– Pontual, como sempre. — Kevin falou assim que o casal entrou pela porta da frente e retirava seus casacos. — Estamos quase terminando aqui, então por que vocês duas não vão se limpar para podermos finalmente desfrutar de algum alimento que não esteja queimado ou que tenha acabado no chão?
Quinn corou e seguiu Rachel pelo corredor até o banheiro para poder lavar as mãos, fechou a porta assim que entraram.
– O que você está fazendo? — Rachel perguntou soltando uma risadinha enquanto a loira a segurava pelos quadris por trás e dava pequenos beijos pelo seu pescoço.
– Eu achava que... — Ela fez uma pausa para capturar os lábios da diva assim que a girou para que se encarassem. — ...era bastante óbvio.
Quinn inclinou-se e levantou a pequena morena a colocando sentada no balcão, as mãos pequenas correram para se agarrarem aos cabelos loiros.
– Meus pais... — Rachel argumentou sem entusiasmo, abriu as pernas permitindo a Quinn que ficasse entre elas.
A loira rastejava as mãos por cima dos jeans apertados que a diva usava.
– Estamos apenas nos beijando... você quer que eu pare? — Quinn provocou enquanto movia sua boca pela garganta da diva e voltava até o queixo onde ela parou, afastou os lábios com um sorriso e esperou a morena abrir os olhos. As sobrancelhas arqueadas deixava claro seu interesse pela resposta.
Rachel abriu os olhos lentamente e encontrou o belo par de olhos verdes que pareciam enxergar dentro de sua alma, ela simplesmente não conseguiu formar palavras. Ela queria que Quinn continuasse, queria a noite inteira, queria até que não conseguisse manter os olhos abertos. Ela queria que a loira possuísse cada centímetro de seu corpo, apenas para para que a loira tivesse certeza que Rachel lhe pertencia, que mais ninguém possuía o poder de fazer com que a morena se sentisse daquele jeito, do jeito que a loira conseguia com o toque mais suave, um sorriso, o mais suave dos roçares de lábios. Ao mesmo tempo, ela só queria que Quinn a abraçasse e não soltasse mais. Queria enterrar sua cabeça no peito da amante, se envolver na segurança dos braços dela até que seus corpos se fundissem e se tornassem inseparáveis, inquebráveis contra qualquer coisa.
Quinn viu o debate intenso nos olhos da diva enquanto as mãos pequenas soltavam seus cabelos e traçavam a linha de sua mandíbula.
– Rachel. — Sua voz era forte e cheia de tesão, mas ela não tinha ideia do que queria dizer.
Sua mente tentou desvendar qualquer fragmento de pensamento que ela quisesse transmitir, mas só conseguiu que o nome da morena saísse pelos seus lábios e mais nada. Não havia nada que ela quisesse revelar, que as palavras pudessem transmitir, nada mais do que ela precisava dizer.
– Rachel. — Desta vez fora um sussurro que cortou a névoa de luxúria na qual elas se envolveram e ela foi capaz de ver a posição em que se encontravam, endireitou sua postura ligeiramente.
O chamado não fora para chamar a atenção da diva. Elas já se encaravam sem desviar nem um centímetro.
Ela sabia o que era agora e não tinha outra maneira de descrever que não fosse uma conexão mental, uma questão de conhecimento, não da mulher na frente dela e sim dela própria. A partir do momento em que Rachel Berry entrou em seu estúdio na sexta-feira, Quinn vinha tentando juntar suas vidas. Não a vida que a diva levava e a sua vida de fotógrafa, mas a realidade de suas adolescências turbulentas e as adultas de hoje. Rachel não era mais um sonho que tinha de repente se materializou na sua vida e Quinn não era mais aquela que lhe aterrorizava suas memórias de infância.
A loira sentiu como se ela tinha acabado de acordar de um sonho e viu o mundo ao seu redor com muito mais clareza. Ela não separava mais a vida em duas metades, divididas por localização e outras memórias de quem ela era. Já não sentia a necessidade de separar o passado do seu presente, não precisava mais tentar esquecer ou ignorar. Ela não estava tentando forçar sua vida a continuar com dois opostos. Com Rachel na frente dela, com os olhos cor de chocolate que nunca exigiram uma explicação olhando para os dela com nada além de amor, simples e puro. Não havia mais a pergunta de como haviam chegado aquele momento. Como é que elas iriam descobrir o que são e para onde vão? Ela teve a sua resposta, mas não era nada que pudesse ser colocado em uma palavra diferente de "Rachel". Ela ligava as duas metades de Quinn, a fez inteira novamente.
Rachel viu as mudanças que estavam ocorrendo na loira na frente dela e assistia com admiração. Ela não entendia o que estava mudando, mas ela sabia o que era esse sentimento novo que a puxava para ela. Havia um brilho nos olhos de Quinn que lhe levou de volta para a escola, para a loira grávida que tinha aquela centelha de vida. A centelha que veio com a crença e esperança de que a vida estava apenas começando, essa centelha que os adultos perdem quando começam suas carreiras, suas casas, sua rotina rígida que os levava através do resto de suas vidas. As duas versões de Quinn pareciam se fundir de repente. A abertura da loira agora madura com a vitalidade da jovem. A calma da fotógrafa com o destemor da líder de torcida, pronta para viver a vida em sua plenitude. Ela parecia inteira.
– Eu te amo. — Foi a frase que conseguiu escapar dos lábios da loira. Foi dita com tanta certeza e vontade da mesma forma como ela havia dito o nome de Rachel. — Eu só... eu te amo.
Os lábios da diva se contorceram em um sorriso largo e verdadeiro, se inclinou e beijou Quinn levemente, demorando-se no toque antes que ela se afastou e encontrou os olhos verdes novamente.
– Eu também te amo. Mais do que eu poderia te dizer.
Quinn sorriu, descansando a testa na de Rachel antes de se mover se aninhando ao pescoço da diva, puxando-a para mais perto com os braços ao redor da cintura dela e apenas a segurando. Rachel segurou Quinn em torno de seu pescoço e sorriu. Depois de um último suspiro profundo de Rachel, a loira se afastou lentamente.
– Nós devemos ir comer antes de seus pais pensarem que estamos fazendo algo impróprio aqui.
– Você quer dizer, algo como aquilo que estávamos com a intenção de fazer a apenas alguns minutos? — Rachel perguntou enquanto descia.
Quinn sorriu puxando a diva com uma mão e beijando de leve na testa.
– Sim, algo assim.
As duas mulheres finalmente saíram para o corredor e juntaram-se aos dois homens na mesa redonda nas mesmas posições da manhã complicada. Quinn de frente para Elijah, com Rachel à sua esquerda, Kevin na frente dela. A atmosfera era quente, mas possuía uma leve camada de tensão quando todos se sentaram.
– Nós normalmente começamos com alguém dizendo os motivos aos quais é grato este ano e o que eles desejam para o futuro. — Elijah explicou para Quinn, encontrando seus olhos pela primeira vez desde o confronto da manhã. — Se vocês não se importam, eu gostaria de fazer este ano.
Todos eles compartilharam olhares rápidos e balançaram a cabeça em aprovação.
– Obrigado. Sou grato por esta maravilhosa comida, esta família maravilhosa, a maravilhosa companhia. Sou grato para que todos possam estar em boa saúde e bom humor. — Ele fez uma pausa e seus olhos se encontrara com os de Kevin. — Eu sou grato por nunca mais vai ter de sentar nesta mesa com Chris e ouvir a sua...
– Pai! — Rachel gritou contra o comentário inapropriado enquanto Quinn e Kevin davam gargalhadas.
– Eu sou grato por isso também. — O homem mais alto falou enquanto lutava para recuperar a compostura.
Rachel ainda era a que menos achava aquele momento até que Quinn se aproximou e apertou a mão dela. Elijah viu quando a carranca de sua filha evaporou e ela sorriu para a loira sorrindo em frente a ele. Ele limpou a garganta e puxou a atenção da sala de volta para ele.
– Sou grato por ter encontrado um amor duradouro com o meu marido por 28 anos. Sou grato pela minha filha que nos forneceu nada que não fosse alegria para vinte e cinco destes anos. Eu sou grato que ela também encontrar um amor como o nosso. E eu estou esperançoso por uma segunda chance para superar os meus erros do passado.
Os olhos de Quinn deixaram os de Rachel e encontraram os dele. Ele estava pedindo desculpas e aceitando o relacionamento delas.
– Eu concordo. — Ela respondeu antes de olhar de volta para Rachel e beijar-lhe a mão. — Como posso negar uma segunda chance?
Kevin bateu palmas e inspecionou a comida.
– Bem, agora que somos todos uma grande família feliz, vamos comer!
Ação de Graças era um feriado que Quinn nunca tinha gostado de comemorar. Não era por causa do que ele representava ou qualquer coisa nesse sentido. Sempre tinha sido por causa de sua família. No Natal eles iriam falar sobre religião, mas na Ação de Graças, era sempre conversas sobre tudo e todos eles eram críticos. Apontando as imperfeições e analisando tudo apenas para se sentir melhores consigo mesmos. Qualquer coisa para se sentirem melhor. Eles tinham conseguido tirar umas férias que se destinava a mostrar o seu agradecimento por tudo e acabou por se transformar em um feriado para identificar as insuficiências da vida de todo mundo. E se você não conseguisse encontrar uma maneira de participar do balbuciar vaidoso, então você passaria a noite inteira em silêncio.
Nos Berry, havia gargalhadas e boas brigas humoradas, piadas e provocações brincalhonas. Havia pratos vegetarianos brigando para provar que também eram gostosos. A pequena luta de comida quando Kevin se recusou a parar de contar todos os momentos mais embaraçosos de Rachel. Até a tentativa mais agressiva de quando ela tentou mante-lo de boca fechada, quando ele contou a conversa estranha que tinham tido quando Rachel se sentiu compelida por sua culpa a confessar quando tinha perdido a virgindade com Finn. Essa briga terminou com Rachel terminando seu jantar sentada prisioneira no colo de Quinn para que a loira pudesse ouvir o resto da história.
– Não foi tão bem-humorado enquanto conversávamos. — Rachel informou Quinn, que apenas sorriu e acenou com a cabeça.
– Melhor do que quando meus pais descobriram que eu não era mais virgem. — Quinn lembrou enquanto a diva a alimentava um pouco de sua caçarola vegan. — Isso é bom, na verdade.
– Obrigada. Você vai ter que aprender a cozinhar... para você cozinhar isso para mim. É o meu favorito. — Quinn apenas respondeu envolvendo os braços ao redor do corpo da diva, incluindo os braços, um verdadeiro abraço de urso. — Ei. Não me ignore. Você disse que iria ter aulas.
– Eu continuo defendendo a tese de que devemos contratar um chef.
– Tenho certeza que você defende sim.
Os dois homens sentados observavam a troca com sorrisos em seus lábios.
– Então, quando vocês duas estão pensando em decidir levar o relacionamento a público? — Kevin perguntou.
– E o que você acha que Margaret vai dizer? — Elijah acrescentou.
Quinn ergueu o queixo dos ombros da diva e escutou.
– Ela vai querer fazer uma dessas duas opções. Número um... — Rachel tentou levantar o dedo indicador dramaticamente, mas Quinn ainda mantinha seus braços presos, então ela limpou sua garganta.
– Oh, me desculpe. — A loira soltou e apoiou as mãos na parte externa das coxas da diva.
– Como eu disse, o número um, ela vai querer marcar um bilhão de entrevistas e qualquer outra coisa que vai criar um frisson ou, número dois, ela vai querer que nós fiquemos no armário.
– No armário? — Quinn perguntou, curiosa.
– Depende de como ela sente que isso afetará minha comercialização.
– Oh... — Rachel podia ouvir a tristeza e contemplação na voz de Quinn e só podia imaginar a preocupação em seu rosto enquanto ela aperta seus braços em volta da diva.
– Se for esse o caso, eu acho que vou estar procurando um novo agente.
– Eu pensei que ela fosse a melhor. — Quinn perguntou com o mesmo tom preocupado.
A diva assentiu com a cabeça.
– Ela é a melhor quando se trata de colocar o seu cliente no topo. Agora que eu estou lá...
Elijah tomou um gole de seu copo e limpou a garganta.
– Talvez essa seja a melhor opção. Você não precisa de alguém que vá tentar esconder o seu relacionamento com Quinn, mas você não quer alguém que vá explorar vocês visando lucro.
Kevin concordou com a cabeça.
– Eu não me importo. — Quinn respondeu calmamente. — Eu não quero esconder, mas eu não me importo se acabarem nos expondo de mais. Vou mandar Kim atender os telefones durante todo o dia e anotar os recados. Se isso for tão ruim quanto você está fazendo parecer , ela pode finalmente ficar irritada e mostrar algumas bolas. Eu ficaria mais disposta a mantê-la no emprego.
– Quem é Kim? — Kevin perguntou. — Outra ex-namorada?
Quinn riu quando ela puxou a cabeça para longe do ombro da diva e a morena se reclinou contra o seu corpo.
– Não. Eu só tenho uma ex-namorada. Kim é minha assistente e, ironicamente, a maior fã de Rachel. Ela é estranhamente protetora. — Ela explicou envolvendo Rachel em seus braços. — Ela até me ameaçou silenciosamente na primeira manhã em que estivemos juntas.
Rachel sorriu, divertida.
– Ela fez isso?
– Yep. Ela estava com medo de que você fosse apenas mais uma daquelas... qual era a palavra que você usou... prostitutas? — Rachel revirou os olhos. — Ela ficou emocionada ao descobrir que as coisas eram diferentes com você.
– Eu pensei que ela tinha acabado de começar a trabalhar para você. Como ela sabe sobre sua legião de amantes?
Quinn mordeu os lábios quando ela percebeu que os pais de sua namorada ainda estavam na sala, olhando diretamente para ela atentamente, e à espera de uma explicação sobre a sua 'legião de amantes'.
– Eu te disse. — Ela murmurou no ouvido de Rachel. — Eu acabei criando um pouco de reputação. Você não pode ter uma reputação ao menos que as pessoas saibam sobre as coisas.
– Então você está dizendo que é do conhecimento comum que você tem o hábito de dormir com todas as suas modelos?
Obviamente Rachel não tinha problemas com a divulgação dos detalhes na frente de seus pais, mas Quinn ainda se sentia desconfortável com os olhares intensos dos homens e ela soltou uma respiração lenta.
– Vamos realmente falar disso agora?
– Sim. — Todos os três Berry's responderam em uníssono.
– Que diabos, ok... uma hora isso vai vir a tona de qualquer jeito. Eu aproveitei a minha vida de solteira. — Ela explicou secamente aos homens antes de retornar diretamente à pergunta de Rachel. Eles não precisam saber os detalhes. Não era realmente assunto deles de qualquer maneira. Ela foi fiel a Rachel e isso era tudo que importava. — Isso não foi segredo. Há mais pessoas que trabalham em um estúdio do que apenas as modelos e os fotógrafos, você sabe. E todos eles gostam de fofocar. Mas eu não iria tão longe a ponto de dizer que era do conhecimento comum. Agora podemos, por favor, mudar o tópico , ou voltar para o original?
– Que era?
– Quando é que vamos decidir levar nosso relacionamento a público.
– Eu já lhe disse a minha resposta para isso no caminho para cá. Tenho toda a intenção de passear por Nova York segurando a sua mão. Eu não quero fazer o que a maioria das pessoas fazem publicar um anúncio formal sobre o assunto. Eu só quero que sejamos nós e que as pessoas descubram ao longo do caminho.
Quinn beijou o rosto de Rachel e segurou-a com mais força.
– É por isso que eu te amo. Bem, essa é uma das muitas, muitas razões. Mas você tem certeza que você está pronta para qualquer reação?
– Ela tem um ponto. — Kevin adicionado.
– Eu sei, mas se eu olhar dessa forma. Ou eu vou esconder quem eu sou por medo, ou eu estou indo para lidar com o que vier, porque eu estou apaixonada por uma mulher. Gostaria muito de lidar com os idiotas de mente fechada do que agir por vergonha de ser quem sou e de amar quem eu amo. Se isso danificar a minha carreira, que assim seja. Fui uma estrela na Broadway, ganhei meus prêmios. Vivi essa parte dos meus sonhos. Estou pronta para ter alguns outros agora.
Quinn amava Rachel por tudo o que ela disse, mas ela também estava com medo por ela também. Ela só ficava esperando que elas estivessem se preparando para o pior, não apenas para o inevitável. Os tempos tinham mudado e era de Nova York que estava falando. As coisas lá eram muito mais aceitas do que em Ohio.

~ / ~ / ~ / ~

Kevin ainda acreditava que não haveria nada de errado em pedir a Quinn, mas ele sabia que ia ser emocional. Ele começou a temer a sua decisão enquanto secretamente assistia como sua filha aconchegava-se na loira no sofá enquanto assistiam TV. Elas estavam tranquilas e ele provavelmente iria quebrar aquela tranquilidade noturna.
– Hey meninas. Posso roubar Rachel por um minuto?
Sem hesitar, a diva bicou sua namorada na bochecha, largou a xícara de chá, e levantou-se do sofá. Quinn aproveitou a ausência da diva e imediatamente esticou as pernas por todo o comprimento do sofá.
– O que é isso, papai?
Kevin fez sinal para que ela fosse com ele pelo corredor até o escritório.
– Eu preciso falar com você. Quero a sua opinião sobre algo, assim como os seus próprios sentimentos sobre o tema.
Rachel sentou-se no escritório mal iluminado. O ambiente era como um casulo, todas as paredes estavam cobertas de estantes de livros, exceto onde o par de grandes poltronas confortáveis estava encostada contra a parede que separava o escritório da sala de estar e a única janela que agora exibia o preto da noite. A diva olhava enquanto Kevin fechava a porta e se servia de um copo de bebida. Ele virou rapidamente e serviu outro.
– Esperando uma grande reação, é?
O homem alto olhou para a filha e lhe ofereceu uma bebida. Ela recusou.
– É sobre o telefonema que tive com Shelby hoje. — O sorriso já nervoso de Rachel caiu ligeiramente. — O que você sabe sobre as conversas que tenho tido com ela? O que seu pai lhe disse?
Rachel deu de ombros e balançou a cabeça enquanto ela desviava os olhos para o tapete cor de vinho.
– Só que ela estava à procura de conselhos sobre como lidar com as dificuldades de criar uma criança adotada. Isso não é certo?
– Isso é certo. — Ele respondeu, tomando o assento ao lado dela e bebericando seu drinque. — Embora, nossas conversas gire na maior parte do tempo em torno de um tema.
– E que tema seria esse?
– Beth começou a perguntar sobre sua mãe biológica.
Toda a atenção de Rachel se voltou para a loira que estava do outro lado da parede atrás dela. A diva virou a cabeça para visualizar onde o sofá seria contra a parede. Ela era apenas um pé longe desta conversa e não tinha ideia de que ela era o tema.
– Quinn.
– Sim, Shelby foi aberta com a Beth sobre as coisas. Obviamente ela sabe que é adotada. Shelby nunca tentou esconder isso dela. Quer dizer, você percebe. Beth não parece em nada com ela, então não havia sentido em tentar esconder. O que a encorajou a dizer Beth que Quinn a amava muito, mas não estava em condições de cuidar dela e mante-la.
– Isso é um eufemismo.
– Sim, bem... eu pensei que qualquer detalhe adicional deveria vir de Quinn se elas fossem manter contato.
Fazia sentido. Isso significaria mais vindo de Quinn. Para Beth ouvir a emoção em sua voz, em vez de Shelby apenas listando os fatos fragmentados que ela sabia, se ela realmente sabia algo além do fato de que Quinn tinha apenas dezesseis anos. Rachel nunca havia mencionado sua expulsão de casa e ela duvidava que Quinn teria feito.
– Ok, mas por que você está me dizendo isso?
Kevin deu um longo gole de sua bebida e recostou-se na cadeira, cruzando as pernas.
– Porque Beth está perguntando sobre sua mãe biológica há meses. Naturalmente, sua curiosidade foi crescendo conforme ela própria foi adquirindo idade. Ela avançou para querer conhecê-la. Seu pai queria que eu falasse com você sobre isso antes mesmo de eu mencionar para Quinn.
– Papai. — Rachel levantou a mão para detê-lo. — Não. Este fim de semana já está cheio de tantas emoções. Essa é a última coisa que Quinn precisa ouvir. Ela planeja conversar com Santana amanhã e quer ver os pais no sábado. É muita coisa.
– Rachel, não é tão simples assim.
A diva se levantou bruscamente, outras emoções inundando sobre ela.
– É muito simples. Podemos agendar isso para aqui daqui há algumas semanas. Dá-lhe um indulto, de algum tempo para cicatrizar todas as feridas que ela reabriu com essa visita.
Kevin lentamente se levantou com a taça segura com firmeza na mão.
– Eu teria sugerido isso, mas Shelby sabe que Quinn está na cidade. Inferno, ela tem que começar logo com isso. Ela queria vir e perguntar a Quinn, mas eu sabia que não era uma boa ideia por muitas, muitas razões .
Sem brincadeira. Não só ela teria pego de surpresa uma Quinn já emocionalmente esgotada, mas teria chateado Rachel de uma maneira extrema. Não só esta mulher negara a Rachel qualquer tipo de conexão, mas manteve um relacionamento com seus pais, ignorando sua existência. Agora ela queria entrar em sua casa, ignorá-la enquanto ela visitava sua família e conversar com sua namorada. Só para Shelby fazer sua filha feliz formando um relacionamento com Quinn. Rachel estava furiosa. Como ela pode ser tão decidida em fornecer a Beth algo que ela negou a própria filha? A resposta era bastante óbvia para a diva. Shelby amava o bebê que ela adotou, não a que ela deu à luz.
– Você queria a minha opinião. Eu dei a você. — Rachel saiu da porta do escritório e correu rapidamente pelas escadas, chamando a atenção indesejada de Quinn.
– Rachel? — A loira jogou os cobertores de cima dela e se moveu em direção à escada, avistando Kevin quando ele caminhou lentamente pelo corredor.
Ela ignorou o olhar de tristeza em seu rosto e só se moveu mais rápido para subir as escadas. Ela alcançou a porta do quarto e bateu nela. Rachel havia trancado a porta.
– Rachel. — Ela bateu na porta. — Sou eu. Deixe-me entrar.
Não houve resposta. Quinn apertou a orelha na porta e ouviu atentamente até que captou o choro distante. Ela balançou a maçaneta de novo, mas ela não iria ceder. Olhando ao redor rapidamente, ela encontrou uma maneira de entrar. O andar de cima consistia de um corredor com o quarto de Rachel no lado direito e o quarto de hóspedes do outro. Diretamente entre os dois existia uma pequena janela que dava para o telhado, que Quinn esperava se estender até ao redor do quarto de Rachel.
A ex-líder de torcida abriu a janela e atirou-se para fora, agradecendo a Deus que ela não tinha medo de altura. Especialmente desde que o telhado era muito mais íngreme do que ela estava esperando. Também não ajudou o fato de que estava escuro, frio, e o vento soprava com entusiasmo. Na pressa ela também não tinha pensado em pegar um casaco ou os seus sapatos.
Até o momento em que ela dobrou a esquina da casa ela não havia considerado a possibilidade das janelas estarem fechadas. Ela amaldiçoou quando tentou abrir a primeira e ela não se mexeu. Ela continuou xingando enquanto fazia lentamente seu caminho para a única outra janela do quarto da diva. Ela estendeu a mão para ela e a levantou. Estava aberta.
– Obrigada. — Ela deslizou para dentro da sala sobre a mesa de Rachel, mas não podia ver a morena em qualquer lugar. — Rachel?
Quinn ouviu um suspiro de surpresa vindo do banheiro e correu para a porta fechada, empurrando-a para abrir lentamente. Rachel estava sentada no chão de ladrilhos com os joelhos puxados até o peito e as lágrimas escorrendo pelo rosto. Quinn caiu de joelhos e segurou-a nos braços.
– Baby, o que há de errado?
– Ela nunca me amou. Ela nunca me quis.
Quinn não precisava perguntar de quem ela estava falando, mas ela ainda estava confuso a respeito de como isso surgiu. Duvidava que Kevin a chamou para no escritório para lhe dizer esse tipo de coisa.
– Shhh. Ela que saiu perdendo e você tem tantas outras pessoas que te amam. — A loira reposicionou-se no chão com as costas pressionadas contra a banheira e enganchou um braço pelas costas de Rachel e outro atrás dos joelhos, puxando-a para o seu colo.
Rachel agarrou-se a Quinn como ela colocou os braços em volta dela e deixou a diva chorar. Não havia mais nada que ela pudesse dizer até que ela soubesse o que estava acontecendo. Ela apenas a abraçou, a beijando na testa, e correndo os dedos pelas mechas escuras, cantarolando músicas aleatórias para tentar acalmá-la. Já havia se passado meia hora antes dos soluços pararem e o único som fosse o cantarolar de Quinn e a respiração pesada de Rachel.
Rachel fungou e limpou a lágrima que desciam pela ponta de seu nariz.
– Como você entrou aqui? Eu tranquei a porta.
– Subi através de sua janela. — Rachel se afastou para olhar o rosto de Quinn, para ver se ela estava falando sério. — Não ache nem por um segundo que uma porta trancada vá me impedir de ficar com você.
A diva bufou uma risada e bateu a cabeça para trás para baixo no ombro de Quinn.
– Você não tem nenhum sapato...
– Eu ouvi você chorar. Não tive tempo.
– Sem casaco...
Ela beijou a testa de Rachel. — Não tive tempo.
Sentaram-se lá por mais alguns minutos de silêncio, antes de Rachel respirar fundo e soltar o ar lentamente.
– Se você tiver a oportunidade, você gostaria de conhecer Beth?
Quinn franziu a testa com a pergunta. Obviamente que tinha algo a ver com a quebra de Rachel sobre Shelby não querendo ela.
– Eu nunca iria fazer com ela o que Shelby fez com você, se é isso que você está perguntando.
– Eu sei que você não vai. Você não é como ela. Você é melhor. Você amava sua filha. Eu era apenas um produto de um trabalho.
– Isso não é verdade. Eu sei que não é verdade. Uma vez que você tiver um bebê que seja seu nos braços, você vai saber isso também. Você tem que amá-los. Para ter aquela pessoa, essa pequena parte de você, crescendo dentro de você... não há maneira de contornar isso. Talvez não tanto quanto ela deveria ter, mas ela te amava.
Rachel hesitou e pensou sobre isso. Talvez ela iria entender quando ela tivesse seus próprios filhos. Ela sabia que era ter essa suposta conexão indefinível entre mãe e filho, mesmo no útero, mas suas experiências com Shelby tinham causado esse questionamento em sua cabeça durante o ensino médio.
– Essa não foi a minha pergunta. Você quer se encontrar com Beth se você tiver a chance? Se ela quiser te conhecer? Se ela quiser saber sobre você?
Quinn respirou fundo e soltou o ar enquanto pensava. Ela realmente não precisava pensar. Ela pensou sobre isso por inúmeras horas desde que ela teve a certeza de que estava grávida.
– Eu faria, mas eu estaria absolutamente aterrorizada com a possibilidade dela me odiar por desistir dela. Que ela achasse que eu não queria ela e ela não quiser me dar uma chance de explicar qualquer coisa.
– Ela não vai ser assim.
– Mas você não sabe sobre isso, não pode dizer com certeza.
Rachel suspirou e sentou-se no colo de Quinn, mas olhou para suas mãos.
– Sim, eu sei. Era sobre isso que Shelby tem falado com o meu pai. Beth foi perguntando sobre você. — Ela encontrou os olhos de Quinn e escovou os fios de cabelos para fora de seu rosto. — E ela quer te conhecer. Eu não sabia se você queria lidar com isso agora, ou esperar até a sua próxima visita, talvez.
Quinn ficou imóvel e reproduziu as palavras de Rachel mais e mais até que a diva se aproximou e fechou a sua boca aberta.
– Eu... eu não sei. Ela... ela quer me ver? — Rachel balançou a cabeça com um pequeno sorriso.
Ela estava feliz por Quinn. E com um pouco de ciúmes de Beth. Ela sabia que não deveria ter, mas não podia evitá-lo. Pelo menos Beth ia ter uma mãe que queria conhecê-la e ter algum tipo de relacionamento com ela.
– Eu...
– Você...?
Quinn começou tirando seu olhar de choque e olhou para Rachel vendo a diva brincar com as mangas de seu suéter gigante. Rachel ainda estava machucada.
– Isso não vai dar certo.
Rachel franziu as sobrancelhas e olhou para Quinn demonstrando sua confusão.
– O que não vai funcionar?
– Eu... eu quero conhecê-la, mas eu não sei se estou pronta. E mesmo que eu estivesse, eu absolutamente precisaria do seu apoio quando eu a conhecesse. Isso iria exigir que você visse Shelby e isso não é justo com você. Eu... eu não sei o que fazer.
– Quinn, é da sua filha que estamos falando. Se você não está pronta, tudo bem. Sempre podemos marcar uma visita para outra hora, mas não recuse a coisa toda só por causa de mim.
– Há um monte de coisas para considerar, baby. Quero conhecê-la, mas eu quero você lá. Mas eu não quero que você...
– Não se importe comigo! — Rachel exclamou quando ela se levantou do chão deixando a loira chocada. — Isto é sobre você e aquela garotinha. Vou fazer o que for preciso, para estar lá para você. Você está sempre se colocando na linha de frente e se machucando por esta relação, e agora é a minha vez. Eu nunca quis colocar você nessa posição, mas você se coloca lá, agora estou fazendo a mesma coisa. — A mandíbula de Quinn balançou por alguns segundos antes de Rachel se ajoelhar na frente dela, dando-lhe um beijo casto. — Se você não está pronta, nós podemos fazer em outra hora. Mas se você estiver, então devemos fazer agora. Estou lá para você. Deixe-me estar lá para você.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.