Beautiful Lies 1ª temporada
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Elijah estava perfeitamente consciente do risco que trazer Katherine para Mystic Falls representava. Ele sabia que aquela notícia não demoraria muito para chegar aos ouvidos de Niklaus e no fundo, contava com que isto fosse suficiente para atrair o híbrido até a cidade.
Ele abriu os olhos lenta e preguiçosamente, despertava com o corpo completamente virado na direção de sua janela. O céu estava livre de nuvens e completamente azul, o sol iluminava os jardins da mansão que havia tomado como casa. Ele virou-se lentamente para o lado oposto e contemplou uma visão completamente inesperada.
– Katerina – ele sussurrou, sentando na cama em um salto. Sua expressão fechou-se em uma carranca. – Que tipo de insolência é esta?
– Ora Elijah, não se faça de tímido – ela respondeu enquanto mordiscava audaciosamente uma maçã. Ele levantou-se prontamente, buscando alguma distância entre os dois. – Eu já te vi em bem menos trajes.
O sorriso que ela carregava no rosto era confiante demais, ele soube que havia alguma coisa que Katherine estava disposta a conseguir.
– Rebekah deixou você entrar aqui? – ele indagou, impaciente.
– Ela sequer me ouviu sair do meu quarto. O lado positivo de mansões recém reformadas é que as portas não fazem barulho.
– O que você quer? Eu não tenho tempo para seus joguinhos. – ele repreendeu severamente.
Katherine atreveu-se a pegar o celular de Elijah, que repousava tranquilamente sobre o criado mudo e observar as últimas ligações perdidas. Ela exibiu um sorriso pretencioso.
– Uau, nada menos do que cinco chamadas perdidas de Elena Gilbert na última hora. Atrasado para um encontro, Elijah? Por acaso você está com saudades dos nossos tempos juntos?
Aquilo já tinha ido longe demais. Elijah decidiu que já era hora de colocar algum limite nas atitudes de Katherine e assim o fez. Ele se aproximou dela e a prensou contra uma parede e apesar de tudo levar para um clima íntimo, a ameaça era o que pairava naquele quarto. A respiração de Katherine tornou-se ofegante.
– Nem por um segundo pense que tem algum poder sobre mim, Katerina. Isto aconteceu há muito tempo atrás.
– Me dê uma simples prova do que o que você diz é verdade, Elijah. Me chame de Katherine. – ela desafiou.
– Eu não tenho nada a provar para você – ele falou lenta e ferinamente, fazendo com que toda a determinação de Katherine encolhesse para o tamanho de uma formiga.
Com certa grosseria, o Original retirou seu celular da mão da mulher e se afastou, retornando as ligações de Elena no momento seguinte e agradecendo por ela não desfrutar mais da audição sobrenatural. Com a mão livre ele indicou o caminho de saída e Katherine o seguiu de má vontade no exato segundo em que Elena atendia.
– Elijah – a voz idêntica à de Katherine soou mais como um suspiro aliviado. – Por que demorou tanto para atender?
– Estive ocupado – ele mentiu, não poderia simplesmente dizer que estivera dormindo mais do que deveria. – O que a fez ligar tão desesperadamente?
– Conseguiu encontrar Katherine? – Elena devolveu.
– Sim.
– Ótimo. Acredito que temos muito o que conversar então. – ela falou. – Posso ir até aí?
Considerando os mais recentes fatos, a presença de Elena naquela casa não seria uma das mais apropriadas decisões. Ele respirou profundamente antes de responder, enquanto pensava em um local mais apropriado para que pudessem conversar.
– Acredito conhecer um lugar mais tranquilo. Passo para te buscar em uma hora.
Elena desligou o celular e o segurou firmemente contra o peito e esboçou um sorriso involuntário enquanto digeria as palavras de Elijah. Caroline passava apressada em direção a cozinha, mas parou de chofre, virando a cabeça lentamente na direção da amiga.
– Falava com algum príncipe no telefone, Elena? – ela perguntou, estreitando os olhos e fazendo com que Elena voltasse si. A morena baixou o celular lentamente e sua expressão tornou-se séria.
– Ele finalmente atendeu. Katherine está com ele e logo ele virá me buscar. Espero que tenha novidades sobre o plano. – ela tentou disfarçar.
Caroline uniu os lábios, mordiscou a parte interna da bochecha e então caminhou na direção da amiga, com aqueles olhos azuis penetrantes, impossíveis de serem enganados.
– Caroline, eu... – Elena já tentava se justificar, antes mesmo de a amiga pronunciar as palavras, mas ela sabia o que viria.
A loira estreitou os olhos e sorriu, aproximando-se ainda mais e abraçando Elena firmemente. Sabia que não poderia sair por aí falando coisas em voz alta – aquela casa tinha ouvidos por todos os lados. Ouvidos Salvatore.
– Sei que ele é charmoso, Elena. Com aqueles ternos caros, elegância e todo educação. Mas não se deixe enganar. Você não o conhece – aconselhou Caroline em um sussurro.
Elena abriu a boca e tornou a fechá-la quando a campainha ressoou pela casa. Seu coração pulou desenfreadamente em seu peito e apesar de sentir uma repentina vontade de correr em direção a porta, estas emoções ela fora capaz de esconder. Sequer entendia porque estava se comportando daquela forma em relação a Elijah. Caroline tinha razão.
– Podemos conversar sobre isto depois, Car? – ela respondeu, olhando a amiga nos olhos e ao ver a afirmativa, virou as costas lentamente, caminhando em direção a porta.
Lá estava ele. Naquele dia específico, Elijah optara por trajes mais casuais, nada de terno e gravata. Ele usava uma calça jeans tingida de um azul escuro, combinadas com tênis feito para trilhas, uma camisa social branca – Elena reparou que pelo menos algo em seu traje era de fato social -, uma jaqueta pesada cuja gola encobria parte de seu pescoço, abotoada até o penúltimo botão de baixo para cima. Ela respirou profundamente e olhou para trás.
– Boa sorte – Caroline falou apenas movendo os lábios. Elena agradeceu também silenciosamente e tornou a olhá-lo.
– Podemos? – indagou ele, elevando uma sobrancelha delicadamente.
Elena o seguiu até o carro, onde ele fizera questão de abrir a porta do passageiro para ela e então os dois dirigiram rumo a saída de Mystic Falls em um silêncio mutuo. Ele reparara que ela vestia-se casualmente como o de costume e durante a pequena viagem evitava olhá-lo. Com a proximidade das florestas e redução da velocidade, a coragem necessária apossou-se de Elena e ela finalmente falou:
– Elijah, eu sei que você tem a boa fama de cumprir sua palavra, mas você deve entender que me soa um pouco estranho o fato de você querer matar seu irmão – ela elevou ambas as sobrancelhas e comprimiu os lábios rapidamente.
O carro reduziu a velocidade até parar completamente. Ele soltou o cinto de segurança e antes de deixar o veículo estacionado respondeu, consternado:
– Eu compreendo, Elena. Deixe-me contar uma parte da história que me guiou até onde estou. De volta a Nova Orleans, após um longo período de guerras e disputas, todos nós achávamos que estávamos seguros – de fato, o nosso limiar de segurança é diferente do de outras pessoas.
“Meu irmão foi capaz de gerar uma criança, que fora cuidada e protegida por mim, Rebekah e o próprio Niklaus durante a gravidez de uma lobisomem conhecida por Hayley. – neste momento Elijah tomou uma longa golfada de ar, como se seus pulmões estivessem necessitando daquilo há dias, e então continuou: Quando chegou o momento de Hayley dar à luz, as bruxas de Nova Orleans interferiram no parto. Tanto eu quanto meus irmãos estávamos incapacitados, devido a pequenas e sorrateiras intromissões realizadas também por elas. Acabou que, no fim do dia, nem a mãe, nem a criança sobreviveram. ”
– Oh meu Deus – Elena conseguiu sussurrar, incrédula pela história em si e pelo fato de ter conhecido Hayley. Ela observou as feições de Elijah e notou que a dor da perda ainda era recente e não completamente superada por ele. Houve um silêncio de mutuo entendimento.
Elena sabia exatamente o que Elijah sentia. O quanto aquela ferida demoraria para ser curada. Ele suspirou outra vez e então continuou:
“Niklaus perdeu completamente as faculdades mentais. Culpou a mim, por ter me apaixonado pela mãe da criança e culpou Rebekah, mesmo sem ter argumentos para tal acusação. Ele caçou e matou cada uma das bruxas, e depois voltou-se a nós. Apunhalou eu e Rebekah e nos manteve em caixões selados por anos. Quando eu finalmente despertei, resolvi que já era hora de por um fim a esta loucura. ”
Elena sentiu uma pontada em seu peito ao final da história. Ela não soube ao certo o motivo daquele sentimento, só limitou-se a senti-lo. Não fazia ideia de que Elijah e Rebekah estiveram desacordados nos últimos anos, mas não duvidou sequer por um segundo das palavras do Original.
Ele a olhou, com os olhos levemente marejados antes de recobrar a expressão normal. Abriu a porta do carro e desembarcou rapidamente, aguardando que Elena fizesse o mesmo e então seguiram pela mata fechada até uma clareira. Por todo o caminho Elijah não tornou a falar.
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