Beatlaculous
5 Everybody’s got something to hide except for me and my monkey
Notas iniciais
Adrien estava sentado em um dos bancos do parque, aguardando Nino. O dia era tranquilo e ele não podia estar mais feliz por estar fora de casa sem compromissos profissionais, sem aulas e, principalmente, sem akumas. Era só o Adrien, sendo um rapaz normal que passaria a tarde de domingo com o amigo. Obviamente, com Gorila o observando de uma distância segura, porém que lhe daria alguma privacidade. É o preço de sua fama (e da superproteção do pai).
Mas nenhuma calmaria seria normal para ele se não houvesse a vozinha ligeiramente rouca saindo de sua jaqueta, com ar suplicante.
− Por favooorrr… me dá queijo…
− Plagg, eu não tenho queijo aqui. Não posso sair sempre fedendo e a Nathalie já está estranhando. Que tipo de pessoa normal sai por aí com fatias de camembert no bolso?
− Você não tem que justificar. Só tem que me alimentar. Se aparecer algum akuma, não conte comigo para se transformar. Estou muito fraco! – Plagg deitou-se sobre a mão de Adrien, como se desmaiasse. E ali ficou fazendo drama por algum tempo.
− Plagg, isso não é hora para brincadeira! O Nino está quase chegando. Se esconde!
Mas não deu tempo. O Kwami ainda estava sobre a mão de Adrien quando os dois foram surpreendidos por um grito:
− A-ha! Te peguei!
Era Nino, tentando – e conseguindo − dar um susto no amigo. E antes que Adrien pudesse esboçar qualquer reação, Nino já se sentou ao seu lado, olhando a criaturinha assustada que pulou para dentro da roupa do loiro.
− Ei, o que é isso aí?
− I-isso o quê? – tentou disfarçar Adrien.
− Ah, nem vem! Eu vi o bichinho que você escondeu aí. Oh, cara, me mostra. – Nino tentava olhar dentro da jaqueta do amigo.
− Não, Nino, não é nada importante...
− Ei!!! – Plagg saiu de seu esconderijo, desconsiderando totalmente as ordens de não se tornar público. Queria tirar a limpo sua desimportância, mas Adrien rapidamente o levou para dentro de sua jaqueta de novo.
− Cara, que bonitinho! É algum animal exótico?
− Er... sim... é um... um... raro... mico! Isso, um mico anão chinês... com... com... cara de gato! Raríssimo! Ainda em estudo. Ele faz esse som estranho “ei, ei”. – Adrien estava nervoso por não conseguir pensar em nada melhor e sabia que tudo que disse era uma asneira sem tamanho.
− E você diz que não é importante? Como você conseguiu um desses? É contrabandeado?
− É mais ou menos isso... Nino, ninguém pode vê-lo.
− O pai da Alya é tratador no zoológico. Será que ele conhece? – E começou a gritar para a amiga que se aproximava (por trás de Adrien, que não a tinha visto) – Alya, Alya. Veja isso. Será que seu pai conhece?
− Não! – Adrien, tentou, em vão, esconder Plagg, que estava se fazendo de mico, para disfarçar.
− Qual é, Adrien, relaxa. A Alya é nossa amiga, é de confiança. Aliás, espero que você não se importe. Eu a convidei pra ficar aqui com a gente. Ela estava me enchendo o ouvido no telefone, que estava entediada, que não tinha novidades pro blog, e blá-blá-blá...
Adrien mal ouvia Nino. Olhou para a direita para ver se Alya estava perto, quando ela chegou pela esquerda, já se sentando do outro lado de Nino.
− Olha, que bonitinho! Que tipo de bicho é?
Plagg dava saltinhos, macaqueando, enquanto Adrien o puxava para perto do corpo, tentando não mostrar mais detalhes dele. Mas Nino puxava a mão dele, para mostra-lo para Alya.
− Adrien, facilita e mostra logo pra Alya! – Nino puxou parte da jaqueta de Adrien e expôs Plagg. − É um mico chinês raro que Adrien conseguiu por contrabando.
− Ah, posso fotografar pro blog?
− Nãããão!! – Adrien se desesperou e segurou a mão da amiga, que já sacava do bolso o celular. – Quer dizer... ele é contrabandeado. Eu vou acabar sendo preso! Por favor, vamos fingir que ninguém o viu e parar de falar desse assunto?
− Adrien, eu sou sua amiga, mas preciso dizer que isso é muito errado! Tirar um bichinho tão fofinho desses de seu habitat natural. Que maldade... – Alya seguia com sua lição de moral enquanto pegava Plagg das mãos de Adrien e o acariciava. O Kwami deitou-se nas pernas dela rindo, pelos cafunés e da cara de desespero de Adrien.
− Por isso que eu tenho que leva-lo de volta! A-agora mesmo! Me devolve, por favor! – Adrien já suava frio e em bicas.
− Calma, Adrien. Relaxa. O bichinho já está aqui mesmo... – Nino também mexia com Plagg – O que ele come? De que parte da China ele vem? Tadinho, não tem as mãos nem os pés... é da espécie ou é uma falha genética? Alya, vamos ver na internet se achamos alguma coisa sobre esse mico? Ei, aquela ali não é a Marinette?
− Sim, eu a convidei pra vir aqui também. Ela também não tinha nada pra fazer. – Alya fazia sinal para que a amiga os visse e fosse ao seu encontro.
Adrien já nem conseguia esconder o medo.
− Ah, não! Mais uma! Gente, ninguém pode saber do Pl… miquinho.
Mas era tarde. Marinette veio rápido e acabou tropeçando. Caiu de joelhos em frente a Alya, ficando de cara com Plagg. Ela encarou o Kwami assustada, enquanto Adrien se levantou para ajuda-la.
− Marinette, você está bem? Gente, deixa esse mico aí e vem ajudar a Mari! – Adrien tentava de qualquer maneira tirar a atenção dos amigos de Plagg.
Marinette normalmente ficaria vermelha e gaga diante da situação – se estabacando vergonhosamente em frente ao amor de sua vida e parecendo patética. Mas não dessa vez. Marinette levantou ainda encarando Plagg e nem se lembrou de cumprimentar os amigos. Olhou para Adrien e perguntou?
− De quem é esse k... quer dizer... O que é isso? – e apontou para o Kwami.
− É um raro mico chinês do Adrien – responderam Alya e Nino em coro.
− Mico? – Marinette olhou espantada para Adrien. – Seu?
Marinette tentava juntar em sua mente as informações de tudo o que viu, mas Adrien pegou Plagg das mãos de Alya e rapidamente o escondeu na jaqueta.
− Sim, é meu. Um tipo raro de mico anão chinês com cara de gato. Ele foi contrabandeado então ninguém pode saber dele! – respondeu rispidamente Adrien, tentando encerrar o assunto. – E ele está ficando cansado com tanta gente mexendo nele. Me desculpem, mas eu preciso ir pra casa alimentar meu miquinho. Vejo vocês depois.
Adrien nem esperou pelas respostas e já se dirigiu até a saída do parque.
− O Adrien estava nervoso, né? – disse Alya enquanto via o modelo se afastar apressadamente.
− É essa história de manter animal raro como de estimação. Contrabando de animais é um crime muito sério. Nem sei o que deu na cabeça do Adrien de fazer uma coisa dessas. – ponderou Nino.
− Não faz o tipo dele. O que você acha, Marinette? – Alya virou-se para a amiga, mas ela não estava mais com eles. Tinha saído correndo rumo a saída do parque, atrás de Adrien.
Já do lado de fora, Adrien estava ofegante. Parou recostado na grade, para tomar ar, e checar o estado de Plagg, antes de encontrar Gorila.
− Ufa! Eu não podia ficar pagando de mico por nem mais dois minutos. – Plagg fuzilava Adrien com os olhinhos verdes.
− Ainda bem que saímos de lá.
− Você me paga, viu? Vão ser muitas fatias de queijo para compensar essa encenação toda!
− Será que eles acreditaram em minha história? – os dois se entreolharam, preocupados.
− Adrien. – Marinette chegou por trás do loiro e tocou seu ombro, o fazendo pular de susto.
− Ma-Marinette, o que faz aqui? – perguntou Adrien claramente nervoso.
− Eu... vim oferecer comida... para o miquinho. Ele gosta de cookies?
− Não sei. Comigo ele só come queijo. Mas eu vou alimentá-lo em casa. Obrigado, Marinette. – Adrien virava-se para ir embora, antes que tivesse que dar mais explicações, mas sentiu um leve toque da mão de Marinette segurando seu braço.
− Espera. É que... eu... também tenho um “mico”. – Marinette enfatizou o termo, gesticulando as aspas. – Mas o meu é mais raro, pois não tem cara de gato negro. E é vermelho. Como uma joaninha. – essa informação deixou Adrien de queixo caído. − Bem, se você quiser ir mais fundo nesse assunto, me procura depois. Quando se sentir pronto. – Piscou um olho e saiu, indo novamente em direção ao parque.
Adrien ficou ali parado, vendo Marinette se afastar, boquiaberto. Estava processando as informações e, ao chegar à conclusão óbvia, começou a rir.
− Todo mundo tem alguma coisa pra esconder, até a Marinette! Quem poderia imaginar que justo ela é a portadora do “mico” da Ladybug?
Plagg, ainda mal humorado cortou logo o assunto:
− Ei, chega com essa história de mico. Vamos logo pegar algum queijo.
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