Notas iniciais
Aqui está o capítulo, como prometido. Desculpem se eu não tiver respondido os comentários, deixei esse aqui programado para o caso de eu mesma não conseguir postá-lo, mas em breve em responderei todos igualmente. Como sou uma pessoa esquecida, prometi que dedicaria o anterior a Demi Mikaelson, pela recomendação maravilhosa, mas não o fiz, então farei nesse aqui. Considere esse capítulo como seu! E claro da Anya Alessa também, porque creio não ter agradecido própriamente a primeira recomendação da fic. Vocês são demais, muito obrigada

— Elijah? – Davina chamou, com a voz ainda sonolenta. Tinha perdido completamente o sono naquela noite, justamente por ver aquele vampiro Original tão perturbado pelos próprios irmãos.

Ela sabia que parte de toda aquela confusão era sua culpa. Sabia que confiar em Klaus para vingar Marcel não era uma boa ideia desde o começo. Sabia que enfiar aquela adaga no coração de Elijah fora um golpe extremamente baixo, mas também sabia que ele tinha facilidade em perdoar e, talvez devesse reconquistar a confiança daquele homem, uma vez que a lealdade dele valeria muito mais que a de Klaus.

— O que você quer? – ele resmungou, do outro lado da cozinha.

Ela ainda não conseguia vê-lo, sua pupila humana não tinha se adaptado a falta de luz, mas de alguma forma soube que ele a olhava fixamente, sem humor ou paciência alguma. Suspirou profundamente. Se não fosse tão poderosa não o encararia naquelas condições, mas sabia que se Elijah cometesse o erro de ataca-la, seria capaz de pará-lo. Seus dedos entrelaçaram frente ao seu corpo, enquanto aguardava que a tênue luz da lua, que invadia a cozinha através da porta de vidro, fosse capaz de causar algum tipo de vislumbre do vampiro.

— Eu perdi o sono e acho que já que nos encontramos aqui, poderíamos conversar – ela respondeu, com cautela.

Depois de certo tempo, Davina notou que Elijah não responderia. De fato, um irritante ruído de sucção surgiu no lugar da voz do original, ele aumentou conforme o tempo passava, deixando a bruxa impaciente. Ela fez um suave movimento com o dedo indicador, acendendo uma vela já quase sem pavio, próxima ao Original.

O suspiro exasperado de Davina soou alto quando ela notou a quantidade de bolsas de sangue espalhadas pelo balcão central da cozinha. Um número próximo a dez, mas ela não parou realmente para conta-las e havia mais uma, próxima de seu fim, nas mãos de Elijah. O queixo dele estava um pouco sujo de sangue e havia alguns respingos em sua camisa branca e em seu peito, pois a camisa estava com alguns botões soltos.

— Algo errado? – ele perguntou, com a voz um pouco embargada e confusa, como se estivesse embriagado de sangue. Ela não sabia se aquilo era realmente possível ou se ele só tentava assustá-la. – O nobre Elijah deixou de ser um vampiro? – Ele abriu os braços e inclinou o tronco ligeiramente para trás quando concluiu a pergunta.

— O nobre Elijah não precisa de uma overdose de sangue – ela respondeu, finalmente encontrando sua voz e a calma que necessitava para aquele momento.

— Eu não estou em uma overdose de sangue, Davina – ele disse, defendendo-se. Endireitou sua postura e soltou sobre o balcão a bolsa com o restante de sangue. Seus olhos estreitaram-se quase de maneira inconsciente. – Talvez eu tenha me privado de sangue por tempo suficiente para me sentir sedento. Talvez eu tenha me rendido as bolsas de sangue para que conseguisse evitar ser domado pelo instinto mais primitivo, predador e cruel que possuo e acabar arrancando sua cabeça.

A bruxa encolheu-se um pouco. Sentiu a ameaça palpável que saia em forma de palavras pelos lábios de Elijah e soube que toda aquela explicação sobre os motivos daquela bagunça não era em vão. Ele ainda guardava mágoas sobre os dois fatos desconfortáveis que ela havia causado.

—Me desculpe por toda a confusão que causei, eu não estava pensando direito quando me aliei a Klaus.

— E quando foi que você notou isto? Quando trouxe Hayley do outro lado ou quando me apunhalou? – disse ele, demonstrando que aquela conversa não teria um caminho fácil para ser escolhido.

— Eu não entendo porque ter trazido Hayley de volta é um problema para você, Elijah. Você a amava.

— Eu estava tentando seguir em frente, Davina. Estou – disse ele, corrigindo-se rapidamente.

Davina notou que ele começava a abotoar os botões da camisa e, finalmente pode ver sua gravata quando ele endireitou o nó em seu pescoço. Sentiu-se profundamente usada por Niklaus, para fins muito menos dignos do que uma simples vingança. Agora ela havia compreendido tudo o que tinha realmente causado ao vampiro. Ela engoliu em seco antes de responder.

— Klaus sabe de tudo, Elijah. Ele sabia que você usaria Katherine como arma, sabia do ritual e deixou que acontecesse. Ele realmente imagina que você não é capaz de mata-lo, por isso permitiu que tudo isso fosse feito sem nenhuma interferência. Ele matou todos os lobisomens usando o seu método e desapareceu com todos os anéis, por precaução – Davina não foi realmente capaz de compreender o motivo de Elijah estar rindo. Mais parecia que ela tinha contado uma piada casual para ele e não revelado tudo o que ela sabia sobre Klaus.

— Ele permitiu que tudo isso foi feito? – perguntou ele, entre risos. – Oh, Davina. Você é realmente uma criança.

— O que? – retorquiu ela, confusa e sentindo uma pontada de irritação.

— Já lhe ocorreu que eu conheço Niklaus há mil anos? Ele não interferiu por medo. Sabia que quando Bonnie estava fazendo o ritual drenava poder de mim e de outros vampiros, o que a fazia ser mais poderosa do que você é agora. Ela seria capaz de mata-lo mais facilmente do que você imagina.

— Mas, de qualquer forma, ele podia ter interferido antes. Quando eu apunhalei você – ela falou rapidamente, dando o primeiro argumento que veio a sua cabeça.

— Com Kol e Rebekah prontos para agir? – Elijah pontuou, deixando Davina sem mais nada a dizer. – Se deseja que eu a perdoe, Davina, mostre-se confiável a mim e terá minha lealdade.

Aquela última frase pareceu quase como uma despedida. Elijah recolheu as bolsas de sangue vazias e as jogou cuidadosamente no lixo. Olhou de relance para Davina e por um segundo sentiu pena da garota. Ela era tão jovem e tão magicamente perdida em um mundo sobrenatural. Fez um sinal negativo com a cabeça e sentiu-se de uma maneira quase paterna.

— Posso confiar em você? – ela perguntou, deixando escapar um tom infantil em sua voz.

— Sou eu quem deveria perguntar isto, não acha? – respondeu ele, sua voz agora era mais suave. – Afinal, é você quem conseguiria fazer eu me afogar no sangue que acabei de tomar.

Ele notou que Davina exibiu um sorriso confiante. Não sabia exatamente o porquê tinha dito aquilo, mas sentiu que deveria confortá-la para que a garota lembrasse a quão poderosa era. Elijah passou por Davina e acarinhou o ombro da bruxa, demonstrando que tinha aceitado, finalmente, a oferta de paz.

Assim que Davina foi incapaz de ouvir os passos de Elijah, ela murmurou palavras em latim, de forma apressada, conjurando um feitiço silenciador. Em seguida, pegou seu celular, que estava escondido em seu pijama e discou um número de outra área. Ela ouviu o celular chamar várias vezes antes de finalmente atender. A voz era séria, dura e parecia carregar centenas de anos de raiva.

— Eu fiz exatamente como disse.

— Já conquistou a confiança de Elijah? – ele respondeu.

— Estou trabalhando nisto – ela falou, olhando exatamente para o local que o vampiro original havia saído. Estava totalmente escuro, de modo que se ele quisesse poderia esconder-se na escuridão e observar, mas jamais seria capaz de ouvi-la. – Você não vai matá-lo, vai?

Ela ouviu uma risada dura e completamente forçada do outro lado da linha.

— Eu não mataria meu próprio sangue, Davina.