- Então você é cinéfila? — Rachel perguntou enquanto vasculhava a coleção de filmes, a curiosidade lhe dominava. — Gosta particularmente de filmes de terror e suspense aqueles que te fazem pular no sofá pelo que estou vendo.

Isso foi um choque. Ela estava esperando que Quinn gostasse mais do tipo de comédia romântica ou algo do cinema independente dando vazão ao seu lado intelectual.

Quinn estava na cozinha, servindo duas taças de vinho com um sorriso tímido no rosto.

- É... eu tenho uma daquelas explicações estranhamente profundas sobre isso.

- Eu gosto do seu raciocínio estranho e profundo. — Rachel observou enquanto estudava a parte de trás de um estojo de Blu-Ray com a testa franzida. — Isso significa que você realmente pensa sobre as coisas e não faz o que é esperado ou normal. — O franzido em sua testa se agravou antes de comentar em voz baixa. — Isso definitivamente não é um filme normal.

- Eu ouvi isso. — Rachel se assustou com a proximidade da voz da loira e olhou por cima do próprio ombro.

A taça de vinho que Quinn lhe oferecia não estava a mais do que três centímetros de seu rosto, a loira sorria. Rachel aceitou com um leve corar em suas bochechas.

- Obrigada e desculpa, mas qual é o seu raciocínio profundo e intrigante por trás do seu desejo de ficar com medo da própria sombra?

Quinn sentou-se ao lado da diva e se juntou a ela em sua exploração de todos os seus filmes. Ela tinha tantos que já havia se esquecido de metade deles.

- Você passa a maior parte da sua vida rindo, chorando, feliz ou triste. Você sabe, as coisas de sempre. Isso é o que a maioria dos filmes tenta transmitir quando se trata de expressar sua catarse. Eu não acho isso o suficiente para saciar minha sede de escapismo. Agora, o medo não é uma emoção que você sente muitas vezes, por isso, quando você sente é emocionante. Estou falando de algo que te faz se sentir mais vivo do que você normalmente se sente.

- Então... você se sente mais viva enquanto assiste a outras pessoas correm para não perder a vida deles? Isso é um pouco sádico.

- Não, não, não. — A loira negou com a cabeça. — Eu não sou tão doente assim. Eu não me sinto viva por causa do que está causando o medo, e sim pel adrenalina em si. Assim como as montanhas-russas ou pular de paraquedas ou ficar na mira de uma arma. — Ela brincou. — Os filmes são apenas o caminho mais seguro de me sentir assim.

- Estou vendo, então você deve achar a minha coleção de musicais clássicos um pouco chato para o seu gosto. — Quinn mexeu as sobrancelhas em uma concordância silenciosa. — Então, agora eu sei que você gosta de filmes de terror e de sentir medo. O que mais? — A diva largou os filmes e virou-se para a loira, enquanto tomava seu vinho. — Hmm? Quais são os seus prazeres culpados, suas fraquezas. Toda a sujeira embaixo do tapete.

- A sujeira? — Quinn brincou. — Você vai ter que trabalhar para ganhar essas informações. Eu não posso simplesmente ir derramando todos os meus segredos.

- Estou disposta a trabalhar para ter essas informações. — Rachel respondeu inclinando-se e tomando os lábios de sua namorada nos dela.

Ela segurou a cabeça da loira aplicando mais força no beijo, aprofundando-o com desejo. Quinn levou a mão até o rosto da morena o segurando com cuidado, seu polegar massageava a pele morena. Ela poderia facilmente cair nessa armadilha. Rachel se afastou do beijo para olhar nos olhos de Quinn.

- Quanto trabalho vai exigir uma resposta?

A loira mordeu o lábio inferior, enquanto desviava os olhos.

- Depende da pergunta.

Rachel se moveu para beijar a loira, mas hesitou antes de seus lábios se tocaram e mudou a direção indo beijar levemente o pescoço pálido no lugar.

- Onde é o seu lugar favorito para ser beijada? — Quinn soltou uma risada ofegante. — Além desse lugar. Algum lugar que eu possa te beijar e não quebrar minha promessa de manter nosso relacionamento lento.

A diva colocou outro beijo um pouco mais acima em seu pescoço.

- Você está ficando mais quente. — Desta vez Rachel roçou os lábios pelo pescoço da loira até que ela sentiu o ligeiro tremor passar pelo corpo e colocou outro beijo. A respiração de Quinn travou e ela agarrou o braço da diva a reprimindo.

- Não.

Rachel sorriu e beijou-lhe novamente antes de subir para sugar o lóbulo da orelha. Ela começou a diminuir ainda mais o espaço de Quinn, colando os corpos até que a loira se inclinou e deitou no chão. Uma vez na posição de dominância, Rachel permitiu que suas mãos vagassem buscando a pele macia que ela tão desesperadamente queria tocar. Sua mão esquerda encontrou a bainha da camisa, as pontas de seus dedos se moviam pelo quadril da loira apenas sob a linha onde terminava a camisa.

- D-Devagar?

A diva parou o beijo lentamente e puxou a cabeça para trás, pairando sobre a loira que já estava ofegante com os olhos fechados, tentando recuperar um pouco de seu controle.

- Nós não podemos beijar? — Rachel perguntou enquanto se inclinava e apertava levemente os lábios no queixo de Quinn, em seguida na parte inferior de seu lábio. — Você é a primeira mulher que eu já beijei e seus lábios são tão melhores do que os de qualquer homem. — Ela deu um beijo casto nos lábios macios. — Muito mais suaves e mais tentadores.

Quinn deixou Rachel beijá-la uma vez mais, mas negou seu acesso quando ela perguntou com um leve roçar de sua língua se poderia aprofundar.

- A tentação é o problema. Temos muito para descobrir ainda. Qual é o meu pior hábito? Qual é a minha pior mania? O que consegue me irritar em uma fração de segundo, não importa o quão calma eu possa parecer?

Rachel sabia que ela estava certa.

- Você está estragando a minha diversão. — A diva resmungou.

- Não. Eu só estou tentando fazê-la durar mais tempo do que se tivermos a nossa primeira briga e terminarmos.

A diva cedeu levantando-se e saindo de cima da loira.

- Não é justo. Você parece me conhecer tão bem e eu não tenho idéia sobre essa pessoa que você se tornou. Que eu conheci e que eu amo, mas há muito mais coisas. É frustrante conhecer você no sentido do seu passado, mas não conhecer essa pessoa nova.

Quinn hesitou, ainda deitada no chão com os olhos fechados.

- Confie em mim, eu sei. Eu queria estar aqui desse jeito há muito mais e por muito mais tempo do que você.

- Então me conte os seus segredos.

Quinn riu nervosamente enquanto balançava a cabeça.

- Se fosse tão fácil me abrir e te mostrar minha alma.

Rachel foi atingida com o súbita percepção de que Quinn até poderia parecer uma pessoa muito diferente do que era antes, mas ela ainda tinha um pouco de seu antigo eu lá no fundo. A parte que estava guardada tão profundamente tinha medo e estava machucada de muitas maneiras. Rachel estava pedindo para entrar em um lugar onde poucos tem acesso depois de anos de relacionamento e construção de confiança. O sexo não era o único aspecto de seu novo relacionamento que elas iriam ter que ir lentamente. A diva sentiu a vulnerabilidade da loira e deitou ao lado dela no chão da sala, pegou a mão pálida e entrelaçou os dedos.

- Vamos começar com uma pergunta de cada vez. Qual é o seu pior hábito?

Quinn apoiou as costas de sua mão livre contra a própria testa enquanto lutava contra a pequena onda de ansiedade que se apossou de seu corpo quando percebeu que deixar Rachel entrar seria mais uma vez, reviver toda a dor de suas histórias. Rachel sabia um pouco do que havia acontecido na escola, mas não os detalhes obscuros.

- O meu pior hábito é este aqui. Me fechar para as pessoas. Sendo muito cautelosa sobre certas coisas. Fora isso, eu sou bastante relaxada.

- O que te irrita?

Ela fez uma pausa, ainda com os olhos fechados, e soltou um suspiro derrotado.

- Ser pressionada. Mesmo quando eu preciso ser. Vou explodir com você, em seguida, vou perceber que você só estava tentando me ajudar, e te pedir perdão. — Ela explicou. — Só para te avisar.

- Eu agradeço o aviso. Vou tentar me lembrar disso quando você de repente saltar como um tufão em fúria das águas calmas.

Quinn virou a cabeça para olhar para Rachel com uma sobrancelha arqueada.

- Eu disse que ia me irritar, não arrancar sua cabeça.

A morena deu de ombros.

- Semântica. Estou me preparando para o pior cenário, mas vamos passar para algo um pouco mais urgente. — Quinn cerrou os dentes em apreensão. — Como você acha que você vai lidar com tudo, quando nós assumirmos? Você é bem conhecida no mundo da fotografia, mas você não tem que lidar com as pessoas te seguindo e tentando tirar sua foto. Eles podem se tornar muito interessados a ponto de serem obsessivos com...

- Obsessivos? — Quinn zombou de brincadeira, não acreditando que as coisas tomariam esse extremo. Algumas perguntas em entrevistas aqui e ali e então isso iria morrer até o próximo escândalo no mundo das celebridades e elas só teriam que lidar com um rumor ocasional.

- Sim, obsessão . Não somente você está namorando alguém bem sucedida, mas você também é bem sucedida, e as revistas e os jornais vão amar isso. Eles vão estar morrendo de vontade de saber mais sobre você... cavando o seu passado...

A loira voltou os olhos para o teto e engoliu em seco. Rachel estava mais preocupada era com o passado de Quinn sendo remexido. Não tanto sobre ela ser importunada por aspirantes a fotógrafos. Quando as pessoas descobrirem sobre como brutal ela fora com Rachel no passado poderiam até achar que era uma boa piada do destino. Mas, se descobrissem sobre sua filha e o fato de que ela estava sendo criada pela mãe biológica de Rachel, elas teriam um verdadeiro problema. Era matéria de primeira página nos tablóides especializados.

- Hum... seus pais sabem que você é gay? Você disse que não voltou desde que se formou, mas só se assumiu há três anos...

- Não. Eles não sabem. Na verdade, ninguém de Lima sabe, só você.

- Bom, me sinto especial. — Rachel sorriu com largamente.

- Rachel Berry. — Quinn murmurou docemente para ela. — Você é especial, mas você já sabia disso.

- Eu sei, mas você ainda não respondeu à minha primeira pergunta. Eu acabei te bombardeando com outras antes que você tivesse a oportunidade de falar. Como você acha que vai lidar com isso?

- Oh, Deus... — Quinn exalou com força enquanto pensava sobre isso. — Eu posso lidar com os paparazzi muito bem. Perguntas sobre o nosso passado também. Se eles ligarem e irritarem os meus pais pedindo uma declaração, me tirando do armário no processo, eu vou ficar bem. Só me preocupo se eles descobrirem sobre o bebê que por sinal... não é

mais um bebê... — Ela fez uma pausa e Rachel apertou a mão da loira. Beth teria nove anos agora, quase dez. — Principalmente porque eu ainda tenho muitos arrependimentos sobre isso. Você acha que eles iriam conseguir chegar a isso?

Rachel encontrou os olhos avelãs cheios de preocupação e se forçou a assentir. Sem dúvida. Eles iriam descobrir

Quinn riu nervosamente.

- Alguma chance deles dizerem: "Ei, grande coisa, alguém é gay" e nos deixarem em paz?

Foi Raquel quem riu dessa vez.

- Há uma pequena e pouco provável chance, mas existe essa possibilidade, não importa o quão improvável seja. Mas podemos sempre esperar o melhor.

- É... bem, eu acredito que nós fizemos um grande avanço essa noite, mas eu preciso de um banho. Tenho um técnico de iluminação com uma paixão por luzes quentes.

- Então é esse o cheiro que estou sentindo? — Rachel franziu o nariz.

Quinn endireitou-se e largou a mão da diva.

- Eu não estou fedendo! Estou? — Cheirou-se apenas para ter certeza.

- Não, você não está. — Rachel negou com a cabeça com um sorriso leve adornando os lábios grossos. — Estava apenas brincando. Vá tomar seu banho. Você tem algo que eu possa vestir para dormir ou roupas é opcional esta noite?

A loira a olhou.

- Eu tenho algo que você pode usar. E na hora que eu sair do banheiro, que por sinal estará trancado... eu espero que você já esteja vestida com elas. Eu não preciso da tentação que é a sua pele nua.

- Desmancha prazeres.

- Será que vamos ser capazes de fazer isso ou eu deveria dormir no quarto de hóspedes? — A diva perguntou assim que a loira se arrastou para a cama com ela.

- Isso seria pior na verdade. — Quinn afirmou enquanto enrolava o braço em volta da cintura de Rachel e trancava suas mãos unidas contra o peito da morena. — Saber que você está no outro quarto, mas que eu não posso te tocar seria uma verdadeira tortura para mim. Tenho que te tocar. Bem assim. — Ela mexeu mais até que seus corpos foram pressionados firmemente juntos e depois se aninhou no pescoço de Rachel. — Só não se vire. Se eu ver seus olhos ou seus lábios, eu estarei perdida. Se você me beijar, eu vou estar perdida. Se eu ver você sorrir, eu vou estar perdida. Apenas não se vire.

- Okay, então..

- Então...?

Rachel mordeu o lábio inferior para conter o sorriso.

- Então, qual é a sua posição sexual favorita?

- Oh meu Deus. Baby, você não pode me perguntar coisas como essas até que eu possa fazê-las com você. Eu sei que você está confiando em mim para ser forte e resistir a você hoje essa noite, mas isso não significa que você pode simplesmente desistir e me torturar.

Houve uma pausa.

- Você me chamou de baby.

Quinn podia ouvir o sorriso em sua voz.

- Yeah. Tudo bem te chamar assim? Achei que era melhor do que Man hands ou RuPaul. Muito mais amoroso e apropriado.

Rachel lutou contra o impulso de se virar para olhar para o rosto de Quinn enquanto ela falava, então se limitou a morder o lábio inferior.

- Isso é bom eu gosto disso. Baby.

- Baby. — Quinn repetiu enquanto apertava os lábios sorridentes contra o ombro de Rachel. — Então, vamos falar de outra coisa além de sexo.

- Isso seria mais propício para a nossa situação. — Rachel disse enquanto brincava com os dedos da loira, estudando como macio e resistentes eles eram. Comparando-os aos seus pequenos dedos. — Você tem algum tema específico em mente?

A loira estava com os olhos abertos, concentrando-se na sensação dos dedos de Rachel brincando com os dela.

- Conte-me sobre seus pais. Quando vamos exatamente?

- Você está nervosa? — A diva sorriu.

- Claro que eu estou! — Quinn resmungou. — Nós estivemos juntas por dois dias e já estou indo conhecer seus pais. É um pouco assustador. Especialmente porque eles não sabem que estamos namorando, e muito menos que você é gay.

Ela nunca tinha pensado nisso dessa forma. Isso seria desagradável. Seus pais sabiam que ela estava levando Quinn com ela, que a loira era alguém que ela tinha conhecido na escola, e tinha recentemente reencontrado em Nova York. No entanto, falar para eles sobre toda essa situação entre elas era melhor fazer face a face. Ela também queria Quinn lá por sua força e firmeza na sua própria sexualidade. Seu encorajamento iria ser necessário, apesar do fato de que os pais de Rachel eram gays. Ela não tinha medo da raiva deles ou da decepção, mas a incerteza e o choque. Eles tinham se acostumado com ela sempre sabendo quem ela era e agora tudo havia mudado e fora de repente.

- Então, quais são os seus nomes? Como eles são? — Quinn insistiu, apertando-a com força para encaixá-la melhor.

- Seus nomes são Elijah e Kevin.

- E qual é qual?

- Meu pai é Elijah. Ele é baixo, usa óculos, é judeu, e é branco. Papai é Kevin, alto, cristão, e é negro... eu sinto que você esta rindo.

Quinn apenas riu mais ainda.

- Eu sei, eles são completamente opostos em quase todos os sentidos.

- Eu diria que sim. Fale sobre suas personalidades. De quem eu vou ganhar "o olhar" e a frase 'se você machucar a minha filha...'?

- Papai vai lhe dar o discurso, mas, em seguida, vai ser o seu melhor amigo assim que ele terminar. O pai vai ficar quieto até que você tenha realmente feito algo para me machucar. Ele não aceita as coisas tão facilmente.

Quinn se encolheu.

- Como é que ele vai lidar com a forma...

- Eu lhe disse para não se preocupar com o nosso passado. Você era uma adolescente e agora você é uma adulta madura que já não me tortura e sim que me ama. Se eu posso te perdoar, ele também pode.

Quinn puxou a diva para mais perto.

- Mas você perdoa todo mundo.

- Quinn, eu estou namorando você. Eles vão aceitar isso. Você tem um coração absolutamente doce e romântico. Eles vão adorar isso. Eles vão te julgar com base no que eles vão ver a partir de agora, não o que eles sabem do nosso passado. Oh, e para responder a sua outra pergunta. Nós temos um vôo na quarta-feira pela manhã. Eles vão nos pegar em Dayton. Vamos voar de volta domingo à tarde. Tem problema com a sua agenda?

Rachel não tinha o costume de ser flexível com qualquer pessoa, mas Quinn já sabia disso. Planeje primeiro, pergunte depois.

- Se eu tiver, vou cancelar. Vou ligar para Kim amanhã e descobrir.

A morena franziu a testa.

- Você não sabe ? Que tipo de profissional é você?

Quinn deu de ombros em resposta.

- Do tipo que explora seus assistentes temporários para descobrir se vale a pena mante-los por perto.

Rachel riu e recostou-se a loira.

- Eu gosto dela. Acho que você deveria mante-la, se você puder.

- Você só está dizendo isso porque ela vai concordar com tudo o que você diz, porque você é quem você é. Se alguma vez tivermos uma briga, eu vou estar em desvantagem.

- Isso é uma vantagem, mas também lhe dá alguma credibilidade quando se trata de ser confiável. Quando assumirmos, seria bom saber que a sua assistente não está vendendo nossas histórias ou qualquer coisa.

- Esse é um ponto muito bom. Eu nunca tinha pensado nisso.

- Isso é porque você nunca teve de lidar com os meios de comunicação desse jeito. Será uma experiência que você provavelmente nunca vai esquecer.

Quinn beijou o pescoço de Rachel e fechou os olhos.

- Baby, qualquer experiência com você é difícil de esquecer.

- Agora você está sendo brega.