Beautiful Lies 1ª temporada
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Ele se virou lentamente e, ela pode notar, que a olhou dos pés à cabeça repetidas vezes. Gostava de ser admirada, mas aquele olhar misterioso do vampiro Original, as vezes, fazia com que seus pelos da nuca ficassem eriçados. Era quase como se suas intenções fossem imprevisíveis. Havia muita energia naqueles olhos castanhos e muito pouca expressão em sua face.
– Desculpe-me por Kol. Ele tem um temperamento terrível, não podia esperar que ele a confrontasse – ele murmurou.
Talvez, se Elena não fosse uma vampira as marcas do aperto de Kol ainda estivessem presentes em seu corpo. Ela massageou seus dedos, como se ainda sentisse dor, lembrando-se do rápido momento tenso que teve com o Original.
– Nós nunca tivemos o melhor relacionamento – confessou ela, sentindo-se pela primeira vez insegura por todos os sentimentos que nutria por Elijah.
Se algum dia a paixão que sentiu pelos irmãos Salvatore foi ameaçadora a sua existência, o que sentia por Elijah era, no mínimo, o triplo pior. Família problemática, irmãos assassinos e por mais que ela não quisesse admitir, o próprio era um problema potencial. Ela só conhecera o bom temperamento do vampiro, mas teve um vislumbre de sua parte ruim. Quando ele, por pouco, não arrancou o coração de Stefan ou o breve momento de histeria que viveram na biblioteca, antes de beijarem-se.
Deu por si com os olhos baixos e com a respiração lenta e cautelosa. Ele ainda a observava, como se quisesse decifrar o que ela pensava.
– Sei que aqui não é o melhor lugar ou o melhor momento para conversarmos sobre o que houve na biblioteca, mas é como se nunca tivéssemos a chance de ficarmos sozinhos – disse ela. – Mas, o que está acontecendo entre nós?
Elijah aproximou-se a passos lentos, enquanto formulava uma resposta.
– Nós nos aproximamos. Acabamos conectados por nossas personalidades e por características que admiramos um no outro – ele explicou com a voz terna, apoiando-se sobre a mesa do professor. – Havia muita tensão entre nós.
– Há muita tensão entre nós – corrigiu ela, ainda com a cabeça baixa. – Mas nós dois... Juntos?
A falta de fé no tom de Elena criou um pequeno ferimento no ego masculino de Elijah. Era algo que ele não poderia explicar, a rejeição era dolorosa demais para ser aceita ou descrita.
– Compreendo – concluiu, voltando a deixar sua postura ereta.
Elena detestou vê-lo daquela maneira, mas sabia que precisava esclarecer uma ou duas coisas. Não era simplesmente fingir que a família Mikaelson convivia pacificamente com ela, ou com as pessoas a quem amava.
– Um de seus irmãos me matou e eu virei vampira. Eu nunca desejei isto pra mim, Elijah. Matou minha tia... – ela falou, sentindo seus olhos marejarem. Não queria que ele a visse chorando, mas não desviou o olhar. Ficou o mais firme que pode. – Outro tentou decepar os dois braços do meu irmão caçula. Rebekah quase me matou na primeira vez que nos vimos. Você...
Elena hesitou nesse momento. Não queria acusa-lo. Analisou Elijah por um tempo e notou que ele a observava com pesar e atenção. Ele não a interromperia para defender os irmãos ou para se defender, ela soube e, então continuou, gaguejando no início:
– Você quase matou Damon e Stefan. Eles empalaram você, sei disso. Mas uma vez retirada a adaga, você continua vivo – gesticulou com a mão neste momento, sentindo uma grossa lágrima rolar por seus olhos — O que aconteceria se o coração de Stefan não estivesse mais em seu peito?
Ele baixou a cabeça por apenas um segundo e, Elena ficou feliz por ele não tentar defender-se com argumentos inválidos. Assim como faria Damon. Ele acelerou os passos na direção dela e a abraçou firmemente, com uma mão em sua cabeça, acariciando seus suaves cabelos castanhos.
Elena enrijeceu o corpo no início, mas logo cedeu ao abraço de Elijah. Desta vez, não por desejo, mas sim porque precisava de algum conforto. Controlou as lágrimas lentamente. Ela sentiu a textura do terno de Elijah e a delicada pressão que seu braço fazia ao redor de sua cintura por alguns momentos. Então ele se afastou, ainda em silêncio. Suas mãos deslizaram para ambos os lados do rosto de Elena, ele secou uma lágrima que caia com seu polegar, indiferente ao pano úmido de lágrimas que seu terno havia ficado. Olhava firmemente nos olhos de Elena, com a sabedoria que apenas um ser de mil anos poderia ter.
– Não posso mudar nenhuma das atrocidades que meus irmãos causaram a você ou sua família – ele falou com a voz doce, num murmúrio íntimo. – Mas posso evita-los daqui para frente. Kol ficará sobre minha vigilância constante quando próximo a você ou a quem você ama, eu não vou tornar a ameaça-los também. Tem a minha palavra.
Era difícil não acreditar no que Elijah dizia. Ele inspirava confiança quando falava. E seus olhos emanavam verdade. Ele não era conhecido como “o nobre” à toa. Elena afirmou positivamente com a cabeça, exibindo um suave sorriso em seus lábios.
Ele observou aquele sorriso mínimo que Elena exibiu e soube que poderia ganhar novamente a admiração da moça e não ser rejeitado. Ele conduziu o rosto de Elena na direção do próprio rosto e uniu seus lábios carinhosamente em um longo selinho. Fecharam os olhos ao mesmo tempo, conforme suas mentes permitiam que a lembrança da recente discussão fosse parcialmente substituída pelos seus sentimentos. Seus lábios separaram-se no timing perfeito para o encontro terno de suas línguas, que massagearam-se sem pressa ou luxúria. Aquele era um beijo muito mais significativo do que qualquer outro que Elena já experimentara, ele selava uma promessa silenciosa, cujo nenhum dos dois precisou falar para que acontecesse. Ele sentia a maciez dos cabelos de Elena, despenteando-a por completo com um simples afago quando teve a estranha sensação de estar sendo observado.
Elijah afastou-se de Elena, pousando seus lábios na testa da moça e virando suas costas para a janela.
Uma visão perturbadora e inesperada demais aconteceu. Klaus estava parado, confortavelmente recostado na parede, observando tudo o que acontecia entre Elijah e Elena. Quando seus frios olhos azuis cruzaram com os castanhos – agora enraivecidos – de seu irmão mais velho, ele exibiu um sorriso debochado e aplaudiu. Caminhando na direção dos dois.
Elena sentiu suas pernas perderem a força quando o viu. Tudo o que esteve lutando para esconder, expostos a pior pessoa a quem poderia imaginar. Soube que sua vida estava em risco antes mesmo de Elijah colocar-se protetoramente entre ela e o híbrido. Klaus ainda aplaudia teatralmente.
– O nobre Elijah, sempre apaixonado por um rostinho bonito – zombou ele categoricamente.
A expressão de Elijah estava fechada em um misto de desagrado e superioridade, como se ele também fosse um híbrido imortal. Encarou Niklaus firmemente, com a autoridade que um pai olha para um filho problemático. Desejava ter consigo uma amostra do sangue de Katherine, assim poderia curar o híbrido naquele exato momento. Condenou-se por não ter.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou de maneira elegante e controlada, enquanto Elena observava a cena através dos ombros do Original.
– Você me atraiu para a cidade. Foi só uma questão de tempo até eu encontrar o momento oportuno de confrontar meu irmão mais velho que trama incansavelmente a minha morte. – o tom de Klaus era, inicialmente, zombeteiro, mas ao final da frase ele parecia impaciente e pronto para atacar Elijah. – Todo mundo está tão ansioso para me trair, não é irmão?
Elijah sabia que ele iria tentar apelar para o lado emocional, para o lado que sempre conseguira conquistar sua pena, mas desta vez aquilo não poderia acontecer.
– Você inspira a traição por onde caminha, irmão – respondeu ele, com um tom ligeiramente assassino.
Klaus apontou para Elena, como se aponta um rifle de caça a um veado.
– Sempre por uma mulher. Katherine, Celeste, Hayley e agora a pobre Elena – disse ele, raivoso e impaciente. – Diga-me Elijah, você não se cansou de seus amores trágicos?
Elijah desviou os olhos de Klaus para Elena, que estava agora praticamente ao seu lado. Ele teve um vislumbre do medo que ela sentia. De fato, podia quase cheirá-lo. Sabia que sua melhor chance contra Klaus era qualquer elemento surpresa, o que não teria naquele momento. Mas, aparentemente, o híbrido gostava de um pequeno teatro, então ele tornou a falar, com um sorriso maldoso nos lábios:
– Ele amou Katherine. Talvez esteja com você unicamente para se lembrar do quão bom foram os momentos com sua cópia mais velha. Me traiu por ela e como acabou este lindo amor? Katherine fugiu. Ele amou Celeste, escolheu o amor de uma bruxa sobre o amor de um irmão. Ela acabou morta. Cobiçou Hayley, a mãe do MEU filho – neste ponto, Klaus bateu o dedo indicador várias vezes no próprio peito, de maneira violenta. Elena arregalou os olhos na direção do híbrido, enquanto que Elijah estava com os próprios olhos baixos. Talvez todas aquelas lembranças jogadas cruelmente ao vento o machucassem. – E ela também acabou morta, junto com a criança que carregava! A morte lhe caiu bem uma vez, Elena, mas isto não irá acontecer duas vezes.
Elena viu a esclera do hibrido tornar-se negra e sua íris amarelada, olhos de lobisomens. As veias acinzentadas saltaram ao redor de seus olhos e seus dentes ameaçadoramente envenenados e pontiagudos apareceram. Ele fez menção de ir na sua direção e, no momento que suas pernas a traíram e ela fora incapaz de mover-se, Elijah novamente colocou-se entre ela e Niklaus.
Pela primeira vez Elena notou que os olhos de Elijah também haviam se transformado em algo sinistro e grotesco. Seus caninos também estavam a mostra, enquanto ele continha as investidas do híbrido. Ela sentiu-se estúpida por não conseguir fugir ou ajudar, só observava com certo desespero tomando conta de sua sanidade. Elijah agarrou a primeira cadeira e acertou Klaus no rosto, com tamanha força que o híbrido caminhou molemente vários passos para trás e a madeira despedaçou-se em vários objetos letais a vampiros: estacas pontiagudas.
Klaus consertou uma mandíbula quebrada e torta para o lado, agarrando uma estaca que estava tentadoramente ao seu lado e tornou a avançar para Elijah. Ele acertou o irmão mais velho, centímetros a baixo do coração. Elijah rugiu com a dor lancinante da madeira penetrando sua pele, mas a arrancou em seguida. Segurou o híbrido com uma das mãos, pelo ombro e retribuiu a estocada, acertando a barriga.
Niklaus soltou um riso baixo e, em seguida gritou com a dor da retirada da adaga, jogando-a para o lado, respingando seu sangue e o de Elijah, misturados no chão.
– Talvez você mereça uma pequena lembrança do que é o veneno de lobisomem correndo em suas veias, irmão. Ou sua querida Elena. Mas ela não irá se curar, não é?
Os olhos negros de Klaus tornaram a fuzilar Elena, que ainda encontrava-se pateticamente parada.
– Elena, saia daqui! Corra para algum lugar seguro – Elijah trovejou.
– Não vou deixa-lo aqui! – ela objetou, demonstrando uma coragem desnecessária ao momento.
– A mordida de lobisomen não mata um original, mas vai matar você! – ele ordenou, impedindo Klaus de avançar mais alguns passos. Acertou-lhe um soco certeiro na têmpora.
Klaus devolveu a violência sem piedade. Elijah mordeu os lábios e a língua, sentia seu rosto latejar com a pancada e o gosto férreo do próprio sangue. Olhou na direção que Elena estava e, com um alivio não a viu. Rezou para que ela conseguisse chegar a mansão Salvatore em segurança e que não resolvesse pedir ajuda. Ele lidou com Klaus durante um milênio, poderia aguentá-lo por mais uma hora. Aquela pequena distração fora suficiente para que o híbrido tivesse acesso ao pescoço do Original. A mordida aconteceu violentamente.
Elijah sentiu seu pescoço ser dilacerado repetidas vezes, de ambos os lados. Uma vez que Klaus havia ganhado o controle, era difícil de retomá-lo. Sabia que o veneno injetado em seu sistema iria derrubá-lo por no mínimo um dia completo.
Klaus afastou-se com a boca e o pescoço cobertos por sangue, com um sorriso de satisfação tomando conta de seus lábios.
– Vai precisar de mais do que isto se quiser me matar, irmão – zombou ele.
Elijah encontrava-se sentado descuidadamente no chão, sentindo seu corpo tentar curar as feridas causadas por Klaus. Ele estreitou os olhos e lançou ao irmão um olhar assassino. Ficou em pé rapidamente e, contento um rugido raivoso em sua garganta, arremessou o híbrido janela a baixo, apressando-se em seguida para alcançar o tombo do irmão e continuar a descontar toda a raiva que sentia.
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