com você.
– Você acha que ela queimou o peru? — Kevin perguntou enquanto Elijah lavava as mãos para assumir o recheio de Rachel. — E por que você está em pânico?
– Quinn atendeu o telefone e agora ela está… em coma. — Rachel explicou. Os olhos dos dois homens se encontraram e eles rapidamente entenderam o que poderia ter acontecido.
Ela os ignorou e subiu as escadas para o quarto dela, encontrou Quinn deitado na cama.
– Ei…
Ela não disse nada até Rachel ajoelhar na cama para se juntar a ela.
– Porque você nunca me contou que sua mãe tem contato com sua família? E por que o Kevin tem uma foto da… da filha dela na carteira, mas Elijah ainda parece furioso pela forma como ela tratou você?
Em vez de deitar, Rachel decidiu sentar-se na borda da cama. Ela não podia dizer se Quinn estava chateada com ela por não mencionar nada disso ou apenas curiosa. Não havia uma emoção definida em seu rosto.
– Ela não liga para falar comigo na verdade. É por isso que o meu pai está bravo com ela. Eu tentei fazer com que ele esquecesse isso. Papai por outro lado gosta de ajudar. Ela começou a falar com o papai há alguns meses, mas… eu não acho que eu deveria estar te dizendo isso. Eu não sei de todos os detalhes de qualquer forma.
– Então, sua mãe fala com seu pai, mas não com você? — Rachel assentiu e Quinn franziu as sobrancelhas. — Como é que isso funciona?
A diva brincava com os dedos no colo.
– Ela está apenas à procura de conselhos sobre como criar uma criança adotada. E quem seria melhor para perguntar do que os homens que adotaram a filha dela? — Ela encolheu os ombros.
Era lógico, e ela não podia culpar Shelby por estár procurando conselhos.
Quinn ergueu o braço e sutilmente segurou os dedos da diva que se mexiam nervosamente em seu colo.
– Isso te incomoda?
A morena deu de ombros.
– Dói, mas não há nada que eu possa fazer sobre isso. Quinn, o que aconteceu no telefone? Por que você fugiu?
– Na verdade, eu tentei de todas as maneiras não fugir.
Rachel revirou os olhos. Só Quinn para brincar em momentos como estes .
– Você sabe o que eu quis dizer. O que ela disse para você?
Quinn balançou a cabeça o melhor que podia, enquanto se deitava outra vez.
– Shelby não me disse nada. Eu a ouvi na verdade… ela falando eu ouvi a voz dela e entrei em pânico.
– Você ouviu a Beth? — A boca de Rachel caiu.
Pânico era no mínimo um eufemismo para o que ela esperava da reação da loira em uma situação dessas.
– Ela deu o nome de Beth? Mesmo?
– Eu pensei que você tinha feito isso, não?
– Não. – Quinn se aproximou um pouco de Rachel, era uma má escolha manter a distância naquele momento. — Deixei a certidão de nascimento em branco, mas Puck tinha mencionado o nome dela.
Rachel deixou o silêncio se estabelecer por um momento, sem saber o quão confortável Quinn estava com o assunto.
– Você mencionou uma foto que o meu papai tem dela, você viu?
– Não. Eu não podia. Eu estava com muito medo. – Rachel franziu as sobrancelhas procurando por mais uma explicação, mas Quinn negou com a cabeça. – Sim ou não são as respostas mais fáceis de dar agora. Eu já exigi de mais do meu emocional hoje para tentar expressar qualquer sentimento além disso.
– Tudo bem. É justo, mas isso levanta uma questão que eu tenho vontade de te perguntar já algum tempo. E por “algum tempo” podemos dizer que foi desde ontem… bem…
Quinn se moveu ligeiramente, descansando a cabeça sob um dos braços e tentando acalmar a ansiedade de Rachel com uma ligeira curva de um sorriso.
– Bem…?
– Sinto que tudo isso foi muito injusto com você. Quando eu te pedi para vir foi por razões puramente egoístas. Eu te queria aqui quando eu dissese aos meus pais sobre nós, eu não queria ter que fazer isso sozinha.
– Isso é compreensível, baby. — Ela apertou a mão da pequena. — Eu estou aqui para te apoiar. Esse é o meu trabalho como sua namorada.
Rachel abaixou os olhos para a mão da loira e a tocou com os dedos, tentando lembrar-se de como tinham chegado até aquele momento. Como elas tinham ido de inimigas do ensino médio para amantes. Era mais fácil de lembrar, em Nova York, aqui elas estavam cercadas por memórias e coisas que as ligam ao passado. Agora Rachel se lembrou do por que Quinn cortou relações com todos.
– É, mas eu realmente não tenho feito um bom trabalho quando o assunto é apoiar você.
– Você está fazendo o que pode.
– Não, Quinn. Eu não estou. Eu deveria ter lhe contado sobre Santana, mesmo que eu não achasse que você iria encontrar com ela. Você foi pega de surpresa. Eu deveria ter lhe contado sobre Beth. Eu deveria ter dito ao meu pai para superar o que aconteceu no passado quando ele te tratou daquela forma desde o episódio da cadeia. Você não roubou um banco e nem matou ninguém. Estavamos jogando conversa fora há 5km/h em uma estrada vazia. Eu não deveria ter deixado ele falar com você do jeito que ele fez esta manhã. Perguntas são ótimas, mas ele praticamente atacou você lá embaixo, e você não merecia isso.
– Rachel, está tudo bem.
Ela só podia balançar a cabeça enquanto estudava o rosto da loira. Quinn estava sorrindo. Não era um sorriso largo, mas era um sorriso genuíno e isso estava confundido Rachel.
– Por que você não deixa ninguém tomar conta de você? — Quinn não respondeu, apenas segurou seu sorriso e puxou Rachel para se deitar na cama, envolta em seus braços. — É disso que eu estou falando. Porque você está me segurando quando você é a única que está triste? Eu deveria estar te segurando. Eu deveria estar consolando você. Porque você não me deixa cuidar de você?
– Você pensa de mais nas coisas. – Quinn a segurou mais apertado quando a diva tentou virar para responder. — Você me segurou esta manhã, não foi? Você me confortou. Eu deixo você cuidar de mim.
Uma vez. Fora quantas as vezes em que Quinn havia lhe segurado?
– Quinn…
– Eu sei o que você quer dizer, Rachel. Eu sei. Eu apenas não estou pronta para entrar nessa conversa agora. Sim ou não, lembra?
– Eu me lembro. Não era essa a pergunta de qualquer maneira. Apenas saiu quando eu te vi sorrindo para mim. Estou acostumada com mudanças radicais no comportamento das pessoas no palco, não na vida real. Minha pergunta é… se você quer voltar para casa amanhã? Você está emocionalmente gasta e é apenas o nosso segundo dia aqui e não é nem meio-dia. Talvez estas questões e arrependimentos do passado devem ser tratados em estágios em vez de bombardea-la de uma vez.
Rachel esperou para ver se Quinn tinha uma resposta, mas ela não disse nada.
– Talvez quando você estiver pronta para lidar com o próximo passo, eu saiba como poder realmente ajudar. Neste momento, o melhor que posso fazer é falar e ouvir, e você não está a fim de falar.
– Isso está se tornando uma peculiaridade em nosso relacionamento. — Quinn admitiu com uma risada. — Quando você está triste ou magoada, ou sente que outra pessoa está se sentindo assim você precisa falar sobre o assunto e resolver o mais rápido possível. É o que eu faço quando é com outra pessoa, mas se sou eu… eu gosto de pensar sobre isso primeiro, e falar quando eu já tiver esmiuçado tudo na minha cabeça.
– Isso é porque você é estranha. — Quinn riu e apertou a pequena morena em seus braços. — Eu só estou brincando… mais ou menos. Mas, falando sério, você quer voltar para Nova York amanhã? Eu não me importp. Eu até acho que pode ser melhor.
– Não. — Rachel ficou surpresa com a resposta da loira. — Eu quero lidar com o máximo que eu puder agora, por muitas razões. Primeiro, eu já esperei demais. Segundo, eu tenho medo, que se eu parar de ser confrontado por essas coisas, vou evitá-las. E terceiro, eu quero estar com você. Eu quero ser capaz de ir para um de seus shows e entrar nos bastidores e não ter que me censurar. Eu quero segurar sua mão quando andarmos pela rua, te beijar para dizer oi e adeus. Sei que não poderemos fazer isso até que eu esteja pronta para responder todas as perguntas que os demônios do meu passado fizerem.
Rachel virou-se e olhou em seus olhos verdes querendo ler suas emoções. Quinn estava sendo honesta.
– Eu quero que você me escute por um minuto e não revire os olhos, não tente sair, não faça uma piada, e nem comece a rir do que eu digo. Prometa-me isso.
Quinn hesitou por um segundo. A expressão de Rachel não era nada do que absoluta seriedade. Seus olhos castanhos lhe disseram que era melhor fazer esta promessa, e era muito melhor mantê-la.
– Eu prometo.
– Eu nunca conheci alguém como você. Eu não sei se eu tenho medo simplesmente por você ser esta pessoa nova ou se é porque eu ainda tenho alguns vislumbres da pessoa que você era. Você se machua para não machucar outras pessoas e isso me assusta um pouco. Especialmente porque eu sinto que eu não posso te proteger. Entendo que é quem você é agora, mas eu preciso que você me deixe estar lá para você. Me ajude a encontrar uma maneira de estar com você e te ajudar a suportar toda essa carga emocional. Eu não quero que você suporte tudo isso sozinha.
Quinn não respondeu por alguns minutos que pareceram horas para Rachel. Ela teria começado a entrar em pânico se ela não fosse capaz de ler a calma e a admiração no rosto de Quinn.
– Eu posso tentar… eu nunca fui boa em deixar alguém entrar assim. Quer dizer, eu posso te dizer os meus pensamentos sobre as coisas e certas emoções são fáceis o suficiente para serem ditas. Mas quando se trata de mágoa ou tristeza… — Ela apertou os dentes.
– Com o tempo eu espero ser capaz de ler essas porque eu conheço você o suficiente para já ler algumas. O que eu estou pedindo, é para que você, literalmente, me deixe estar lá para você. Não saia correndo as escadas a menos que você me leve com você. Mesmo se você não falar, eu ainda quero estar aqui . Com você. Eu quero segurar você por isso mesmo que eu não saiba exatamente como você está se sentindo, porque você gosta de pensar sobre isso primeiro, pelo menos você vai saber que você não está sozinha.
– Por que você tem que ser tão perfeita? — Quinn grunhiu de brincadeira e rolou Rachel ficando por cima da diva e se escondendo no pescoço da diva. — Mais importante, por que seus pais tinham que voltar para casa? — Rachel riu com a sua risada perfeita e passou as mãos levemente pelos cabelos de Quinn enquanto ela respirava contra a pele morena. Apenas perto o suficiente para que ela sentisse toda a dor e a confusão irem embora. — Você parece saber exatamente o que dizer e isso me faz ficar muito mais apaixonada por você. Eu vou deixar você estar lá por mim com as coisas, mas quando for Santana, eu preciso fazer isso por conta própria.
A loira se empurrou um pouco para poder ver o rosto de Rachel. A diva sorriu levemente e assentiu com a cabeça.
– Eu entendo isso. Mas eu gostaria de saber o que aconteceu quando você voltar. — As duas ex-líderes de torcida de gênio forte juntas só podia ser o completo inferno.
Não era apenas uma batalha emocional da loira por não ter mandido o contato. Esse também era um assunto de Santana. Rachel não era necessária para resolver esses problemas. Tudo o que precisavam fazer era começarem a se falarem novamente. Pedir desculpas, perdoar e seguir em frente. Ambos eram completamente capazes disso, especialmente agora que Santana já havia descarregado suas frustrações com Quinn.
– Mas… havia uma coisa que eu ainda estou pensando em fazer e isso não é necessariamente algo que você tem que se sentir obrigada a fazer.
Rachel escovou os fios loiros para trás dos ombros de Quinn e arrastou o polegar para baixo sua linha da mandíbula.
– E o que é?
– Eu estou pensando em fazer uma visita aos meus pais. — Rachel arregalou os olhos em choque. — Não é para fazer o drama de todos os anos que eu não volto, mas apenas para dizer “Oi, eu sou assim e sou feliz com isso. Achei que vocês deveriam saber por mim.”
– Você quer assumir para os seus pais?
Quinn assentiu com a cabeça e seu sorriso desapareceu ligeiramente na incerteza de seu próximo pensamento.
– E eu quero você lá para isso. Gostaria que você estivesse lá comigo quando eu lhes digo. Se eu fizer isso. Eu ainda não tenho certeza.
A mandíbula de Rachel balançou por alguns segundos sem fala.
– Oh.
– Quero dizer, você não tem que…
– Não, não, não. — Rachel colocou as mãos em torno de Quinn quando ela tentou rolar para longe da diva. — Não. Eu vou. Eu quero. Eu estava apenas… surpresa. Achei que você gostaria de evitar isso.
Isso e o fato de que ela estava absolutamente aterrorizada. Eram dos Fabray que elas estavam falando. Qualquer um sabia que eles eram pessoas sem um pingo de emoção reconhecidamente humana no peito, eles expulsaram a filha no momento que ela mais precisava de apoio. Finn lhe dera todos os detalhes daquela noite, mas algo dentro dela sempre lhe disse que tinha sido bem pior do que ele havia lhe contado. De repente, a realidade bateu em Rachel. Ela não queria que Quinn fosse enfrentar aquilo sozinha. Ela não queria que Quinn estivesse a mercê da ira e do abuso verbal sem ninguém ao seu lado. Ela queria estar lá, sem dúvida.
– É por isso que eu ainda não decidi se vou ou não. — Quinn admitiu enquanto se acomodava outra vez contra o corpo da diva. – Eu não sei se eu deveria deixa-lo em paz e ler isso no jornal ou ouvir de algum conhecido, ou se eles devem ouvir de mim.
– Qual dessas opções te dariam mais paz de espírito?
Rachel observou enquanto Quinn movia os olhos de um lado para o outro sem nunca focar em algo. Ela se perdeu em seus pensamentos por um momento.
– Eu não quero esfregar na cara deles, mas eu acho que eles merecem saber a verdade. Eles devem saber. Eles provavelmente vão me ofender, mas não é essa a questão. Eu realmente não sei qual é a questão… — Ela parou, suspirou sentindo-se abatida, apoiou a cabeça no peiro de Rachel.
– Eu entendo. — Rachel retrucou.
– Entende? — Quinn estava interessada em ver o que o sexto sentido de Rachel estava dizendo a ela agora.
– Uh huh. — Rachel balançou a cabeça e acariciou os cabelos loiros de cabelo. — É para mostrar a eles que você não tem mais medo. Eles ainda são seus pais, mas eles não tem mais poder sobre você. Você está feliz e mais forte por causa disso.
Droga, talvez ela tivesse um sexto sentido. Era tão fácil para ela ver essas coisas.
– Eu já lhe disse o quão perfeita você é hoje?
– Sim.
– Eu já disse o quanto eu te amo hoje?
– Já disse também.
– Hmm… seus pais ainda estão em casa, não é?
Rachel suspirou.
– Sim… infelizmente.
– Bem, que inferno. Eu vou ter que achar novas formas de te falar e mostrar o quanto eu te amo.
– Isso mesmo, baby. Você vai ter que trabalhar muito para me mostrar isso.
Quinn riu e levantou a cabeça para sorrir para a diva.
– Aparentemente não muito, já que eu só demorei três horas para ficar com você pela primeira vez e apenas tive que comprar uma cama para ficar com você pela segunda vez. Merda. Na terceira vez eu não tive que fazer nada, eu viciei você ao ponto de que você não podia esperar que eu acordasse.
– Eu acho… — Rachel começou quando ela tentou sair debaixo da loira, mas não conseguiu. — Eu acho que eu gosto mais da sua modéstia do que da sua arrogância.
Quinn lutou para segurar os braços da diva acima da cabeça morena e deu um beijo suave em seus lábios indefesos. Como se o beijo fosse uma reivindicação de domínio temporário, ela soltou as mãos de Rachel que instantaneamente envolveram o seu pescoço com uma obediência brincalhona.
– Eu provavelmente poderia fazer algum tipo de piada grosseira agora sobre você não gostar da arrogância de uma lésbica, mas eu prefiro gastar o meu tempo e energia memorizando o sabor dos seus lábios.
Rachel assentiu enquanto Quinn volta a tomar a sua boca.
– Eu também prefiro essa ideia.
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