Beautiful Lies 1ª temporada
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Elijah entrou em sua própria casa e não pode sentir um clima mais pesado. Soube naquele exato momento que havia algo errado.
─ Rebekah! – chamou ele, alto o suficiente para que um humano conseguisse ouvir do andar de cima.
Não foi exatamente Rebekah quem surgiu. Ele ostentava uma expressão neutra, que não denunciava exatamente o que passava por seus pensamentos. Elijah estreitou os olhos para o irmão mais novo Niklaus, com certa desconfiança.
─ Vejo que já se curou de seu pequeno incomodo – comentou o híbrido, com um sorriso cínico brotando em seus lábios.
─ Onde está Rebekah, Niklaus? – exigiu Elijah, sem rodeios.
─ Estou aqui, Elijah! – ela anunciou, aparecendo da sala de estar. A loira correu para abraçar seu irmão mais velho e seus corpos chocaram-se com certa violência. – Que bom que está a salvo.
Ela parecia aliviada, Elijah não pode conter um sorriso paternal quando retribuiu o abraço da irmã mais nova. Apesar de trocarem algumas palavras ácidas as vezes, os dois sempre tiveram um ótimo relacionamento fraternal. Se havia um dos irmãos que Elijah confiava era Rebekah. Ele sentiu o perfume cítrico da irmã e acariciou levemente seus cabelos.
─ Que cheiro é esse na sua roupa? – indagou ela num sussurro extremamente baixo e sentiu que Elijah aumentou a pressão do abraço, como um sinal de alerta para o assunto terminar naquela pergunta. Ela se afastou do irmão depois que soube que passaram tempo demais abraçados e que, com certeza, aquele momento havia provocado o mais profundo ciúme em Klaus, que os olhava de um modo frio combinando perfeitamente com o tom de seus olhos.
─ Onde está o Kol? – perguntou Elijah.
─ Empalado em um caixão, como deveria estar – respondeu Klaus com audácia.
─ Como você ousa fazer isto com nosso irmão? – Elijah retorquiu, infeliz. – O que você faz em nossa casa?
─ Oh, Elijah, você sabe como eu adoro quando você toma o controle – Klaus ironizou. – Você sabe tanto quanto eu que Kol seria um problema fora daquele caixão.
─ Não, Niklaus. Isto é o que você acha – protestou Elijah num rugido. Ele apontava o dedo indicador na direção do irmão, havia caminhado por instinto na direção de Klaus e quase podia encostar no peito do híbrido, que olhava na direção do gesto com desdém.
─ Eu vim em paz, Elijah – Klaus respondeu, deixando de lado o tom superior e tentando acertar Elijah em uma ferida que sempre estaria disposta a ser aberta: seu relacionamento com a família e sua capacidade de perdoar. – Eu quero que nós tornemos a ser o que um dia fomos. Always and Forever. Lembra-se daquela promessa?
O mais velho observou a expressão do mais novo cuidadosamente, concluindo internamente que deveria tratar daquele assunto com cautela. Sabia que as promessas de Klaus eram falsas em sua maioria, e que não deveria confiar tão facilmente em uma oferta de perdão por parte do híbrido. Sabia que Klaus nunca perdoava aqueles que considerava inimigos, mesmo que proferisse as palavras. Será que ele nos vê como inimigos? Todo o plano que Elijah estivera arquitetando por tanto tempo sofreu uma rachadura e ele temia que aquela pequena indiscrição comprometesse toda a estrutura. Seus olhos castanhos cruzaram com os da irmã, que estavam ora suplicantes – quando ela o olhava – ora carregados de mágoas – quando olhava para Klaus.
─ Esta promessa nunca significou nada para você. Não o impediu de fazer o que fez em Nova Orleans – Elijah ponderou. – Por que eu deveria acreditar que está interessado em cumpri-la agora?
─ Eu trouxe uma oferta de paz, Elijah – respondeu prontamente o híbrido e, quando Elijah buscou os olhos da irmã para traduzirem o que aquilo significava, ela os desviou.
Klaus esticou a mão para o mesmo lugar de onde saíra e deu a permissão para que alguém entrasse na sala. Quando a primeira pessoa apareceu, Elijah não compreendeu o motivo de Bonnie ser uma oferta de paz. Pensou que, na mais trágica das opções, Klaus manteria a melhor amiga de Elena como cativa, para que uma pagasse pelos crimes da outra, mas então provou-se errado quando Davina a seguiu com uma expressão superior.
─ Davina? Você está viva? E está ajudando Klaus? Irmão, o que isto... – Elijah falou de maneira acelerada devido a surpresa, tantos pensamentos cruzaram sua cabeça que ele fora incapaz de focar em apenas um para tirar conclusões precipitadas, mas de duas coisas ele tinha total certeza: Davina morrera na noite em que o empalou e ela jamais trabalharia para Klaus.
O híbrido interrompeu a fala do irmão elevando um dedo na direção do mesmo e, assim que Elijah se calou, ele exibiu um sorriso triunfante e, então esclareceu:
─ O melhor está no final, irmão.
A última mulher que apareceu na porta da cozinha foi Hayley. Elijah elevou ambas as sobrancelhas e separou os lábios, completamente incrédulo, por um segundo. Pensou estar vendo fantasmas, pois duas mulheres que haviam morrido estavam olhando diretamente para ele. Tentou se recompor, mas ainda estava sem fala. Seus olhos não desgrudavam de Hayley. Sentia-se grato por tê-la mais uma vez e por ter a chance de fazer as coisas certas desta vez, mas seus sentimentos por Elena gritaram em sua cabeça, protestando com o que um dia sentiu por Hayley. A memória fresca dos momentos íntimos com Elena atingiu sua mente em cheio, impedindo que seu cérebro focasse nas memórias que tinha da loba.
Neste momento, ele sequer enxergava qualquer pessoa naquele aposento. Fora traído pela própria condição vampírica e tudo o que sentia estava aumentado. Inclusive suas dúvidas a respeito daquele momento. Sentia-se culpado por trair a memória de Hayley e permitir-se sentir e ser feliz novamente. Mas agora eu sequer tenho uma memória a respeitar. Ela está viva, a poucos passos a minha frente. Seu cérebro sentimental implorava para ele abraça-la, sentir seu corpo quente e esquecer do dia que abraçou seu corpo frio e sem vida, pedia para ele beijá-la mais uma vez e sentir seu corpo, exatamente como fizera com Elena e, ao mesmo tempo condenava-o por desejar essas coisas.
─ Não precisa me agradecer agora, irmão – caçoou Klaus impiedosamente, trazendo Elijah de volta ao mundo físico.
─ Como? – foi tudo o que ele conseguiu dizer, desviando seus olhos de Hayley e seguindo seu lado racional.
─ Muito simples, na verdade. Davina usava um feitiço protetor quando foi até você, supondo que alguém iria interferir da única forma que conseguiria impedi-la. Logo após isso, quando Bonnie estava deixando a cidade, eu a levei comigo e prometi que se ela me ajudasse, eu não machucaria Elena, assim como não machuquei. Então conclui que duas bruxas poderosas poderiam trazer um ente querido do outro lado, para que eu pudesse ajeitar as coisas com meu irmão mais velho e aqui estamos.
─ Enquanto vocês se atualizam, eu preciso descansar um pouco – anunciou Hayley e, só então que a mente de Elijah se convenceu de toda a história. Ela desviou de todas as pessoas rapidamente e subiu os degraus da escada correndo, com a cabeça baixa, visivelmente desapontada pela reação do Original.
─ Eu vou fazer companhia a ela – acrescentou Rebekah, seguindo pelo mesmo caminho da loba.
Elijah dirigiu seu olhar a Bonnie, que evitava a todo custo olhar para Klaus, tinha uma expressão ressentida no rosto e parecia pouco disposta a falar.
─ Obrigada, Bonnie e me desculpe se meu irmão fez algo para te machucar. Você está livre para ir embora agora –disse Elijah educadamente, mas a bruxa limitou-se a acenar bruscamente com a cabeça. Quando ela passava por ele, apressadamente, ele segurou seu braço, impedindo que ela continuasse a caminhada, nem assim ela o olhou. – Por favor, se ainda resta alguma consideração por mim, não conte nada disto para Elena. Quero que ela saiba por mim.
Novamente Bonnie acenou duramente com a cabeça e saiu, carregando uma carranca séria. Elijah não soube se poderia contar com aquilo que havia pedido a bruxa, só esperava que tudo o que fora duramente construído com Elena não acabasse ruindo por uma desconfiança.
Klaus sorria triunfante, olhando sorrateiramente para Davina, que também parecia incrivelmente satisfeita.
─ Não gostou da surpresa, irmão? Você precisava ver sua cara – disse o híbrido, brincando com as palavras.
Elijah avançou na direção do irmão mais novo, agarrando-o pelas roupas e acertando o corpo de Klaus contra a parede fria. Davina fez menção de intervir, mas Niklaus não permitiu. Era quase como se esperasse aquela reação.
─ Como você pode?! Você sabia como me sentia com Elena, não é? Por isso a trouxe de volta. Para infernizar minha existência, assim como tem sido em todo o nosso milênio de vida – vociferou Elijah, desejando por um instante ser o híbrido, para poder devolver a Klaus uma mordida ou duas, carregadas de veneno.
─ Talvez eu soubesse – admitiu o outro. – Agora eu sugiro que você me solte e tome uma decisão, Elijah. Vá explicar-se com Hayley ou volte para os lençóis de Elena. Ou você acha que não posso sentir o perfume doce dela em suas roupas?
─ Você me enjoa – sentenciou Elijah soltando o irmão bruscamente e, talvez neste momento, Klaus teve consciência de seus atos, pois seus olhos tornaram-se momentaneamente humanos. – E você agora é o animal de estimação do meu irmão? O que foi que você se tornou? – Desta vez ele dirigia-se a Davina, mas antes mesmo que ela pudesse responder, ele os deixou, subindo as escadas para dar a Hayley a explicação e o pedido de desculpas que ela merecia.
Uma vez lá, o nobre vampiro original a observou por uns segundos antes de anunciar sua chegada. Ela olhava tristonhamente pela janela que dava para os jardins do fundo e a piscina, Rebekah já não estava mais lá.
─ Hayley? – ele chamou com a voz suave e estranhamente controlada, caminhou alguns passos até ficar lado a lado com ela. – Perdoe minha reação há pouco. Eu simplesmente não esperava que Klaus fosse capaz de trazê-la de volta.
Ela se virou lentamente e fixou seus olhos claros firmemente nos dele, com uma sobrancelha elevada.
─ Sentiu minha falta?
─ Como nunca senti de qualquer outra pessoa... – ele respondeu honestamente e pretendia manter o rumo da conversa com honestidade. – Mas as coisas estão diferentes agora e...
Ele sentiu que ela colocou um dedo em seus lábios, para impedir que ele continuasse falando.
─ Sei que fiquei morta por tempo demais, Elijah. Compreendo que você tenha seguido em frente e superado.
─ Eu sofri por tempo demais. Culpei a mim mesmo pelo o que aconteceu a você e a Hope. Pobre criança – disse ele, com os olhos marejados. Ela derramou algumas lágrimas. – Eu simplesmente não posso...
─ Cale-se por um momento, ok? – ela pediu de uma forma quase rude. Levou suas mãos ao rosto do Original, quase que para ampará-lo. – Não se culpe por erros que não pertencem a você. Eu recebi essa segunda chance e penso que estou aqui para consertar as coisas que precisam ser consertadas. Nós...
Ele afastou o rosto das mãos de Hayley e ela se interrompeu.
─ Eu preciso de tempo. Para pensar em tudo isto, clarear minha mente e me permitir sentir – ele estava de costas para ela, caminhando lentamente na direção da porta. Sabia que não poderia simplesmente envolve-la nos braços e toma-la para si, apesar de desejar fazê-lo.
Ele estava apaixonado por Elena e havia concretizado a paixão naquela mesma manhã. Não era algo que poderia ignorar, não desejava magoar nenhuma das duas. Iria falar com Elena imediatamente e soube que ela compreenderia e poderia aconselhá-lo, talvez também falasse com Rebekah sobre a confusão em sua mente.
─ Elijah?! – Hayley chamou e, assim que ele virou-se para olhá-la, ela o beijou.
Obviamente, o beijo fora correspondido de uma forma urgente, carregada de uma saudade desesperada. Ele sabia o quão errado estava por deixar aquilo acontecer, mas sua mente era incapaz de fazê-lo parar. Suas mãos seguravam firmemente o rosto da loba enquanto ele a beijava mais suavemente, sentindo a textura de sua pele e o calor de seus lábios. Ela respirava ofegantemente no momento em que ele afastou-se alguns milímetros. Seus olhos ainda estavam fechados quando ela sentiu a suave brisa em sua face e soube que ele havia saído apressadamente do quarto.
Hayley cruzou os braços, sentindo-se terrivelmente sozinha. Sentiu falta da filha que não teve a chance de conhecer. Voltou a olhar através da janela de uma forma tristonha e observou o Original entrar no próprio carro, de maneira atordoada e dar partida no veículo de forma brusca, com um ruído alto de derrapagem sendo deixado as suas costas.
Klaus sorria triunfante. Ainda estava ao lado de Davina, no mesmo lugar de antes. Escutara toda a conversa e soube distinguir o beijo que acontecera no andar superior, ainda pode observar om privilégios o quão atordoado o irmão mais velho havia saído da mansão.
A bruxa olhou para ele com incerteza após a saída de Elijah, como se subitamente tivesse notado o quão negativamente afetado ele havia ficado.
Até a próxima temporada pessoal!
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