Notas iniciais
Olá! Nesse capítulo temos uma passagem de tempo bem grandinha, porque me dei conta que já é dia 25 e eu perdi alguns dias nessa brincadeira por razões variadas, de modo que tenho que começar a encaminhar a história para um desfecho. Diferente das histórias mais organizadinhas (e com muitas palavras) no desafio a gente perde um pouco o foco, porque acaba concentrando força no que vai postar no dia especifico e tudo mais. Enfim, só uma breve justificativa pra explicar porque no capítulo anterior o Scorpius era um neném e porque agora ele já tem idade o suficiente para falar :) haha

Conviver com uma doença sem cura era como viver vestindo uma mortalha imaginária. Todo mundo ia morrer de um jeito ou de outro, mas de algum modo, para pessoas como Astoria, a morte parecia mais evidente. Como uma sombra. Um lembrete. E Astoria havia se assustado com isso nos primeiros anos, como era inevitável; saber que algo tão drástico e definitivo estava a sua espreita lhe gerara pesadelos ao longo de toda a sua infância.

No entanto, com o passar do tempo, ela conseguira desenvolver uma relação quase amigável com a constatação de sua morte. Não era como se ela não se importasse ou negligenciasse seu estado. Astoria simplesmente havia concluído que, muito mais do que se opor a vida, a morte a reafirmava. E ela aprendera a sentir – e a adorar — a pulsão da vida martelando dentro de seu peito a cada vez que sentia medo ou dor. Era prova de que ela ainda existia. Todos os sentimentos, bons ou ruins, eram provas (circunstanciais, mas inegáveis) de sua existência. E ela abraçava a todos eles. E todos eles a haviam levado até ali, ao seu vigésimo sétimo aniversário, que começara com uma vozinha estridente que gritava:

— Parabéns, mamãe!

Notas finais
Palavra do dia: mortalha (que caiu tão bem pra história que me vi reescrevendo o capítulo 3x pra ver de qual eu gostava mais).