Beautiful Lies 2ª temporada
9 Capítulo 9
Notas iniciais
O dia amanheceu com um clima infinitamente pesado e Hayley não soube dizer exatamente o motivo.
Levantou-se de sua cama preguiçosamente e arrastou-se até o banheiro, onde realizou sua higiene matinal, em seguida deixou seu quarto, ainda vestida com o pijama.
Parou instantaneamente quando passava pela biblioteca. Elijah estava ali, sentado no sofá, com uma expressão preocupada e o corpo tenso. Ela passou alguns minutos observando-o, enquanto o vampiro lia um livro adolescente, com os olhos tão focados na leitura que parecia aprecia-la.
A loba mordiscou seu lábio inferior e sorriu sem querer quando notou que, parado daquela maneira, movendo-se apenas para mudar a página do livro, Elijah parecia parte da mobília.
— Bom dia, Hayley – ele cumprimentou, com a voz rouca devido ao longo tempo que passara em silêncio.
— Como soube que eu estava aqui? – ela perguntou, envergonhada.
— Ouvi seu coração – ele esclareceu pacientemente, sem desgrudar os olhos da leitura.
Hayley caminhou alguns passos até o sofá que ele estava sentado. Seu estomago roncava, mas a presença de Elijah era quase capaz de fazê-la esquecer a fome.
— Sério que você está lendo isso? – ela perguntou, num tom crítico, observando o tom azul claro da capa.
Ele fechou o livro e ajeitou-se no sofá, virando seu corpo na direção dela e sorrindo logo em seguida.
— Estava entediado – ele se justificou, depositando o livro na mesa de centro. – O que fez você acordar tão cedo?
— Não sei, que horas são? – ela perguntou, agradecendo mentalmente por conseguir manter uma conversa racional com o vampiro e torceu o nariz quando ele respondeu que ainda era 6 horas da manhã. – Vou comer alguma coisa – avisou, levantando-se em seguida e sentindo seu estomago resmungar.
Ele se levantou alguns segundos depois dela e a seguiu na direção da cozinha. Ela não entendeu completamente o motivo de ele a seguir, mas ficou feliz por poder desfrutar um pouco mais da companhia do vampiro.
— Você não dormiu, não é? – ela perguntou, servindo-se de cereal e colocando um pouco de leite em seu copo.
— Como sabe?
— Eu só sei – ela respondeu, observando os cabelos ligeiramente desgrenhados do vampiro e algumas manchas de sangue em sua camisa social. – O que manteve você acordado?
— Os lobos estão quietos demais – ele respondeu, estreitando os olhos, deixando claro o quão suspeita aquela situação era para ele.
— Metade da matilha foi morta, Elijah. Não me admira que eles estejam quietos – Hayley falou, com um suave tom de desaprovação na voz. – O que houve com sua camisa?
A pergunta queria dizer muito mais do que ela falou. Hayley desejava saber se Elijah tinha se alimentado de humanos, já que nunca o vira fazer algo como aquilo.
— Eu sou um vampiro, Hayley – ele respondeu, parecendo incomodado com a pergunta.
— E eu sou uma lobisomem – disse ela com audácia, levando sua tigela até a pia, local próximo de Elijah, que apoiava-se tranquilamente na geladeira.
— Você não me ouviu fazendo perguntas a cerca de sua boca cheia de sangue quando a encontrei, na outra noite – ele falou, colocando um ponto final naquele assunto. Não sentia-se confortável com a fato de ter que explicar-se para qualquer um que fosse a respeito de seus hábitos alimentares.
Hayley deu de ombros na direção do vampiro, como se não se importasse com o tom cortante que ele tinha usado para terminar o assunto sobre sangue.
— Eu não ouvi você fazendo perguntas a ninguém nesses últimos dias, Elijah – agora ela soava acusatória. Sua sobrancelha bem delineada elevou-se na direção do Original. Ela desviou dele habilidosamente, ameaçando sair da cozinha.
Elijah revirou os olhos, seguindo a lobisomem silenciosamente. Tudo o que ele desejava quando a acompanhou até a cozinha era algum tipo de conversa sóbria e não brigas.
— Hayley – ele chamou, segurando-a firmemente pelo braço. Ela havia esquivado-se até a sala de música e quando virou-se para olhá-lo parecia totalmente indiferente. – Eu não me alimentei de sangue humano. Sei que era isso que queria saber.
— Oh, obrigada por esclarecer isso, Elijah – ela ironizou, com um sorriso completamente falso tomando seus lábios. – Tinha me esquecido que você também pode ler minha mente. Agora me solta.
Hayley começava a sentir-se incomodada com o aperto em seu braço, mas poderia aguentá-lo por mais alguns segundos desde que continuasse tão próxima de Elijah. Tudo nele parecia um imã para seu corpo e seus lábios, apesar de sentir-se furiosa com ele há poucos segundos, agora era capaz de beijá-lo.
Tentou puxar o seu braço do aperto das mãos do vampiro, mas tudo o que conseguiu foi fazer com que ele a puxasse para mais perto.
— Espera... – ele falou, umedecendo lentamente os lábios, sentindo o perfume suave que ela costumava usar, afrouxou a mão que segurava firmemente o braço da lobisomem e olhou para baixo, como se buscasse alguma palavra para justificar o ato de puxá-la para si.
Ele continuou parado na porta da sala de música enquanto ela caminhava na direção do piano de cauda negro que tomava grande parte do salão.
— Nós sempre temos que começar de uma briga? – ele perguntou, com a voz límpida e firme.
— Eu não sei, Elijah. Me diz você. Foi você quem resolveu responder grosseiramente depois de dias me ignorando completamente – ela tinha se virado na direção do Original e parecia completamente enraivecida novamente.
— Eu não devo explicações para você, Hayley – ele falou, usando o mesmo tom que a loba falava, mas ao contrário dela, sua voz era baixa.
Seus olhos cruzaram-se por um segundo mínimo, faiscando como somente os olhos de dois amantes faiscavam. Ele não compreendia porque agia exatamente igual ao adolescente do livro que estivera lendo, sentiu-se patético, mas não estava pronto para engolir seu orgulho.
— É, Elijah. Não deve explicações – ela falou, caminhando cegamente na direção do vampiro. – Não me deve promessas, nem afeição ou consideração.
Elijah já não estava disposto a continuar brigando e pode notar que, intimamente, Hayley também não estava. Tudo o que eles faziam era arrumar motivos para continuar compartilhando a companhia um do outro, mesmo que fosse brigando.
Ele deu um passo à frente e notou que ela não se intimidava com seu poder. Puxou-a pela cintura na sua direção roubou um beijo carregado de desejo. Desejo que estivera lutando para refrear, mas agora, não era mais capaz.
Hayley correspondeu imediatamente, sem tempo para sentir-se surpreendida. Sentia suas línguas massageando-se em conjunto, desesperada e desenfreadamente. Levou suas mãos aos cabelos de Elijah e os puxou bruscamente para trás, separando seus lábios e expondo o pescoço do vampiro, onde beijou luxuriosamente.
Elijah puxou as pernas de Hayley para sua cintura, mantendo a morena elevada do chão e sentindo-a firme contra seu corpo. Desejava-a tanto que mal era capaz de pensar no quão errado aquele ato poderia ser e a quem poderia atingir.
Devolveu os beijos no pescoço, baixando os lábios para o peito da loba, ouvindo-a arfar roucamente. Ele avançou na direção do piano e deitou o corpo de Hayley ali, fazendo uma nota mental que a altura era perfeita para o que viria a seguir.
Ela se sentou, agarrando a camisa de Elijah e abrindo-a de uma forma tão severa que todos os botões se soltaram, voando sem rumo pela sala, enquanto ele retirava a peça de roupa. Hayley sentiu o volume em sua calça tocar sua própria feminilidade coberta e desejou o que estava escondido na roupa social de Elijah.
Ele afastou-se, inicialmente para conseguir pegar algum ar, mas juntamente com o oxigênio, a racionalidade dos pensamentos do vampiro parecereu retornar. Ele observou sua camisa jogada no chão, a porta da sala de música completamente escancarada, Hayley sentada no piano e não pode acreditar que tinha deixado aquela situação chegar naquele ponto.
— O que estamos fazendo? – ele perguntou, mais para si mesmo, mas sua voz ecoou pela sala, fazendo a loba notar que o clima havia desaparecido por completo.
Elijah pegou sua camisa do chão, analisou-a rapidamente e a jogou de qualquer jeito sobre seu ombro, ajudou a loba a descer do piano e notou a carranca que a expressão dela havia se tornado.
— Elijah... – ela sussurrou, sem conseguir atrair a atenção do vampiro novamente para si.
— Desculpe, Hayley. Acho que fomos longe demais – ele falou, olhando fixamente para frente.
— Acho que fomos exatamente onde queremos ir há muito tempo – ela rebateu, passando por ele e parando na frente de Elijah, para que ao menos pudesse olhá-lo.
— Há muito tempo – ele repetiu, esclarecendo subjetivamente que aquilo era algo do passado, sentiu as mãos quentes da híbrida em seu peito e finalmente baixou os olhos para ela.
— Sabe que deseja tanto quanto eu. Eu sei que você sabe, eu vi – ela falou, sua voz era suave e paciente, como se quisesse convencê-lo de algo.
Elijah sorriu de uma forma mínima, observando as mãos de Hayley em seu peito e sentiu que por educação, deveria cobri-la com sua camisa e assim o fez. Desviando da moça e subindo para o próprio quarto, com a mente focada em um longo banho frio.
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