Notas iniciais
Desculpem pelo capítulo gigantesco! O original deu umas 5 mil palavras, aí dividi pra não ficar cansativo! Quero agradecer todo mundo que leu e comentou até aqui! Vocês me deixam muito motivada! Beijos

Elijah observou o nascer do sol daquele dia. Não sentia a menor vontade de desperdiçar o tempo da noite dormindo, aquela não era uma necessidade real de vampiros.

O azul escuro e cheio de estrelas da noite desaparecia lentamente conforme o sol exibia todo o seu esplendor e brilho no leste. A mistura de cores no céu era indescritivelmente bela e ele a olhava com certa seriedade.

Desde a noite do ritual, Katherine havia fugido ou estaria escondida em algum lugar menos óbvio do que o da última vez. Aquilo o preocupava, uma vez que ele estava contando com a presença e a traição da vampira para ser outro ponto de atração para Klaus. Ele está demorando. Eu estou sendo óbvio demais.

Ele começou a pensar que Klaus sempre estava a um passo à frente de seus inimigos e talvez também estivesse um passo à frente do plano que Elijah julgara tão inteligente. O híbrido poderia estar em Mystic Falls há muito tempo, esperando o momento certo de se exibir. Seus pensamentos fluíram para Elena.

Ele tinha deixado seus sentimentos irem longe demais. Prometeu protege-la, mas sabia que se Klaus estivesse por trás de todos os eventos negativos que aconteceram – desde a chegada dos lobisomens, até Davina na porta dos irmãos Salvatore – ela estaria exposta a um perigo gigantesco. Seus dedos fecharam-se em punho, apertando fortemente sua palma e causando um acumulo de sangue em sua falange distal. Não sabia se seria capaz de cumprir sua palavra.

Além do mais, Katherine tinha o irritante hábito de se aliar ao lado que ela pensava ter mais chances de sobreviver e seu desaparecimento explicava muitas, se não todas, as suspeitas do Original.

Ele despertou de seu pequeno devaneio ao som da campainha da mansão. Ela praticamente gritou em seus ouvidos sensíveis e distraídos. Ele virou-se em direção a porta do quarto e a vislumbrou ainda fechada. Apesar de não ter dormido, um banho era algo muito além de necessidades, era uma questão de higiene e até mesmo de manter os padrões da própria elegância, então ele entrou na suíte de seu quarto, despiu-se e sem muita cerimônia permitiu que a primeira água do chuveiro, ainda gelada, caísse sobre suas costas.

Uma vez que sua higiene havia sido feita, ele deixou o banheiro. Ele soube que alguém estivera em seu quarto, unicamente pelo perfume que tinha deixado um rastro, reconheceu o cheiro cítrico que Rebekah costumava usar e então, contemplou um envelope negro sobre seu criado mudo, com seu celular servindo de peso de papel. Elijah exibiu um sorriso suave, prevendo o conteúdo do envelope e caminhou para ele, abrindo-o delicadamente.

Como ele tinha previsto, era um convite. Uma festa temática dos anos 20, que aconteceria na noite daquele mesmo dia. Era um baile de casais e a vestimenta de época era obrigatória. Ele contraiu os lábios, aquela década não foi realmente sua preferida e, além do mais, não sentia que aquele era o momento para festejar. De qualquer modo, vestiu-se casualmente, deixando de lado os ternos de alta costura que ocupavam a maior parte do espaço de seu closet. Escolheu uma camisa de algodão cinza escuro, de mangas compridas e um jeans simples, com uma bota de trilha, com o cano no tornozelo de cor bege.

– Rebekah – ele chamou, com a voz algumas oitavas mais alta do que o de costume. Desceu para a sala de estar com tranquilidade nos passos, carregando em suas mãos o convite. Percorreu a distância entre um cômodo e outro e logo encontrou a irmã, sentada confortavelmente sobre o sofá, olhando-o com súplica. – O que é isto?

– Elijah, é a primeira festa desde que chegamos nesta cidadezinha, a única distração que temos do nosso objetivo. Vamos, por favor – ela argumentou.

– Não deveríamos baixar a guarda neste momento e comemorarmos aleatoriamente, Rebekah – ele sentenciou, com a voz tranquila e leve.

– Por favor, irmão. É apenas uma noite, nós merecemos este descanso. Merecemos esquecer Niklaus por um dia.

Ele ponderou. Sabia o quão atraente e irresistível era uma festa para sua irmã mais nova. Deslocou o peso de seu corpo para a outra perna, lentamente. Não podia culpa-la ou privá-la daquele simples prazer, sabia disto. Não queria ser para ela uma figura autoritária como, um dia, Klaus foi e, além do mais, ele estivera tão distraído de seu objetivo que permitiu seus sentimentos de admiração por Elena tornarem-se algo muito maior do que deveria. Expirou de maneira pesada e, teatralmente derrotado.

Rebekah exibiu um largo sorriso e sua face iluminou-se em felicidade e alívio por não ter que passar outra noite tediosa, presa naquela mansão. Caminhou para Elijah e o abraçou, beijando-o na bochecha em seguida.

– Por isso você é meu irmão favorito – disse ela amavelmente.

A noite não demorou muito a chegar e, então o costumeiro silencio da mansão Mikaelson foi quebrado pelo ruído de um secador de cabelos, no andar de cima.

Rebekah arrumava-se lenta e cautelosamente, preocupada com todos os pequenos detalhes de sua vestimenta, cabelo e maquiagem. Em momentos como estes ela simplesmente esquecia do fardo que ser uma vampira original representava nos dias atuais.

Há praticamente um século atrás, os anos 20 estavam em seu auge e a família Mikaelson estava unida e quase completamente feliz. Klaus parecia ter finalmente se convencido de que os irmãos o amavam e nunca o abandonariam e, com isto, a convivência era mais pacífica do que jamais fora.

Ela suspirou conforme sua mente era trazida ao presente e observou seus cabelos loiros no espelho. Cuidadosamente presos, para dar a ilusão de um corte channel sem ângulos e com os fios ondulados da raiz as pontas. Seus lábios estavam escurecidos por um batom vinho escuro e seus olhos azuis destacados pela marcação feita com lápis preto. Afastou-se um pouco do espelho e, então observou sua escolha de roupa. Era um vestido sem mangas, permitindo que seus braços ficassem a mostra e o tecido, de cor dourado queimado, reluzia quando a luz o tocava, contava com algumas franjas na saia que ocultavam suas pernas até abaixo do joelho. Ela usava um chapéu cloche, característico da época, ao se olhar no espelho, via a silhueta que costumava usar diariamente no passado. Ela escolhera um lindo e discreto colar de pérolas que ia até seu umbigo, alongando sua silhueta. Seus sapatos eram negros e possuíam tiras ao redor de seu tornozelo.

Rebekah aprovou o que via diante do espelho, perfumou-se rapidamente e se apressou em direção a porta de seu quarto, descendo as escadas e encontrando seus dois irmãos: Elijah e Kol, vestidos de maneiras semelhantes. De fato, Kol era uma versão mais nova de Elijah no quesito aparência física e, infelizmente, herdara o gênio maldoso e sádico de Niklaus. Mas, talvez, todos nós tenhamos um pouco de Klaus em nossa personalidade. Olhe para mim, julgando meu irmão, enquanto eu mesma fui capaz de pequenas atrocidades e até mesmo Elijah que é tão nobre consegue ser bem cruel quando lhe é interessante. Ela sorriu de uma forma quase maldosa na direção dos irmãos quando concluiu aquele pensamento. Somos todos malditamente iguais.

– Você está linda, irmã – elogiou Kol, oferecendo-lhe o braço. – Uma pena eu estar empalado nesta década. Adoraria vê-la vestida desta forma todos os dias.

Ela se posicionou entre os irmãos e entrelaçou seus braços nos deles. Sorriu para Kol e agradeceu o elogio, retribuindo-o educadamente.

Ambos estavam vestidos com smokings conservadores pretos e com gravata em laço cuidadosamente posicionada na gola de uma camisa social branca. Kol apresentava ligeiros problemas com a vestimenta e, frequentemente tentava afrouxar a gravata em seu pescoço, mas Elijah, aparentemente, não compartilhava do mesmo problema. As lapelas de seus smokings eram de uma raríssima e elegante seda pura, combinando com a lateral das calças sociais. Os sapatos negros combinavam com o modelo das roupas e praticamente não se destacavam, a não ser pelo brilho – cuidadosamente fornecido com generosas escovadas e graxa. Seus cabelos estavam penteados e repartidos para o lado, bem seguros e fixos no lugar por gel.

Uma vez no ginásio da escola, onde a festa estava acontecendo, Elijah deparou-se com o cenário que já esperava. Tinha se preparado mentalmente para aquilo, não desejava desapontar a irmã mais nova, mas não pode deixar de notar o olhar debochado de Kol para o local.

Era uma festa temática adolescente, com uma terrível despreocupação com a decoração de época e máximo trabalho em servir bebidas diferentes. Ele se perguntou como aquelas pessoas haviam conseguido a permissão do diretor para consumir bebida alcoólica e a ideia de que Rebekah havia participado da organização cruzou sua mente. O vampiro fez um sinal negativo com a cabeça, pigarreou baixo para limpar sua garganta e então anunciou:

– Vou pegar uma bebida – ele se distanciou dos irmãos mais novos, deixando sua mente vaguear para longe, de volta aquela década a qual o tema da festa pertencia.

Observou, enquanto caminhava, alguns itens de decoração elegantes nas mesas e o próprio bar improvisado, onde sentou-se e observou o cardápio. Entrementes, uma garota sentou ao seu lado. Ele notou, sem desviar os olhos do pequeno caderno preto em suas mãos que ela tinha os cabelos loiros, até a altura dos ombros e ondulados, seu vestido era semelhante ao de Rebekah, com a única diferença na cor. Elijah fechou o cardápio tranquilamente e seu olhar foi de encontro a jovem bartender.

– Dry Martini, por favor. – ele pediu educadamente, encaixando um sorriso encantador em seus lábios em seguida. A jovem o observou desconfiada por alguns segundos, mas após concluir que ele não era um policial disfarçado, o diretor da escola ou o pai de algum dos presentes, ela deu as costas para pegar as bebidas necessárias ao preparo do drink. – Olá, Caroline.

Aparentemente, Caroline esperava ser a primeira a falar. Estivera ensaiando aquele discurso o dia inteiro, mas ao ser bobamente surpreendida por Elijah – o qual ela pensava estar completamente absorto no cardápio – perdeu um pouco da compostura. Precisou de um momento para expressar sua determinação, enquanto ele aguardava em silêncio, observando a moça atrás do bar finalizar sua bebida.

– Eu sei que tem alguma coisa acontecendo entre você e Elena. Você pode negar, assim como ela nega ou se esquivar, mas pelo menos vai ouvir o que eu tenho a dizer.

Elijah virou-se na direção de Caroline, visivelmente interessado no que ela queria falar. Parecia com uma leoa protegendo a cria ou a caça. Ele elevou uma sobrancelha para aquela situação, onde ela parecia uma juíza, pronta para declarar uma prisão perpétua. Aquela situação era de fato o ponto alto de seu dia. Bebericou o Martini tranquilamente, sentindo o sabor de cada um dos ingredientes, estava um pouco além do limite aceito de álcool para a bebida, mas não se importava.

– Estou ouvindo. Posso oferecer uma bebida? – falou ele, soando quase como um flerte. Ele se endireitou sobre o banco, para tentar contornar o seu tom inadequado.

– Não, obrigada. – ela negou, balançando a cabeça para os lados, fazendo com que seus cachos loiros dançassem sobre seu chapéu. – Eu conheço sua fama, que precede sua presença e, apesar de você ser chamado de “o nobre”, ou qualquer coisa do tipo, Elena é minha amiga e eu quero vê-la feliz.

Ele acenou positivamente com a cabeça, fechando a expressão em algo recheado de cautela. Soube exatamente onde Caroline queria chegar e não a culpava por querer proteger Elena. Isto eles tinham em comum. Mas, aquele era um local aberto que a cada segundo de conversa enchia-se mais e mais de pessoas, qualquer um ali poderia ouvir o que eles falavam. Inclusive as pessoas sentadas as suas costas, tomando as próprias bebidas tão silenciosamente que pareciam prestar mais atenção no que falavam do que desenvolver uma própria conversa.

– Então, se você pretende conquista-la, é bom que seja capaz de protege-la de qualquer ameaça que possa surgir e que a faça feliz. Ela já sofreu demais – ela esclareceu, com os olhos azuis faiscando a coragem e orgulho de si própria. Ela inspirou e expirou profundamente três vezes e, então sorriu delicadamente.

Aparentemente, era a vez do Original de falar. Ele encheu os pulmões de ar e gastou todo o estoque de oxigênio neles para beber seu drink até o final, pousando a delicada taça de cristal sobre o bar em seguida e ignorando completamente a azeitona que jazia no fundo. Em seguida tornou a inspirar.

– Acredite quando digo que eu sou capaz de protege-la tão bem ou melhor do que os irmãos Salvatore um dia serão – ele explicou. Sabia que soava presunçoso e egocêntrico, mas aquilo era a verdade. Afinal, ele era o vampiro Original mais velho, além de ser o atual patriarca da linhagem que partia de Katherine. Ele lançou um olhar ao salão e notou que as danças haviam começado, com um agitado e contagiante jazz. Entrelaçou os dedos, apoiando os braços em suas coxas e, então continuou com uma voz mais suave e mais baixa: — Quanto a fazê-la feliz, Caroline, eu não desejo nada além disto.

A vampira sentiu um aperto em seu ombro esquerdo e, lentamente virou o rosto na mesma direção, com um sorriso simpático nos lábios. Elijah acompanhou o movimento de Caroline e também virou seu pescoço para a esquerda.

A expressão do Original iluminou-se sem que ele notasse. Um sorriso gentil surgiu em seus lábios que antes estavam sérios, seus olhos castanhos cintilaram alegremente na direção da jovem mulher a sua frente, ele esqueceu-se momentaneamente de todas as preocupações que estiveram atormentando seus pensamentos e permitiu-se focá-los apenas na beleza que ela exibia de uma forma delicada.

Elena estava vestida delicadamente com um vestido de franjas de tom pastel caqui, com pouca cintilancia. Seus cabelos castanhos estavam penteados de forma semelhante ao da irmã, com uma fita ao redor da cabeça e algumas penas na lateral, seu pescoço estava adornado com um colar de pérolas.

– Posso saber o que estavam conversando? – ela falou, com um sorriso tranquilo no rosto e um tom brincalhão na voz.

Caroline olhou de relance para Elijah, mas este não repetiu o ato. Ele continuou olhando para Elena.

– Eu estava justamente falando para Elijah... – começou Caroline, mas aparentemente ela não queria voltar ao assunto que estava discutindo com o Original, também não queria revela-lo para Elena.

– O quão bonita você está hoje – emendou o vampiro, rapidamente, sem deixar brecha para suspeitas.

O sorriso da moça tornou-se envergonhado e suas bochechas coraram, ela murmurou um agradecimento. O original notou que ao fundo a música típica da cidade começara a tocar. Ele desviou seus olhos, pensando que aquilo poderia ser um erro de quem estava responsável pela música, mas rapidamente suas suspeitas provaram-se erradas.

– O que eles pretendem com isto? – Caroline sussurrou visivelmente irritada com o erro do tema da festa. Elena correu os olhos da loira para Elijah e depois novamente para Caroline.

– Se nos der licença, Caroline. – disse Elijah, levantando-se educadamente. – Elena, me dá a honra da dança?

Ele esticou o braço na direção de Elena e, teatralmente ela segurou na mão do vampiro Original. Com os olhos faiscando para ele. Elijah caminhou na frente, posicionando-se na fila masculina da dança. Flanqueado por Damon e Stefan. Ele os cumprimentou de uma forma dura, movendo a cabeça e notando o olhar de desagrado que ambos lançavam.

Eles e cumprimentaram gestualmente com a cabeça, de uma maneira elegante. Em seguida, deram um passo à frente, e elevaram suas mãos na altura do ombro, aproximando-se, mas sem se tocarem. Percorreram um pequeno círculo em torno deles mesmo e em seguida trocaram de mãos e fizeram os mesmos movimentos. No movimento seguinte e valsa começou.

Elena sentiu a mão de Elijah enlaçar sua cintura e apoiou a própria mão no ombro do vampiro Original, enquanto sua outra mão encontrou a palma máscula do vampiro que era ligeiramente maior do que a dela. Sentia-se estranhamente protegida quando próxima de Elijah. Ela sorriu para ele e baixou o olhar.

– O que pretendem com esta dança? Não pertence a década de 20 – pontuou ele, trazendo Elena para a realidade que ela havia conseguido ignorar até o momento.

– Não faço a menor ideia – confessou ela, desejando poder deitar sua cabeça nos ombros de Elijah, para sentir o cheiro absolutamente delicioso de seu perfume.

Ela sentia o braço dele rijo, exatamente como sua postura, em sua cintura. Ele a levantou e rodopiou com ela ainda no ar. Uma vez que fora colocada no chão, os pares foram trocados e ela se viu dançando com Damon.

– O que está fazendo com ele? – ele perguntou entre dentes.

– Oh, por favor, Damon. Nós já superamos isto – ela respondeu, revirando os olhos e ansiando pelo momento em que retornaria para seu par de origem. – Tem alguma ideia do motivo desta dança?

Olhou de relance para o lado, enquanto ainda valsava com Damon e observou a Elijah dançando tranquilamente com Rebekah.

– Eu não sei nem o motivo de estarmos aqui – confessou ele. Novamente houve a troca de pares e desta vez, para o infortúnio de Elena, seu par acabou por ser Kol

Ele sorria de uma forma enganadoramente gentil, mas seus olhos denunciavam a índole sádica do irmão Original.

– Aproveitando a festa? – ele perguntou, com o sotaque carregado na voz.

Elena não respondeu. Seu rosto estava impassível. Ela estava decidida a não conversar com o vampiro que quase amputou os braços de seu irmão mais novo, simplesmente por medo do que uma marca de caçador poderia revelar sobre Silas.

– Oh, estamos jogando o jogo do silêncio agora? Deixe-me contar um segredo: eu sempre fui péssimo nisto. Então, por que não me diz o que está havendo entre você e Elijah?

Ela exibiu um sorriso desdenhoso e elevou uma sobrancelha, que expressava toda a sua má vontade em relação ao original. Mas esquecera-se por completo o quão semelhante a Klaus ele era no temperamento. Ele apertou a cintura e a mão de Elena com tamanha força que quase quebrou seus ossos.

– Cansei deste jogo. Você vai me dizer o motivo de eu ter encontrado você e Elijah quase arrancando as cabeças um do outro e hoje vocês estão puro sorrisos?

Elena soltou um gemido abafado de dor, o que pareceu satisfazer Kol. Ele exibiu um sorriso que combinava perfeitamente com seus olhos azuis. Mas foi exatamente neste segundo que a dança exigia novamente uma troca e, para a sorte de Elena era a última. Novamente ela estava nos braços de Elijah, mas a preocupação com Kol não a deixou aproveitar aquele breve momento. A valsa fora curta e logo eles retornaram a posição de início e a música acabou.

O jazz voltou a ser tocado, inicialmente uma música suave. Elijah virou parcialmente seu corpo, sinalizando apenas com seus olhos que desejava que Elena o seguisse. Ela compreendeu exatamente o que o Original queria e acenou positivamente com a cabeça. Observou o percurso que ele descreveu até a saída de emergência do ginásio e, quando estava prestes a segui-lo, Stefan a interrompeu.

– O que foi essa dança? – o vampiro perguntou com a voz baixa, enquanto fingia ser contagiado pela música. Elena pensou que seria prudente fazer o mesmo, incerta sobre o significado da pergunta dele.

– Nada temática, não é? – Ela respondeu, ligeiramente esquiva.

Stefan parecia analisa-la enquanto permaneceram em silêncio. Seus olhos verdes pareciam ser capazes de ler a alma de Elena e a moça não gostou daquilo. Desviou o olhar para o local onde Elijah havia saído.

– Preciso de uma bebida – ela falou, aquela fora a primeira desculpa que lhe ocorrera. Esperou até que ele esboçasse alguma reação e assim que ele o fez, seguiu disfarçadamente pelo caminho da saída.

Ela abriu a pesada porta de emergência com facilidade e deparou-se nos corredores da escola. Olhou para ambos os lados, tentando escolher a direção que iria seguir. Escolheu a direita e logo entrou para uma sala de aula vazia e má iluminada.

Elijah estava ali, como ela havia previsto. Aguardava observando a janela, de costas para a porta. Ela soube que mesmo naquela posição, ele jamais seria um alvo fácil. Cruzou os braços sobre o peito e cerrou as sobrancelhas.

– O que houve? Por que me atraiu até aqui?