Beautiful Days

1 ◇ . único


Notas iniciais
Se passa após os acontecimentos do episódio 9 e nada aqui tem relação com os episódios subsequentes. É apenas o ponto de vista da Chidori sobre tudo.

Por 12 anos, Katsuhira fora seu único amigo e ela era sua única amiga. As pessoas tendiam a se afastar um pouco de si por causa da sua amizade com seu amigo de infância – o garoto morto, como costumavam chamar.

E então, perto das férias de verão Tenga apareceu. Não tinha virado sua amiga de primeira, tinham apenas um amigo em comum, Kacchon, mas em dois dias acabaram virando amigos também. As coisas fluíam fácil demais com Tenga, Chidori não sabia como alguém ser tão... Não sabia dizer se conhecia uma palavra que pudesse o definir. Ele era tão descomplicado e pensar nisso que deixava tudo complicado.

De qualquer forma, ficou feliz por Katsuhira, que tinha conseguido um amigo.

Eles tinham um amigo.

O Projeto Kizuna não foi de fato, uma boa notícia, mas sua amizade com Niyama Nico foi à primeira vista. A garota excêntrica lhe cativou instantaneamente. Nico não era tão estranha quanto aparentava, apenas escondia sua normalidade e isso a tornava estranha para Chidori. Não entendia ainda como alguém gostaria de ser estranha, mas acabou por gostar daquele lado dela também.

Yuta tentou o máximo possível se manter longe de todos, mas Tenga e Hisomu eram evasivos o suficiente para forçá-lo a se enturmar e ainda arrastando Kacchon junto. Niyama fazia o mesmo com Maki, e Chidori admirava Nico por isso. Sempre que Maki lhe dava aquele olhar frio, ela congelava na hora, não tinha e nunca teria a coragem de confrontá-la. E Hisomu, bem, ele era um cubo mágico demasiado confuso para Chidori,porém com ele, Kacchon se dava estranhamente bem demais – o que a deixava em uma mistura de apreensão e felicidade. Kacchon o entendia, mas a mente dele era infantil comparada à de Hisomu e tinha medo dele acabar como um masoquista também.

Eram um grupo de estranhos, com os gostos e personalidades mais diversos possíveis, mas mesmo assim acabaram virando amigos.

E Chidori não podia estar mais feliz, finalmente tinham amigos de verdade, ela e Katsuhira.

Fora divertido acampar, tirar fotos juntos, nadar no rio, comer aquele enorme prato de arroz – tanto que dias depois, fizeram o mesmo em uma sorveteria. Naquele dia, Yuta quase visitou o hospital de tamanho medo que tinha de engordar novamente. Foram dias incrivelmente cheios de luz e calor, mesmo que fosse a temporada de chuva e tudo estivesse cinza e molhado. Apesar do tornozelo torcido, da dor de barriga, de ser perseguida por Kamaishi, da febre baixa após nadar de roupas na água fria do rio e dos raptos súbitos dos Gomorins, havia se divertido bastante.

Antes da tempestade vem a calmaria, afinal.

Pensando agora, esses dias pareciam distantes. Como se tivessem sido há mais de um ano e não há uma semana.

Não ouvia mais a voz de Tenga no apartamento ao lado, nem os resmungos de Hisomu. Não via mais o sorriso radiante de Nico. Nem ouvia as cantadas de Yuta pra Maki e as respostas afiadas da garota. Não conseguia mais bater na porta ao lado para entregar comida para seu amigo de infância.

Encolheu-se nas cobertas, o embrulho no estômago e sua garganta fechada a impediam de dormir.

Sequer sabia como lidar com seus sentimentos por Katsuhira, com os sentimentos de Tenga seria ainda mais que impossível. E ainda havia Niyama, não queria machucá-la, mas não respondendo aos sentimentos de Tenga, estaria machucando-a. Katsuhira amava Sonozaki, agora estava mais do que óbvio, sequer podia ficar com a posição de amiga de infância, Sonozaki a havia roubado também. Lembrar do sorriso de Honoka ao dizer que não poderiam ser amigos só deixava tudo pior, bem pior.

Deixaria de lado quaisquer interesses amorosos apenas para continuar amiga de todos, mas era tarde demais.

Ainda havia o Projeto Kizuna, sua marca permanecia lá e duvidava se iria mesmo sair como Sonozaki havia dito.

Também se questionava se algum deles poderiam sentir o que ela sentia no momento, toda sua confusão, sua dor e mesmo o fio de esperança de um final feliz.

Com lágrimas escorrendo pelo rosto, forçou-se a lembrar dos bons momentos das férias de verão, dos sorrisos e gargalhadas que deram, dos passeios, das refeições que dividiram – literalmente, até do teste de coragem – que acabou sendo carregada por Kacchon, de cada um dos belos dias que agora só podiam ser reproduzidos na sua memória, pois não eram mais nada que lembranças.

Notas finais
Espero que tenha gostado ♥.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!