Beautiful Lies 2ª temporada
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Outra lua cheia estava mais do que próxima, o que significava que um mês tinha passado desde quando tinha retornado a Withmore, para um novo semestre. Eu tinha que confessar que sentia mais falta de Elijah do que jamais senti de Damon ou Stefan e aquilo ainda era estranho ao meu coração.
As visitas dele tornaram-se cada vez mais escassas conforme meus períodos de provas vinham e eu mal podia retornar a Mystic Falls. Por vezes, ele me dizia estar resolvendo problemas que apareciam com frequência na cidade, como se ele e Klaus tivessem sido eleitos para prefeitos, ideia que mesmo por ironia, não agradava minha mente.
Eu estava sentada no jardim, fazendo um tipo de piquenique solitário e observando os calouros passarem por mim, felizes por finalmente terem saído de casa e cochichando sobre as festas que estavam por vir. Suspirei profundamente, sentindo-me deslocada.
Meu celular vibrou ferozmente ao meu lado e eu o segurei firme para atende-lo, sentindo meu coração acelerar bobamente quando vi o nome dele na tela, mas quando eu estava ponto de atender, fui interrompida.
— Olá, você é a Elena, não? – perguntou-me uma voz masculina, carregada com algum tipo de emoção sombria que me fez arrepiar, antes mesmo de elevar meus olhos na sua direção.
Cruzei meus braços sobre o peito, guardando o celular em meu bolso da jaqueta e deixando de sentir a vibração por alguns segundos. Assim que o vi, tive a estranha sensação que já o conhecia, fiquei em pé rapidamente e o analisei.
O homem era mais alto do que eu, usava roupas despojadas, era loiro, tinha os olhos azuis estranhamente familiares, bem como o ângulo quadrado de seu queixo.
— Sou eu, no que posso ajudar? – respondi, forçando o máximo a minha simpatia.
— Eu sou Mikael, jornalista local – ele se apresentou, esticando a mão esquerda para mim, eu a apertei com vontade, sentindo meu celular vibrando novamente em meu bolso. – Eu tenho algumas perguntas sobre a família Mikaelson.
Estreitei meus olhos para ele e não pude me sentir mais parecida com Elijah. De fato, uma imagem dele fazendo exatamente o mesmo gesto veio à minha cabeça, eu a afastei lentamente e então falei, com menos simpatia:
— E você veio até mim para saber da família Mikaelson?
— Por favor, caminhe comigo, você entenderá – ele sorriu e algo em minha mente gritou para que eu não confiasse naquele homem. O segui pacientemente pelos jardins da faculdade, no primeiro momento em silêncio, mas depois ele prosseguiu: — Eu estou envolvido com a história do enriquecimento da família há, pelo menos, vinte anos. Todas as vezes que eles mudam de cidade, eu os acompanho.
É claro que se aquele homem estivesse dizendo a verdade, não sabia no que estava se metendo. Vinte anos não era nem a metade do tempo que os Mikaelson eram vampiros e ele julgava-se um expert na família. Resolvi que seria eu quem daria as regras do jogo.
— Vinte anos é muito mais tempo do que eu conheço eles, senhor – falei, mascarando meu cinismo com inocência. – O que o senhor deseja saber de mim?
— É claro, eu realmente gostaria de saber se você observou algum tipo de obra de arte raríssima na casa que eles residem atualmente?
Eu poderia responder sinceramente e dizer que todas as obras de arte que vi pareciam raras e extremamente caras, mas não desejava fazer com que aquele homem se envolvesse ainda mais na história daquela família.
— Como é que você sabe que eu estive na casa deles? – aquela conversa estava tomando um rumo sinistro e eu quase podia me sentir perseguida.
Ele sorriu de uma maneira zombeteira, trincando pequenas rugas ao redor de seus olhos, deu de ombros e me olhou de uma forma inteligente.
— Eu acompanho a família e seria ligeiramente estúpido se não soubesse que você namora com Elijah.
— Talvez devesse perguntar diretamente para ele, então – eu respondi, grosseiramente, me esquivando daquele homem sinistro. De fato, ao consultar meu relógio, notei que meu piquenique havia ultrapassado o tempo de intervalo entre aulas que eu tinha. – Estou atrasa, me desculpe, mas tenho que ir.
Notei em sua mão um anel similar ao de Elijah, quando ele alisou os nós dos dedos, mas convenci a mim mesma que aquilo era minha mente me pregando uma peça. Despedi-me formalmente do jornalista e apressei meus passos na direção do prédio onde eu teria aulas, finalmente atendendo o telefone.
— Elena, por que demorou para atender? – o tom autoritário na voz de Elijah era algo novo e inaceitável para mim.
—Ei, cadê o tom gentil?
— Desculpe – respondeu ele e eu pude sentir um sorriso em sua voz. – O que acha de eu ir até aí amanhã?
Eu demorei para responde-lo. Um garoto, um pouco mais velho do que eu, passou entregando um papel impresso em uma folha cor de rosa, que mostrou-se ser um convite para todas as garotas a fazerem uma lavagem de carros coletiva nos jardins da faculdade, no final de semana, para arrecadar fundos para instituição Withmore para crianças carentes.
— Na verdade, eu acabei de ser convidada para participar de uma lavagem de carros – eu falei, com um sorriso no rosto.
— O que é isto? – ele perguntou educadamente.
— As garotas vão lavar carros nos jardins da faculdade para arrecadar fundos – eu explicar.
— E isto não é uma desculpa para os rapazes observarem vocês de biquíni e short? – ele indagou, seu tom muito parecido com o meu. — Conte comigo.
Observei alguns alunos passarem por mim tagarelando em alto e bom som sobre a próxima aula deles ser a de filosofia.
— Você é demais! – falei – Tenho que ir agora!
Desliguei o celular em seguida e o enfiei em meu bolso, olhando atentamente o panfleto que eu tinha recebido, com um sorriso bobo no rosto. Quase pude imaginar Elijah de terno, no calor de 30 graus – que o noticiário dizia que iria fazer – observando garotas bonitas lavando carros. Decidi naquele momento que talvez eu devesse desestabilizar um pouco toda aquela pose de Elijah e leva-lo para uma festa que eu sabia que aconteceria logo depois do evento dos carros.
Passei grande parte da aula completamente desconcentrada. Minha mente girava em torno dos planos que eu fazia, quase me esqueci por completo daquele homem do jardim. Soube que deveria contar a Elijah exatamente tudo o que ele tinha me dito e deixar que ele analisasse a possibilidade daquilo ser verdade.
***
Sábado amanheceu ensolarado como a meteorologia havia previsto. Elena despertou cedo e mesmo assim, já pode ouvir a movimentação inicial da organização do evento gigantesco que aconteceria a seguir na faculdade.
Caroline e Bonnie já estavam praticamente prontas e pareciam muito mais animadas do que Elena, que acordara com um péssimo humor matinal. A morena caminhou até o banheiro do dormitório, tomou um longo banho e escovou os dentes. Observando seus cabelos castanhos caírem por seus ombros. Vestiu a parte de cima do biquíni e colocou o menor short que encontrou, imaginando a expressão facial de Elijah quando a visse, mas as duas amigas da vampira estavam vestidas de forma semelhante.
— Ansiosa para lavar carros? – Caroline brincou, dando os toques finais em seu cabelo, enquanto Bonnie trocava os brincos, depois de dizer que os antigos não combinavam com seu biquíni azul claro.
— Ansiosa para ver Elijah nessa situação – Elena comentou, divertida, sentindo seu humor melhorar lentamente.
Caroline levantou e pegou do frigobar que partilhava exclusivamente com Elena, duas bolsas de sangue, arremessando a segunda para a amiga, que a pegou ainda no ar, demonstrando sua destreza.
Bonnie havia colocado um feitiço protetor na pequena geladeira, desejando evitar que sua quarta colega de quarto, um tanto curiosa demais, fosse abrir o objeto. De fato, qualquer um que tentasse, não conseguiria.
— Bon, você convidou Jeremy? – Elena perguntou suavemente, enquanto penteava seus cabelos molhados com certa dificuldade.
— Sim, Elena. Espero que ele consiga vir. Você chamou Stefan e Damon?
— Eu chamei Stefan, talvez Damon venha como brinde ou penetra – Caroline respondeu por Elena, checando-se no espelho uma última vez, ao passo que Elena terminava, finalmente de se arrumar.
As três desceram juntas, para o jardim principal da faculdade, que dava para um estacionamento gigantesco, já parcialmente preenchido. Elena assumiu seu posto esperado, aguardando um carro para ser lavado e o mesmo fizeram Caroline e Bonnie, notando que o evento já estava a todo vapor.
— Elena! – a voz de uma moça loira, extremamente bonita soou como um cumprimento e um chamado. Elena virou a cabeça lentamente na direção da voz e sorriu para a colega de quarto, Melyssa. – Venha, temos muito a fazer!
A garota agarrou o braço de Elena e praticamente a arrastou pelo jardim, fazendo com que a morena a ajudasse a checar se tudo estava correndo bem, depois da primeira longa volta em toda a extensão da decoração do evento, Elena notou que um burburinho tinha começado.
— O que está havendo? – ela perguntou para Melyssa, num sussurro e antes que pudesse obter sua resposta, uma caloura histérica veio até elas, perguntando:
— Vocês sabem quem são aqueles dois? – ela não era discreta o suficiente, apontou exatamente para a direção de dois homens parecidos em suas feições, completamente distintos no modo de vestir e com um universo de diferença em suas personalidades. Elena sorriu na direção de um deles, reconhecendo-o de imediato.
Melyssa negou veementemente com a cabeça, focando seus olhos no que se vestia de uma forma mais despojada, com um jeans escuro, uma camiseta de algodão cinza e um colar pendurado no pescoço.
Elena deu um passo na direção dos homens recém chegados, mas foi interrompida pela caloura e pela própria colega de quarto:
— Onde você vai? – as duas disseram ao mesmo tempo e a mais nova completou: — Eu vi primeiro e quero o mais alto.
Elena revirou os olhos impacientemente na direção da garota, sabendo que ela se referia a Elijah e então falou:
— Você vai ciscar em outra freguesia. Melyssa, aqueles dois são Elijah e Klaus, são irmãos.
— Eu bem achei eles parecidos – comentou a loira. – E de onde você conhece eles?
Elena notou uma pequena aglomeração ao redor do caixa, onde você pagava primeiro e entregava seu carro depois. Era notável o fato que homens diferentes e atraentes causavam um tipo de guerra de egos entre as mulheres.
— Elijah é meu namorado – ela falou, orgulhosamente, saindo de perto das duas moças, deixando-as de boca aberta e se aproximando de Elijah rapidamente. – Chegou cedo.
Ele sorriu para ela, beijando-a suavemente.
— O que Klaus faz aqui? – ela perguntou, carrancuda, para Elijah.
— Estou aqui para lavar meu carro, love – ele respondeu, zombeteiramente. – Talvez Caroline esteja interessada em fazê-lo, mas se não estiver eu vejo muitas outras opções ótimas.
Elena fez um gesto negativo para Klaus, esperou que Elijah pagasse o quanto achava justo pela lavagem e pediu para que ele conduzisse o carro até o estacionamento.
— Então, o que achou? – ela perguntou, começando a passar uma esponja cheia de sabão no modelo esportivo do Original.
— Interessante – ele respondeu, observando de uma maneira divertida o ambiente, onde praticamente todas as garotas estavam vestidas exatamente como Elena. – Então sou seu namorado?
Ela corou, travando por um segundo na lavagem do carro, quando notou que ele ouvia o que ela falava para as colegas de faculdade, agradeceu mentalmente por estar de costas para Elijah. Tudo o que conseguiu fazer foi soltar um riso suave e confirmar com a cabeça sem olhá-lo.
— Eu acho que gosto da ideia – ele comentou, de uma forma quase sonhadora, mas sua visão periférica captou uma imagem que atraiu sua atenção, ele vira um homem extremamente parecido com a imagem do pânico e do medo seu e de seus irmãos, mas quando virou sua cabeça na direção, nada estava ali.
Franziu o cenho, aguçando sua audição, mas foi incapaz de captar qualquer coisa que servisse de pista.
— Elijah? – Elena parecia chama-lo repetidamente. – Aconteceu algo?
— Pensei ter visto alguém... Você dizia?
— Eu dizia que depois disso aqui, vamos ter uma festa. O que acha?
Ele analisou o corpo de Elena por um segundo, úmido com a espuma do carro, o short curto o suficiente para que ele visse toda a extensão de suas pernas, seu abdome magro e cintura marcada. Ela passou para o outro lado do carro, ensaboando lentamente e os olhos dele focaram-se por um segundo no movimento dos seios da morena.
Quando Elijah elevou os olhos para ela, notou o sorriso malicioso brincando nos lábios de Elena.
— Hum, não sei quanto a isso, Elena – ele falou, tentando ignorar o fato que sua mente pulava para uma cena muito a diante, que talvez terminasse no dormitório de Elena.
— Vamos, nós podemos nos divertir – ela insistiu de uma maneira pidona, começando a retirar o sabão do veículo.
Ele inspirou profundamente e deixou seus ombros caírem um pouco. Não respondeu de imediato, ponderava sobre a possibilidade de frequentar uma festa universitária e aquela ideia não o agradava. Ópera francesa o agradava. Retirou o paletó, sentindo que a cada meia hora que se passava, um grau da temperatura aumentava.
Mas, por outro lado, queria agradá-la. Sabia que não poderia fugir daquele tipo de evento, se desejasse continuar com Elena, então, dando-se por vencido, ele falou:
— Que tipo de festa?
— A fantasia – ela falou e, ao notar que ele parecia hesitante, completou num murmúrio, que sabia que só ele ouviria – Sobre nossa discussão de beber sangue inocente, tem uma chance de provar que não é tão ruim assim.
— Está tentando me manipular? – ele perguntou, quase divertido, desabotoando a manga de sua camisa e dobrando-a para cima.
— Se é isso que eu preciso para fazer levar você até lá, então acho que estou.
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