Beatlaculous
1 Devil in the heart
Notas iniciais
Kim estava decidido a conquistar o coração de Chloé. A menina já tinha dado alguns sinais de que ele teria chances. A princípio, ela confiava nele para ajuda-la em seus planos e projetos, como quando, mediante ao diretor da escola, ele foi sua testemunha de que Alya estava a vigiando e invadindo a sua privacidade quando fotografou seu armário aberto. Foi em seus braços que ela se aninhou quando se sentiu vulnerável a essa perseguição gratuita.
Em segundo, ela era boa ouvinte e confidente. Para ela, Kim revelou seu medo de aranhas e seu sonho de correr mais que uma pantera. Ela se divertia e estimulava seus devaneios bobos, e nela ele podia confiar de que nada disso deixaria de ser segredo.
Kim não ligava para a má reputação de Chloé. Sim, por vezes ela exagerava em suas atitudes. Coitada, ela não tem muito trato com as pessoas. Mas só ele enxerga como ela é afetuosa com os amigos mais próximos. Enche a Sabrina de presentes e é tão boa amiga que a nerd faz qualquer coisa por Chloé, inclusive seus trabalhos escolares. E como a loira é carinhosa com seu amigo de infância, o Adrien! Kim se incomoda de ver tamanho carinho, mas sabe que esse modelo mimado não perde a chance de estar perto de sua Chloé e fica a seguindo!
No fundo, no fundo, Kim nunca entendeu direito porque a menina não gostava de Marinette e sempre tentava fazer algo para constrangê-la ou desmerece-la. Mas provavelmente a Dupan-Cheng já aprontou alguma para a Chloé! Elas já se conhecem há muitos anos, essa história bem mal contada deve vir lá do passado. Marinette, com essa cara de boazinha... engana todo mundo. Menos a Chloé, que é linda e tão inteligente que conhece as pessoas só de vê-las com seus penetrantes olhos azuis.
Então era isso: Kim queria namorar a Chloé. E como ela é uma garota romântica e sensível, nada melhor que lhe dar um presente no Dia dos Namorados. A ideia era boa, mas estava incompleta. O que ele poderia dar para uma garota de bom gosto e que já tem tudo? Ele não sabia, mas conhecia alguém que sim: o Max! Porque Max é inteligente e o que não sabe, descobre! E kim foi atrás dos conselhos amorosos do amigo nerd.
− Max, chega junto. Preciso de uma ajuda especial, secreta, que é segredo e que se você contar pra alguém, vou te matar – dizia Kim, socando a palma da mão esquerda, com olhar ameaçador.
− E essa é a melhor maneira que você encontrou de me pedir um favor? Vejamos... numa análise rápida eu diria que você está desesperado por um conselho ou está pendurado em matemática de novo. – Max mantinha-se inabalado pela ameaça, sem tirar os olhos da tela do notebook.
− Eu... preciso de um conselho.
− E de ajuda com matemática. Eu vi sua nota da última prova. – Max olhou Kim por cima dos óculos.
− Mas o conselho é mais urgente. Eu quero dar um presente para uma menina e não sei nem por onde começar.
− Vamos começar pelo começo. Preciso saber como é essa garota, o que faz, do que gosta e do que não gosta. Vamos traçar um perfil, listar opções de presentes, avaliar seus recursos e definir estatisticamente o que você precisa comprar.
− Bem, ela é linda, é rica, e é engraçada, e é gostosa, e é incrível, e é delicada, e é maravilhosa... eu já disse que ela é linda?
− Pela sua capacidade descritiva creio que ficaria mais fácil se eu soubesse quem é ela. Eu conheço?
− Sim.
− Vai me dizer quem é ela?
− É a Chloé.
− Essa não, Kim! Pensei que você já havia superado essa fase! – Max respondeu balançando a cabeça em negação.
− Ei, isso não é uma fase! – Kim gritou enquanto mostrava o punho para Max, mas em seguida baixou a guarda e o olhar. – Isso é amor verdadeiro.
− Mas... é a Chloé. E você sabe como é a Chloé.
− Sim, só eu sei como é a Chloé. Ela é maravilhosa! – Agora Kim tinha no rosto a expressão de um sonhador iludido.
− Eu não queria ser a pessoa a dizer isso, mas essa garota tem o demônio no coração, meu amigo. Ela vai partir seu coração ao meio.
− Demônio? Ao contrário: ela é um anjo! – Kim virava o rosto e cruzava os braços, com despeito.
− Mas ela vive atrás do Adrien! Todo mundo sabe disso. – Max olhava para Kim, incrédulo.
− Não, você está enganado. Eles são só amigos.
− A Chloé só se aproxima de você quando quer alguma coisa. Não acho que ela seja sua amiga. Nem mesmo da pobre da Sabrina ela parece amiga.
− Não acredite nisso, Max. Você é muito inteligente para se deixar levar pelo o que os outros falam dela.
− Ela não gosta de você! Pronto, falei! – esse foi o ultimato de Max. Ele não podia mais ver seu amigo pagando de advogado do diabo.
− Mentira! – Kim novamente parecia nervoso e ameaçador. − Ela já demonstrou várias vezes que gosta de mim. E só falta um pouco pra ela me amar.
Max, a essa altura, já via Kim como uma causa perdida. Finalmente compreendeu que para seu competitivo amigo se arriscar era muito importante e que ele não entra entraria nessa para perder. Não tentaria mais convencê-lo a desistir da empreitada, então o que lhe restava era ajudar, em nome da amizade entre eles.
− Bem, então vamos ao presente. Vou fazer uma pesquisa e tentar descobrir o que mais pode combinar com o gosto refinado da Chloé. Vamos torcer para eu conseguir encontrar algo que ela não tenha.
Alguns dias se passaram e finalmente o Dia dos namorados chegou. Depois da aula, Max chamou Kim para mostrar-lhe o resultado de sua pesquisa. Tinha em mãos uma joia para o presente e traçou um trajeto que o esportista deveria seguir para surpreender a garota de seus sonhos.
− Operação dia dos namorados está começando. De acordo com a minha pesquisa e referência cruzada de sites de compra online, essa jóia foi a maior classificada em popularidade.
− A-ha! Isso é perfeito, Max! Eu espero fazer um golaço com essa. O amor é igual futebol, né?
E por aí foram, seguindo o plano. E o que veio depois creio que todos nós sabemos. Se você ainda não sabe, tenho somente duas palavras para você: Cupido Negro!
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