Notas iniciais
Olá pessoal. Notei que o ultimo capítulo não teve muito feedback, o que me deixou confusa. A fic está ficando ruim? Bem, antes de mais nada gostaria que vocês comentassem nesse aqui porque estou colocando uma decisão importante nas mãos de vocês: A fic vai ficar maior do que imaginei, então pensei em dividí-la em temporadas. Pretendo parar daqui alguns capítulos e iniciar uma nova temporada. O que vocês acham disso? Faço outra temporada ou termino a fic de um modo mais resumido? Sintam-se livres pra me mandar MP.

Já era noite quando Elijah finalmente conseguiu chegar a mansão Salvatore. Passara a maior parte do dia cuidando de alguns assuntos que manteriam Elena e Katherine seguras. Apesar de uma ser capaz de se defender e outra estar, temporariamente, vulnerável – respectivamente – ele não podia negar que preocupava-se mais com a vampira.

Algo dizia a ele que Katherine era capaz de cuidar de si mesma através de métodos que Elena jamais seria capaz de utilizar. A cópia mais nova jamais plantaria a semente da discórdia em nenhuma cabeça em benefício próprio, mentiria de maneira vil e egoísta ou mataria algum inocente.

Ele aproximou-se dos jardins da mansão a passos largos, aguçando sua audição unicamente para descobrir que só havia uma pessoa na casa. Esta caminhava lentamente até a varanda e quando ele a viu, agradeceu por ser Elena. Assim sua viagem não teria sido perdida. Sorriu na direção da moça quando seus olhares se cruzaram.

Elena fora pega de surpresa pela presença de Elijah. Ele sorria amavelmente para ela, o que a fez sorrir de volta. Seu coração teve uma arritmia por uns momentos. Ela sentiu seu rosto queimar com o fluxo sanguíneo aumentado pelo embaraço de vê-lo sorrir daquela maneira pela primeira vez. Suspirou profundamente e debruçou-se sobre o parapeito da varanda:

– Elijah! – cumprimentou com a voz levemente embargada pela vergonha e, ao notar aquele fato, pigarreou levemente para consertar aquele pequeno desastre. – Vou abrir a porta para você.

Antes que ela pudesse piscar os olhos, ele estava ao seu lado. Agora um pouco mais sério do que antes, mas seus olhos amendoados denunciavam sua real emoção. Ele estava tão próximo que Elena pode sentir o leve perfume amadeirado que emanava de suas roupas cuidadosamente tratadas. Ela piscou várias vezes, meio que para recobrar sua consciência que já estava longe demais, em devaneios.

– Para que precisamos de porta, não é mesmo? – disse ela, baixando o olhar e escondendo uma mecha de cabelo atrás da orelha.

– Perdoe-me – ele respondeu, interpretando o tom tímido da moça como um tom ofendido. – Não quis invadir sua privacidade.

De fato, não estava nos planos do vampiro Original entrar na mansão Salvatore pela porta da varanda do quarto de Elena. Ele sabia que aquilo não era de bom tom. Uma suave brisa bateu nas costas de Elena, fazendo com que o cheiro fresco de um banho recém tomado inebriasse o olfato de Elijah.

– Oh, não. Não se preocupe! – ela corrigiu seu tom rapidamente. – Entre.

Ela o guiou para dentro do aposento e apressou-se a sentar em sua gigantesca cama queen size, de onde teria uma visão mais ampla de Elijah, que permaneceu em pé, analisando as fotos emolduradas em quadro sobre as penteadeiras.

– Eu vim até aqui para avisar que a matilha de lobisomens já está na cidade. Eles tentaram levar Katerina hoje, o que revelou muito sobre as intenções deles – Elijah falou lentamente, com sua voz suave e cordial praticamente ecoando pelo quarto. Elena suspirou por um longo momento, tudo o que não desejava naquele momento era aquela conversa pesada. – Eles tentarão nos impedir de concluir o feitiço e de matar Niklaus.

Aquele nome soou estranho aos ouvidos de Elena, mas ela soube exatamente de quem Elijah falava. Assentiu com movimentos lentos de sua cabeça e dobrou os joelhos, abraçando-os com os braços.

– Aparentemente, as cópias são como a pedra da lua – ela fez um trocadilho completamente infeliz e irônico que conquistou um sorriso de lado de Elijah, como se ele apreciasse a ironia em seu humor.

– Eu sempre protegerei você, tem minha palavra – ele falou de uma forma séria, olhando-a de uma maneira penetrante que novamente causou uma reação de traição de seu corpo. Ela corou completamente e sentiu seu coração acelerar.

– E você sempre cumpre sua palavra – ela falou, olhando em outra direção e soltando as pernas novamente. – Por que não se senta?

Ele negou a oferta veementemente e continuou em pé, com sua postura elegante e seu perfume tomando conta do quarto ao passo que ele se mexia.

– Klaus não demorará a aparecer. Tudo acontecerá mais rápido do que planejei e...

– Elijah? – ela interrompeu com o máximo de educação que se poderia ter ao interromper uma pessoa que falava. Ele deteve seu discurso imediatamente, pronto para ouvi-la. A ponta de sua língua tocou e umedeceu seu lábio inferior enquanto ele aguardava que ela tornasse a falar: — Podemos não falar sobre isso? Pelo menos não agora.

Elena não pode acreditar no que acabara de sugerir. O assunto que ele viera tratar era de suma importância, mas mesmo assim estava disposta a ignorá-lo, só para que pudesse engatar em uma conversa casual com aquele homem de terno, todo misterioso e sensual. Que se atrevera a entrar pela janela de seu quarto e aproximar-se tanto quando ela jamais imaginou, só para depois desculpar-se com tanta nobreza e educação que ele nem precisou terminar a frase para que ela o perdoasse.

– É claro. – respondeu ele, educado feito sempre. Afrouxou um pouco o nó de sua gravata, como se estivesse disposto a deixar sua formalidade um pouco de lado e sentou-se ao lado da cama de Elena, em uma poltrona. – Onde estão seus amigos?

Ele nunca para de investigar? Pensou Elena, sentindo-se quase incomodada.

– Não sei ao certo, mas pelo menos sei com quem estão. Caroline está com Stefan, Damon deve estar bebendo no Mystic Grill, ele faz isso com bastante frequência, e Bonnie deve estar com Jeremy em algum lugar.

Ele parecia tão interessado em cada palavra que Elena dizia, que ela sentiu-se constrangida.

– Posso fazer uma pergunta? – ela indagou, e quando ele fez um sinal positivo com a cabeça, prosseguiu: — Por que chama Katherine de Katerina?

– Niklaus não lhe presenteou com esta história? – ele respondeu, um pouco amargo. – Ele realmente adora compartilhar minha privacidade. – neste momento seus olhos estreitaram-se, ele tornou a umedecer seus lábios e Elena sentiu-se tonta e hipnotizada por aquele gesto. — Katerina é o nome verdadeiro dela, Elena. Eu a conheci por este nome, quando ela ainda era humana. Devo confessar que de volta naquele tempo, ela era uma mulher completamente diferente do que é hoje....

– E você se apaixonou por ela. – Elena afirmou num tom muito mais agressivo do que pretendia, fazendo com que Elijah a olhasse com uma expressão curiosa.

– Diz isto como se fosse algum crime – ele ponderou, levantando-se lentamente da poltrona em que estivera sentado. Ele foi em direção a janela, pensativo.

Naquele exato momento, Elena soube que de certa forma havia ofendido o vampiro Original que abria-se tranquilamente para ela, contando uma história sobre seu passado. Sentiu-se terrivelmente culpada por seu comportamento infantil e então o seguiu para a janela, tocando levemente o braço dele, para que ele se virasse.

– Desculpe, não quis ofendê-lo – ela murmurou, com a cabeça baixa.

– Não ofendeu. O amor é um sentimento trapaceiro, Elena. Não se escolhe senti-lo e ainda assim, em mil anos, eu só o encontrei três vezes. Katerina era uma mulher diferente do que sua existência como vampira a tornou – respondeu ele, virando-se para olhá-la. Elijah sabia que poucos seriam capazes de compreender o motivo pelo qual apaixonara-se por Katherine no passado, não culpava Elena por julgá-lo. Ele a observou por um momento, enquanto ela unia toda a coragem que restava para olhá-lo nos olhos.

Era incrível o modo como ela o enfeitiçava com um simples olhar. Ele esquecia-se completamente de sua aparência idêntica à de Katherine e tudo o que restava era aquele olhar singelo e intenso. Ela assentiu com a cabeça e esboçou um pequeno sorriso que fez o vampiro pensar que ela compreendia perfeitamente o que ele havia dito. Talvez ele a estivesse encarando por tempo demais, pois pode ouvir as distintas batidas do coração de Elena acelerarem. Desviou o olhar com um sorriso charmoso nos olhos e a ouviu suspirar muito profundamente.

– Por que me olha desta forma? – Elena perguntou num sussurro, quase como se seus lábios tivessem traído suas intenções.

– Eu admiro você, Elena – ele falou honestamente, tornando a olhá-la mas, desta vez, de um modo menos intenso.

Nenhum dos dois haviam notado, mas estavam próximos o suficiente para sentirem suas respectivas respirações. Elena era uma cabeça menor que Elijah e seu pescoço já começava a doer por ela mantê-lo dobrado para que pudesse sustentar o olhar. Ela não sabia o que estava havendo com seu coração, que vez ou outra ameaçava bater tão rápido que poderia pular tranquilamente de seu peito. Sentiu um arrepio quente por seu corpo quando ele baixou a cabeça e praticamente uniu seus narizes.

Elijah ouviu o crepitar de passos dentro da mansão e reconheceu uma voz, que falava sozinha aos sussurros.

– Damon chegou – ele falou, afastando seu rosto do de Elena, pigarreando desconfortavelmente e estreitando os olhos de uma maneira desconfiada e severa. – E está com alguém.

Elena entendeu que aquele rápido clima entre os dois havia sido destruído por ninguém menos do que Damon Salvatore. Não soube se aquilo era um sinal ou se devia amaldiçoar o vampiro por chegar em um momento tão inoportuno. Elijah já estava na porta do quarto, saindo, quando ela lançou um olhar a entrada da mansão e vislumbrou a presença de uma garota que não conhecia.

– Elijah, tem alguém na porta. Uma garota, não a conheço.

Ele se aproximou novamente, perto demais, sentiu o próprio coração perder uma batida e então falou, num sussurro, para Elena:

– Seja o que for, fique aqui. Entendeu? – ela acenou positivamente com a cabeça, fechando os olhos e pressentindo o pior. Enquanto ela mantinha os olhos fechados, sentiu a leve brisa que os movimentos rápidos de um vampiro causavam e soube que ele não estava mais lá.