Notas iniciais
Ol pessoal, resolvi postar antes pra comemorar a volta de SAVING HOPE!!
Espero que gostem ♥

Hayley ainda observava o caminho que o carro de Elijah havia feito, deixando marcas escuras do pneu queimado pela aceleração repentina. Não fazia a menor ideia do que motivara aquela reação exagerada do Original. Lembrava-se dele de uma maneira completamente diferente. Elegante, gentil, sempre educado e com as emoções sob controle. Ela se perguntava se seu retorno a vida tinha deixado Elijah infeliz de algum modo e, sua mente feminina e desconfiada sugeriu que ele tivesse superado sua morte de uma maneira diferente, encontrando consolo nos braços de outra. Não, não pode ser. Elijah simplesmente não faria isto. Seus pensamentos gritaram em retorno, de certa forma indignados com a possibilidade.

Uma chuva repentina tomou conta da cidade. Onde há segundos atrás havia um céu límpido e azulado, agora estava tomado por uma gigantesca nuvem negra e carregada, que dispensava seu conteúdo sem piedade, encharcando a propriedade dos Mikaelson aceleradamente e escondendo o brilho do sol atrás de sua escuridão.

— Ele vai voltar... Só precisa de um tempo – consolou Rebekah, retornando ao quarto e posicionando-se exatamente atrás da loba.

Hayley virou-se para a vampira e exibiu um sorriso mínimo que sequer tinha vontade de mostrar.

— Ele sempre volta, não é? – respondeu, num tom melancólico que suplicava por conforto.

Rebekah acenou afirmativamente com a cabeça e sorriu de volta para a morena, tentando parecer certa do que afirmava. Mas, sua cabeça estava repleta de preocupações. Havia tempo desde que vira seu irmão mais velho tão emocionalmente instável e não sabia exatamente o que aquilo poderia fazer com sua personalidade.

Apesar de Elijah ser o irmão com temperamento mais brando em relação a vítimas humanas, ela sabia que o gene Mikaelson estava presente em seu corpo e que em um momento de fraqueza como aquele, ele poderia desabrochar e provocar atitudes pouco honrosas por parte do vampiro.

— Eu deveria ir atrás dele. Talvez tudo o que ele precise seja de alguém para ouvir o que ele tenha a dizer – concluiu Rebekah, com os olhos fixos no horizonte.

—Como irá acha-lo? – retorquiu Hayley.

— Eu acho que sei exatamente para onde ele vai – respondeu a loira, estreitando seus belos olhos azuis que com aquela luz pareceram um pouco sombrios.

Rebekah girou a chave na ignição do próprio carro e partiu pela estrada, sentido a saída de Mystic Falls. Ela sabia que o irmão procuraria um lugar quieto para ouvir os próprios pensamentos e sabia qual local ele escolheria. A chuva torrencial atrapalhava a visão da estrada, o para-brisa mexia-se freneticamente de um lado para o outro, a fim de limpar o vidro e clarear a visão, mas todos os esforços do objeto eram em vão. A chuva caia muito mais rápido do que ele era capaz de limpar. A vampira contava unicamente com seus instintos e reflexos apurados para manter o carro no caminho certo.

Ela avistou a placa da cidade e alguns metros à frente o carro de Elijah. Parado, com a porta do motorista aberta. Lamentou-se mentalmente pelo descuido, aquela chuva estragaria toda a parte interna do carro sem dificuldade. Rebekah estacionou e desceu do carro, sentindo os pingos gélidos em seu corpo, correu em direção a floresta e, mais a frente, a clareira.

Ele estava lá, abaixado sobre os próprios joelhos e de costas para qualquer pessoa que viesse da mesma direção de Rebekah.

— Elijah? O que houve? Por que saiu daquele jeito? – ela perguntou, aproximando-se lentamente do irmão mais velho.

Ele se levantou e virou para olhá-la. Carregava no rosto uma expressão desolada que Rebekah não compreendeu. Ela não o via daquela maneira desde o dia em que Hayley fora assassinada e, julgava que a reação do mais velho deveria ser mais branda com o retorno da loba a vida. Mesmo assim, sentiu que precisava abraça-lo e assim o fez, sentindo o corpo pesado do irmão soltar-se sobre ela.

— Ele a trouxe com o propósito de vingança, Bekah – ele falou num tom carregado de mágoas.

— Elijah você não está fazendo sentido – Rebekah informou, suas roupas estavam coladas ao seu corpo e completamente molhadas, de repente era como se a chuva não importasse. – Vingança? Ele a trouxe para que vocês pudessem ficar em paz. Vamos voltar para casa. Está chovendo, seu carro deve estar arruinado da mesma maneira que nossas roupas.

Ele se afastou da irmã alguns passos, mas ainda fitava os olhos azuis e agora confusos de Rebekah. Procurava uma maneira sucinta para explicar tudo o que estava sentindo, de forma que ela fosse capaz de entender. Suas roupas – que não eram realmente suas – estavam arruinadas pela chuva e a sujeira da floresta, mas ele não se importava.

Não poderia suportar a ideia de retornar para casa e observar aquela expressão zombeteira no rosto de Niklaus, não queria ouvir suas palavras ácidas e provocativas. O simples ato de pensar no híbrido deixava o original enfurecido.

— Se eu voltar para aquela casa, eu mato Niklaus e aquela bruxa que julga-se poderosa o suficiente para me desafiar – disse ele, desistindo de tentar expressar o que sentia por Elena.

Pela maneira como a voz se Elijah soou atordoada e carregada de rancor, Rebekah soube que não era sensato insistir naquela parte do assunto. Ele havia ameaçado Davina, uma das poucas bruxas do French Quarter a quem nutria alguma consideração. Rebekah sabia que Elijah considerava a bruxinha uma criança e, se ele foi capaz de esquecer esta consideração, de certo seria capaz de esquecer-se de muitas outras coisas.

— Oh, Elijah. Me desculpe, mas você não matará a fonte de nosso poder – uma voz feminina abafada pela chuva soou na floresta. Elijah virou-se para contemplar os traços asiáticos no rosto de Francesca e alguns de seus irmãos.

Ele lembrou-se do dia em que a família Correa ativou a maldição do lobisomem. No exato dia em que Hayley morreu. Eles o atrasaram e impediram que fosse capaz de proteger a mulher que amava e sua sobrinha.

— Se eu fosse vocês, não ameaçaria Elijah neste momento – alertou Rebekah com indiferença na voz. Não era como se ela se importasse com o bem estar daquela matilha que ela considerava patética, era apenas o fato de preocupar-se com o que viria depois. Mexer com eles seria atrair uma guerra a Mystic Falls.

— Se eu fosse vocês, não cruzaria nosso caminho. Esta semana é lua cheia e eu conheço uma certa pensão, cheia de vampiros vulneráveis ao veneno de lobisomem. Sei que Klaus não estaria disposto a curá-los também – ela falou num tom seguro, uma vez que estivera espionando os passos da família original a tempo suficiente para concluir que Elijah não gostaria de ver nenhuma pessoa machucada.

O vampiro entrelaçou os dedos e observou suas mãos por um momento, com um interesse falso tão bem interpretado que a lobisomem e os outros que a cercavam fitavam-no com suspeita. Elevou os olhos na direção deles e os observou lentamente, um a um. Todos carregavam anéis semelhantes ao seu, mas a pedra era diferente. Negra. A pedra da lua.

Aquele mesmo objeto drenava a força de Niklaus e a concedia ao lobisomem dono do anel, mas só era realmente útil na lua cheia, quando liberava todos os dons sobrenaturais da espécie sem a necessidade da transição. Ele viu ali uma oportunidade melhor do que fazer Niklaus provar do estoque de sangue-cura de Katherine.

Avançou na direção de um dos lobisomens Correa, sem realmente ter um motivo particular por tê-lo escolhido. Segurou o homem firmemente pelo pescoço, apertando o local até notar que o rapaz respirava com dificuldade. Ao olhar mais de perto, ele o reconheceu. Exatamente um dos que tinham impedido que ele fosse salvar Hayley. Elijah sentia-se completamente grato por seu subconsciente armazenar suas memórias e utilizá-las tão bem.

Através de sua visão periférica ele notou que Francesca estava paralisada. Analisando se deveria ou não tomar uma atitude e mandar os outros três homens atacarem e viu Rebekah, com os olhos arregalados para ele.

Frio feito uma geleira, ele agarrou firmemente o dedo médio do lobisomem, onde o anel da lua encaixava-se com perfeição. Estreitou os olhos na direção do homem, que começava a ficar com o rosto avermelhado, e falou num tom baixo e controlado, que mesclava a profunda ira homicida.

—Mão ou coração. Escolha.

— O que? – ele gaguejou de volta, com dificuldade para falar.

— Escolha o que eu devo arrancar – o vampiro repetiu, com um sorriso amável nos lábios.

Aquele pequeno sorriso fez com que Rebekah notasse a real intenção de seu irmão mais velho. Sentiu-se chocada por vê-lo daquela maneira cruel e, pela cor de Francesca, a lobisomem sentia-se da mesma maneira. Ela estava completamente pálida, até mesmo seus lábios tinham perdido a cor. Sua mão estava espalmada ao lado do corpo, num gesto que ordenava aos irmãos que aguardassem.

— M-mão! – o lobisomem respondeu.

Elijah soltou a mão do rapaz e enfiou a própria em seu peito, agarrando o coração ainda pulsante e retirando-o de seu local anatomicamente correto e expondo-o para todos aqueles que quisessem ver. Rebekah fechou os olhos no momento em que o irmão o fez, virou a cabeça para o lado oposto por alguns segundos, enquanto Elijah aproximava-se de Francesca.

— Eu posso entregar uma pequena cesta de corações na porta de sua mansão, se dificultar as coisas – ele falou no mesmo tom de antes. – E todos eles serão de seus irmãos. Quando sobrar só você, sozinha e assustada, saberá que vive de acordo com minha vontade.

Ele soltou o coração morto no chão, aos pés da lobisomem visivelmente alterada pela morte trágica de um de seus irmãos. Elijah ajoelhou-se ao lado do corpo e retirou o anel, guardando-o em seu bolso e planejando seu próximo movimento no jogo que jogaria sozinho.

Quando ele tornou a levantar-se, eles haviam desaparecido pela floresta.

— Você sabe o que acabou de começar aqui? – Rebekah perguntou, num tom sombrio.

— Você sabe que não me importo?