Beautiful Disaster
22 Capítulo 22
Notas iniciais
— Olha, é o expresso Hogwarts!
— Ai meu Deus, não pira.
— Não, é sério, olha, se você inclinar a sua cabeça pra esquerda, assim— disse virando a cabeça levemente — e fechar o olho direito— fechou o olho – você consegue ver perfeitamente...
— O mestre Yoda!— A morena de olhos azuis indicou uma nuvem no céu.
— SIM!— a outra amiga gritou apontando o dedo euforicamente – olha, olha, o R2D2! Ah meu deus eu não acredito que tem o Frodo ali também!
— Você está inventando agora...
— Claro que nã... Tá, eu estou. Mas que o Yoda tá chupando sorvete é verdade.
Dana virou os olhos e Shane fez cosquinhas na amiga.
— Você não está acreditando, Srta Fairbanks?
— Claro que estou, daqui a pouco chegam os ursinhos carinhosos também, com certeza.
— Na verdade não, eu ia falar da Liga da Justiça...
Dana deu uma gargalhada e deitou no peito de Shane, se aconchegando ao abraço da amiga.
— Que história é essa da sua mãe convidar o Graham Humbert para o jantar de comemoração do campeonato eim, Dan?
— Ah, sei lá...— Dana suspirou.
— Vamos lá... Você sabe sim. Quando você vai assumir a Alice?
— Eu não sei, Shane. Não estamos preparadas pra isso ainda. Não está na hora.
— Não estão ou você não está?
— Que seja...— Dana disse abraçando Shane mais forte.
— Dana, olha pra mim. — Shane ergueu o queixo da amiga – Você não estará sozinha, ok? E você também não é mais uma criança num acampamento de férias bancada pelos pais. As intenções de sua mãe ao chamar o Graham para o jantar são óbvias e a Al não merece isso e ele também não.
— Eu sei, mas o que você quer que eu faça?— Dana levantou e se sentou, cruzando as pernas e puxando fios de grama do chão – Eu, eu... Não posso agora, não dá.
— E por que não dá?— Shane se sentou e segurou as mãos da amiga que insistiam em tirar toda a grama que visse em sua frente – Por que, Dan? Por que não dá?
— Eu não... Eu não posso... — Dana diminuiu o tom de voz e soltou num sussurro – Decepcionar a minha mãe...
Shane apertou os olhos com força e puxou sua amiga para um abraço.
— Olha, eu... Eu não sei bem o que te falar, não posso te influenciar. Mas Dan, você não pode mais deixar a sua mãe viver a sua vida. Pensa nisso com carinho, babys. Eu estarei aqui para absolutamente tudo o que você precisar, ok?— Shane enxugou uma lágrima que escorria pelo rosto da amiga – Não chora, vamos lá, acho que os vilões de Krypton já estão chegando, vamos observar essa batalha épica!
— Você não existe né?— Dana balançou a cabeça rindo.
— Claro que existo. Você está perdendo a luta, vem, deita logo!
Dana não contestou e deitou mais uma vez no peito da amiga, para juntas observarem as batalhas épicas do céu do Central Park.
***
[Início da noite – Apartamento Mills]
— O que você está fazendo?— Regina perguntou do alto da escada, enquanto via Emma mexendo em algumas coisas da cozinha.
— Comida.— Emma disse sem virar para a morena.
— Mas a gente pode pedir alguma coisa, flor. Um lanche, panquecas, sei lá, o que você quiser. Não acredito que você está cozinhando.
— Eu estou fazendo comida, Regina. Comida de verdade, sabe? Uma de nós tem que ser responsável.
— Meu Deus, como você é sexy. – Regina disse apoiando a cabeça na mão, enquanto debruçava no balcão da cozinha. – A mulher mais linda do mundo é minha namorada, que loucura.
Emma revirou os olhos e se virou para a morena, que a observava com um sorriso radiante.
— Até parece. – Emma disse, enlaçando seus braços no pescoço de Regina, que beijava cada pedacinho do rosto de Emma cuidadosamente, de maneira apaixonada.
— Por que eu, Regina?
— Como assim?
— Você já ficou com um monte de mulheres, sempre teve todas que quis e nunca assumiu compromisso com nenhuma, se recusava até mesmo a pegar um telefone, então... Por que eu?
— Por que isso agora?
— Só estou curiosa.
— Por que eu? Você tem metade das garotas da Columbia só esperando eu fazer alguma merda.— Regina rebateu.
Emma virou os olhos.
— Não é verdade. Pare de fugir da pergunta.
— É sim. Se eu não estivesse atrás de você desde o início você teria muito mais do que a Lily no seu pé. Ela só é egocêntrica demais para admitir que não é páreo para mim.— Regina disse com um ar sacana.
— Você está fugindo da minha pergunta e de um jeito péssimo, devo acrescentar...
— Tudo bem. Por que você?— Regina olhou nos olhos de Emma e deu-lhe um selinho. – Eu sou apaixonada por você desde a primeira vez que nos vimos.
— Ahn?— Emma balançou a cabeça desconfiada.
— É verdade. Você com aquela camisa branca toda molhada de suco... Você estava ridícula.— Regina riu baixinho.
— Wow, valeu.
O sorriso de Regina sumiu do rosto.
— Mas... Quando você ergueu o olhar para mim, tinha um olhar sincero, ingênuo... Sem máscaras. Você não olhou para mim como se eu fosse Regina Mills — a morena revirou os olhos com as próprias palavras — Você me olhou como se eu fosse... sei lá, uma pessoa.
— Tenho uma coisa pra te contar, Regina. Você é uma pessoa.
Regina colocou um cacho atrás da orelha de Emma.
— Não, antes de você aparecer, só o meu pequeno círculo de amigas me tratava como uma pessoa qualquer. Você não ficou toda sem jeito, não começou a sorrir igual a uma retardada ou a mexer no cabelo.
— Eu fui uma vaca com você.
— É, isso completou o conjunto.— Regina sorriu.
— Espero que isso deixe de ser novidade logo, não me vejo nunca cansando de você— Emma deslizou as mãos pelas costas da morena, parando no seu quadril.
— Promete?— Regina disse iniciando um beijo apaixonado, quando seu celular vibrou em cima do balcão.
— Oi, Kill. Ah, nem rola, a flor está aqui comigo. A gente vai jantar e depois assistir alguma coisa... Quê? Sério? O que ele está fazendo aqui? E o Graham? – Regina deixou escapar um suspiro – Ok... A gente chega aí em meia hora.
Emma ergueu uma sobrancelha.
— Essa é a conversa mais bizarra que eu já ouvi.
— Era o Kill. O August e o Graham estão na cidade e eles vão fazer uma noite do pôquer na casa do Killian, em homenagem ao meu pai. Eles sempre fazem isso quando os meninos vêm pra cá. Graham é um amigo da família e o August, bem, você vai conhecer mais uma extensão do clã Mills.
— Noite do pôquer?— Emma engoliu em seco.
— Sim, e eles sempre ficam com todo meu dinheiro, aqueles malditos.
— Ai meu Deus, eu vou conhecer a sua família em meia hora?
— 27 minutos para ser mais exata. E é só o meu irmão.
Emma subiu as escadas correndo, seguida por Regina.
— O que você está fazendo?— Regina olhou de olhos arregalados.
Emma jogou um shorts na cara de Regina.
— Não acredito que você me avisou 24 minutos antes que eu vou conhecer sua família. Eu poderia te matar nesse exato momento.
Regina tirou o shorts dos olhos e riu da tentativa desesperada de Emma de parecer apresentável. A loira se enfiou de baixo do chuveiro e fez toda sua higiene o mais rápido possível. Algum tempo depois estava em frente ao espelho terminando sua maquiagem quando Regina entrou no banheiro vestida e pronta, envolvendo a cintura de Emma com os braços.
— Estou toda desarrumada— Emma falou fazendo biquinho e franzindo a testa ao se olhar no espelho.
— Você não percebe que é linda?— Regina perguntou depositando um beijo na nuca da loira.
Emma bufou e saiu rapidamente do banheiro, colocando um par de sapatos de salto, então deu a mão para que Regina a conduzisse até o elevador. Antes de entrar no carro Emma parou, fechando o zíper da jaqueta preta de couro e arrumando seus cabelos de forma nervosa.
Regina deu a volta e abriu a porta para a loira:
— Calma, beija-flor. É só um bando de caras sentados em volta de uma mesa, e as meninas que você já conhece.
— É a primeira vez que vou encontrar seu irmão e um amigo que é como irmão... E... bem, outras coisas, tudo ao mesmo tempo... E você quer que eu me acalme?— Emma falou, entrando no carro.
Regina se abaixou, encostou no rosto de Emma e a beijou.
— Eles vão amar você, que nem eu amo.
Quando chegaram, Emma tirou a jaqueta e arrumou os cabelos com os dedos algumas vezes, antes de Regina a conduzir pela porta.
— Não acredito! É a merdinha! — August falou erguendo uma garrafa de cerveja.
Regina assentiu uma vez. Ela tentou parecer irritada, mas Emma podia ver que a morena estava animada de rever os irmãos. A casa estava cheia de uma fumaça adocicada, vários troféus de jogos, que Emma conhecia bem, estavam espalhados pelos armários. Atravessaram um corredor até uma sala com a porta escancarada. A fumaça flutuava para dentro da sala e uma decoração boêmia revelava os irmãos de Regina, acompanhados de Killian, Zelena e Shane. Eles estavam sentados em uma mesa de madeira redonda com cadeiras diferentes umas das outras.
— Ei, ei... Olha o jeito como você fala, temos moças aqui — disse Graham, o charuto em sua boca balançando enquanto ele falava. August deu de ombros e puxou a irmã para um abraço apertado
— Flor, esse é o meu irmão, August Mills. Gus, essa é a Beija-Flor.
— Beija-Flor?— perguntou August, com uma expressão divertida no rosto.
— Emma – a loira falou, balançando a cabeça.
Regina apontou para o outro rapaz.
— Esse é Graham Humbert, um amigo de infância.
O rapaz acenou com a cabeça.
— A Emma tem sobrenome? — August quis saber.
— Swan — a loira assentiu.
— Prazer em te conhecer, Emma. – Disse Graham sorrindo.
— Sente-se, Emma. Observe enquanto tiramos dinheiro da Regina.— August disse, recebendo um revirar de olhos da irmã.
Emma olhou para Zelena que estava no canto da sala observando a interação dos irmãos. A ruiva exibia um sorriso exuberante e seus olhos brilhavam, refletindo o amor mais puro possível. Emma não conseguiu deixar de sorrir ao ver Regina gargalhando em meio a uma piada do irmão. O semblante de sua morena era leve, ali, no meio das pessoas que ela mais amava, ela parecia finalmente estar em paz.
As paredes estavam decoradas com imagens antigas de jogadores famosos, fotos de lendas do pôquer posando em algumas fotos com o pai de Regina e com outro homem, que Emma presumia ser o pai ou avô de Killian, e cartas antigas de jogos nas estantes.
— Você conheceu o Stu Ungar?— Emma perguntou, apontando para a foto empoeirada.
Os olhos azulados de Killian ganharam brilho.
— Você sabe quem é Stu Ungar?
—Meu pai também é fã dele.
Ele se levantou, apontando para a foto ao lado.
— E esse aqui é o Doyle Brunson.
Emma sorriu.
— Meu pai viu o Doyle jogar uma vez. Ele é incrível.
— O avô da Regina era profissional... A gente leva o pôquer muito a sério aqui— Graham sorriu se aproximando.
Emma se sentou entre Regina e August, enquanto Killian embaralhava as cartas com moderada habilidade. Todos colocaram o dinheiro na mesa, e Shane distribuiu as fichas.
Killian ergueu uma sobrancelha.
— Quer jogar, Emma?
Emma sorriu educadamente e balançou a cabeça.
— Acho melhor não.
— Você não sabe jogar? — August perguntou.
Emma não conseguiu conter um sorriso. Ele parecia tão sério, quase paternal. Ela sabia que resposta ele esperava e odiaria desapontá-lo.
Regina beijou a testa da loira
— Dê adeus ao seu dinheiro, Emma— Shane deu risada.
Emma pressionou os lábios e enfiou a mão na bolsa, tirando duas notas de cinquenta, Estendeu-as a Graham e esperou, com paciência, enquanto ele as trocava por fichas. A boca de Killian se apertou em um sorriso presunçoso, mas a loira ignorou.
— Boto fé nas habilidades da Regina como professora — Emma falou. Shane e Zelena riram alto.
— É isso aí! Vou ficar rico hoje!— Graham exclamou.
— Vamos começar com pouco dessa vez - disse August, jogando uma ficha de cinco dólares.
Killian distribuiu as cartas e Regina espalhou as de Emma em leque para que a loira as visse.
— Você já jogou cartas alguma vez na vida?
— Faz um tempinho— Emma assentiu.
— Rouba-monte não conta, patinho —disse Killian, encarando suas cartas.
— Cala a boca, Kill — disse Regina, erguendo o olhar de relance para o amigo antes de direcioná-lo novamente para as cartas de Emma.
— Você precisa de cartas altas, números consecutivos e, se tiver muita sorte, do mesmo naipe.
Na primeira mão, Regina olhou as cartas de Emma e Emma olhou as dela. A loira basicamente assentiu e sorriu, jogando quando Regina dizia para fazê-lo. As duas perderam, e suas fichas diminuíram no fim da primeira rodada.
Depois que Graham distribuiu as cartas da segunda mão, Emma não quis deixar que Regina visse as cartas.
— Acho que já entendi— Emma falou.
— Tem certeza?
— Tenho!
Três mãos depois, Emma já tinha conseguido suas fichas de volta e aniquilado a pilha de fichas dos outros jogadores, com um par de ases, um straight e a carta mais alta.
— Que saco!— Killian praguejou. — Sorte de principiante é uma merda!
— Ela aprende rápido, Regi — disse August, mexendo a boca em volta do charuto.
Regina tomou um grande gole de cerveja.
— Você está me deixando orgulhosa, Beija-Flor!
Seus olhos brilhavam de animação. Emma nunca tinha visto aquele seu sorriso antes.
— Obrigada.
— Quem não sabe fazer, ensina — disse Graham, com um sorriso afetado.
— Muito engraçado, babaca — Regina murmurou.
Quatro mãos depois, Emma virou o que restava de sua cerveja e apertou os olhos para a única pessoa à mesa que ainda não tinha passado a mão.
— É com você, Shane. Vai dar uma de bebezinho ou vai jogar com raça?
— Que se foda— ela retrucou, jogando as últimas fichas na mesa. Regina olhou para Emma animada
— O que você tem, Beija-Flor?
— Shane?— Emma falou, incisiva.
Um largo sorriso se espalhou pelo rosto dela.
— Flush! — ela sorriu, espalhando as cartas na mesa.
Seis pares de olhos analisavam a loira. Emma ficou olhando para a mesa por um momento e então bateu suas cartas com força.
— Vejam e chorem! Ases e oitos! — exclamou, dando risada.
— Um full house? Caraca! — Killian gritou.
— Desculpa. Eu sempre quis dizer isso— Emma falou, puxando as fichas para si.
August estreitou os olhos.
— Isso não é sorte de principiante. Ela joga.
Regina olhou para ele por um momento e voltou o olhar para Emma.
— Você já tinha jogado pôquer, Flor?
Emma pressionou os lábios e deu de ombros, exibindo seu melhor sorriso inocente. A cabeça de Regina foi para trás, quando ela caiu num incontrolável acesso de riso. Ela tentava falar e não conseguia, depois bateu na mesa com o punho cerrado.
— Sua namorada acabou de passar a perna na gente! — disse August, apontando na direção da loira.
— Não acredito!— Killian levantou se lamentando.
— Belo plano, Regina. Trazer uma jogadora profissional para a nossa noite de pôquer — disse Graham, piscando para Emma.
— Eu não sabia!— Regina respondeu, balançando a cabeça.
— Ah, tá— disse August, olhando para Emma.
— Não sabia mesmo!— Regina confirmou, em meio às gargalhadas.
— É isso aí. Eu estava pegando leve com você, Emma, mas vou ganhar meu dinheiro de volta agora mesmo— August avisou.
Regina ficou de fora nas últimas rodadas, observando os amigos lutarem para recuperar o dinheiro. Mão após mão, Emma recolhia todas as fichas, e Graham começou a observá-la com mais atenção. Toda vez que Emma abria as cartas na mesa, Regina e August davam risada, Shane xingava, e Killian, que sem dúvidas era o mais competitivo, tinha uma crise de raiva enquanto Graham observava quieto.
Emma trocou suas fichas por dinheiro e foi encontrar Regina perto do bar, agarrando o pescoço da morena de forma apaixonada.
Graham encarava a cena em silêncio do canto da sala.
—Por que você fica encarando a minha garota, Graham?— Regina questionou com uma cara azeda.
— Qual é mesmo o sobrenome dela?— Graham quis saber.
Emma alternou seu peso entre uma perna e outra, nervosa. Sua mente buscava freneticamente algo espirituoso ou sarcástico para dizer a fim de fugir da pergunta. Ao invés disso, ficou mexendo nas unhas, se xingando em silêncio. Ela devia saber que não valia a pena ganhar todas aquelas mãos seguidas. Graham tinha sacado. Emma podia ver nos olhos dele.
Percebendo a inquietação da loira, Regina se virou para o amigo e colocou o braço em volta da cintura da namorada. Emma não sabia ao certo se ela estava a protegendo ou se preparando para o que o amigo ia dizer.
Regina se mexia, visivelmente incomodada com a pergunta.
— É Swan. — O que você tem com isso?
— Swan... Nolan— Emma não tinha mais forças para negar ou para fugir. Ela sustentara o peso do seu sobrenome e da praga que ele carregava há anos. Agora que finalmente sentia que tinha encontrado uma família que e amava, não era mais justo esconder. Claro que ao mesmo tempo que abria o jogo ela assumia vários riscos, para ela e para aqueles que estavam perto, mas precisava acreditar que tudo daria certo.
— Posso entender por que você não ligou os pontos antes, Regi, mas agora não tem mais desculpa— disse Graham, com um ar presunçoso.
— De que merda você está falando?— Regina quis saber.
— Por acaso você é parente do James Nolan? - Graham perguntou.
Todas as cabeças se viraram na direção da loira, que mexeu no cabelo, nervosa.
— Como você conhece o James?
Regina entortou a cabeça para olhar Emma nos olhos.
— Ele é só um dos melhores jogadores de pôquer que já existiram. Você conhece?
Emma se encolheu, sabendo que não tinha mais saída a não ser dizer a verdade.
— Ele é meu pai.
A sala inteira explodiu.
— NÃO ACREDITO!
— EU SABIA!
— ACABAMOS DE JOGAR PÔQUER COM A FILHA DO JAMES NOLAN!
— JAMES NOLAN! PUTA MERDA!
Zelena, Shane e Regina eram as únicas que não estavam gritando.
— Eu falei pra vocês que era melhor eu não jogar— Emma disse.
— Se você tivesse dito que era filha do James Nolan, acho que a gente teria te levado mais a sério— disse Graham.
Emma olhou para Regina, que a encarava, espantada.
— Você é a Lucky Thirteen? — a morena perguntou, com os olhos ainda um pouco turvos.
Killian se levantou e apontou para Emma, boquiaberto.
— A Lucky Thirteen está na nossa casa! Não é possível! Eu não acredito nisso!
— Esse foi o apelido que os jornais me deram. Mas a história não foi exatamente aquela — Emma disse, inquieta.
— Preciso levar a Emma para casa, pessoal — disse Regina, ainda encarando a loira.
August observava com uma cara de interrogação.
— Por que não foi exatamente aquela?
— Eu não roubei a sorte do meu pai. Tipo, isso é ridículo— Emma deu uma risada abafada, torcendo o cabelo, nervosa, em volta do dedo.
Graham balançou a cabeça.
— Não, o James deu aquela entrevista. Ele disse que, à meia-noite do seu aniversário de treze anos, a sorte dele secou.
— E a sua nasceu— Regina acrescentou.
— Você foi criada por mafiosos — disse Killian, sorrindo de animação.
— Hum... não. Eles não me criaram. Eles só... Estavam sempre por perto.
— Aquilo foi um absurdo, o James jogar o seu nome na lama daquele jeito em todos os jornais. Você era só uma criança— disse August, balançando a cabeça.
— Na verdade, foi sorte de principiante — Emma disse, tentando desesperadamente ocultar sua humilhação.
— Você aprendeu com James - ele parecia incrédulo. — Você jogava com profissionais, e ganhava aos treze anos de idade, pelo amor de Deus! — Ele olhou para Regina e abriu um sorriso. — Não aposte contra ela, Regi. Ela não perde.
Regina olhou para Emma, com a expressão ainda de choque e desorientação.
— Hum... A gente precisa ir, Gus. Vocês ainda vão ficar mais uns dias na cidade né? Vamos marcar algo lá em casa. Tchau, pessoal.
A conversa animada foi sumindo conforme Regina puxava Emma para fora, em direção à saída. Emma entrou no carro e elas fizeram todo o trajeto de volta praticamente em silêncio total.
Emma tinha certeza de que Regina sentia que ela não havia sido honesta, e provavelmente estava constrangida por ter descoberto uma parte tão importante da sua vida ao mesmo tempo em que sua família e amigos. A loira esperava uma tremenda briga quando chegassem ao apartamento, e dezenas de pedidos de desculpas passaram pela sua cabeça antes de alcançarem a porta do elevador.
Regina conduziu Emma pelo corredor, segurando sua mão, e depois a ajudou com o casaco.
— Eu sei que você está com raiva— Emma falou, incapaz de olhar Regina nos olhos. — Desculpa não ter te contado antes, mas não gosto de falar disso.
— Com raiva? —Regina disse, — Estou com tanto tesão que nem consigo enxergar direito. Você acabou de roubar o dinheiro daqueles babacas sem nem pestanejar e ganhou status de lenda com meu irmão. Isso é importante, Flor. Você devia ter me contado, mas eu entendo por que não contou. Você veio pra cá pra fugir de tudo aquilo. É como se o céu tivesse clareado... Tudo faz sentido agora.
— Bom, isso é um alívio.
— Lucky Thirteen— disse Regina, balançando a cabeça e tirando a camiseta de Emma enquanto entravam no quarto.
— Não me chama assim, Regina. Não é uma coisa boa.
— Você é famosa, Beija-Flor!— Regina exclamou.
— Meu pai passou a me odiar depois disso. Ele ainda me culpa por todos os problemas dele.
Regina arrancou sua própria camiseta e abraçou Emma.
— Ainda não acredito que a filha do James Nolan está parada na minha frente. Fiquei com você esse tempo todo e não fazia a mínima ideia.
Emma empurrou-a para longe.
— Eu não sou a filha do James Nolan, Regina! Foi isso que eu deixei pra trás. Sou a Emma. Apenas a Emma! — falou, indo até o armário, pegando uma blusa de pijama para vestir.
Regina suspirou.
— Desculpa. Estou um pouco mexida por causa da sua fama.
— Sou só eu! E além do mais, olha só, Regina Fucking Mills falando de fama — Emma abriu os braços frustrada, desesperada para que a morena entendesse.
— Tá, mas...
— Mas nada. Está vendo como você está me olhando agora? Foi exatamente por isso que eu não te contei.— Emma fechou os olhos. — Eu nunca mais vou viver daquele jeito, Regina. Nem com você.
— Eita! Calma, Beija-Flor. Não vamos nos deixar levar pela emoção. — Seus olhos encontraram foco e ela veio até Emma, envolvendo-a nos braços. — Não importa o que você foi ou o que você não é mais. Eu só quero você.
— Acho que temos isso em comum, então.
Regina levou Emma até a cama, sorrindo.
— Somos eu e você contra o mundo, Flor.
Emma se enroscou ao lado da morena, se ajeitando no colchão. Ela nunca tinha planejado que ninguém mais, além de ela mesma e de Ruby, soubesse de James e do resto de sua família maluca e perigosa e nunca esperou que sua namorada pertencesse a uma família de fissurados por póquer. Seu peito subiu e desceu com um suspiro pesado, e pressionou o rosto contra Regina.
— Qual é o problema? — a morena perguntou.
— Eu não quero que ninguém saiba, Regi. Não queria nem que você soubesse.
— Eu te amo, Emma. Não vou mais tocar nesse assunto, tá? Seu segredo está a salvo comigo — Regina disse e deu um beijou na testa da loira.
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