Rachel deu um passo para mais perto da porta, na esperança de ouvir qualquer coisa da conversa. Seu desejo de saber tudo sempre tomava a melhor, mas fora a expressão frustrada de Quinn que lhe deixou preocupada.

- Eu sei... É claro que eu vou... não, Adeianne. Eu vou... será que você vai me deixar falar? Obrigada. Eu vou, você sabe que eu quero, mas hoje não é um bom dia. Eu estou trabalhando. — Rachel podia notar a tensão na voz de Quinn, mesmo com ela tentando disfarçar. — Me liga mais tarde, eu preciso voltar.

Rapidamente a diva voltou para o sofá agindo como se ela estivesse lá o tempo todo assim que Quinn entrou.

- Tudo bem? — Queria saber se essa nova e calma Quinn era mais verdadeira. — Você precisa ir embora?

- Não. — A loira balançou a cabeça. — Não é nada de grave. Apenas alguém que está precisando de uma carta de recomendação, aparentemente minhas opiniões e o que eu penso agora valem de alguma coisa.

Rachel se deixou satisfeita a resposta era plausível.

- Isso pode esperar até manhã. Já está pronta?

- Mhmm. — Rachel acenou com a cabeça antes de se levantar e sair enquanto Quinn segurava a porta para ela enquanto a outra mão repousou na base da coluna da diva a guiando. Arrepios desceram pela coluna de Rachel.

- Mesma posição?

- Uh... vamos voltar para o banco, mas ao invés de sentar eu quero que você se apóie nele e se incline. O use como adereço ao invés de um banco.

- Mas dessa vez minhas pernas não estão de fora. — Rachel arqueou uma sobrancelha.

E que Deus abençoe isso, Quinn pensou enquanto preparava a câmera. Nunca pensou que Rachel faria um comentário desses, ainda mais depois de saber que Quinn era gay.

- Yeah, todas essas três milhas de pernas. Para alguém tão pequena você tem as pernas mais longas que já vi.

Rachel deu um sorriso acanhado quando colocou o seu peso contra o banco.

- Eu gosto das minhas pernas, obrigada.

Eu também, Quinn pensou silenciosamente antes de falar:

- Todas aquelas horas no elíptico, certo?

- Não podemos contestar os resultados. Pode zombar de mim o quanto quiser. — A diva retrucou, se assustou quando notou que estava flertando de volta.

Ela estava flertando com uma mulher e não era qualquer mulher. Era Quinn Fabray.

- Eu não vou zombar de você. — Quinn respondeu batendo algumas fotos. Eu gostaria de fazer um monte de coisas com você e zombar não é uma delas.

- Então vai ficar em New York? Ouvi dizer que estavam tentando te levar para Los Angeles.

A fotografa parou o que estava fazendo antes de endireitar o corpo demonstrando surpresa.

- Como você...

Rachel aproveitou a pausa nas fotos para se sentar no banco e descansar os pés.

- Por favor, você realmente acha que eu iria descobrir que você é quem iria fotografar o meu editorial e não iria pesquisar? Achei que você me conhecesse melhor Fabray. Mas então como vai ser?

Quinn sabia que Rachel era insistente, mas nunca lhe passaria pela cabeça que ela seria alvo dos esforços da diva.

- Eu não sei, eu não vejo motivos para ir até lá. Fora o trabalho não tem nada pra mim lá. — Explicou se aproximando da morena no intuito de continuar a conversa. — Pode parecer estranho, mas New York é a minha casa mais até do que Lima.

- Sério? — Rachel amava New York e ficaria mais do que feliz de viver o resto de sua vida naquela cidade, mas a sua casa ainda estava em Ohio, junto aos seus pais. Talvez se eles resolvessem se mudar para perto dela a historia seria outra. — Quando foi a ultima vez que você voltou?

- Pará Lima? — Quinn ergueu as sobrancelhas demonstrando diversão. — Eu nunca voltei. Já estive em todos os lugares que você imaginar, mas nunca mais voltei para Lima.

- Por que não? – Rachel entendia o ponto, mas não conseguiu segurar a pergunta.

- Pela mesma razão que eu nunca iria para Los Angeles. Não há nada lá pra mim.

- Você… — A voz de Rachel sumiu assim que ouviram os passos ecoando pela sala.

As duas mulheres viraram suas atenções para a única entrada esperando ver quem era que entrava.

- Que diabos? – Quinn sussurrou assim que a mulher alta e magra surgiu no campo de visão delas.

Ela era nova, cabelos escuros e longos que batiam próximo aos quadris, curvas que deixariam qualquer homem aleijado e qualquer mulher desejosa. A pele era um pouco mais bronzeada que a pele de Quinn e o seu rosto possuia angulos perfeitos e os olhos verdes irradiavam ferrocidade. Ela podia facilmente se passar por uma modelo. Embora toda as distrações a atenção de Rachel não se desviava do sorriso que a mulher exibia em seu rosto, era um sorriso sedutor misturado com uma leve descontração em seus lábios perfeitamente cheios.

- O que você está fazendo aqui? – A atenção de Rachel retornou para a loira ao seu lado.

- Eu estava por perto e pensei que seria um bom momento para você me entregar aquela carta.

Rachel tentou esconder a surpresa. Essa era Adrianne? A mulher que convenceu Quinn Fabray que ela era gay? Ela entendeu o porquê, mas a sua aprovação se limitou a apenas a aparência. Quinn estava irritada com a intromissão.

- Eu estou trabalhando, não tenho tempo para escrever agora.

- Não é problema, eu escrevo e você assina. Eu sei tudo o que você vai falar de qualquer maneira. – Adrianne não iria levar um não como resposta.

Ela sabia. Quinn foi muito precisa na descrição da mulher. Antes que Quinn pudesse abrir a boca para recusar a mulher alta se aproximou de Rachel com uma mão esticada.

- Eu sou Adrianne. Quinn às vezes se esquece de tudo quando eu estou por perto, por favor, desculpe a falta de boas maneiras dela. Você deve ser Rachel, certo?

O tom de voz era agradavel, mas Rachel sabia o significado oculo. “Oi, eu sou Adrianne. Eu tenho Quinn de maneiras que você nunca vai sonhar experimentar. E sim, eu sei exatamente quem é você.” Rachel deu o seu melhor sorriso e apertou a mão estendida com firmeza.

- Quinn me falou muito sobre você. – Adrianne falou enquanto apertava a mão da diva com força.

Era isso, Adrianne estava reinvindicando sua pose sobre Quinn. Ela via Rachel como uma ameaça. Agora Rachel se viu impelida a tomar uma decisão, era obvio que essa mulher ainda tinha sentimentos pela sua amiga que agora ela sabia que era gay, então ela iria se retrair ou… reinvindicar Quinn?

Rachel abafou uma risada no momento em que tomou a sua decisão apertando a mão estendida com força.

- Ela também me falou de você.

Os olhos das duas se encontraram e elas sabiam. Ambas haviam reclamado a fotógrafa para si. O sorriso de Adrianne se desmanchou aos poucos enquanto soltava a mão da diva.

- Bem, não deixem que eu as atrapalhe. – Ela comentou casualmente passando a mão pelo braço de Quinn antes de se afastar na direção do computador.

O contato entre aqs duas fez a bile subir pela garganta da diva, ela recebeu a mensagem secreta que Adrianne estava lhe mandando. Ela tinha Quinn de formas que Rachel nunca seria capaz de ter. Ela fora a primeira experiencia de Quinn com mulheres. Ela foi com toda certeza o primeiro relacionamento de verdade, o primeiro “eu te amo” verdadeiro… Rachel estava brincando com coisas que ela nunca poderia ter.

- Eu já volto. – Quinn lhe deu um sorriso de desculpas antes de se dirigir a sua ex.

Mais uma vez Rachel agradeceu ter uma excelente audição, ela conseguiu ouvir claramente a conversa sussurrada.

- Você está falando sério?

Rachel encarava o chão, mas viu a maneira como Adrianne tentou acariciar o braço de Quinn através de sua visão periférica. Ela também viu a maneira como a fotografa a empurrou.

- Baby, eu só preciso da carta antes do que esperava. Preciso envia-la hoje além disso eu sei como você é. Você vai ficar se torturando atrás das palavras e demorar mais do que o necessario. Então eu escrevo, vinte minutos no máximo e você assina.

- Baby? – Quinn questinou a escolha de palavras da morena.

- É… — Desta vez a morena sorriu sedutoramente, colocou as mãos sobre os quadris de Quinn. – Eu sei que tivemos as nossas diferenças de opinões, mas você significa muito pra mim. Eu fui idiota quando sai daquele jeito, quando terminamos daquele jeito.

Quinn ficou imovel esperando a morena terminar, não a rejeitou e nem a aproximou.

- E você só descobriu isso hoje? Depois de quatro meses? Você descobriu que ela estaria aqui não é?

Os olhos de Rachel se desviaram do buraco que ela estava quase fazendo no chão. Adrianne só havia aparecido para reclamar sua posse sobre Quinn porque descobrira que Rachel estava lá?

- É claro que eu sabia, qualquer coisa que você faz é de conhecimento comum no circulo ou eu devo dizer o trabalho que você faz. – Se aproximou com um movimento sedutor tentando beijar a loira. A respiração de Rachel acelerou. Era a hora de Quinn escolher, mas será que ela percebera que tinha outra escolha?

- Escreva a sua carta. – Quinn tirou a cabeça. – Eu assino e então você some. — A postura de Adrienne ficou rigida diante da rejeição. – Melhor ainda… escreve no meu escritório, eu estou tentando trabalhar.

As palavras de Quinn não eram frias, mas indicavam que ela não ia aceitar uma negativa. Adrienne bufou antes de recolher as suas coisas.

- Tudo bem. – Os olhos de Quinn ficaram grudados na morena que fudemava enquanto marchava para a outra sala.

Quinn só retornou para Rachel após ouvir o estalo da madeira, encarou os olhos quentes de Rachel.

- Me desculpe por isso, ela…

- Estava com ciúmes. – Completou vendo Quinn acenar com a cabeça. – De mim?

A loira hesitou antes de concordar mais uma vez.

- Eu acho que preciso te explicar algumas coisas. Eu realmente não tinha planos, mas diante das circunstancias.

Rachel mordeu o lábio inferior concordando.

- Eu também penso assim.

Quinn soltou um longo e baixo suspiro.

- Acho melhor sentar para fazer isso. – Ela abaixou os olhos para encontrar os de Rachel antes de ambas se sentarem no chão apoiando as costas contra a parede de tijolos.

- Por que você nunca me procurou? – Rachel começou querendo que todas as perguntas sem respostas, apenas no caso de Quinn resolver ficar monosilábica no meio da conversa. – Quer dizer não que eu esperasse que você aparecesse na minha porta um dia com uma oferta de amizade. Quando eu soube que você estava em New York e não tinha me procurado eu achei que você ainda me odia-se como na escola. Mas depois de hoje… porque você não me escreveu algo? Deixa-se no camarim ou com a minha agente.

Quinn apoiou a cabeça contra a parede deixando seus olhos percorrerem o quarto.

- Eu tinha as minhas razões. A primeira era que eu estava tão envergonhada da maneira como eu te tratei que eu achei que você merecesse se deleitar com o seu sucesso, sem a líder de torcida do mal que te aterrorizou no ensino médio volta-se para mexer com as suas memórias.

- Mas você não é mais essa lider de torcida. Eu teria visto isso. – Rachel virou a cabeça para estudar o perfil de Quinn. – E as outras razões.

A loira sorriu nervosamente, sem nunca encarar a morena.

- Quanta honestidade você quer?

- Eu quero toda a honestidade que você tem, é só o que eu te peço.

Seu sorriso nervoso foi morrendo aos poucos, mas ela nunca encarava Rachel.

- Adrianne não queria que eu fosse te ver.

Era exatamente isso que Rachel estava procurando. Ela se moveu para poder enfrentar Rachel, sentada com as pernas dobradas no estilo indiano.

- E por que ela não queria?

Quinn mordeu o lábio inferior, estava obviamente pensando se deveria continuar sendo honesta. Ela franziu as sobrancelhas soltando um suspiro lento pelo nariz.

- Por que ela sabia que eu tinha sentimentos por você.

- Eu?

Quinn finalmente virou a cabeça para olhar para o lado vendo a diva diretamente nos olhos.

- Sim. Você. Não é fácil te esquecer.

- Eu… eu não entendo. – A morena se atrapalhou. – Quero dizer… a tensão sexual hoje foi obvia, mas você esteve em New York por mais de um ano. Como você pode ter desenvolvido sentimentos por mim? Não nos falamos desde a formatura.

- Por que eu já tinha sentimentos por você na formatura. Estava tudo embrulhado em angustia, auto-aversão e camadas e mais camadas de versículos da Bíblia. Eu não gostei sempre de você. Durante o segundo ano eu realmente te odiei. – Rachel abaixou os olhos brincando com os seus dedos, se lembrou que o pedido da honestidade total fora dela. – No nosso ano junior foi praticamente uma continuação, mas a animosidade já estava desaparecendo.

- Oh… — Quinn Fabray estava interessada neça. Ela tinha reinvindicado a loira… isso tudo era tão estranho, mas não lhe preocupava. – Você e Adrianne…

Quinn soltou uma risadasa baixa quando virou seus olhos para a porta do escritório.

- Eu nunca consegui superar os meus arrependimentos de nunca ter te dito como eu me sentia, ou pelo menos te dizer que eu não te odiava. Ela me disse para superar, você era hetero e estava namorando esse cara da Broadway e você estava feliz. Eu não queria estragar tudo de novo.

- Por que ela foi embora?

- Porque ela sabia que eu nunca iria conseguir superar. Porque ela sabia que nunca poderia ser você. – Quinn se mexeu. – O que eu estou dizendo… ou o que eu estou tentando dizer é que Adrianne foi um monte de coisas pra mim. O meu primeiro beijo com uma mulher. O meu primeiro encontro público com uma mulher… a minha primeira vez com uma mulher. Ela foi a primeira. A primeira para a qual eu admiti ser gay, mas ela não foi a primeira que me causou esses sentimentos. E ela também sentiu que ela seria a primeira a se machucar por que eu não iria te esquecer. Como eu disse não é fácil te esquecer.

- Você nunca me esqueceu? Você nunca tentou me procurar?

- Isso é porque eu sou muito covarde para ir atrás de você. – Quinn soltou uma risada alta. – Mesmo durante esses quatro meses, sem Adrianne. Eu não conseguia falar com você. Quando veio a oferta para esse editorial, eu me agarrei a essa oportunidade, mas eu nunca tinha planejado te dizer nada disso. Eu só queria saber se os sentimentos ainda estavam lá.

- E eles estão?

- Você realmente pergunta? – Roubou uma olhada rápida para a diva. – Depois da óbvia tensão sexual no estúdio, como você mesma apontou?

Permaneceram em silencio, Rachel não sabia o que falar ou o que fazer. Ela nem sabia o que pensar.

- Olha, eu sinto muito por jogar tudo isso encima de você. Eu deveria ter me esforçado mais para manter as coisas profissionais e eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós.

- Não vão ficar. – A diva negou com a cabeça. – Homossexualidade não é algo novo pra mim. Eu tenho dois pais gays. Mas eu concordo que eu nunca tive uma mulher confessando os seus sentimentos por mim… bem… com exceção de algumas fãs fanaticas.

Quinn deixou uma sombra de sorriso passar pelos seus lábios, mas logo essa sombra sumiu.

- Eu ainda sinto muito, eu sei que isso deve ser estranho.

- Não é nada que eu não possa lidar. Especialmente depois de hoje com Adrianne. – Quinn arqueou uma sobrancelha procurando uma explicação. – Você não entendeu os significados ocultos do que conversamos. – Agora Quinn franziu as sobrancelhas expressando confusão. – Eu reclamei você hoje.

- Reclamou?

- Sim. – Rachel acenou com a cabeça. – Se ela acha que vai simplesmente chegar e vai te ter de volta achando que vai ser fácil. Ela está muito enganada. Ela vai ter que brigar comigo.

Quinn deixou um sorriso hesitante aparecer em seus lábios finos enquanto ela entendia o peso das palavras da diva.

- Não, ela não vai. Ela nunca vai poder concorrer com você.

A morena sentiu as faces corarem.

- Vamos terminar essa sessão?

- Hum… sim… — Quinn sorriu mais confiante. – Mas não com essa roupa. Ainda temos mais uma para testar.

- Isso foi planejado? – Rachel franziu as sobrancelhas.

- As roupas são uma sequencia. – Quinn falou acenando com a cabeça.

- Outro set? – Rachel olhou em volta.

Quinn soltou uma risada antes de deixar o seu rosto assumir uma expressão culpada.

- É, eu meio que escondi. É o conceito da revista, mas eu não tinha certeza se você iria topar… então… eu mantive essa parte escondida até que você se sentisse mais relaxada. A roupa também. – A morena cerrou os olhos enquanto Quinn se levantava. – Eles meio que gostaram da palavra “sexy”.

- Quinn… o que você está escondendo?

A loira não conseguia mais esconder o sorriso que se alargava pelo seu rosto, conduziu Rachel até atrás do set que representava a Broadway. Um grande tapume isolava um canto do estúdio criando um ambiente fechado e íntimo.

- Gostariamos de usar as janelas como um pano de fundo natural junto com a parede de tijolhos, pegando o céu que já deve estar escuro do lado de fora. – Quinn apontou para a janela e Rachel percebeu como já era tarde. – Eles querem uma sensação mais urbana. Então seria um artista lutando em um apartamento pequeno e… uh… você estaria lá. – Quinn apontou novamente.

- É um colchão no chão. – Rachel cruzou os braços sobre o peito encarando a fotógrafa.

- Eu sei. – A fotógrada sorriu. – Como eu disse… não foi minha ideia, mas uma cantora lutando em um apartamento pequeno em New York em contraste com a que está no palco em seu vestido de gala é uma excelente ideia.

- Eu tenho medo de perguntar o que foi selecionado para o meu guarda-roupa.

- É… é… — Quinn mordeu o lábio inferior enquanto corava de leve. — …sexy, mas eu duvido que você use menos para dormir.

Ela se virou para ir até o quarto que servia de vestiario, Rachel correu atrás dela.

- Eu estou vestindo roupas, certo?

- Defina roupas…