Beautiful Lies 2ª temporada
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Katherine aguardava impacientemente dentro de um 4x4 de vidros completamente negros. Os Originais e, particularmente Elijah, tinham se mostrado pouco inclinados a esquecerem o que ela havia feito no passado e, portanto, o mais velho não permitiu que ela tivesse acesso a qualquer pedra lápis-lazúli. O que retirava o privilégio de andar no sol.
Ele tinha dado ordens expressas aos mais novos para destruir o adereço pré-existente e certificou-se que de que ela não receberia outro tão fácil.
A vampira passou uma mecha de seu cabelo cacheado para trás das orelhas e, olhando no retrovisor, endireitou a posição de seus óculos escuros. Estava insegura, sabia que corria um risco tremendo, não poderia vacilar ou criar alguma situação que a desfavoreceria.
Do outro lado daquele campo aberto em que estacionou o próprio carro, ela avistou um modelo jeep. Apesar de estar a bons 10km de distância, a luz do horizonte não ofuscava sua cor negra, apenas a impedia de ver quem realmente conduzia o veículo.
Klaus estava impaciente. Dirigiu em alta velocidade por grande parte da estrada para fora de Mística Falls e apesar de ter sido ele quem sugeriu o local de encontro, julgava-o afastado demais.
Acelerou ainda mais quando fez a última curva e seu carro penetrou um gigantesco campo aberto, onde predominava a cor amarelada de um capim seco. Já podia avistar o único carro além do próprio, no horizonte e aproximava-se mais a cada segundo, até o momento em que a distância entre eles era de poucos metros.
Deixou o veículo levando consigo uma delicada caixa de veludo, que pretendia entregar para Katherine, caso o rumo daquele encontro tomasse a direção desejada por ele. A porta do passageiro estava destrancada e ele entrou rapidamente, tentando evitar que a luz do sol tocasse a pele vulnerável da vampira no banco ao lado.
—Olá, Katherine. Há quanto tempo não nos vemos? — perguntou ele, olhando fixamente para frente. — Oh, é claro. Desde o dia que trocou minha aliança pela de meu irmão.
Katherine encolheu-se um pouco. A voz de Klaus era calma e controlada, mas ela sabia que ele desejava deixar claro o quão a par da história estava.
— Eu sempre escolhi o lado vencedor. E é por isto que estou aqui — respondeu, usando o toque de bajulação que sabia que Niklaus ansiava por ouvir.
O hibrido virou na direção da moça, com um sorriso de canto e um olhar firme. Ele já esperava ouvir aquele tipo de justificativa, mas não podia negar que aquilo agradou seus ouvidos, tão necessitados de alguma atenção.
— Eu imagino que esteja desesperada por algo parecido a isto — afirmou, abrindo a pequena caixa e expondo uma pulseira de cor prata e com várias pedras lápis-lazúli enfeitiçadas o suficiente para permitirem que Katherine pudesse voltar a sentir o calor do sol.
Ela ficou boquiaberta por alguns segundos e sua primeira e mais reação foi de tentar retirar o pequeno objeto das mãos de Klaus, mas ele foi insanamente mais rápido, fechando a caixa e retirando a do alcance dos dedos delicados e desesperados de Katherine com uma gargalhada sincera.
— Você é tão previsível, Katherine -riu se, enxugando uma lagrima do canto de seu olho esquerdo e perecendo com a feição de quem está prestes a rir. – Vamos tratar de negócios primeiro, sim?
Ela acenou positivamente com a cabeça, engolindo a seco em seguida. Pensou ter vacilado por um segundo quando tentou roubar um objeto que Klaus havia prometido, mas o desespero do híbrido por uma nova aliança era tão nítido que ele resolveu simplesmente ignorar. Ela franziu os lábios, visivelmente descontente com sua posição submissa e falou lenta e claramente:
— O que você quer que eu faça?
Ele sorriu de uma forma misteriosa e levou a mão ao bolso interno de sua jaqueta de couro, retirando dela um envelope branco, sem nenhuma escrita do lado de fora. Katherine encarou o papel e elevou uma sobrancelha inquisitiva.
— O que eu quero, é que você entregue este envelope, casualmente e sem ser notada, para a senhorita Gilbert – disse ele, num tom sombrio, ainda sustentando o sorriso. Ele entregou o envelope para Katherine com cuidado. – Faça isto e se tudo correr como planejo, ganhará sua pulseira.
— Mas isto não me dará liberdade imediata, eu imagino – disse Katherine, guardando o envelope em sua bolsa.
— Oh, love, é claro que não – ele apontou o óbvio. – Certifique-se de comparecer vestida exatamente como Elena.
***
Ele estava finalmente de volta a mansão, já era noite e ainda tinha pessoas trabalhando na decoração da casa. Mystic Falls não era o tipo de cidade que precisava de um motivo para ter festas a rigor, elas simplesmente aconteciam, mas neste caso, Klaus homenageava – ou fingia que homenageava – as famílias fundadoras.
Havia tecidos de ceda pendurados por todo o teto, fixos aos lustres principais e nas janelas. As cores eram variadas, mas sempre nos tons mais claros possíveis. Ele sorriu para aquilo. A decoração estava ficando como o esperado. A escada estava sendo finalizada no mesmo estilo que o teto e na noite do dia seguinte, seu pequeno plano diabólico aconteceria.
— Klaus, nós já terminamos a decoração – disse uma garota de olhos sombriamente pretos. Klaus não a reconheceu, mas sabia que ela tinha sido hipnotizada pela irmã a reconhece-lo quando o visse.
— Então estão dispensados. Esperamos por vocês amanhã à noite – respondeu educadamente, com um sorriso mínimo. A garota acenou sem emoção com a cabeça e fez um sinal para o resto das pessoas que ajudavam na decoração.
Klaus não esperou que eles fossem embora para correr para o andar superior e ir diretamente para o quarto de Hayley. Ele não ouvia os passos, a respiração ou os batimentos cardíacos de Elijah, então supôs que não teria outra chance como aquela. A porta estava entreaberta, ele bateu duas vezes, somente por educação, e entrou sem pedir licença.
A loba estava deitada por cima dos lençóis, usando um pijama de cetim terrivelmente curto que moldava sua silhueta magra de uma forma sexy. Klaus lembrou-se do momento íntimo que tiveram no passado, no qual conceberam Hope. Pensou maldosamente o quanto Elijah desejou ter acesso ao que ele teve com certa facilidade e sorriu inevitavelmente aquele pensamento. Por uma única vez, ele sentia-se melhor do que o irmão.
Hayley lançou ao híbrido um olhar descontente, mas não preocupou-se em esconder-se em baixo da roupa de cama.
— Não precisa parecer tão desapontada por ser eu a entrar em seu quarto e não Elijah, little wolf – ironizou. – Tenho que concordar que a roupa é uma ótima estratégia. Mas ele é bom demais para ser seduzido.
— Eu não vou te dar o gostinho de uma discussão, Klaus – disse ela, sem emoção nenhuma, pegando o controle da televisão e mudando de canal.
— Você não precisa fazer isto, afinal, não foi para discutirmos que eu passei por aqui – ele caminhou alguns passos, desligou a tv manualmente e encostou na parede. – Eu vim aqui para convidar você oficialmente para a festa de amanhã.
— Não, obrigada Hayley respondeu quase imediatamente, notando que o controle da televisão não era capaz de liga-la novamente.
— Se eu fosse você, eu apareceria. Talvez você descubra que o motivo de Elijah estar tão perto e tão longe de você possui nome e endereço.
Tudo o que ele precisava era plantar a semente da dúvida na cabeça da lobisomem, o que parecia ter feito muito bem, obrigada. Ele tornou a ligar a televisão e deixou o quarto a passos curtos, exibindo um sorriso largo assim que Hayley não podia mais ver suas feições.
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