Beautiful Lies 1ª temporada
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Elena? Você está bem? – indagou Bonnie, dando leves cotoveladas nas costelas de Elena, que estivera grande parte da aula distraída, olhando fixamente para um ponto no quadro negro.
Ela pareceu finalmente despertar, colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e, pacientemente virou o rosto na direção da amiga.
Bonnie estava com uma expressão severa no rosto e fez uma breve indicação com a cabeça na direção do professor, que tagarelava sobre história, matéria que as duas cursavam juntas.
– Ele não para de olhar! – disse ela, censurando.
Por sorte, antes que o próprio professor pudesse realizar algum tipo de crítica a sineta tocou, indicando o fim daquele período que para Elena pareceu eterno.
Desde o ocorrido na noite do baile, Elena não conseguia se concentrar em suas aulas na faculdade, em conversas com seus amigos ou em atravessar a rua.
– Bonnie, eu preciso contar algo para você – ela falou, tentando equilibrar um número de livros maior do que seus braços eram capazes de carregar. Seu tom era desconfiado e tão baixo que a amiga quase não foi capaz de ouví-la.
Seguiram juntas até o dormitório, onde encontraram com Caroline sentada em frente a uma penteadeira, retocando delicadamente a maquiagem para que pudesse retornar as aulas. Elena trancou a porta atrás de si com um gesto praticamente imperceptível as amigas e esperou até que Bonnie se sentasse.
– Carol, Bon... Na noite do baile aconteceu a coisa mais sinistra da minha vida – ela começou a contar, num tom monótono. – Uma mulher me confundiu com Katherine e quase me matou...
O discurso de Elena continuou por mais algum tempo e enquanto ela se preocupava em contar cada detalhe do ocorrido, Caroline e Bonnie preocupavam-se em analisa-los meticulosamente. As três se sentaram próximas, dividindo uma única cama e compartilharam a mesma expressão investigativa.
– Como foi mesmo que você disse que eles se chamavam? – indagou Caroline, com o rosto anuviado.
– Rebekah e Elijah.
– E você disse que eles pareciam ser realmente fortes? – completou Bonnie.
– Sim. Ou pelo menos bem mais fortes do que eu – esclareceu ela.
Bonnie pareceu ter uma visão, como aquelas que costumava vislumbrar assim que descobriu ser uma bruxa ou quando tocava uma pessoa com um passado obscuro. Seus olhos fixaram-se em um ponto do quarto e tornaram-se sem brilho. Suas feições estavam semelhantes a de um animal assustado e quando ela falou, sua voz soou rouca e insegura:
– Tenho uma ideia de quem eles são, mas é só um palpite. Talvez Damon e Stefan possam confirmar minha suspeita.
– Não, Bonnie. Não quero envolve-los. Nós podemos resolver isso – ele retrucou, com a certeza caminhando em sua voz.
Bonnie cruzou os braços e uniu a sobrancelha, ficando em pé em seguida. Deu alguns passos antes de tornar a falar e a olhar para as amigas.
Caroline estava irritantemente quieta, parecia guardar seus pensamentos e conclusões somente para ela, mas foi ela quem quebrou o longo silencio que perdurou entre elas.
– Elena, eu sinto muito, mas Bonnie está certa. Stefan e Damon tem que saber disto.
Diante aquela situação onde Elena era minoria, ela não tinha muitas opções. Aceitou retornar a Mystic Falls naquela tarde de terça-feira, abandonando completamente o restante das aulas do dia. A viagem era foi longa e a estrada pouco amigável na direção de Caroline, que realizou várias ultrapassagens perigosas. Elena se segurava firmemente ao banco enquanto a amiga resolveu ultrapassar um caminhão de madeira, na contra mão, mas o tempo decorrido dentro do carro deu a ela a chance de fazer algumas assimilações que não tinham sido feitas antes.
O homem tinha as feições muito semelhantes com as de Klaus, assim como a mulher. E ele a havia chamado de irmã. Ela rezou para que tivesse feito as ligações erradas, aquilo simplesmente não podia estar acontecendo.
Já era noite quando os dois irmãos Salvatore chegaram a mansão. Onde as três já estavam esperando. Elas contaram tudo sobre a história a sobre as suspeitas que tinham desenvolvido.
– Eles eram muito parecidos com Klaus – disse ele finalmente, colocando um ponto final na história e dando o tempo necessário para que os dois vampiros a sua frente chegassem as próprias conclusões.
– Vocês tem ideia de quem eles são? – apressou Caroline.
– Provavelmente os dois últimos irmãos Originais que nós não tivemos chance de conhecer – Damon falou num tom de quem sentencia outra pessoa a morte. – Resta saber o que eles vieram fazer em Mystic Falls.
Ele lançou a Elena um olhar penetrante, o qual a mesma não fora capaz de suportar. Ela baixou os olhos e desviou o rosto para outra direção, cruzando os braços sobre o peito em seguida.
Desde quando os dois terminaram, sua relação estava daquela maneira. Ambos mal tinham força suficiente para encarar-se por um longo minuto.
Stefan mantinha as sobrancelhas unidas numa expressão de desagrado, sua mandíbula estava completamente contraída, era visível por suas bochechas tamanha força que ele mantinha seus dentes unidos.
– É óbvio, não é? – Bonnie falou lentamente. – Se a mulher confundiu Elena com Katherine... Eles estão atrás dela!
– Não faz muito sentido eles estarem atrás de Katherine, ela tomou a cura e desapareceu. – Stefan justificou, apenas para aumentar a dúvida que cada uma daquelas pessoas na sala da mansão Salvatore tinha em suas cabeças. – De todo modo, seria mais seguro se vocês ficassem na cidade por um tempo.
– Nós temos responsabilidade com a faculdade e além do mais, sabemos nos cuidar. – Elena falou, lançando as amigas um olhar que procurava por apoio e nenhuma das duas falhou com ela nesse sentido. Concordaram veementemente com a cabeça e em seguida verbalizaram suas opiniões positivas sobre retornar a faculdade.
O principal argumento das três, para convencer principalmente Damon, foi de que duas delas eram vampiras e a outra uma bruxa poderosa.
– De jeito nenhum, Elena. Não importa o que vocês três são. Eles são Originais, são uma lenda. São poderosos e nós não conhecemos estes dois – Damon retorquiu, visivelmente infeliz com a situação.
– Sinto muito, Damon. Nós voltaremos para a faculdade amanhã pela manhã e não há nada que você possa fazer para evitar isto. – Elena respondeu em um tom duro e decidido, suficiente para provocar uma reação não muito amigável do vampiro de olhos azuis a sua frente.
Damon se adiantou e num piscar de olhos estava cara a cara com Elena. Seus narizes estavam praticamente colados. Ela podia sentir a respiração ofegante do homem a sua frente e o seu coração perdeu uma batida. Ela não sabia se fora pela proximidade repentina ou pelo susto que a reação exagerada do vampiro havia causado.
Stefan soltou um muxoxo de desagrado tão audível que Caroline virou a cabeça para olhá-lo. A proximidade de Damon com Elena, mesmo que com hostilidade, o incomodava de uma maneira indescritível, ainda que estivessem separados.
– Não me provoque, Elena – Damon respondeu, num tom frio e até mesmo letal.
Todo aquele momento foi interrompido pelo toque alto e insistente do celular de Elena. Ela se esquivou de Damon habilidosamente e se afastou alguns passos, antes de tirar o aparelho do bolso e observar a tela. O número era desconhecido o que causou um profundo sentimento de desconfiança nela. Ela franziu o cenho e olhou ao redor, dando de ombros para mostrar que não reconhecia o número.
– Atende logo! – Caroline falou quase como uma ordem.
Elena levou o celular até a orelha e esperou com que alguém falasse, completamente consciente de que todos os vampiros naquela sala aguçaram suas audições para que pudessem ouvir a conversa, desrespeitando completamente qualquer privacidade que a moça poderia exigir.
– Olá, Elena – uma voz masculina soou pelo telefone. – Imagino que a esta altura os irmãos Salvatore já estão cientes do que houve entre você e minha irmã.
Um longo silêncio seguiu, como se o homem do outro lado da linha estivesse aguardando uma resposta, mas Elena não o fez. Ela se limitou a passar o olhar por cada um na sala, esperando uma reação positiva de qualquer um deles. Pode ouví-lo suspirar do outro lado e soube que ele tornaria a falar.
– Bom, eu estou disposto a propor um encontro.
– Encontro? – ela finalmente achou sua voz. – Eu nem sei como conseguiu meu telefone.
– Muitos nessa cidade possuem seu telefone, Elena. – ele explicou pacientemente, sua voz era suave e extremamente educada. – De todo modo, eu estou disposto a lhe dizer meus interesses nessa cidade, desde que você me encontre sozinha, na antiga mansão Lockwood, amanhã.
Então ele desligou, sem dizer muitas coisas ou deixar escapar algo que pudesse deixar pistas. Elena pousou o celular na mesa e virou, lentamente em direção aos amigos.
– Você não vai sozinha – sentenciou Damon, inutilmente. Elena limitou-se a revirar os olhos e a aguardar a reação das outras pessoas, sendo Stefan o próximo que falou:
– O que você acha?
– Acho que eu devo me encontrar com ele – Elena falou, finalmente sentindo algum ânimo por alguém perguntar como ela se sentia sobre toda aquela situação. Stefan era sempre bom com essas coisas, ele sempre sabia o momento certo de se manifestar e sabia exatamente o que falar.
Apesar de Damon discordar visivelmente da opinião de Elena, desta vez ele manteve-se quieto. Ela caminhou em círculos pela sala, refletindo sobre as palavras de Elijah. Mesmo sem dar nenhuma informação, ela sentia-se segura em ir encontra-lo, mas sabia que os amigos jamais a deixariam ir sozinha.
– Nós não o conhecemos, Elena. Não vale a pena arriscar – Bonnie falou sutilmente, quase como se não quisesse ser escutada.
– Eles estão em Mystic Falls, Bon e ninguém sabe quanto tempo ficarão ou o que irão fazer. Você realmente acha que não vale a pena o encontro? – volveu Elena, num tom firme.
– Nós podemos ir com você, só para garantir e então ficamos do lado de fora e distantes. Ele não vai perceber nossa chegada – sugeriu Caroline inteligentemente.
Com aquela ideia Elena concordava completamente e, apesar de não revelar, sentia-se mais segura com eles nas proximidades. Stefan e Damon conheciam maneiras de distrair vampiros mais velhos e, no caso de algo dar errado, ela poderia contar com eles para sair ilesa. Bem como com Bonnie e Caroline para apoia-la.
– O que vocês acham? – ela perguntou, virando-se para olhar para os irmãos Salvatore, que agora estavam lado a lado e pareciam se imitar, tanto na postura ereta e braços cruzados frente ao peito quanto na expressão séria e mau humorada.
Eles hesitaram para falar e trocaram olhares, como se um pudesse ler os pensamentos do outro.
– Tudo bem – Damon respondeu de má vontade, saindo da sala a passos largos e deixando a mansão, batendo a porta atrás de si.
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