Beautiful Lies 1ª temporada
3 Capitulo 3
Notas iniciais
A tênue luz da manhã invadiu o quarto de Elena e bateu em suas pálpebras ainda fechadas. Ela esfregou os olhos preguiçosamente e se virou para o lado oposto ao raio de sol, tentando voltar a dormir. Sabia perfeitamente do compromisso inadiável que a aguardava, mas sentia-se mortalmente e inexplicavelmente cansada para uma vampira.
O pensamento sobre o encontro rondava perigosamente sua mente, ameaçando levar com ele todo e qualquer resquício de sono que ela ainda poderia ter e a ameaça logo tornou-se real. Não tinha mais vontade de dormir e apesar da canseira, levantou-se da cama lentamente. Caminhou até a janela e olhou para o céu, observando o tom de azul sem nenhuma nuvem e o sol brilhando conforme nascia.
Não ouviu nenhuma movimentação na casa, o que a levou a concluir que tinha despertado cedo demais, não quis atrapalhar seus amigos e, portanto fora fazer sua higiene matinal e em seguida permitiu-se correr pelo quarteirão da mansão. O exercício físico a ajudava a manter suas faculdades mentais em ordem, bem como sua forma física, apesar de ela duvidar de vampiros engordassem.
Ao retornar a mansão, já era capaz de ouvir os movimentos pela casa. Podia dizer que Caroline e Bonnie, que dividiram um quarto, já estavam acordadas e murmuravam planos para o encontro, caso algo desse errado. Soube também que os irmãos Salvatore já estavam fora da cama, mas evitou ouvir muito mais do que isso e invadir a privacidade deles.
Foi até o porão e capturou uma bolsa de sangue, furando-a com um canudinho para que pudesse se alimentar tranquilamente enquanto relaxava e esperava pelos amigos no sofá. Ela se lembrou do momento em que Klaus divagava sobre a personalidade dos irmãos e ela pode quase ouvir a voz do híbrido enquanto se lembrava:
“Você iria gostar de conhecer meu irmão mais velho, Elena. Tão nobre e leal... Mas talvez a personalidade fútil e impulsiva de minha única irmã a desagradasse...”
No início, ela julgara que Klaus estava se referindo a Finn, mas agora tudo fazia mais sentido em sua cabeça. Aquilo a aliviou quase completamente, uma vez que o homem com quem se encontraria era conhecido por ter um caráter digno. A única coisa que esperava era não ter de encontrar com Rebekah, pois o desafeto acontecera à primeira vista.
– Bom dia – cumprimentou sombriamente Bonnie. – Preparada?
– Na medida do possível – respondeu Elena, sorvendo o ultimo gole de sangue e colocando-se em pé prontamente.
Logo ela pode acompanhar a silhueta de Caroline, Stefan e Damon descendo as escadas em uma fila quase indiana. Eles se dividiram em grupos, para que todos coubessem nos dois carros que os levariam ao local combinado e partiram rapidamente, sem conversar muito ou olharem-se, quase que como se eles o fizessem atrairia algum mal presságio.
A antiga casa da família Lockwood havia sido reformada no ultimo ano de maneira misteriosa, mas agora tudo aquilo fazia sentido. Eles estavam vindo para Mystic Falls em segredo. Tudo aquilo só aguçava ainda mais a sua curiosidade.
Ela desceu do carro de Stefan, sendo seguida por Bonnie e fez um sinal para que os amigos a esperassem naquele local, a mais ou menos 1 km de distância da mansão. Distancia aquela que eles julgaram segura.
– Bom, daqui para frente é comigo. Depois que eu entrar, esperem uns minutos e se aproximem sem fazer barulho, não queremos ser notados, certo? – ela falou quase que em um tom de estratégia militar. – Vocês só irão intervir se a situação parecer fora de controle. Ok?
Eles fizeram um aceno positivo com a cabeça e então ela seguiu correndo para a mansão. Não queria caminhar aquela distancia, seria perder muito tempo. Parou em frente a porta e bateu algumas vezes. A porta abriu-se sozinha e então, ela entrou, notando que a o local estava completamente vazio. Não havia móveis ou quadros na parede.
– Olá? Tem alguém aí? – ela perguntou, caminhando mais alguns passos em direção ao meio da sala.
Ao se afastar da porta, ela fechou-se bruscamente sozinha e ela pode ouvir o barulho da tranca. Virou-se de súbito e correu em direção a mesma, forçando a maçaneta sem sucesso.
– Olá, Elena – cumprimentou Elijah, com sua voz ecoando pelo aposento. Elena virou-se para olhá-lo e contemplou uma visão que excedia suas expectativas.
Ele era um homem alto, mais alto do que ela havia notado, vestia-se elegantemente com ternos de alta costura e tinha um rosto anguloso que combinava perfeitamente com suas feições masculinas que a fazia se lembrar de Klaus, mesmo que distantemente. Seus cabelos estavam penteados perfeitamente em um corte da moda, coisa que ela não esperava de um vampiro tão antigo. Sua feição era quase como se estivesse se divertindo com a situação.
– Você me assustou com esse truque da porta – ela só conseguira dizer aquilo.
– Medo de fantasmas? – ele indagou indiferente. – Meu irmão costuma dizer que um vampiro não é nada sem alguma entrada dramática.
Elena notou que ele arrumou a manga de sua camisa social e o colarinho, afrouxando a gravata. Ele fez um gesto para que ela o seguisse para uma sala ao lado e assim ela fez, andando lentamente, como se estivesse pisando em gelo quebradiço. Havia duas poltronas no outro ambiente, aparentemente de couro e mogno polido e envernizado. Uma lareira sintética, que pouco aquecia, mas muito valorizava, estava acesa ao fundo e uma garrafa de whisky estava sobre uma mesa de centro, entre as duas poltrona.
Um copo estava meio cheio e o outro completamente vazio. Ele fez outro gesto, desta vez para que ela se sentasse e assim ela o fez, sem o questionar ou olhá-lo nos olhos. Ele tomou seu lugar na poltrona da frente e cruzou a perna esquerda sobre a direita.
– Aceita uma bebida? – ele perguntou educadamente e Elena recusou com a cabeça.
– Então, quais são suas intenções em Mystic Falls? E por quanto tempo vocês pretendem ficar? Klaus veio com vocês? – ela desengasgou todas as perguntas que tinha em mente naquele momento e esperou que ele respondesse, mas em vez disso, ele se mexeu na cadeira, pegou seu copo e bebeu um pequeno e rápido gole. Virou a cabeça na direção da lareira e depois novamente para ela.
– Tantas perguntas... Diga-me, você achou realmente que eu não iria notar a presença de seus amigos ao redor de minha casa? – ele falou num tom monótono de sarcasmo. Seu olhar era firme e de desaprovação.
Elena sentiu-se completamente sem chão e uma pontinha de pavor tocou seu corpo, ameaçando tomar conta de todo o seu ser. Sentiu seu coração acelerar e pular em seu peito de uma maneira que ela não pode controlar ou sequer disfarçar. Ela soube que o vampiro a sua frente tinha notado de imediato sua reação, só pelo modo que ele o olhava.
– Tenho completa certeza de que disse para vir sozinha. Então, dou-lhe mais uma chance, Elena. Mande-os embora e então conversaremos.
Ela ponderou por alguns segundos e se colocou em pé. Sabendo que convencer os amigos a deixarem-na sozinha seria praticamente impossível. Saiu da mansão, encontrando primeiro Caroline.
– Uau, isso foi rápido – ela falou inocentemente.
– Caroline, me escute. Ele sabe que vocês estão aqui e vocês precisam ir embora. Ele deixou bem claro de que não falará nada a não ser que eu esteja sozinha.
A loira ficou boquiaberta com a notícia, não esperava tamanha precaução do forasteiro, mas fez rápidas assimilações e então volveu para Elena:
– Não sairemos daqui, não importa o que ele diga, Elena. Não podemos confiar nele.
– Olha, eu não sou nenhum bebê. Sei me cuidar e digo mais. Se aquele vampiro quisesse me matar ele já o teria feito, pois teve não uma, mas duas chances. Então vocês terão de confiar em mim e me deixar sozinha com ele – Elena finalmente desabafou ao passo que o resto do pessoal se agrupava a sua volta. – Não, Damon, não adianta dizer que não vai sair daqui, pois você vai.
Diante aquela situação, não havia muito o que dizer para contradizer o que Elena já tinha decidido.
– Você confia nele a ponto de afirmar que ele não lhe fará mal, Elena? – foi a última coisa que Stefan disse e Elena o interpretou bem. Sabia que a reação do grupo dependeria daquela resposta e não hesitou em dizer:
– Confio.
Ela observou os amigos se retirar, o combinado era que 12h eles voltariam para busca-la e ela aceitou sem discussão.
– Muito bem, Elena – elogiou Elijah, posteriormente, quando retornaram ao cômodo de minutos atrás. – Eu não lhe farei mal, fui sincero quando disse que estou aqui para conversar e então responderei suas perguntas começando pela última delas. Klaus não veio conosco, ele é o motivo de estarmos aqui, em primeiro lugar.
Elena notou uma singela hesitação vinda de Elijah no momento em que ele deveria verbalizar sua real intenção naquela pequena cidade. O vampiro limpou sua face de qualquer expressão e tornou-se impassível.
– Klaus passou dos últimos limites toleráveis e nem mesmo eu sou capaz de perdoá-lo por seus atos. Eu estou aqui para por, definitivamente, um fim em sua vida. E eu preciso de sua ajuda.
Elena fora pega completamente de surpresa. Aquele homem a sua frente dera a notícia mais feliz e desesperadora de sua vida ao mesmo tempo.
– Mas se você o matar irá destruir sua linhagem junto com ele. Não posso consentir com isto.
– Eu tenho um jeito de não levar a linhagem completa de Klaus com ele e para isto preciso de Katerina. Ela será a chave de todo o processo. Sei que ela tomou a cura e por isso preciso de seu sangue, para curá-lo e então o mato.
– Ele é um híbrido... – Elena tentou argumentar, notando a maneira diferente com que Elijah pronunciava o nome de Katherine. Ela ergueu uma sobrancelha para isto, mas logo desfez a expressão de completo estranhamento.
– E eu sou o vampiro mais velho vivo, Elena. Sou um original, mostre-me um pouco de respeito – ele alfinetou, num tom ofendido.
Ela se encolheu na poltrona, pensando que Klaus também era um Original e além de tudo irmão de Elijah. Aquele homem a tinha deixado com muitas perguntas em aberto em sua mente e muitas teorias.
– Mas onde é que eu entro, exatamente, na história?
Ele entrelaçou os dedos e apoiou o cotovelo nos joelhos, falando lentamente em seguida:
– É bem simples, Elena. Minha irmã está atrás de pistas para encontrar Katerina, mas mesmo humana ela sabe como se esconder. Preciso que você convença sua amiga que possui o dom da magia para encontrá-la.
Se tudo o que ela tinha que fazer ela convencer Bonnie a encontrar Katherine, a missão era mais fácil do que ela imaginara.
– Simples assim? – indagou Elena, desconfiada.
– Simples assim. – ele afirmou.
Ela continuou sentada, ponderando sobre o que Elijah propusera e se ele era confiável. Toda aquela missão soava fácil demais para ser verdade, ainda mais quando se relacionava a Klaus.
Ela não conhecia Elijah ou sua irmã e também desconhecia seu caráter.
– O que nós ganhamos se lhe ajudarmos? – ela perguntou de maneira calculista.
– Além de nunca mais terem de se preocupar com Klaus? – ele ironizou. – Os originais restantes serão eu e minha irmã. Nós temos interesses maiores do que esta cidade, portanto não nos encontrará aqui novamente.
– Parece bom demais para ser verdade, desculpe – ela falou sinceramente, num súbito de coragem.
– Eu sou um homem de palavra, Elena. Eu faço uma promessa, eu cumpro a promessa.
Ele voltou a se arrumar na cadeira, aguardando a resposta final de Elena, enquanto a olhava fixamente, como se não acreditasse que aquela garota a sua frente era tão semelhante a Katerina e tão diferente, ao mesmo tempo.
Elena não sabia ao certo o que responder. A proposta era tentadora, mas iria envolver uma de suas melhores amigas e apesar de Katherine não ser mais vampira, ela sabia que aquela mulher sabia se vingar como ninguém. Ela lançou um olhar inquisitivo para Elijah, como se sentasse fazê-lo decidir por ela. Seria mais fácil. Mas ele simplesmente ignorou o olhar.
– Tudo bem, eu aceito. Mas quero ser informada constantemente do andamento de todo esse plano maluco – ela falou, ficando em pé rapidamente em seguida.
– Eu irei procurar você para saber notícias – respondeu ele, também ficando em pé e caminhando educadamente ao lado de Elena até a porta da mansão. Desta vez, ele abriu a porta e liberou a passagem, para que ela pudesse sair e assim Elena o fez, sem olhar para trás, caminhou pelos jardins da mansão até a estrada mais à frente.
Ela admirou, de uma maneira tão secreta que mal admitia para si mesma, a educação e a cordialidade de Elijah. Tais maneiras criavam raízes de algo que poderia ser uma falsa confiança.
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