Beautiful
1 Todo Dia
Notas iniciais
Aquele dia foi como todo dia. Estava preocupada com o novo ano letivo que estava começando. Levantei cedo, minha mãe me preparou um misto quente e café com leite, depois de comer desci as escadas do meu prédio e fui para meu colégio.
Eu me chamo Vanessa, faz pouco tempo que fiz dezesseis anos. Queria dizer que sou bonita, magra, tenho uma cintura perfeita como muitas garotas do meu colégio, mas não tenho. Eu não sei por que e nem como isso foi acontecer comigo, mas, sei que é uma realidade.
Não lhe ocuparia dizendo minhas características físicas. Detesto-as! Simplesmente não consigo conviver tão bem com isso. Ainda assim não posso desistir de viver.
Ainda bem que tenho uma mãe compreensiva. Já meu pai, vocês podem imaginar que ele seja aquele estereotipo de pessoa que pega no pé dos filhos adolescentes e só. Não. Estão enganados, meu pai nunca pegou no meu pé. Exceto para dizer com voz bem grave o quanto eu sou gorda, comilona e que eu estou em acabando, as minhas primas tem um corpo maravilhoso e eu sou a baleia da família.
Sempre foi assim, acho que desde que eu nasci. Já fui a vários médicos, psicólogos e de nada adiantou. Eu estava prestes a desistir de ter animo e me aceitar, quando algo aconteceu.
A primeira aula do dia foi muito boa. Reencontrar os amigos e conhecer os novatos. Nossa sala mudou para outra sala como era de se esperar e o segundo ano estava com mais cadeiras. Alguns professores continuaram e outros chegaram para nos dar às boas vindas. Seria um ano longo e com muito mais conteúdo.
O mais legal foi encontrar de novo minha amiga Luciene. A gente se conheceu na quinta série e desde então ficamos melhores amigas. Eu contava tudo para ela e ela para mim, nos apoiávamos e passávamos horas no telefone. Minha vida mudara muito depois que conheci Luciene.
Quando tocou para o intervalo nos juntamos no pátio e colocamos as fofocas em dia, foi maravilhoso. Aline e Bianca eram duas garotas esnobes da nossa sala. Elas tinham mania de irritar Luciene e a mim também.
Henrique faltara como era de se esperar. Ele era nosso amigo, na verdade nosso único amigo homem. Ele completava nosso trio, sempre ficávamos juntos, mas ele faltava bastante. Apesar de faltar muito ele era meu porto seguro, Luciene era sim uma ótima amiga, mas ele era muito mais. Um tipo incomum de garoto, sensível, entendia as mulheres e era muito engraçado. Uma vez eu contei coisas que nunca contei nem para minha mãe para ele. Ele também me contou muitas coisas. No começo ficamos envergonhados, mas depois falávamos de tudo sem medo.
O primeiro dia do novo ano letivo tinha sido normal e bem agradável. Voltei para casa e esperei minha mãe com o almoço. Meu pai ficava muito em casa, ele não trabalhava fazia tempo, depois de ser demitido.
Todo dia era a mesma coisa, o almoço demorava, minha mãe fazia plantão no hospital e chegava sempre de madrugada, isso quando ela não passava horas bebendo com as amigas em um supermercado. Muitas vezes tinha briga porque ela às vezes esquecia de trazer meu jantar e o do meu pai. Mas sempre depois da briga eu ia dormir com fome, ou meu pai saia bem tarde para comprar alguma coisa para mim.
Eu não diria que minha vida é dura. Diria sim. Para um adolescente que precisa de certas necessidades. Mas isso era de menos. Meu corpo era meu drama.
Mas eu sempre contava com o dia de amanhã. Achando que ele seria melhor e mais animador. E dessa vez seria.
Fale com o autor