Notas iniciais
Continuando...

“Quando Emma avistou Ruby de longe, se dirigiu diretamente para a amiga, sem falar oi para ninguém.

— Sua vaca! Você me paga, eu juro que não vou esquecer isso!— Emma disse fulminando a amiga com o olhar.

Ruby arregala os olhos e faz cara de inocente, como se não soubesse do que a amiga estava falando.”

— Mudaram o horário da luta então, eim? Só soube quando a Shane me trouxe pra cá.— Ruby diz com falso tom de surpresa.

— Olha, Ruby Lucas, sorte sua que tem muita gente aqui, porque senão você ia ouvir umas poucas e boas. – Emma diz extremamente baixo, para que só a amiga ouvisse.

— E não é que você veio mesmo!— Zelena chega e passa um braço pela cintura de Emma.

A loira olha para onde estava o braço de Zelena estranhando a intimidade da ruiva, mas nada fala.

— Pois é!— Emma sorri.

— Mas vejo também que já caiu nas graças da minha irmã. Jantarzinho romântico, eim?— Zelena encara Emma sorrindo.

— O quê? Não! Eu só cheguei cedo demais e, Regina me convidou, e eu aceitei, nós somos só amigas.— Emma disse atropelando as palavras.

Ruby e Shane se olham e sorriem. Zelena ergue uma sobrancelha para Ruby e puxa Emma para a sacada.

— Ah sim. Você e a Regis são amigas, então nesse caso, tudo bem! Você já conhece a nossa sacada? É linda, vem ver.

A ruiva leva Emma para a sacada e lá fora encontram Regina conversando com Bette.

— Oi sis! Que falta de educação da sua parte não mostrar a casa para as visitas.— Zelena diz sorridente para a irmã.

Regina repara nos braços de Zelena ao redor da cintura de Emma e fulmina a irmã com o olhar.

— Acho que você se encarrega de fazer as honras, maninha — Regina diz com seu melhor sorriso irônico.

— Com certeza! — Zelena diz para a irmã e se vira para Emma ao seu lado. – Bonito aqui, né? E olha, temos uma jacuzzi, dá pra fazer muita coisa...— Zel faz cara de safada e olha para trás, encontrando o olhar de Ruby que faz cara de aprovação, erguendo uma garrafa de cerveja no ar e dando uma piscadinha.

— Ahn, bonito mesmo. – Emma diz se desvencilhando do braço de Zelena e encarando Regina rapidamente.

Um silencio constrangedor surge, sendo interrompido por Bette.

— E então, Emma. Tá gostando de NY?

— Tô sim! Sempre gostei daqui na verdade, já conheci a cidade há anos atrás. E agora foi maravilhoso ter conhecido vocês, assim eu e Ruby não nos sentimos tão sozinhas.— a loira diz acanhada.

— Emma vai fazer jornalismo na Columbia, Bette.— Regina diz.

— Sério? Parabéns, Emma! Você vai ouvir falar da Regina lá, principalmente as professoras.

Todas riram, menos Regina que fez uma cara fechada.

— Vocês me pintam como uma cafajeste, como podem?— Regina diz com um tom de indignação.

— Oh, me desculpe! Na verdade, Emma, apesar de tudo ela era a melhor aluna da turma, você talvez ouça falar dela lá por isso também. Ela está no Hall de destaque da universidade não só por ter se tornado uma atriz renomada; seus artigos também eram excelentes!— Bette diz enaltecendo a amiga.

— Nem tanto, mas obrigada. Vou lá pegar uma cerveja, já venho. — Regina diz.

— Eu também vou, com licença. – Emma diz e se afasta.

— O que você tá aprontando, Zel?— Bette olha desconfiada.

— Eu? Nadinha!— Faz cara de inocente — O que você está fazendo— Dá ênfase no você – aqui conversando com a gente enquanto aquela morena de parar o trânsito se encontra sozinha encostada na sacada?— Zel aponta discretamente para Helena.

— Eu? Ahn, como assim?— Bette diz corando.

— Me poupe, se poupe, nos poupe, Porter! Vai lá, vai. Vou lá dentro ver se o Killian precisa de ajuda. – Zel diz empurrando Bette e voltando para dentro da cobertura.

***

— E aí, o que me conta? Desde que você começou a namorar parece não ter mais tempo para a melhor amiga.— Alice diz se sentando ao lado de Dana.

— Como assim, Alice? Estamos namorando há uma semana.— Dana diz perplexa.

— Faz três dias que a gente não se vê.

— Almoçamos junta hoje!— Dana responde não entendendo.

— Sim, mas só por causa da Zel.— Alice diz em um tom acusador.

Dana olha Aurora na cozinha e encara Alice à sua frente.

— Al, você por acaso está com ciúme?— Dana arregala os olhos.

— Ciúme? Eu? E ainda mais ciúme de você, tá louca? Jamais!— Alice diz extremamente incomodada e vira a cabeça, sem olhar para a amiga.

Dana segura nas mãos de Alice e a puxa, fazendo-a se virar. Nesse momento Alice olha para a mão de Dana e suspira, encarando profundamente os olhos azuis da amiga.

— O que tá rolando, Al?— Dana diz sem conseguir desviar o olhar e tampouco soltando a mão de Alice.

— Eu, eu não sei...— diz gaguejando. – Preciso de uma bebida.— Alice se levanta rapidamente, deixando uma Dana Fairbanks extremamente confusa sentada no sofá.

O que estava acontecendo com elas afinal? Dana se viu pensando na possibilidade de Alice estar com ciúmes. Mas ciúmes de que? Aurora? Ou de ter que dividir a atenção? De certa forma aquilo a incomodava, ela nunca trocaria sua melhor amiga por uma namorada. Melhor “amiga”... Dana pensou no peso dessa palavra e resolveu deixar o assunto para lá, não queria estragar sua noite.

***

— Pensando na vida? – Bette se aproxima e apoia os braços ao lado de Helena.

Os olhos verdes da morena pareciam ficar mais escuros a noite, Bette não pôde deixar de reparar. Só o fato de encostar seu braço no de Helena já fazia a respiração de Bette ficar descompassada. Logo ela, Bette Porter, conhecida por ser totalmente centrada e conquistadora, ficava se sentindo uma adolescente quando estava na presença de Helena Peabody, a mulher que vivia visitando seus sonhos.

— Que nada, estou só admirando a vista. Bem alto aqui, né?— Helena diz.

Francamente, Helena. “bem alto aqui, né?” quem diz isso? Ela deve estar te achando patética!- Helena pensa.

— É, pois é. Quando compramos Regina fez questão de ficar com a cobertura mais alta, se bem que a minha é só um andar mais baixo...— Bette comenta.

As duas se olham e começam a rir descontroladamente.

— Que dialogo saudável, eim? Que tal agora falarmos da marca do cloro das piscinas?— Bette comenta ainda rindo e pousando os olhos nos lábios de Helena.

— Então— Helena dá uma risada sem graça – Né? Que papo construtivo.

As duas se encaram profundamente durante um silencio constrangedor até que Helena fala:

— Estou pensando em convidar as meninas a ir passar um final de semana no chalé das montanhas, o que acha? Vi a previsão do tempo e semana que vem vai estar bem friozinho, acho que vai ser gostoso. Vamos aproveitar enquanto as aulas das meninas não começam e você e Regina ainda estão de férias.— Helena diz sorrindo.

— Nossa, acho perfeito!— Bette diz com empolgação. — Fica marcado então.

— Isso, faz um save the date na sua agenda de atriz de cinema.— Helena diz sorrindo.

— Claro!— Bette diz.

— Isso aí então— Helena diz.

— Aham— Bette comenta.

— Beleza então.— Helena diz se balançando no calcanhar.

— Fechado. – Bette diz assentindo com a cabeça.

As duas se olham profundamente e Bette se vira rápido para sair dali quando Helena a puxa pelo braço, entregando um beijo urgente e apaixonado. Quando as duas param para respirar, sorriem com o olhar, e o celular de Bette toca.

— Poxa, eu realmente preciso atender.— Diz cabisbaixa.

— Tudo bem, eu também vou ligar pra minha mãe e avisar que vamos usar o chalé.— Helena dá um selinho em Bette e se afasta.

Bette sorri bobamente e atende o seu celular.

***

— Flor, me ajuda aqui a levar esses baldes para a mesinha no centro da sala? As lutas já vão começar.— Regina diz para Emma.

— Claro!— Emma se dirige até Regina que estava de costas e se vira bruscamente quando a loira se aproxima.

As duas se trombam de modo que Emma quase cai, porém Regina a segura e puxa a loira involuntariamente muito colada ao seu corpo. Emma fica desorientada sustentando aquele olhar castanho cálido, enquanto Regina fica totalmente sem reação, sentindo sua respiração se misturar com a de Emma.

— Querem ajuda com as pipocas, meninas? — Aurora se aproxima.

Emma e Regina voltam a si e se afastam.

— Ahn, sim, por favor. – Regina diz com a voz fraca. – Vocês levem a pipoca que eu vou levar a bebida.— Regina deu a volta por Emma, sem olhar para a loira.

Estavam todos reunidos na sala quando as lutas começaram. Eles riram, gritaram, fizeram guerrinha de pipoca e jogaram muito papo fora, até a hora da grande luta finalmente chegar.

[ Na tv]

“— Nesta noite temos um novo desafiante! O grande campeão Marek Young!— O juiz anuncia enquanto um homem alto adentra a arena.

Seguiram-se aplausos e gritos eufóricos da torcida. A galera assobiava, vaiava e zombava do concorrente. Ele deu uns pulinhos para se preparar e girou o pescoço de um lado para o outro; o rosto estava sério e compenetrado. A multidão se aquietou, só restando um rugido abafado. De repente uma música começou a retumbar, altíssima, nos grandes alto-falantes da arena.

— Nosso próximo lutador dispensa apresentações, mas, como eu morro de medo dele, vou apresentar o cara mesmo assim! Tremam nas bases, rapazes! Com vocês, Travis “Cachorro Louco” Maddox!

Houve uma explosão de sons quando o outro lutador apareceu do outro lado da sala. Foi caminhando a passos largos até o centro do círculo. Com os músculos firmes estirados sob a pele tatuada, cumprimentou Marek, estalando os punhos cerrados nos nós dos dedos do oponente. Travis se inclinou para frente e sussurrou algo no ouvido de Marek, que fez um grande esforço para manter a expressão austera. Ele estava muito próximo de Travis, pronto para o combate. Os dois se encaravam. A expressão de Marek era assassina;

Os adversários deram uns passos para trás, e o locutor fez o som que dava início à luta. Marek assumiu uma postura defensiva e Travis partiu para o ataque. Marek tinha agarrado Travis com seus braços grossos e tentava jogá-lo no chão. Quando ele se inclinou para fazer esse movimento, Travis deu uma joelhada no rosto de Marek. Antes que ele pudesse se recuperar, Travis o atacou — repetidas vezes, os punhos cerrados socavam o rosto ensanguentado de Marek. Os dois se separaram e ficaram andando ao redor do ringue, quando de repente Marek tentou acertar Travis com um soco poderoso, ao que este se virou. Por um instante, parecia que ele tinha desviado de outro golpe, mas ele fez um círculo completo e esmagou com o cotovelo o nariz do adversário. Cotas de sangue borrifaram no chão do ringue e Marek caiu no chão com um som oco, e, por um breve momento, a arena ficou totalmente em silêncio.

O Juiz abaixou ao lado de Marek e deu três tapinhas no chão. Como o lutador não se mexeu Travis Maddox havia ganhado a luta e estava na final pelo cinturão.”

— UHUUUUUL!— Killian, Regina e Dana se abraçaram.

Eles haviam feito um bolão, valendo 50 dólares de cada um. Emma, Ruby, Helena, Bette, Aurora e Alice apostaram em Marek, enquanto Regina, Killian e Dana apostaram em Travis.

— Depois dessa acho que vou embora. – Bette diz se levantando, derrotada.

— Chora mais, chora!— Regina diz cutucando a amiga. — Acho que o Travis ainda leva esse cinturão, vamos ver quem vai pra final com ele.

— Sem gracinhas, Regina. É que tá tarde mesmo. – Bette diz se despedindo de todos.

— Acho que nós também vamos.— Emma diz se aproximando.

— Desculpa fazer você perder 50 dólares, flor.— Regina diz fingindo compaixão — Mas você deveria saber que o Marek não seria páreo para o Travis.

— Na próxima eu ganho, você vai ver.— Emma diz erguendo uma sobrancelha.

— Veremos!— Regina diz sorrindo e dando um beijo no rosto de Emma, que fica corada e se distancia para se despedir dos outros.

— Já vai, loirinha? Não quer nem conhecer meu quarto?— Zelena diz rindo.

— Fica pra uma próxima. – Emma diz acanhada e se despede, com Ruby logo atrás.

— Excelente trabalho hoje. – A ruiva cochicha para Ruby e as duas se despedem.

Os últimos a saírem são Alice e Killian.

Regina e Zelena resolvem deixar a bagunça para a empregada no dia seguinte.

— Estou exausta.— Regina diz.

— Eu também, tomei um banho de lojas hoje, tô morrendo de dor nos pés. – Zelena comenta.

Regina vira os olhos.

— Que foi? Dinheiro é pra ser gastado!— Zelena sorri para a irmã. – E você e a Emma, eim?

— O que tem eu e a Emma, Zelena?

— Nada não, só to comentando. Ela é muito bonita, sis.— Zelena diz com cautela, observando a irmã.

— Você quer o número dela? Te passo agora. – Regina diz irritada.

— Não Regis, já passamos dessa fase de arrumar peguetes uma pra outra. Pode deixar que eu mesma peço pra ela.— Zelena diz provocativa.

— Então vê se não me enche!— Regina diz de forma extremamente estúpida e sobe para seu quarto batendo os pés nas escadas.

— Aiai Regina, às vezes sinto saudade de quando você era criança, mas aí percebo que você não mudou nadinha. – Zelena comenta baixo para si mesma, enquanto observa a irmã subindo as escadas como uma criança birrenta.

***

[No celular]

— Desculpa pelo que te falei hoje.— Alice diz para Dana.

— Tudo bem, Al.

— É que estou tão acostumada a ter você só pra mim que fica difícil quando alguém aparece.

Do outro lado da linha Dana dá um suspiro.

— Quero dizer, só pra mim como melhor amiga, sabe...— Alice gagueja.

— Tudo bem, Al, eu entendi. Me desculpa, também senti a sua falta nesses poucos dias. Podemos dormir juntas pelo telefone hoje?— Dana diz suplicante.

— Claro! Como nos velhos tempos. – Alice diz animada.

— Como nos velhos tempos...— Dana sorri e fecha os olhos.

***

TOC TOC

— Entra, a porta tá aberta.— Zelena diz.

Regina entra no quarto da irmã discretamente e fica parada com um olhar de criança pidona.

— Eu só vim, hum, te desejar boa noite.— Regina diz baixinho.

Zelena tira os óculos de leitura e coloca o notebook que estava no seu colo na mesa de cabeceira; então olha para a irmã e dá um sorriso terno.

— Vem cá — Zelena chama Regina com a mão.

Regina caminha até a cama da irmã, e deita no meio de suas pernas, encarando o olhar azul intenso da ruiva.

— Você não está sozinha, ok? Hoje estou aqui com você.

Regina se levanta e abraça a irmã fortemente.

— Eu sinto tanta falta dele, você não faz ideia. — Regina diz com os olhos marejados.

— Eu também, sis.— Zelena diz lacrimejante. – Mas o importante é que hoje estamos aqui, juntas, e com certeza isso deixaria ele muito feliz. Amanhã vamos levar algumas tulipas para ele, ok?

Regina balança a cabeça em sinal de aprovação, sem conseguir falar nenhuma palavra.

— Agora para de chorar! Precisamos ser fortes, nós vamos ser fortes, por ele!— Zelena dá um beijo na testa de Regina.

— Olha quem fala!— Regina sorri entre as lágrimas. – Obrigada por estar aqui, de verdade, Zel.

— Eu não poderia estar em outro lugar. – Zelena diz enxugando algumas lágrimas do rosto da irmã e as suas próprias. – Agora deita aqui, tô com saudade de dormir com você.

Zelena apagou a luz do abajur mais próximo e deitou ao lado de Regina, puxando a irmã para próximo de seu peito e a abraçando, fazendo-a sentir-se segura. Zel fez cafuné em Regina até a morena adormecer, e quando olhou para o semblante calmo da irmã deitada ao seu lado ficou pensando, como nada nesse mundo podia substituir aquele amor incondicional que ela sentia por Regina. Naquele dia faziam exatos 10 anos que elas haviam perdido seu maior herói, o único porto seguro que elas tinham, seu pai. Mas o importante, pensou Zelena, enquanto acariciava o cabelo da irmã, é que elas sempre teriam uma a outra.

Notas finais
Gente! Eu quero uma Zelena dessa na minha vida também ♥ E ai, o que podemos esperar dessa viagem, eim? eim? Esse capítulo já estava escrito há muito tempo, na verdade eu escrevi os caps 7 e 8 como um só, mas precisei dividir porque ficou muito grande... Aí eu ia postar antes, mas fiquei sem internet, me perdoem :( Enfim, comentem aí o que acharam! Volto logo :*