Beautiful Lies 1ª temporada
20 Capítulo 20
– Elena, fale mais devagar, não conseguimos entender o motivo de ter nos arrastado para fora da festa – Caroline reclamou, notando que a amiga não conseguia ligar uma coisa à outra, suas frases eram simplesmente uma mistura confusa de palavras soltas.
Elena respirou profundamente por repetidas vezes, organizando seus pensamentos ao mesmo tempo em que tentava controlar sua respiração e seus batimentos cardíacos, que ainda estavam acelerados e descompassados. Sentia-se ligeiramente aliviada por ter conseguido abrigar todos os amigos em um lugar seguro, onde Klaus não poderia entrar, mas sua mente estava completamente confusa. Ela elevou os dois dedos indicadores, pedindo um tempo para os amigos, que a olhavam de forma desconfiada.
Ela olhava freneticamente na direção das portas e janelas no primeiro andar da mansão Salvatore, meio que esperando uma aparição épica de Klaus, destruindo as paredes.
Finalmente, cinco minutos depois, ela conseguiu explicar toda a situação com Klaus, ela e Elijah na sala de aula do Mystic Falls High School – omitindo a parte romântica.
– O que?! – Caroline foi a primeira a recuperar a voz e a ser capaz de falar algo. – Klaus está aqui?
Elena acenou afirmativamente com a cabeça, já completamente despentada.
– Nós precisamos sair daqui, Elena. Ele pode destruir a casa, incendiá-la conosco dentro – esclareceu. – Nós sabemos que ele não vai parar.
Todos viraram a cabeça no mesmo segundo quando a maçaneta da porta fora forçada. Alguém do lado de fora tentava insistentemente gira-la, e mesmo trancada com todas as seguranças, não resistiu ao forte empurrão que sofrera. A madeira do batente cedeu, transformando-se em farpas afiadas.
O terno que ele usava estava incrivelmente semelhante a madeira da porta, mas em vez de farpas, completamente rasgado. Seus cabelos despenteados e resquícios de sangue seco em seu queixo. Ele apoiava-se no batente da porta com uma mão e o peso do corpo completamente solto sobre o braço, os ombros curvados para frente. Mas, de toda aquela terrível aparência, o pior estava no pescoço.
Duas feridas visivelmente inflamadas e que ocupavam praticamente toda a extensão do mesmo. Pequenas bolhas de sangue estouravam espontaneamente e eram curadas. Por um segundo toda aquela confusão sumira, mas só para reaparecer ainda pior. Não sangrava, mas tinha um terrível aspecto enegrecido.
Até mesmo Damon pareceu chocado com a aparência de Elijah, ficando ligeiramente boquiaberto e arregalando os maliciosos olhos azuis na direção do Original que estivera de cabeça baixa, taquipneico*.
Ele elevou os olhos e colocou um inexplicável sorriso zombeteiro nos lábios.
– Eu iria apreciar alguma ajuda – disse ele, franzindo o cenho, sentindo uma ferroada em cada lado de seu pescoço.
Elena moveu-se mais rápido do que imaginava e acolheu o peso de Elijah sobre os ombros com certa dificuldade. Mesmo sendo uma vampira, ela não poderia realmente carrega-lo. Ela teve a chance de olhar uma das feridas mais de perto e concluiu que Klaus havia, realmente, feito um grande estrago. Os músculos estavam purulentos e a mostra, de uma forma que deixou a vampira ligeiramente enjoada. Ela ajudou Elijah a sentar-se no sofá e ele pareceu extremamente grato por aquele gesto.
Tanto Kol quanto Rebekah aguardavam aquele momento ansiosamente. Eles também tinham deixado o baile temático mais cedo quando foram alertados de que Klaus estava na cidade. Eles estavam preparados com algumas estacas de madeira comum, feitas de última hora – aquilo não mataria seu meio-irmão, mas poderia atrasá-lo caso todas as outras opções estivessem esgotadas.
Eles tinham preparado a cura em diversos frascos e colocaram os objetos em lugares de fácil acesso e, ao mesmo tempo, não tão óbvios. Tinham esperança de que Klaus não soubesse a ideia toda do plano.
A campainha ressoou por todos os cômodos da mansão e fez com que os irmãos originais trocassem um olhar nervoso. Rebekah respirou profundamente e aguardou. Devido as repetidas traições, ela achou por bem não atender a porta. Klaus estaria furioso demais com ela e se recusaria a enfrentar a situação pacificamente, como haviam planejado.
Então, o vampiro moveu-se, descendo as escadas rapidamente e parando de chofre contra a porta. Lia-se o medo em sua expressão que outrora esteve jovial e despreocupada. Ele segurava a maçaneta firmemente, mas algo havia congelado seus dedos. Agora o barulho era de uma batida firme na madeira da porta.
– Kol, eu consigo ouvir sua respiração e cheirar o seu medo – zombou Klaus, do lado de fora. – Abra logo.
Ambos sabiam que aquilo era apenas uma formalidade. Já que aquela casa pertencia a vampiros, o feitiço que impediria a passagem de Klaus era inexistente. Kol pareceu recobrar a capacidade de mover os dedos e girou a maçaneta no sentido horário, revelando a aparência esfarrapada do híbrido.
– Uau, um furacão passou por você? – brincou Kol, momentaneamente esquecido de toda a tensão que aquele encontro exigira.
A esta altura, Rebekah estava no primeiro andar, alguns passos atrás de Kol, observando o irmão bastardo por cima do ombro do moreno. Klaus estava com uma perna de sua calça jeans completamente rasgada, com a barra desfiada um centímetro a baixo do joelho. Sua camisa de algodão negra de mangas compridas também encontrava-se sem um pedaço da manga. Sua pele pálida estava escurecida por sujeira e sangue seco de feridas já curadas. Por algum motivo, a Original teve esperança de que Klaus estaria fraco demais para uma luta.
O híbrido exibiu um sorriso maldoso, que Rebekah frequentemente observava a réplica perfeita no rosto de Kol. Baixou a cabeça e elevou os olhos na direção dos irmãos.
Talvez não estivesse disposto a agir sem pensar e enfrenta-los naquele momento. Niklaus sabia perfeitamente que Elena tinha avisado os irmãos e eles estariam preparados para uma batalha. Era um híbrido imortal, sabia disto, mas estava ligeiramente fatigado devido ao desentendimento com Elijah e enfrentar dois Originais ao mesmo tempo era insensato.
– Elijah passou por mim – disse ele finalmente, decidindo que não iria agir por impulso e, sim, conduzir aquela situação de uma forma calculista. Ele deu um passo à frente e Kol saiu do caminho mecanicamente ao passo que ele entrava na mansão.
Olhou em volta, procurando por algo que mostrasse que eles estavam armando contra ele.
– O que você fez com Elijah? – exigiu Rebekah.
Klaus virou-se na direção dela lentamente, recostando-se sobre a mesa da entrada, entrelaçando os dedos em frente a barriga. Encarou-a firmemente por um longo momento, com seus olhos azuis firmes nos dela.
– Talvez eu tenha o tenha mordido – respondeu, com o sorriso mais cafajeste que pode.
– Você não muda, não é Nik? – desafiou Rebekah, provocando uma erupção de todo o péssimo temperamento de Klaus, que esqueceu-se de sua decisão de manter a calma.
– Vocês todos merecem o mesmo destino de Elijah, talvez pior! Talvez eu devesse usar aquela estaca de carvalho branco indestrutível contra cada um de vocês. – ele praticamente gritava para os irmãos.
Kol estava com os olhos castanhos focados no irmão, mas o que realmente via era a ambiente, além do irmão. Aquilo era frequente. Sua mente simplesmente desligava de toda a tensão do momento e ele sequer era capaz de ouvir o que se passava. Sabia que Klaus gritava ameaças incansavelmente, mas tudo o que ouviu foi um ruído surdo em seus ouvidos.
– Por que você não cala essa boca? – Kol falou ao despertar de seus devaneios. Seu tom não era amigável e seus olhos tinham um brilho assassino. – Você matou Finn e quando deseja rouba-nos anos, décadas e séculos, mantendo-nos em um caixão e pensa ter algum direito de exigir nossa lealdade?
Klaus encolheu-se, com os olhos marejados fixos no irmão. Rebekah parecia exaltada e aguardava outro movimento para entrar em ação. O híbrido estreitou os olhos, livrando-se de qualquer lágrima que ameaçava escapar e descer por seu rosto. O sentimento de ser traído corria seu peito e sua mente, deixando-o incapaz de pensar direito.
– Você merece menos um século, Kol – ele ameaçou com a voz rouca.
– Chega! Nenhum de nós merece menos ou mais tempo, Nik. Não é você quem irá decidir, não mais – sentenciou Rebekah, sentindo o pequeno frasco com sangue de Katherine em seu bolso traseiro pesar quase uma tonelada. Ela sabia que só teria aquela chance, o elemento surpresa.
Avançou para Klaus tão furiosamente que não notou a falta de movimento por parte de Kol. O híbrido desviou do golpe habilidosamente, acertando um soco certeiro no meio das costas de Rebekah. Ela perdeu o ar por alguns segundos e aquilo fez com que Kol agisse. Klaus estava de costas, rindo superiormente por ter conseguido desviar da irmã, ali estava sua chance. Ele agarrou a estaca improvisada que estava escondida em um grande vaso de flores e acertou Klaus no peito, por trás, segurando-o firmemente enquanto Rebekah tornava a investir. Agora ela tinha o frasco nas mãos e não se importaria se tivesse de fazer Klaus engolir um pouco de vidro. Ela apertou os lábios do híbrido, fazendo com que eles se abrissem. Mesmo com os dentes cerrados, aquilo faria efeito.
─ Se fizerem isso que planejam, nunca irão saber o pequeno presente que trago comigo – ele falou com os dentes firmemente trancados.
─ E por que deveríamos nos importar? – indagou Kol, maliciosamente. Seus olhos cruzaram-se com o de Rebekah, com certa urgência, ela hesitava em enfiar a cura na boca de Klaus com os dentes junto.
Klaus notou aquela hesitação e tentou se desvencilhar dos braços de Kol, mas o esforço fora inútil, uma vez que seu irmão mais novo o segurava firmemente e já aguardava aquele tipo de reação. O vampiro bateu cruelmente na estaca, causando no híbrido uma dor excruciante. O mesmo gemeu audivelmente.
─ Porque Elijah nunca os perdoaria de privá-lo desta surpresa – respondeu, sentindo o suave gosto da vitória.
Kol e Rebekah trocaram um olhar significativo de concessão e ambos soltaram Niklaus ao mesmo tempo. O híbrido retirou a estaca cravada em seu peito com um urro de dor e logo sentiu seu corpo regenerar completamente o ferimento. Ele exibiu uma expressão monótona e abriu os braços.
─ Tenho de parabeniza-los pelo esforço. Sorte a minha estar sempre um passo a frente, se não agora poderia ser um simples lobisomem morto – disse. – Mas, antes de seguirmos para toda aquela história de perdão familiar, eu acredito ter mais uma barbaridade a ser executada.
Rebekah não compreendeu o que o irmão quis dizer e, antes que ela pudesse bolar uma resposta aquele comentário, o híbrido avançou para Kol, retirando uma adaga metálica da parte traseira do cos de sua calça e cravando-a de maneira certeira no coração do vampiro. Era tarde para ela tentar impedir. Klaus apoiava o corpo cada vez mais inerte e cinza de Kol, conforme ia desfalecendo para o estado adormecido que o objeto causava.
─ Agora que nosso problema temperamental está solucionado, podemos ir em frente – disse ele, virando-se para Rebekah, mas com os olhos ainda fixos em Kol.
─ O que foi que você fez? – ela choramingou, com os olhos marejados.
─ Esta adaga deveria estar no peito de Elijah, irmãzinha. Eu imagino que isto a faça mais feliz. Afinal, nosso querido irmão mais velho é o seu preferido, não? – volveu ele, sarcasticamente.
Rebekah nunca pareceu mais desolada. O simples vislumbre do corpo de Kol era o suficiente para fazer lágrimas brotarem em seus olhos. Ela piscou forçadamente por três vezes, tentando fazê-las irem embora ou secarem antes mesmo de caírem. Elevou os olhos para a direção de Klaus, sua raiva era palpável.
─ Elijah nunca perdoará você por fazer isso.
─ E quem disse que eu quero o perdão do Elijah? – retorquiu ele, unindo as sobrancelhas.
Rebekah acenou negativamente com a cabeça, incapaz de acreditar que aquele homem a sua frente era a imagem adulta de um doce menino inocente.
─ Você me lança esses olhares cheios de julgamentos, mas não é melhor do que eu, Rebekah. – ele tornou a falar, aparentemente ofendido. – Você sabe que o temperamento de Kol não é seguro para nenhum de nós.
─ Talvez porque ele tenha uma cópia exata do seu temperamento, Nik – retrucou ela.
*taquipneico: respiração acelerada mesmo em repouso.
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