Notas iniciais
Oi pessoal, desculpem a demora pra postar. Eu ando desanimada demais, até mesmo pra postar por aqui. Sorte que a fic já foi escrita até o final hahaha Bom, assuntos pessoais a parte, o que vocês acham de um bonus de dois capítulos seguidos? Talvez eu poste o seguinte amanhã e devo dizer: hentai is coming! Espero que vocês gostem, see ya!

Elena movia-se de um lado para o outro da sala de estar da pensão Salvatore. Tinha pouco mais de uma semana desde quando Elijah tinha desaparecido e ela foi forçada a retornar a Mystic Falls, mais uma vez atrasando seus estudos na faculdade, mas aquilo não era a parte que mais a preocupava.

— Elena, você vai fazer buracos no chão – comentou Stefan, cautelosamente. Se um dia há uma semana, o relacionamento de Elena e Elijah era um segredo, agora tinha se tornado mais do que público.

Ela lançou um olhar lancinante ao vampiro, que ergueu as mãos em rendição e não voltou a falar.

— Klaus está demorando demais – ela criticou.

— Elena, se acalme! Bonnie e Davina estão trabalhando no feitiço localizador. Elas vão encontra-lo. Nós precisamos nos acalmar e entender o que foi isso – disse Caroline, segurando a amiga firmemente pelos ombros.

— Me acalmar? Eu sou a culpada, Caroline! – Elena falou, sentindo as lágrimas tomarem conta de seus olhos. – Se eu não tivesse convencido ele a ir até aquela festa estúpida, nós... Ele nunca seria pego com a guarda baixa!

Ninguém soube o que dizer para consolá-la, uma vez que sabiam que palavras bobas não seriam suficientes.

— Ele é um Original, Elena. Não pode ser morto – Damon começou, calmamente, com um ar quase sábio. – Além do mais, aquela era uma lua cheia, eles viriam atrás de Elijah em busca de vingança e poderiam usar você contra ele. Tem sorte que naquela noite ele estava desatento...

— Desatento? Ele estava bêbado porque eu o convenci a tomar mais tequilas do que um humano seria capaz de aguentar sem entrar em coma, Damon! Pare de me defender.

— Ótimo, então eu digo que você é uma pessoa terrível e deveria substituí-lo naquela mesa de tortura – ele rebateu, visivelmente impaciente com a mania que ela tinha de se martirizar.

— Damon! – Caroline e Stefan censuraram num uníssono. Elena o fitava fixamente, sem nenhuma reação. Ainda processava as palavras duras ditas pelo vampiro.

Resolveu simplesmente ignorá-las e decidiu que estaria na mansão Mikaelson de aquele dia em diante, até o momento em que Elijah fosse encontrado e trazido de volta, completamente curado de qualquer ferimento.

— Elena, escute. Você disse que ouviu barulhos de correntes sendo quebradas e a mulher que liga para você gritou do outro lado da linha. Elijah pode estar livre agora. – Caroline falou, não percebendo que Elena agarrava sua bolsa apressadamente.

— Eu também ouvi o silêncio depois. Isso pode significar muitas coisas, Caroline – a morena rebateu.

— Onde você pensa que vai? – Damon perguntou, barrando a passagem de Elena.

— Vou para a mansão Mikaelson e não tente me impedir, Damon – ela falou, decidida demais, forçando o vampiro a sair de sua frente.

Ela não se preocupou em bater daquela vez. As portas abriram-se com facilidade, não estavam trancadas, não teria motivos para estar. Aquela era uma casa com três vampiros Originais e um adormecido, uma bruxa poderosa e uma lobisomem. Ela não pode deixar de notar o clima fúnebre na mansão, mas ignorou-o, caminhando em direção a sala de música, de onde vinham vozes de uma discussão acalorada.

— Não se importe em bater, Elena – Klaus criticou, com um humor sepulcral.

— Não se apresse em encontrar seu irmão mais velho – ela rebateu, no mesmo tom e humor.

Klaus virou-se para encará-la e seu olhar foi seguido pelo de Rebekah e Hayley, como se não compreendessem o motivo de Elena estar desafiando o híbrido.

— Caso queira saber, eu estou a caminho para resgatar meu irmão – ele esclareceu, com a postura rija e a face lívida de emoções.

— Eu vou com você – Hayley e Elena entoaram juntas unicamente para trocarem olhares raivosos em seguida, causando um sorriso maldoso em Klaus e uma revirada de olhos impaciente de Rebekah.

— Aparentemente, meu nobre irmão tem trabalhado bastante – Klaus falou, sugerindo uma segunda intenção naquela frase e correndo seus olhos azuis maldosos de Elena para Hayley e então continuou – Desculpe desapontá-las, mas quem irá comigo é ninguém mais, ninguém menos que minha irmã.

Hayley tornou a sentar-se no sofá, abraçando os joelhos e evitando olhar para Elena, que tinha cruzado os braços feito uma criança mimada. A loba não conseguia acreditar que teria de dividir a mesma casa, mesmo que por pouco tempo, com Elena. Aquilo era simplesmente demais para ela. Sua concorrente direta e aparente vencedora do amor de Elijah. Se não fosse tão forte, poderia chorar.

Elena acompanhou Niklaus e Rebekah deixarem a mansão, ao passo que Davina e Bonnie desciam para fazer companhia. A vampira não perdeu tempo e logo abraçou a negra.

— Muito obrigada por encontra-lo, Bonnie – ela sussurrou, não queria que ninguém a ouvisse.

— Sabe, se não tivesse convencido Elijah a ir até uma festa estúpida de faculdade, ele jamais teria sido pego – Hayley comentou, fingindo um total desinteresse no que dizia. Elena preferiu simplesmente ignorá-la.

— Davina, onde você está indo? – Bonnie perguntou suavemente, preferindo ignorar o clima que se instaurava entre a loba e a vampira, que pareciam travar uma guerra silenciosa, onde somente seus olhares furiosos e assassinos eram os protagonistas.

— Eu preciso de ar – Davina falou, visivelmente apressada e indisposta a dar explicações. – Volto em pouco tempo, prometo.

***

Ela caminhou em volta do carro que tinha dirigido até os limites da cidade por tantas vezes que começou a sentir-se tonta. Estava ansiosa e temerosa, não sabia exatamente o que faria, só esperava ter poder suficiente para defender-se.

— Olá, little witch. – Uma voz áspera cumprimentou as suas costas e ela virou-se de súbito para olhá-lo. – Depois de todos esses anos, finalmente nos encontramos novamente.

— Eu não posso dizer que é um prazer – ela falou, sentindo o medo esvair-se de seu ser conforme falava. – Você falou que não machucaria Elijah.

— O que eu falei foi que eu não mato meu próprio sangue. Elijah mereceu o que recebeu, ele preferiu a abominação que chama de irmão a sua família de sangue.

— Então eu devo presumir que você também irá torturar Rebekah – ela volveu lentamente.

— O que você deve presumir é que Niklaus será morto – Ele tornou a falar e ela pode sentir a ira que emanava de sua voz penetrando em seus ossos.

***

Como o presumido, o armazém onde Elijah estava sendo mantido prisioneiro estava vazio e parecia estar assim há pelo menos um dia. Klaus olhou com suspeita pelo local, concluindo que só os lobisomens não tinham como estar um passo à frente daquela maneira.

— Sei o que está pensando – Rebekah falou, em resposta aos pensamentos do irmão. – Alguma bruxa?

— Não sei, mas vamos descobrir – respondeu o híbrido, com uma raiva contida na voz.

Ele arrebentou as correntes que mantinham a primeira porta fechada e notou que o local, apesar de velho, era bem mais organizado do que ele imaginou. Tinha vários outros cômodos, adaptados com instrumentos de tortura diversos, tinha que dar os créditos a Francesca. O local ficava há três horas de Mystic Falls, distante o suficiente para despistar um feitiço de localização.

— Esse lugar me dá arrepios – Rebekah comentou, segurando nas mãos um instrumento de tortura medieval, com a ponta perfurante úmida de verbena. Sentiu pena de Elijah. – Nik, você matou os lobisomens da maneira que ele faz, por que?

— Eu estava com raiva, queria afastá-lo de Elena. Sei bem o quão ela é moralista com essas coisas e ela não o conhece – ele falou, evitando o olhar da irmã. — Eu pensei em matá-la, mas acredito que finalmente darei a chance do amor a Elijah. Ele não tem culpa do que aconteceu em Nova Orleans, nenhum de nós temos.

Rebekah exibiu um sorriso discreto, conforme forçava a maçaneta de uma das portas. A única que estava trancada.

— Acho que encontrei – ela falou, arrancando a porta de suas dobradiças sem dificuldade e permitindo que a luz do dia entrasse no Comodo escuro e abafado, sem nenhuma janela. Sentiu os olhos marejarem quando vislumbrou a imagem enfraquecida e acinzentada de Elijah.

Ele estava uma total bagunça. Sua camisa estava em pedaços no chão, tudo o que vestia eram os trapos de sua calça social. Nenhuma ferida aparente, mas sua pele estava enrijecida e quase completamente cinza. Ele estava preso pelos punhos e tornozelos em três correntes diferentes e sua cabeça pendia molemente.

— Oh meu deus, Elijah – ela suspirou tristemente, avançando na direção das correntes e sentindo as mãos queimarem quando as tocou. – Verbena!

Ela lançou um olhar a Niklaus, que ainda estava paralisado pela visão chocante. Em seguida, notou como o punho e a extensão do braço de Elijah estavam profundamente queimados e não se curavam.

— Elijah? – ela chamou, segurando firmemente o rosto do irmão em suas mãos. — Não se preocupe, nós estamos aqui.

Ele abriu os olhos, estavam distantes e incrivelmente frios. Rebekah sentiu os pelos de sua nuca eriçarem-se. Se não soubesse que vampiros velhos não podem desligar seus sentimentos, diria que Elijah tinha feito exatamente aquilo.

— Tempo demais... – ele suspirou.

— Eu sei, eu sei. Nik! Rápido aqui! – Rebekah exigiu e Niklaus pareceu finalmente despertar de seu transe. Ele trocou um olhar rápido com Elijah, seus olhos também estavam marejados, e rapidamente quebrou as correntes, arrancou o equipamento ligado ao pescoço de Elijah e sustentou o peso do irmão, quando este não foi capaz de sustentar-se em pé.

— Me desculpe, irmão – Klaus sussurrou. – Você terá sua vingança.

— Terei – Elijah falou, sentindo-se finalmente melhor, por estar livre. Sentiu seus punhos e tornozelos curarem-se.

— Nós temos bolsas de sangue no carro, vão ajudar você a sentir-se melhor – Rebekah consolou, ajudando Klaus a carregar Elijah até o carro.

— Mikael... Está de volta – ele forçou-se a sussurrar, com certa dificuldade. Sua garganta queimava pela sede e tudo o que ele conseguia pensar era em sangue.

Ela sentou-se nos bancos de trás, junto com seu irmão mais velho e acarinhou seus cabelos conforme ele bebia, quase em desespero, as bolsas de sangue que haviam trazido.

— Eu vou matá-la – Rebekah falou, raivosamente.

— Não – Elijah, censurou, com a voz mais forte e com a cor de sua pele completamente normalizada. Agradeceu com um gesto a ajuda que Rebekah dava, conforme ele vestia a camisa social e a calça que haviam trazido. – Eu irei.

Depois de uma hora de viagem num completo silencio, Klaus foi o primeiro a falar.

— Você tinha dito que Mikael voltou a vida, Elijah. Foi algum tipo de delírio?

— Não, Niklaus – Elijah falou, observando atenciosamente a paisagem da estrada. – Eu o ouvi conversando com Francesca.

— Você não o viu? – perguntou Rebekah, com um raio de esperança cruzando seu peito.

— Não, irmã. Mas todos nós o conhecemos o suficiente para reconhecermos o modo como ele se refere a lobisomens.

— Abominações – Klaus completou, ressentido. – O que faremos?

Elijah suspirou, sabendo que não tinha muito a ser feito além de unirem-se para mata-lo. E foi exatamente o que ele sugeriu.

— Eu não possuo à estaca, Elijah – Klaus confessou, sentindo-se completamente fraco.

— O que quer dizer com isso, Nik? – Rebekah falou, com o desespero surgindo em sua voz. – Como você a perdeu?

— Nova Orleans. Elijah era o preferido, se ele acabou naquela sala de tortura, imagino o que será do resto de nós. De mim – Klaus tornou a falar com o humor sepulcral.

— Está na hora de Kol voltar à vida – Rebekah falou, com os olhos fixos no horizonte da estrada. Subitamente, ela não temeu a reação dos irmãos, ela soube que seria completamente compreendida e que eles concordariam.

Nenhum deles tornou a falar, até a chegada na mansão.

— Eles chegaram! – Elena praticamente gritou, dirigindo-se ao hall. Já era quase noite e ela não poderia esperar nem mais um segundo para vê-lo, mas quando chegou na porta, ela já estava aberta e tudo o que ela viu foi Hayley completamente agarrada a Elijah.

— Eu tive tanto medo, Elijah – ela sussurrava para ele, entre soluços, mas Elena podia ouví-la.

Sua mandíbula contraiu-se e ela quase mordeu a própria língua no processo, cruzou os braços diante do peito.

— Eu sei que teve, mas está tudo bem agora – ele falou, devolvendo o abraço carinhosamente. Aquilo não a agradou, mas sabia que era infantilidade de sua parte tentar chamar atenção para si quando todos, exceto Bonnie, pareciam tão preocupados com Elijah.

Klaus e Rebekah entraram em uma curta fila. O híbrido pousou a mão rapidamente no ombro de Elena e ela compreendeu que ele pedia para que ela o seguisse, uma vez que Rebekah já não estava mais presente. Ela o acompanhou, em silêncio até os fundos da mansão. O jardim era perfeitamente verde, com alguns arbustos carregados de flores coloridas. Havia um pequeno labirinto feito com cerca viva em um canto distante e o final do jardim unia-se com a floresta.

Elena cruzou os braços, sem saber se deveria elogiar a decoração ou permanecer calada. Na dúvida, escolheu a segunda opção.

Klaus retirou um vidro cheio com sangue de Katherine virou-se para olhá-la, esperando que Elijah perdesse mais alguns minutos com Hayley e Rebekah.

— Você sabe o que é isto – ele afirmou, completamente sério. Seus olhos azuis estavam terrivelmente sombrios. – Por um longo tempo planejei usar o plano de meu irmão contra ele mesmo.

— Pensou em transformar Elijah em humano? – ela perguntou, assombrada pela informação que Klaus estava dando e pelo tom lívido de emoções em sua voz. Não conseguia prever o que ele pretendia ou se aquilo era um tipo de ameaça.

— Por muitos anos eu não permiti que ele conduzisse um relacionamento com alguém e desta vez seria a mesma coisa. Eu não pretendia usar isso nele, mas em você, Elena – ele informou, enquanto observava pacientemente uma rosa e seu caule preenchido por espinhos. – Assim ele teria a eternidade para culpar-se quando você desistisse de ficar com ele.

Ela respirou fundo, tentando digerir aquelas palavras, ainda sem compreender se aquilo era um tipo de ameaça ou se Klaus começava a abrir seu coração, por alguma razão escondida no fundo de sua alma, onde poderia haver alguma humanidade. Elena olhou para trás, para saber se estavam realmente sozinhos ou se aquilo era um tipo de armadilha.

Klaus soltou o vidro e observou-o cair no chão rapidamente e espatifar-se em mil pedaços misturados a sangue.

— O que isso significa? – ela perguntou, surpresa pelo ato do híbrido.

— Uma oferta de paz – ele falou. – Meu pai está de volta à vida, isso é algo que Elijah irá lhe contar, mas preciso esclarecer que isto é o que unirá nossas forças.

— E por que eu deveria acreditar no que diz? – Elena falou, com a voz firme – Você matou muitas pessoas que eu amava, Klaus. Não tem nenhum motivo aparente para fazer eu ou meus amigos desistirmos de matar você.

Ele riu suavemente, como se ela tivesse contado uma piada infantil e completamente sem graça.

— Você não entende, doce Elena. Se não nos unirmos, não haverá um Elijah para você amar – ele falou, ficando sério rapidamente. – Ele irá lhe contar quando estiver preparado para isto.

Elena suspirou, sentindo a falta da mão firme de Elijah entrelaçada a sua e de sua figura imponente e segura ao seu lado. Não conhecia o homem parado a sua frente tão bem quanto Elijah, mas tinha uma pequena suspeita de que ele falava a verdade e não poderia suportar perder Elijah mais uma vez.

— Ok, o que eu devo fazer? – ela perguntou, deixando os braços penderem ao lado de seu corpo.

— Reúna seus amigos amanhã, na casa dos Salvatore e certifique-se que eles estejam preparados para receber Kol – ele falou, deixando-a infeliz por saber que o irmão insano voltaria a vida. Klaus observou Elena assentir com a cabeça, de uma forma hesitante e quase pode sorrir para aquilo. – Você irá notar que viver conosco é muito mais difícil do que aparenta, Elena.

— Eu não quero viver com você ou seus dois irmãos problemáticos – ela enfrentou. – Elijah é a parte da família que mais me interessa e, se você tivesse um pouco de noção, perceberia que tudo o que ele quer é a liberdade de viver sem preocupar-se com qual será a próxima insanidade que Klaus fará.

— Cuidado com a língua – ele alertou, fechando a cara na direção de Elena. Detestava ser contestado por uma cópia recém transformada, que mal sabia sobre as complicações da vida sobrenatural.

Mas ela foi incapaz de segurar as palavras. Eram como se elas saíssem por seus lábios descontroladamente. A cada vez que Elena se lembrava do quão hesitante Elijah ficava, por culpa de Niklaus, a respeito da relação e do amor que sentiam um pelo outro, seu coração acelerava-se, bombeando um fluxo de adrenalina e rancor por seu corpo.

— Não, Klaus, talvez seja a hora de você se calar e ouvir. Nenhum de seus irmãos é capaz de dizer isso porque você os empala e os guarda em caixões, como se fossem objetos. Mas, deixe-me contar uma novidade, eles são pessoas. E se você engolisse um pouco de seu ego, ciúme e inveja seria capaz de enxergar que eles amam você. Elijah o ama e sofre com a ideia de ter que mata-lo para solucionar os problemas de família. Rebekah tem tanto medo de perder mais um século em um caixão que concorda com os planos malucos que você arquiteta. Eu vou ajuda-lo e pedir para meus amigos ficarem ao seu lado, não por você, mas para dar a Elijah a chance de ter a vida que ele nunca pode.

Klaus engoliu aquelas palavras duramente, como se elas ficassem presas em sua garganta e descessem fazendo grandes feridas por seu esôfago. Sentiu as lágrimas embaçarem sua visão e lutou contra elas também. Sabia que era verdade. Tudo o que acontecia na família era culpa dele e estava sendo jogado em sua cara por ninguém menos que Elena Gilbert, a pessoa que ele transformou em vampiro para poder ser um híbrido. Sentiu-se um crápula, mas não poderia demonstrar aquilo. Não na frente de Elijah, que os observava, com as pálpebras semicerradas e com o ombro apoiado no batente da porta do jardim.

— Agora eu vejo porque você a escolheu, irmão – Klaus falou, a distância. Caminhando na direção do pequeno labirinto, ao passo que Elijah aproximava-se de Elena.

Ele olhou para baixo, sentindo o cheiro de sangue e observando o vidro estilhaçado.

— Você assumiu um risco grande demais, Elena – ele falou numa voz dura, mas não havia censura ali. – Qualquer um de nós acabaríamos com uma adaga no peito.

— Eu acho que não sou um de vocês – ela falou, olhando firmemente nos olhos de Elijah. – Elijah, eu não gosto do modo como você e Hayley...

— Não se preocupe com isso agora – ele interrompeu, silenciando Elena com um dedo nos lábios dela. – Tenho que ir até lá. Encontro você lá em cima?

Elena assentiu positivamente. Infeliz pelo fato de Elijah sentir-se no dever de consolar o irmão mais novo. Suspirou, ainda olhando fixamente para o Original, com certo desapontamento nos olhos.

Ele alcançou o híbrido num piscar de olhos e foi o loiro quem falou primeiro.

— Você vê seu reflexo nela, não é?

— Sim – Elijah confessou, olhando para trás, a tempo de vê-la caminhando confiantemente para dentro da residência. Ele suspirou profundamente. – Você contou a ela sobre Mikael.

— Ela tem que estar preparada para o que está por vir, Elijah. Não pode colocá-la em uma bola mágica, apesar de desejar isso.

— Obrigado – Elijah falou, polidamente, fazendo Klaus olhar infeliz para ele. Seus olhos azuis eram tão frios quanto gelo.

— Você deveria estar enfurecido comigo por eu ter planejado matar sua namorada, Elijah e não agradecer-me.

— Eu estou cansado de confrontá-lo, irmão. Agradeço por ter mudado de ideia, tenha isso sido motivado ou não por seus próprios interesses, e obrigado por me tirar daquele lugar – Elijah falou, com a voz suave e controlada.

Klaus esticou o braço e tocou o ombro do irmão mais velho, pela primeira vez em muito tempo esquecendo de que ele era o bastardo da família. Sorriu na direção de Elijah e aguardou, pressentindo que Elijah falaria.

— Eu senti o seu cheiro em Hayley, espero que saiba o que está fazendo – o mais velho falou, num tom de quem aconselha.

— Eu sei – Klaus afirmou, confiantemente, apoiando a outra mão no outro lado de Elijah. – Eu quero que saiba que está livre para ir aonde quiser com ela ou com quem desejar.

— O que isso significa? – o Original de terno perguntou, um pouco surpreso pelo ato do irmão mais novo.

— Significa, Elijah, que eu conheço você e sei onde isto vai terminar, se ela aceitar – o híbrido tinha um sorriso malicioso no rosto, que fez com que Elijah se sentisse um pouco envergonhado. – Significa que eu não irei impedir que faça o que deseja, irmão.

— Niklaus... – Elijah ia dizendo, num tom quase devoto, mas Klaus o interrompeu, ainda com aquele sorriso malicioso.

— Diga-me, ela já desejou seu sangue a ponto de quase não conseguir controlar-se? Afinal, qual a melhor maneira de mostrar o quão verdadeiro isso pode ser, se não o desejo recíproco de sangue?

— Niklaus! – dessa vez Elijah o repreendia, mas de uma maneira zombeteira. O irmão havia feito uma pergunta pessoal demais, pelo menos para um casal de vampiros. – Obrigado por isto. Espero que você e Hayley...

— Eu sei – Klaus cortou, voltando a ser o irmão malvado de sempre. – Trate de esclarecer isso para sua namorada e dar logo seu sangue a ela. Não gosto do modo como ela e Hayley parecem disputar pela sua atenção.

Elijah riu, sentindo a presença de Klaus sumir rapidamente, em direção a floresta que unia-se com os jardins de sua casa.