A confusão que foi gerada em I-Island demorou a se acalmar, mas quando tudo foi resolvido, Dave e os outros cientistas responsáveis pelos eventos daqueles dias, se recusaram a cancelar tudo, apenas adiando para os dias seguintes, enquanto organizavam todos os destroços causados pela luta de All Might e seus estudantes contra os vilões.

Era também um tempo dado para os feridos se recuperarem e todos descansarem, para então voltarem com as festividades prometidas na ilha.

Quando tudo pareceu se normalizar, um baile foi dado para comemorar mais uma vitória dos heróis.

E, é claro, todos os estudantes da U.A. que já estavam presentes na ilha foram convidados de honra – Melissa e Dave fizeram questão disso.

A festa era de gala e homens com seus ternos e mulheres com vestidos longos andavam por todo o salão, aproveitando da música, da comida e da boa companhia daquela noite.

Os aspirantes a heróis não eram diferentes.

Momo estava sentada sozinha na mesa que ela e os amigos dividiam, vendo de longe que Mineta não tirava os olhos de Melissa, parecendo inconformado com o fato de que Midoriya não desgrudava dela e nem mesmo All Might, e a morena não pode deixar de suspirar aliviada por isso, se sentindo culpada logo depois pelo ato. Lá estava ela, se sentindo grata pelo garoto não estar a assediando, mas fazendo isso com outra garota.

Mas Mineta era mesmo um caso perdido, afinal, não tinha muito o que fazer sobre ele.

Ela olhou ao redor pela festa novamente, vendo Bakugou e Kirishima em um canto mais afastado. O ruivo ajeitava a gravata de um rabugento Katsuki, que fazia caretas de desagrado, mas não afastava o contato do amigo.

Momo riu diante disso.

Eles foram juntos para aquela viagem e estavam até mesmo dividindo um quarto. Se ela fosse uma amiga provocativa, diria até que eles pareciam um casal recém casado, passando a lua de mel naquela ilha.

Mas ela nunca comentaria tal coisa. Até porque provavelmente Kaminari falaria aquilo a qualquer momento mesmo (em alto e bom som, obviamente pronto para enfrentar as consequências depois disso).

— Yaoyorozu, quer dançar? — Momo tirou os olhos dos dois, agora notando a presença de Todoroki a sua frente, com a mão estendida em sua direção, olhando para ela.

— T-Todoroki-san! — Exclamou, surpresa não pelo amigo estar ali, mas pelo que ele tinha dito.

Ele queria… dançar com ela?

Shouto permaneceu em silêncio, aguardando uma resposta sua, ainda com a mão estendida.

E Yaoyorozu demorou alguns segundos para processar que era realmente isso o que ele tinha falado, antes de murmurar um atrapalhado “sim” e se levantar, pegando na mão do garoto.

Seu coração começou a se agitar tanto dentro de seu peito que ela jurava que a qualquer momento Todoroki ouviria e perguntaria se ela estava bem.

E a resposta é que não. Ela não estava, já que sentia tudo dentro de si se agitar por estar tão perto de Shouto, por estar dançando com seus corpos quase colados, graças a música lenta que era tocada.

— Me desculpe, eu não sei dançar muito bem — Ele murmurou em dado momento, enquanto segurava sua mão e sua cintura.

Seus passos eram lentos, mas não eram tão desajeitados assim, e Momo riu de leve com seu comentário.

— Você é modesto, Todoroki-san, certamente sabe dançar melhor do que muitos dos nossos colegas de classe daqui — Ela comentou, pensando em como Iida estava dançando mais cedo com Ochako.

Definitivamente a dança de robô do garoto não combinava muito com o clima da festa, mas nem ele e nem Ochako pareciam se importar no momento, apenas concentrados em se divertir na pista de dança.

Todoroki sorriu, continuando a conduzir Yaoyorozu em silêncio.

O comentário dele a deixou um pouco mais leve, ainda que estivesse internamente um pouco agitada pelo contato e por justamente se tratar dele.

— Mas eu não imaginava que gostava de dançar, Todoroki-san — Momo então falou, tentando distrair sua mente e se acalmar ainda mais.

— E não gosto. — Ele respondeu, parecendo um pouco distraído também — Mas eu vi os olhares que você estava recebendo e os estranhos que te chamavam para dançar, imaginei que pudesse estar desconfortável.

Momo quase parou de dançar com isso, surpresa pela resposta dele.

Ela não percebeu que tinham pessoas a encarando. E é claro, tinha recusado alguns convites de dança por completos desconhecidos que se aproximavam dela, mas aquilo não era nada demais.

Esse tipo de coisa não era novidade para ela, mas Momo esteve tão distraída momentos antes, observando os amigos, que nem ao menos tinha se importado.

Mas Shouto se importou. E quis ajudá-la.

Ela se sentiu culpada então, o pensamento de que ele só tinha a convidado para dançar para ajudá-la a não ficar desconfortável ali.

E agora ele estava em uma posição desconfortável.

— Oh, mas não precisa dançar se não quiser, eu não quero te atrapalhar… — Momo dizia, se afastando um pouco dele e olhando-o nos olhos.

— Você nunca me atrapalha, Yaoyorozu — Todoroki a cortou, continuando a guiá-la na pista de dança enquanto a música prosseguia, encarando-a de volta — Eu a convidei porque quis, não é ruim dançar com você.

— Mas achei que você não gostasse…

— Não me importo.

Yaoyorozu se calou com isso, voltando a se aproximar mais do garoto, encaixando mais seus corpos naquela dança lenta e repleta de sentimentos envolvendo o casal.

Todoroki queria dançar com ela, não somente para afastá-la de uma situação embaraçosa, mas por vontade própria de querer estar com ela ali.

Não iria reclamar mais.

E então os dois seguiram dançando, sem se importar com quantas músicas se passavam, apenas aproveitando aquele momento único deles.

Enquanto isso, observando o casal ao longe, estava Jirou, sorrindo e pensando como Yaoyorozu conseguia enganar somente Todoroki mesmo, já que seus sentimentos estavam praticamente transparentes há tempos em relação ao meio a meio. Assim como os sentimentos dele pela morena também estavam bastante claros.

— Jirou, vamos dançar! — Kaminari simplesmente surgiu ao seu lado, parecendo um pouco ofegante.

Ela ergueu a sobrancelha, suspeita.

— Bakugou está querendo te matar, não é? — Não precisava ser um gênio para adivinhar aquilo.

Kaminari abriu um sorriso.

— Eu despistei ele com a ajuda do Kirishima. — Ele explicou, coçando a cabeça com uma mão, rindo — Então, quer dançar? Nós temos que aproveitar!

— Achei que você não tinha gostado de mim nesse vestido — Kyouka comentou, se lembrando bem do que o amigo tinha dito no outro dia quando ela apareceu com aquele tipo de roupa, zombando dela.

— Eu nunca disse isso, você só está diferente! — Kaminari se corrigiu, arrependendo mentalmente de ter caçoado da garota. Não é que ela estava feia, mas ele gostava muito mais de Jirou do jeito que ela era normalmente, com calça, luvas e todo aquele jeito “masculino” de ser! — Vamos lá, Jirou! Eu ainda te acho incrível de qualquer jeito, mesmo fingindo ser feminina e tudo!

Ok, talvez ele não devesse ter dito aquilo daquela forma.

A expressão no rosto de Jirou não ficou nada amigável e ela se levantou, descruzando os braços e olhando-o irritada.

— Seu idiota! — Exclamou, saindo de perto dele.

— Ah, ei Jirou, espera! Droga! — Kaminari também falou, indo atrás dela enquanto mais uma música se iniciava e os casais permaneciam na pista, dançando como se nada tivesse acontecido.

Bem, algumas coisas não mudavam nunca.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!