Beautiful Disaster
14 Capítulo 14
Notas iniciais
“Regina olhou dos olhos verdes para a boca de Emma e novamente para os olhos, engoliu o que quer que estivesse na ponta de sua língua e suspirou trazendo Emma para mais perto de seu corpo.
— Nada, nada não. Você tem razão, deixa pra lá. Só aproveite meu abraço maravilhoso essa noite, porque não vai ter mais, não se acostume.
— Para de ser convencida! – Emma disse virando os olhos e dando um beliscão em Regina.
— Boa noite, beija-flor. – Regina disse rindo e dando um beijo na cabeça de Emma.
— Boa noite, Regina. – Emma diz se aconchegando nos braços da morena, com um suspiro profundo.”
Quando o dia amanheceu, Helena recebeu a notícia de que todas as rodovias estavam devidamente liberadas e elas puderam voltar pra casa normalmente. Quando chegaram em NY a primeira coisa que Emma e Ruby fizeram foi ir para a faculdade Columbia, sem nem trocar a roupa do corpo. Chegando lá, se dirigiram para a secretaria, onde se fazia uma fila quilométrica com vários novos e ex-alunos, para fazer a regularização da matrícula.
— Ela está te encarando descaradamente. – Ruby sussurrou para Emma.
— Para de olhar, ela vai te ver.
Ruby sorri e acena.
— Ela já me viu, e ainda está te encarando.
Emma hesitou por um instante e por fim conseguiu retribuir o olhar de uma moça, que a estava observando de longe.
— Ai meu deus, ela está vindo aqui. Por que você foi acenar, Ruby?
Antes que Ruby pudesse responder a moça chegou. Era uma morena alta, de feições duras, mas muito bonita.
— Boa tarde, vocês são calouras?
— Na verdade eu estou voltando, mas minha amiga aqui é.— Ruby respondeu toda simpática.
— Sejam bem vindas! Eu sou veterana e estou ajudando a reitoria com alguns informativos. Posso saber seus nomes?
— Eu sou Ruby Lucas e essa é a minha ami...
— Emma Swan, prazer. – Emma disse esticando a mão para a moça – Eu sei falar, Lucas. – Emma sussurrou no pé do ouvido da amiga.
— Eu sou Lily Page — Disse segurando a mão de Emma e dando um enorme sorriso – Bom, não sei se vocês sabem, mas fazemos uma festa anual para dar as boas vindas aos calouros, várias personalidades e ex-alunos notáveis sempre estão presentes e ficam a disposição para tirar dúvidas e quem sabe lhes dar um incentivo a mais! Posso colocar o nome de vocês na lista?
— Claro! — Ruby disse animada.
— O seu também, Emma?— Lily dirigiu a Emma um olhar extremamente penetrante.
— Ah, sim, claro!— A loira respondeu meio desconsertada.
— Ok então. E se não for muito abuso... É sempre bom vir acompanhado com um veterano, sabe, aí ninguém vai sacanear vocês. Quer vir comigo, Emma?
— Nossa, que direta!— Ruby disse rindo.
— Só estou tentando ajudar— Lily deu e ombros – Tenho uma amiga que aposto que adoraria ir com você.
— Eu já tenho acompanhante, mas obrigada.
— Eu aceito— Emma sorriu.
— Perfeito então, me passe aqui o seu número que a gente vai se falando durante a semana. E enfim, eu preciso entregar mais alguns panfletos, nos vemos por aí, meninas, e mais uma vez sejam bem vindas!— Lily deu um beijinho no rosto delas e se afastou.
— Nossa, ela é bem bonita. – Ruby disse,
— E não é? – Emma concordou com um sorrisinho.
Depois de algum tempo elas finalmente entregaram os documentos e combinaram de se encontrar na casa de Regina, pois mesmo com os protestos de Emma, Ruby prometera a Zelena que elas jantariam lá. Ruby foi para casa e Emma saiu para ver o campus e comprar algumas coisas.
***
— Pronta pra começar, Al?
Alice faz um aceno com a cabeça e a assistente conta 3,2,1 nos dedos e o sinalizador de “ON AIR” se acende.
— Booooa tarde, Big Apple! Quem vos fala mais uma vez é Alice Pieszecki com mais uma edição do melhor rádio programa das Américas: “Tchururururururuuuuu Quadro Pieszeckiiiii”— Alice cantarola no microfone. – Alguém, por favor me traz o baú dos assuntos, aqui, ok, obrigada.— a assistente entrega uma caixa preta para Alice — Então vamos lá, vamos sortear qual vai ser o assunto de hoje no quadro, vamos remexer bastante esse negócio, produção, musiquinha de suspense, por favor, obrigada, vamos lá— Al tira um papelzinho embrulhado de dentro da caixa e abre – Lembrando que eu quero vocês me acompanhando e mandando perguntas via twitter, eim? E eis que o assunto de hoje é: O que é o amor para você?— Alice solta um suspiro e ergue as sobrancelhas — Difícil, eim? Mas é um bom tópico... Bom, amor para mim, poxa, como eu vou definir o amor, gente?— Alice sorri e fecha os olhos, fazendo um esforço para pensar — O amor pra mim é... tudo! Especificamente falando, o amor ESTÁ em tudo— Dá ênfase no está – O amor está nas ruas, nas paredes pixadas, naquele restinho de cerveja na mesa do bar. O amor é quando você fala pra pessoa: se cuida, viu? Querendo cuidar. Amor pra mim, é quando naquele dia chato de chuva você está andando na rua com os pés ensopados e tremendo de frio, aí você recebe uma mensagem daquela pessoa e sorri! o amor é aquele cheirinho de casa de avó, é quando a pessoa te conta a mesma historia pela quinta vez e você faz questão de rir em todas, já até perdeu a graça, mas você só quer deixar ela feliz, é aquele sorriso singelo numa tarde cinzenta de inverno quando a pessoa vai te encontrar... — Alice solta um longo suspiro — Bom,vamos ver agora o que vocês estão falando no twitter. Hum, vejamos aqui, a @_darkschulz falou: Como saber se a pessoa que eu amo é o amor da minha vida? Você já encontrou o amor da sua vida?— Olha, não me tomem por pretensiosa, sério! Mas eu sempre falo que já encontrei o amor da minha vida umas 10 vezes e algum tempo depois era só uma lembrança vaga... Porque eu acho que toda pessoa com quem você se envolve é o amor da sua vida, até não ser mais! Independente de você ter sofrido, de ter acabado mal e tal, também teve coisas boas e por alguns momentos a gente sempre acredita que aquela pessoa é o amor de nossas vidas, porque de fato é, até que de repente cada um vai pra um canto e a gente espera até o próximo amor aparecer. O próximo tweet é da @TayanneFrulani perguntando: Quem é a pessoa que te rouba sorrisos singelos em dias cinzentos de inverno? Como ela é?— Alice de repente sentiu um nó na garganta, flashes de memória passaram pelos seus olhos e nesse mesmo momento, do outro lado da cidade Dana estava sentada nas arquibancadas do clube, ouvindo Alice pelo fone de ouvido, Dana se mexeu inquieta, extremamente ansiosa pela resposta de Alice – Wow, nossa... como ela é? Ela... ela é...— A imagem de Dana surgiu na cabeça de Alice e ela sorriu — Ela é única! Enfim, próximo tweet: @vivahGTD: Al, o que você mais ama “nela”? Fala pra gente!— Alice corou – Perai, esse quadro tá virando meu diário agora? Não gente, não... — Do lado de fora da cabine de vidro a assistente faz sinal para que Alice continue, enquanto ela nega com a cabeça — Ai, tá, ok. Então hoje o Quadro Pieszecki vai ser literalmente Pieszecki— Alice mostra a língua para a assistente – O que eu mais amo nela... Eu, eu amo tudo nela, sei lá... Amo o cheiro, o cabelo, os olhos cor de tempestade, o sorriso tímido, as gargalhadas fora de hora... Amo a forma como ela me entende sem eu nem precisar falar nada, amo os braços definidos, gente, vocês precisam ver aqueles braços!— Alice dá uma risadinha — amo a forma como ela é extremamente desastrada e no mundo da lua, amo cada pedacinho dela... Mas chega de falar de mim, me falem sobre vocês agora, como é o amor da vida de vocês? E quem é? Lembrando que pode ser o namorado, o crush, a mãe, o pai, a avó, o cachorro...— Alice ri, mas toda sua equipe percebe que ela está cabisbaixa, quando, de repente seu celular vibra e ela lê uma mensagem de Shane:
“Quando você sair daí, vai lá encontrar ela, sem mimimi, sem desculpinha. Depois me conte tudo, beijos.”
Dana se encontrava estática na arquibancada com um sorriso bobo no rosto. Ela precisava com todas as suas forças ver Alice e precisava recuperar todo o tempo perdido, essa situação toda já estava insustentável há muito tempo e ela sabia, a culpa era dela própria, porém, lembrar de tudo o que ocorrera desde o verão em que se conheceram fazia o coração de Dana se apertar, ela vivia num eterno conflito entre razão e emoção e, muito embora amasse Alice com todas as suas forças, ela ainda não sabia como lidar com isso. Dana olha para o lado e vê seu celular piscando com uma mensagem de Shane:
“Eu sei que você ouviu, vocês precisam se encontrar e resolver isso, chega de fugir, Dana. Fale com ela, vocês merecem isso.”
Dana suspirou. Shane estava certa, ela e Alice precisavam se resolver.
***
Antes de voltar pra casa, Emma reencontrou Lily e deixou que a moça a mostrasse o campus. Emma havia achado Lily incrivelmente fofa e engraçada, ela sempre costumava andar com um pé atrás com pessoas que acabara de conhecer, mas a moça surpreendentemente conseguira cativar a loira. Emma entrou em seu apartamento extremamente cansada, pois não dormira nada o dia todo desde que ela e Ruby chegaram do chalé e ficou irritada ao se lembrar de que a amiga prometera a Zelena que elas iriam jantar no apartamento de Regina, ela pensou muitas vezes em desmarcar, mas achou que seria chato, já que as duas irmãs haviam sido tão legais em tê-las convidado para a viagem, principalmente Regina... Emma detestava admitir, mas ficou com Regina na cabeça o dia todo e o pedido da morena ainda ressoava em seus ouvidos. Parecia loucura, como ela poderia aceitar dormir mais um dia com Regina? A custo de quê? Não, não fazia sentido, não tinha necessidade.
Emma entrou para tomar uma ducha e hora ou outra fixava seu olhar na porta e Regina voltava à sua memória, dessa vez a morena não estava ali, ela não iria abrir a porta descaradamente alegando que Emma esquecera-se da toalha, quando Emma terminasse, sua roupa não estaria cuidadosamente arrumada a sua espera em cima da cama, Regina não estaria ali pra falar como Emma ficava com cara de criança quando saia do banho com a cara limpa... “Droga, Swan!” – Emma pensou. “Droga!” – Ela terminou seu banho e se arrumou rapidamente, seguindo para a casa da morena.
Emma tomou um taxi em direção ao Upper East Side e quando chegou no prédio de Regina o porteiro liberou sua entrada sem questionamentos. Quando a porta do elevador se abriu, Emma avistou Bette e Ruby sentadas nas banquetas em frente ao balcão que dividia a sala da cozinha, enquanto Zelena estava com os cotovelos apoiadas no balcão, de frente para Ruby e todas observavam apreensivas, enquanto Regina andava de um lado para outro, gritando com alguém no telefone.
— Eu já sei, ok? Eu não sou criança, droga! O que você vai fazer? Eu não sei, porra! Se vira, Tinker, você é paga pra isso afinal, se vira, droga!— Regina estava furiosa e ignorou totalmente a presença de Emma na sala.
— Oi— Emma disse de olhos arregalados para as garotas na bancada.
— Olá, Emma.— Bette respondeu educadamente. – Senta aqui com a gente.
Regina apenas deu um aceno irritado para Emma e voltou a falar no telefone, a morena não parava quieta e estava com uma mão segurando o cabelo para traz, enquanto ouvia o que quer que fosse no telefone de olhos fechados acenando com a cabeça, com cara de desgosto.
— Ok, Tinker, ok, eu já sei, ok...— Regina balançava a cabeça.
— O que está acontecendo?— Emma sussurrou.
As três fizeram uma troca de olhares significativa, mas ninguém respondeu. Nesse momento Regina passou por elas como um furacão e entrou na cozinha. Ela pegou uma garrafa de Jack Daniels e deu um longo gole, direto da garrafa, fixando seu olhar em Emma, sem falar nada.
— Você não vai contar porque você tá bravinha, Regina?— Zelena disse.
Emma percebeu o olhar da morena oscilar e as juntas de seus dedos ao redor da garrafa ficarem brancos.
— Cala a boca, Zelena.— Regina disse irritada.
— Eu ouvi dizer que você vai estar acompanhada no baile da Columbia, verdade, Emma?— Zelena provocou.
Emma sentiu um calafrio, não havia passado pela sua cabeça de que Regina obviamente era uma “ex-aluna notável” e que com certeza estaria na festa. Ruby devia ter falado alguma coisa sobre o convite de Lily e Zelena estava se aproveitando da situação para irritar a irmã. Ela só ainda não havia entendido o porquê de todo o stress no telefone, pelo que Emma se lembrava, Tinker era a relações públicas de Regina e Bette, algo sério devia ter acontecido.
— Eu já disse para calar a droga da sua boca.— Regina rosnou.
— Que foi, maninha? Não vai contar mesmo?
Emma olhou para Zelena com cara de reprovação. Ela estava parecendo uma criança com aquele joguinho.
— Para com isso, Zelena. – Emma disse.
Os olhos de Regina perfuraram a loira.
— Eu sei me cuidar sozinha, Emma.
— Me desculpa, eu...— Emma disse atônita.
— Não quero que você peça desculpas, eu não quero que você faça nada.— Regina retrucou e saiu como um raio da cozinha, indo até a sacada.
— Nossa, o que foi isso?— Ruby disse.
— Eu não sei.— Emma bufou, a voz de Regina a chamando pelo nome a deixou totalmente desconfortável.
Zelena segurou a mão de Emma estendida.
— Não foi nada que você fez, Emma.
— Tem umas coisas acontecendo com ela— Bette acrescentou.
— Que tipo de coisas?— Emma perguntou.
Zelena deu de ombros.
— Você precisa saber que é preciso ter paciência e saber perdoar pra ser amiga da Regina. Ela tem um mundo próprio.
— Essa é a Regina que todo mundo vê, não a Regina que eu conheço. – Emma disse balançando a cabeça em negativa.
— Não tem diferença entre uma e outra, você só tem que entrar na onda.— Bette disse.
— Que seja... — Emma soltou um suspiro — Eu posso tirar um cochilo até o jantar ficar pronto?
— Pode sim, claro. O meu quarto é o primeiro do corredor a esquerda, vai lá dar uma descansada.
Emma entrou no quarto e se encolheu como uma bola, apoiando a cabeça no travesseiro. Seus pensamentos voltaram à Regina. Ela estava bem aquela manhã, elas passaram tanto tempo juntas e Emma não conseguia imaginar o que poderia ter acontecido que a chateara tanto, e não era só isso, a perturbava o fato de que parecia que Ruby sabia o que estava acontecendo e ela não.
A respiração de Emma se acalmou e ela não tardou a cair no sono, quando acordou a claridade do fim de tarde havia sido substituída pela escuridão do céu noturno. Ela ouviu vozes abafadas vindas do 1º andar, entre elas a voz rouca de Regina. Emma caminhou sorrateiramente até o corredor e parou quando ouviu seu nome:
— A Emma vai entender, Regina. Não fique se martirizando— Disse Zelena.
— Rumores são apenas rumores, Regina . Assim até parece que é verdade. Vocês já vão se ver todos os dias, qual o problema em alguém chama-la pra sair?— Ruby questionou.
O Corpo de Emma ficou tenso e ela se inclinou um pouco mais para ouvir a resposta.
— Eu não quero namorar a Emma, eu só quero ficar por perto, ela é... Diferente.
— Diferente como?— Ruby perguntou um pouco irritada.
— Ela não atura as minhas merdas, e isso é reconfortante. Você mesma já disse uma vez, Ruby, eu não faço o tipo dela. Só não é... assim com a gente.
— Você faz mais o tipo dela do que imagina. — Ruby disse.
Emma recuou fazendo o mínimo de barulho possível, mas nesse momento seu celular despertou, e Emma deu um pulo assustada. Como a porta do quarto de Zelena estava aberta, a casa inteira ouviu. Ela correu e pegou o celular, batendo a porta ao passar novamente pelo corredor, como se tivesse acabado de sair do quarto.
— Oi Emms.— Ruby sorriu. — Como foi o cochilo?
— Eu dormi por 3 horas seguidas, acho que deu pra dar uma boa recarregada.
Regina ficou encarando Emma por um instante, e quando Emma sorriu para ela, foi em direção à loira e a puxou pelo braço até a sacada, fechando a porta de vidro atrás de si. Emma sentiu seu coração bater forte no peito, esperando que Regina dissesse algo que esmagasse seu ego.
Ela juntou as sobrancelhas e disse:
— Me desculpa, flor. Eu fui muito babaca com você aquela hora.
Emma relaxou um pouco ao ver o remorso nos olhos castanhos.
— Eu não sabia que você estava brava comigo.
— Eu não estava brava com você. Eu só tenho o péssimo hábito de atacar verbalmente aqueles com quem me importo. É uma desculpa ridícula né, eu sei. Mas eu sinto muito.— Regina disse, envolvendo Emma em um abraço.
Emma fechou os olhos e se deixou aninhar no ombro da morena. Elas haviam viajado juntas a manhã inteira, mas parecia a Emma que faziam meses que ela não sentia aquele abraço.
— Com o que você estava brava?
— Nada de importante. A única coisa que me preocupa é você.
Emma se afastou para olhar para Regina.
— Consigo lidar com seus acessos de raiva, ok?
Os olhos de Regina ficaram um tempo tentando ler a expressão no rosto de Emma, até um sorriso se espalhar por seus lábios.
— Eu não sei porque você me aguenta, e agora eu já não consigo imaginar como seria se fosse diferente.
Emma podia sentir o cheiro de cigarro e whiskey no hálito da morena, e olhou para sua boca, seu corpo reagia a proximidade. A expressão no rosto de Regina ficou diferente, sua respiração ficou instável... ela também percebera.
Regina se inclinou milimetricamente na direção de Emma e ambas deram um pulo quando Zelena abriu a porta que dividia a sala de estar da sacada.
— Killian no telefone.
Regina pegou o aparelho irritada.
— Oi. Nossa, KIllian... Arrasou, viado! Esses 2 mil vão vir fácil fácil. Nós estaremos aí — Regina piscou para Emma — Beleza, até depois.
Emma olhou para Regina com cara de confusão.
— Se tem uma pessoa que ama apostas mais do que eu, essa pessoa é o Killian. Nesses dias que ficamos alheias ao mundo lá no chalé, a luta final valendo o cinturão de campeão foi remarcada pra hoje, e o Killian apostou 2 mil dólares com alguns italianos que estão turistando aqui em NY e passaram lá no The Planet. Eles vão assistir no telão da pista, vamos?! Essa grana está no papo, o Travis nunca vai perder para aquele cara.
— Mas... Regina, qual a necessidade de vocês ficarem apostando? Você já tem dinheiro de sobra até onde eu saiba, e ele também.— Emma disse séria. Esse era um dos motivos pelos quais ela sabia que ela e Regina nunca dariam certo, quanto mais ela fugia desse mundo de jogos, azar, fama e dinheiro, mais ela percebia o quanto Regina fazia parte dele.
— Exatamente, flor. Não é um valor tão alto, não vou perder quase nada, e o que nós gostamos é da emoção de torcer e etc. Ah, para, vai, você está falando igual a Zelena. Ela também era assim no começo, agora até ela aposta. Enfim, vamos?— Regina insistiu.
— E a comida?
— Enquanto você estava dormindo, decidimos que íamos sair pra comer fora, de qualquer maneira. A Zel também está cansada pra cozinhar. Vai ser legal.— Regina fez sua melhor cara de súplica.
— Tá... Vamos.
Elas entraram no apartamento e Zelena e Ruby já estavam esperando. Elas foram até o The Planet no Porsche Cayenne da ruiva. Quando chegaram, viram uma grande movimentação, Helena e Bette vieram encontrar as amigas, enquanto Killian e Shane conversavam com os clientes em um canto.
— Afinal com quem o Maddox vai lutar?— Emma perguntou, enquanto ela e Regina caminhavam para chegar até Killian.
— Ele vai lutar com o Brady Hoffman. Você não deve conhecer.
— Perai, você está apostando dois paus contra o Hoffman? Você acha mesmo que o franguinho do Travis vai ganhar do Hoffman? Vocês vão perder feio, Regina.
— Desde quando você entende de luta, beija-flor?
Emma engoliu em seco. Ela entendia de luta, e conhecia muitíssimo bem Brady Hoffman desde que ele era só um moleque briguento. Brady era filho de um dos chefões da máfia e crescera sendo treinado pelos homens que trabalhavam para a família de Emma. A loira duvidava muito que Travis pudesse ganhar aquela luta.
— Eu entendo o suficiente pra achar que vocês vão perder uma grana preta.— Emma argumentou.
— Que nada, o Hoffman só tem músculos, já o Travis conseguiu provar que é o jogador mais ágil da liga, ele com certeza vai ganhar de nocaute.— Regina disse como se fosse óbvio.
— Ah é? Vamos ver então.
Regina parou de andar e se virou para Emma.
— Você quer fazer uma aposta comigo, Emma Swan?— Regina disse com voz rouca e brilho nos olhos.
Emma sorriu de volta.
— Quero. Aposto que o Travis não dura dois tempos.
— E se ele sair vitorioso o que eu ganho?— Regina perguntou.
Emma deu de ombros, enquanto mais pessoas iam entrando na rodinha em que Killian se encontrava, anotando as apostas.
A boca de Regina se abriu em um largo sorriso.
— Vamos fazer assim, se você ganhar eu fico sem sexo durante um mês— Emma ergueu uma sobrancelha e Regina sorriu novamente – Porém, se você perder, vai ter que passar um mês comigo.
— O que? Isso já é golpe baixo, Regina, que tipo de aposta é essa?— Emma virou os olhos.
— Você não está tão segura de que o Hoffman ganha? Então não se preocupe.
Um riso sem graça aliviou a expressão de Emma, quando Killian se aproximou com uma prancheta nas mãos, para anotar as apostas.
— Qualquer coisa é válida pra tentar ver você em abstinência, pra variar.
Regina franziu o nariz e sorriu balançando a cabeça. A morena foi conversar com Killian enquanto Emma alcançou Shane.
***
Alice estava andando para lá e para cá em frente a porta de Dana com uma rosa na mão há no mínimo 10 minutos. Ela ensaiava bater com a mão a centímetros da porta, mas recomeçava a ficar inquieta. Depois de mais algum tempo ela sente seu celular vibrar, era uma mensagem de Shane. Alice pega o aparelho com as mãos suadas:
“Eu aposto que você está andando igual uma barata tonta na frente da porta dela e não bateu ainda. Para de frescura, vai logo.”
Alice fez uma cara de ofendida, como Shane podia saber? Será que ela era tão previsível assim? E se Dana não gostasse de pessoas previsíveis? A voz de Shane surgiu em sua mente dizendo: “Você sabe exatamente de que tipo de pessoa ela gosta, para de ser covarde”.— Ok, Ok, eu já sei, que droga— Alice falou sozinha, dando um tapa em sua testa, irritada. – Ah, quer saber? Dane-se. – Alice fechou a mão em punho e deu três batidinhas na porta – Porque eu não apertei a campainha? — Ela se questionou sozinha em tom audível, quando Dana abriu a porta de supetão.
— Al?— Dana deu um sorriso envergonhada, enxugando as mãos, que também estavam suadas no shorts.
— Dana, eu...
Alice não conseguiu terminar de falar, Dana agarrou sua blusa com as duas mãos e fechou a porta com um chute, entregando a Alice um beijo selvagem, que aos poucos foi se acalmando, de modo com que elas pudessem sentir o peso de tantos anos de negação ali, no gosto singular daquele beijo apaixonado, quando elas precisaram tomar um pouco de ar para recuperar o fôlego, Dana percebeu os olhos de Alice marejados.
— Al, eu... eu, nossa, não chora, por favor. Eu fiz algo de errado? Me desculpa.— Dana disse quase num sussurro limpando com o polegar os olhos de Alice.
— Não, Dan, não. Você não fez nada, meu deus, não!— Alice riu — Você é maravilhosa, é só que, eu tenho medo, Dana. É muito difícil pra mim estar fazendo isso de novo, sabe. Eu não quero que a gente se perca mais uma vez, eu não sei o que isso significa, o que nós somos, mas eu sei que você é a mulher da minha vida, você sempre foi.
— Hey, olha pra mim.— Dana segurou o rosto de Alice com as mãos, olhando nos olhos da loira — Vamos viver o agora, ok? É só o presente que importa, e eu sei que nesse momento tudo o que eu mais quero é parar de fugir dos meus sentimentos, da gente. Eu só quero você, só você. — Dana deu um selinho terno em Alice – Eu não sei o que vai acontecer amanhã, eu não sei nem se eu vou estar viva, Alice. Então vamos viver o hoje, independente do que aconteça, eu quero viver o hoje. E Al, a real é que nós nunca nos perdemos, de uma forma ou de outra a gente meio que se pertence, sempre se pertenceu, você nunca vai me perder.
— Promete?— Alice diz com um sorriso fraco.
— Prometo, Al. Eu prometo.— Dana envolveu Alice em um abraço apertado e suspirou, fechando os olhos. Independente das consequências, estava cansada demais de fingir ser quem não era, e se existisse alguma pessoa pela qual valia a pena correr o risco, Dana sempre soube, essa pessoa era Alice.
— Vamos contar pra Shane?— Alice disse olhando a tela do celular.
— Depois...— Dana disse com um sorriso malicioso — Agora eu quero saber se você ainda sabe fazer aquela mágica. – Puxou Alice pela mão e as duas foram correndo para o quarto entre beijos e risadas.
***
— Você sabe fazer waffles? Fique sabendo que eu amo waffles— Regina disse no ouvido de Emma, para que ela ouvisse em meio a agitação de pessoas se arrumando em seus lugares antes da luta começar.
— Eu acho que sei, sei lá, faz muito tempo que eu não tento. Quem cozinha normalmente é a Ruby. Por quê?
— Porque você já perdeu essa aposta, beija-flor.— Regina riu e voltou sua atenção ao telão.
Emma só se deu conta do tanto de gente que havia dentro do salão principal do The Planet quando na televisão o juiz começou a anunciar os jogadores e várias vozes começaram a gritar, cada uma defendendo seu favorito. Emma tampou os ouvidos e conseguiu ler os lábios de Regina dizendo “Vai começar” seguidos de um sorriso enorme. A morena parecia uma criança num parque de diversões, e de fato o lugar parecia mesmo, Killian deixou o ambiente escuro, só com algumas luzes coloridas aqui e ali e grande quantidade de comida disposta em várias mesas ao redor do ambiente. Antes da grande luta, houveram vários embates, e aparentemente rolaram muitas apostas acerca deles também, na medida que a luta que valia o cinturão ia se aproximando, as pessoas iam ficando mais agitadas e mais bêbadas, parecia final de copa do mundo.
Quando o grande momento chegou a farra foi generalizada, várias pessoas dobravam suas apostas e gritavam, riam, abraçavam os amigos bêbados, até o momento em que o juiz apresentou os lutadores. Travis Maddox entrou no ringue confiante, era um rapaz muito bonito, alto, cabelo preto cortado estilo militar, músculos bem definidos e uma tribal enorme tatuada no peitoral. Do outro lado, Brady Hoffman era exatamente como Emma recordava, pele alva, cabelos loiros espetados e olho azul da cor do céu, ele parecia ter 2x mais músculos que Travis e era pelo menos uma cabeça mais alto. “Ele vai massacrar o Travis” Emma pensou.
Apresentados os jogadores, o juiz deu sinal para que a luta começasse. A expressão no rosto de Travis era de diversão, Brady atacou sem dó, mas todos os seus golpes acertaram nada além do ar, a cada soco que ele errava a multidão no The Planet urrava. Os dois lutadores ficaram nessa espécie de dança, até que Travis desviou um chute de Brady e acertou-lhe um soco no nariz, o barulho dentro do clube era ensurdecedor, quando Emma observou Brady recebendo um gancho de esquerda no maxilar, seguido de um chute nas costelas. Hoffman tentou desferir mais alguns golpes, mas todos acertaram o ar, até que ele caiu de costas quando Travis acertou uma cotovelada em seu rosto. Emma achou que a luta estava quase terminando quando Brady voltou a lançar golpes, mas parecia que ele não conseguia manter o ritmo. O treinador do loiro pediu tempo e entregou-lhe água enquanto cochichava algo em seus ouvidos.
— Está gostando?— Emma notou Shane ao seu lado.
— Eu estou é ferrada.— Emma gritou para ser ouvida. — Cadê a Regina?— Emma notou a ausência da morena.
— Ela está ali— Shane riu, apontando Regina rindo enquanto conversava com um homem e tinha uma morena enroscada em seu pescoço. – Porque está ferrada?
Emma olhou a cena e virou os olhos.
— Porque eu sou idiota de ainda perder meu tempo em apostas.
Shane disse alguma coisa, mas Emma não conseguiu ouvir com o barulho de vozes que aumentou consideravelmente, quando o juiz anunciou que a partida recomeçara.
Ambos os jogadores estavam cobertos de suor. Hoffman avançou sobre Travis com uma expressão assassina, e Emma teve um sobressalto quando ele errou mais um soco batendo forte a mão em uma pilastra de ferro. Quando ele se curvou segurando o punho cerrado, Travis partiu para o ataque final, Regina tinha razão, Travis era implacável, acertou primeiro o rosto de Brady com os joelhos e depois golpeou-o com os punhos fechados repetidas vezes, até o adversário cambalear e cair. As pessoas ao redor de Emma foram a loucura quando o juiz pegou o cinturão e o entregou ao grande campeão: Travis Maddox.
Os olhos de Emma focaram o lugar onde Regina estivera minutos antes, mas não encontraram a morena.
— Beija-flor?
Emma se virou e viu Regina parada atrás de si.
— Vamos encontrar a Bette e a Helena, não gosto desse empurra-empurra.
Emma lembrou da morena que estava enroscada em seu pescoço a pouco tempo atrás e formulou um comentário sarcástico, mas decidiu não falar nada quando Regina sorriu.
— Acho que você perdeu uma aposta.
Killian apareceu e chamou Regina.
— Precisamos conversar, bem rapidinho— Killian disse.
— Não saia daqui, flor. Eu já venho.
Os dois sumiram no meio do pessoal e minutos depois Regina voltou enfiando um bolo de dinheiro no bolso da blusa e deu um meio sorriso para Emma.
— Acho que você vai precisar de mais roupas.
— Você realmente vai me fazer ficar no seu apartamento por um mês?
— Você teria me feito ficar sem sexo por um mês?
Emma riu, sabia que teria feito isso.
— Ok, ok... É melhor darmos uma parada no Brooklin.
Regina abriu um sorriso de alegria.
— Isso vai ser interessante.
Regina puxou Emma para fora do clube, onde as outras meninas estavam, a todo o tempo, por onde Regina passava todas as mulheres a encaravam e davam risadinhas. “Que bando de desesperadas” Emma pensou. Quando chegaram ao ar livre a loira perguntou:
— Por que diabos você quer que eu fique na sua casa?
Regina deu de ombros, erguendo os pés para olhar além de Emma, procurando Bette.
— Sei lá, tudo fica melhor quando você está por perto.
— Hey!— Ruby chegou correndo, abraçando Emma por trás. – Vocês sumiram!
— Estávamos perto do telão. Emma tem uma novidade pra vocês.— Regina riu, empurrando a loira com os ombros.
Emma explicou todo o lance da aposta e Ruby vibrou, aparentemente ela e Zelena estavam ficando sérias e Zel adorou a ideia de ter Ruby por perto também. Elas não conseguiram encontrar Bette e Helena e então decidiram ir para o Brooklin pegar as “mudanças pra um mês” como disse Zelena e antes de voltar pra casa pararam pra comer em um fast-food qualquer.
Quando Regina desceu do carro choveram flashes de todos os lados e na outra porta dois homens cercaram Emma.
— Regina, Regina, essa sua nova namorada?
— Regina, ela é a moça do chalé?
— Regina, vocês estão juntas há quanto tempo?
Vários paparazzis falavam ao mesmo tempo, fotografando repetidamente. Zelena tirou seu casaco e cobriu Emma, enquanto Regina colocou óculos escuros e foi na frente delas, com uma mão cobrindo o rosto. Assim que entraram no estabelecimento Emma perguntou atônita:
— O que foi isso?
— Com o tempo você se acostuma, Emma.— Zelena disse olhando o cardápio.
— Porque diabos eles falaram que eu era sua namorada, Regina? Como eles sabiam do chalé? Você não tinha me garantido que era seguro lá?— Emma disparou em direção a morena.
Regina se jogou na cadeira mais próxima e bufou irritada.
— Sim, eu falei, e eu não menti. Só que alguém que estava naquela festa vazou algo pro TMZ, e eu tenho certeza que é a vaca da Marina.
— Tinha umas cem pessoas lá, Regina, para de perseguição.— Emma disse.
— Você não conhece ela.
— Tá, mas isso é o de menos agora. Que grande merda, eim? Amanhã minha cara vai estar em todos os jornais do país, aliás do mundo. Que lindo, era tudo o que eu precisava.— Emma falou irritada.
— Eu falei pra Tinker dar um jeito nisso, que droga. Era pra ter pago o quanto fosse necessário pra comprar a informação, mas ela com certeza preferiu a outra alternativa.— Regina olhou irritada para Zelena e depois fez cara de desgosto para Ruby.
— Que outra alternativa?— Emma questionou.
— Bom... Como você aceitou ir ao baile com a Lily, pensamos, quer dizer, eu pensei, na possibilidade de vocês duas chegarem com a gente, aí vão ver vocês juntas e na hora já vai ser descartada a possibilidade de estar rolando algo entre você e a Regina. Até porque, qual o problema nisso? Até onde eu saiba vocês são apenas boas amigas, né não?— Ruby disse erguendo uma sobrancelha.
— Tá, mas isso significa dar as caras pro mundo mais uma vez.— Emma virou os olhos.
— Sim, mas apenas mais uma vez, pense que, essa é a melhor forma de acabar com os rumores e consequentemente não envolver mais ninguém nisso tudo.— Ruby olhou para Regina, como se fizesse Emma lembrar de algo— A partir do momento em que perceberem que você não tem nada a ver com a Regina você vai perder a graça pra eles, Emma. A sorte já foi lançada, amiga. Não dá mais pra reverter isso, é a sua única opção.
— Porque vocês falam como se fosse um pecado mortal a Emma ficar mundialmente conhecida? Meu deus, vocês são muito estranha às vezes! O que tanto vocês escondem?— Zelena indagou.
— Nada demais— Emma disse – Gente, na real que eu quero ir pra casa, precisamos mesmo comer aqui?
Regina se virou para Emma com um olhar desolado.
— Você não vai mais ficar lá em casa?
— Aposta é aposta, Regina. E eu sempre honrei as minhas. Porém, pode ser a partir de amanhã? Hoje eu só quero dormir na minha própria cama e poder processar tudo isso sozinha.
Emma deu um meio sorriso, mas seu coração estava apertado. As coisas estavam começando a sair fora de controle de todas as formas possíveis.
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