Beating Down Your Pride
2 II - A Thorn in my Pride
Notas iniciais
Enfim :D
— Cansei. Enchi o saco de você. Não sou de dar golpe da misericórdia em inválido. Mas pelo menos valeu pela diversão, Kuchiki. — Zaraki agitou o braço fazendo a espada cuspir sangue no chão. — Tá vendo? — disse, apontando para o talho enorme que tinha no peito causado pelo golpe rival. — Parece que no fim das contas o nosso sangue é da mesma cor, nobre de merda.
Byakuya retorceu-se no chão. Gemia, tremia, arfava. Senbonzakura havia retornado à sua forma habitual, e a bankai desvanecera-se por completo. Estava deitado com o peito virado para baixo. Grunhindo, ergueu as mãos para cima tentando agarrar o haori do homem, mas Kenpachi nem precisou se mover do lugar para frustrar a investida. Agachou de frente ao capitão moribundo e apanhou seu rosto com uma mão, forçando os olhos derrotados a encará-lo. Byakuya nada disse. Nada tinha a dizer.
— Escuta, Kuchiki. Tá lembrado de quando disse que tínhamos um acordo? Você não pareceu muito disposto a recusar. Pois então. Tenho um presentinho pra você. — Kenpachi abriu um sorriso que parecia ainda mais medonho com seus dois olhos descobertos. — Vê se trata de dar um jeito nesses cortes e aparece lá no meu esquadrão quando der conta de parar em pé sobre as duas pernas.
Cambaleando e com sangue vertendo das feridas, Byakuya usou sua zanpakutou como apoio para levantar. O shihakusho estava completamente dilacerado, deixando o tórax ensanguentado à mostra. Ofegou ruidosamente antes de conseguir falar. Quando a voz saiu, parecia um sopro rouco vindo de dentro de uma caverna.
— E se eu recusar?
— Bem... Então acho que eu vou ser obrigado a espalhar por aí sobre a surra feia que você levou. Mas se tiver amor por esse seu orgulho imbecil, não vai recusar. Tô errado?
Byakuya guardou sua espada na bainha e deu de costas.
— Como era de se esperar de uma aberração sem o menor escrúpulo. — Ao mesmo tempo em que terminara de falar, sua presença também desapareceu daquele lugar. Não seria nada agradável se desse a chance para outra pessoa flagrá-lo naquele estado deplorável.
–xxx-
Os ferimentos mais graves estavam praticamente curados. Ainda havia algumas escoriações nas costas e luxações nos ombros, mas Byakuya dispensou Rikichi antes que terminasse de tratá-las. O garoto tinha experiência limitada em kidous medicinais, então, era natural que o processo de cura demorasse um pouco mais. Passou metade da tarde e uma parte considerável da noite ali. Byakuya não estava com paciência para aturar aquilo por mais tempo.
Estava ansioso, mas, de uma forma ou de outra, havia dado sua palavra. E mesmo que não a proferisse claramente, cometera o erro infeliz de deixar que soberba abrisse caminho para Kenpachi selar o que bem entendesse: “Faça como quiser”, dissera. E um Kuchiki que se preze não volta atrás com sua palavra.
Sairia da mansão naquela noite para honrar o acordo, seja lá o que aquele brutamonte tivesse em mente. Queria se ver livre daquela pendência de uma vez por todas e não pretendia hesitar. Afinal, já havia perdido a luta, que era o pior. Nada que Zaraki pudesse sugerir seria capaz humilhá-lo ainda mais. Nada. Disso estava certo.
Havia escolhido um yukata de tecido azul claro. A roupa tinha motivos de inverno, bastante leve para a noite fresca que fazia. Por cima vestiu um haori branco. Não o seu de capitão, mas um outro que fazia jus à distinção da casa Kuchiki. Prendeu senbonzakura no obi e saiu.
Quando chegou ao décimo primeiro esquadrão Byakuya não pode deixar de estranhar a quietude tanto nas áreas de treinamento como nos alojamentos. Esperava encontrar os viciados em luta ainda de pé, promovendo aquela pancadaria despropositada que tanto amavam. Mas no fim das contas, até mesmo aqueles truculentos precisavam de descanso para reabastecer as pilhas.
Os únicos soldados de pé eram os responsáveis pela patrulha do esquadrão. Byakuya passou ignorando todos eles e seus olhares indagadores, evitando ter que dar qualquer tipo de satisfação. Para chegar ao alojamento do capitão rodeou toda a ala do gabinete pelo engawa até dar de cara com os aposentos de Kenpachi. Ficou parado encarando a porta, esperando suplicantemente que sua presença fosse notada. Quando uma voz explodiu vinda de dentro:
— Não lembro de ter cortado seus braços fora, Kuchiki.
Byakuya fechou os olhos, respirou lenta e profundamente. Um arrepio varreu sua pele acordando os nervos, mas tratou logo de domá-los. Pôs a mão no puxador da porta de correr, abriu-a, e botou os pés para dentro de uma vez.
Era tudo absurdamente diferente do que esperava. O quarto era organizado, embora extremamente simples, quase rústico. Havia uma cama sobre os tatames, uma mesinha com apoio para chouchins e uma cadeira num canto. A decoração era inexistente. Salvo pelos desenhos no fusuma, que de nada ajudavam para dar vida ao lugar: um descampado com montanhas ao fundo.
— Tava ficando tarde, tinha começado a achar que não fosse aparecer. Quase fiquei triste. — Kenpachi deu uma risada sonora e seguida de um gole demorado direto no gargalo de uma garrafa. A bebida era desconhecida.
Não se deu ao trabalho de levantar do futon quando Byakuya chegou. Tinha um cachimbo na mão, que o Kuchiki deduziu ser a fonte de onde o cheiro entorpecente de fumaça e ervas vinha. Ele vestia um yukata cinza, liso, aberto até a metade do peito. Não parecia se preocupar com as cicatrizes à mostra. Principalmente a mais recente. Não deixou que o soldado que o curou reconstituísse a marca da ferida. Queria que todas ficassem ali, como vestígios das boas lutas que tivera. Eram praticamente de estimação. A cabeleira longa e espessa caía sobre os ombros com ares de displicência.
— Vim acabar logo com isso.
— Huh? — Kenpachi fez, pendendo a cabeça para um lado. Lançou uma olhadela no cinto do outro capitão. — Pra quê trouxe sua zanpakutou? Não vai precisar, tira isso daí.
O olhar do Kuchiki não fingiu surpresa àquilo.
— Por que eu deveria obedecer a suas ordens? É um hábito sensato que todo capitão carregue sua espada. Não acredito que o fato de tê-la trazido interfira no assunto a ser tratado.
Zaraki rodopiou os olhos, entediado. E antes que Byakuya pudesse terminar de piscar os olhos, o outro se levantou. Os pés do homem afundaram com peso no assoalho e nos ouvidos do Kuchiki. Cauteloso, Byakuya deu dois passos para trás, mas suas costas colidiram contra a parede.
Kenpachi postou-se de frente para ele numa proximidade não muito educada. Também se encararam num silêncio desconfortável por um tempo maior do que o desejável. A tensão fez nascer uma atmosfera confinante entre presa e predador.
O capitão da sexta quis atravessar a parede em busca de uma distância mais segura. Mas infelizmente não foi possível. Ao invés disso, sofreu um sobressalto que ecoou através de seus batimentos cardíacos.
Kenpachi tinha socado a parede rente à sua cabeça. Estava ainda mais perto. Sofrivelmente mais perto. Byakuya conseguia enxergar as ranhuras na cicatriz que ele tinha do lado esquerdo da face. O único olho descoberto trespassava-o através de uma pupila verde-escura. Zaraki fez questão de diminuir a distância um pouco mais. Byakuya engoliu o ar em aflição. Tentou alcançar a zanpakutou, mas a mão do outro tocou o cabo da espada ao mesmo tempo em que a sua.
— Vamos deixar umas coisinhas bem claras aqui, Kuchiki — disse. Byakuya sentia os dedos do seu desafeto sobre os seus, segurando firme a espada. Sentia também seu hálito quente sobre a face. Exalava a álcool, mas não era o doce do saquê, era outra coisa, algo mais encorpado. Seja lá o que fosse, o nobre decidiu que detestava aquele odor. — Se veio até aqui é porque tá de acordo em cumprir a sua parte. Por isso é que vou entender que tenho a sua permissão. Você sabe, não sou de perder tempo com gentinha que mete o rabo entre as pernas.
— Permissão para quê?
Zaraki ignorou a pergunta. Meteu a mão livre no pescoço do Kuchiki, segurando-o ali com os dedos cravados na parte de trás. Byakuya tentou se esquivar, impedindo-o de sabe-se-lá o que pretendia fazer, mas a força alheia era centenas de vezes mais forte que a sua.
Kenpachi deu um puxão nada delicado que trouxe o rosto dele mais para perto. Tinha calos ásperos, o que fez Byakuya eriçar-se muito além dos nervos ao toque indesejado. A cabeça de fios rebeldes afundou-se na curva entre seus ombros e pescoço como se pretendesse devorá-lo. Não só pretendia, como o fez.
Uma língua surgiu, quente, serpenteando sobre a pele até suas orelhas. Os lábios abriam e fechavam rastejando úmidos nas jugulares salientes. Sentia os dentes rasparem, mordiscando pequenas porções de carne de cada vez. Seus pensamentos congelaram. Ficou estático. Embora estivesse dominado de raiva e repulsa, logo tudo começou a formigar e os pelos arrepiaram-se de involuntário. Uma onda de arrependimentos cruzou pela sua cabeça impedindo-o de raciocinar direito. O nó que tinha preso na garganta escapou em forma de soluço.
Kenpachi forçou o corpo para frente espremendo-o; a mão descendo faminta para a cintura, um pouco mais abaixo, apertando sem pudor tudo o que encontrava pela frente. Byakuya encolheu-se açoitado pela sensação sórdida que dobrava de tamanho a cada segundo. Não conseguia controlar, não conseguia refrear aquelas sensações. Elas se alastravam contra sua vontade, contaminando seu corpo com uma volúpia abominável.
Ele tinha um cheiro absurdamente bom — Zaraki constatou enquanto mergulhava o rosto de encontro aos fios negros bem cuidados. Aquilo lhe subiu pelas narinas deixando-o louco para possuí-lo ali mesmo. Byakuya cheirava como um verdadeiro fidalgo. Era doce e cristalino. Algo que os opunha decisivamente em aparência e essência. Odiava-o e desejava-o pela mesma razão.
Duvidava que o Kuchiki tivesse tido muitos amantes; não pela falta de pretendentes, mas porque jamais permitiria que qualquer um o tocasse e o conhecesse naquele nível de intimidade. E, tomando consciência disso, seus pensamentos foram empesteados pelas mais descomedidas perversões. Aquilo contribuiu para que o tomasse com uma ânsia ainda maior. Sua boca resvalava-se no Kuchiki, chupando-o em grandes abocanhadas ao redor do pescoço, vertendo para as clavículas, ameaçando invadir as roupas. Era um verdadeiro festim.
Byakuya reagiu, dando umas contorcidas no espaço apertado entre a parede e o brutamonte, mas estava seguramente aprisionado. Kenpachi parou e voltou a encará-lo. Dessa vez trazia algo de depravado no sorriso que crescia em seus lábios.
— Que foi? Pensou que eu fosse devolver seu orgulho de mão beijada?
À contra gosto do dono, forçou a arrancar senbonzakura do seu cinto. Ainda que Byakuya relutasse até o último instante. Quando conseguiu, atirou-a do outro lado do quarto. Recebeu um olhar ofendido, daqueles cujo perdão jamais viria a conhecer. Não que fizesse diferença. Sabia que se pudesse o Kuchiki já estaria o cercando com seu bankai. O que seria inútil de qualquer maneira. Mas essa disputa de espadas ficara para trás — ao menos naquela noite em especial.
Zaraki segurou o Kuchiki pelos punhos, forçando-os contra a parede, um pouco acima da cabeça dele.
— Então esse é o tipo de homem que você é. — Byakuya disse. Tentou soar firme apesar de que a própria boca o traia, vacilando em dizer qualquer coisa que fosse. — Não canso de me surpreender com sua vulgaridade.
— Ué? Tá achando caro? — Kenpachi afastou o rosto alguns centímetros, contemplando o olhar furioso direcionado a si. Aquilo o incentivava, enchendo-o da sede de querer tomá-lo com aqueles mesmos olhos. Seria impagável, pensou. Nem toda a fortuna das quatro famílias nobres da seireitei substituiria aquela chance. Seus ouvidos embriagavam-se com a respiração alterada do Kuchiki, observando o peito dele subir e descer acelerado. Isso era bom. — Pensei que por ser tão cheio da pompa, esse negócio de preço não contasse pra você. Um pecado pelo outro, quer coisa mais justa que isso?
Os orbes cinzentos baixaram, embaraçados e confusos. Por dentro estava impaciente, com cada ligamento do corpo contorcendo, e o sangue bombeando a raiva para o cérebro a golpes de aço. Raiva de Zaraki, de si mesmo, do acaso. Poderia simplesmente evocar um kidou que o livrasse daquela força assustadora. Então apanharia senbonzakura de volta e rechaçaria aquele infeliz para a vala de onde nunca deveria ter saído.
Mas agora a situação fugira ao seu controle. Não estava disposto a colocar os pés para fora daquele lugar arrastando a sombra de um vexame pelo resto da vida. Aquilo o afetava de modo insuportável. Ultrapassava o entendimento alheio. Preferiria ser golpeado pela humilhação como preço para reconquistar a integridade da sua reputação. Faltava muito para que um Kuchiki se permitisse ao descuido de servir de assunto para zombarias do populacho.
Onde é que estava com a cabeça, pelo amor de Deus?!
Francamente. Não ser capaz de conter os impulsos mais primitivos, se deixar levar por uma rivalidade estúpida, infantil; pela sede de derramar o sangue de um selvagem qualquer. Por que é se que importava tanto? Quando foi que começou a se importar?
Mas foi aí que percebeu que na realidade não era Kenpachi quem havia lhe tomado o orgulho a base de chantagens e jogos sujos. Era ele mesmo, Kuchiki Byakuya, quem cedia, quem dava permissão, quem alimentava as expectativas, quem nunca deixava que o argumento daquela disputa enfraquecesse. Porque na realidade nunca quis que acabasse de fato. Precisava conviver com a certeza daquela disputa, precisava ir a fundo, conhecer todas as intenções por trás daquele jogo de provocações. Fora tolo, ingênuo, cego de vaidade.
— Termine logo com isso. — Disse a voz sem emoção.
— Como é que é? — Zaraki escancarou um sorriso tão maníaco que fez Byakuya querer retirar as palavras no mesmo instante. Isto é, se estivesse em condições de fazê-lo. — Fala com mais gosto porque acho que não tô ouvindo muito bem.
— Não. Acho que me ouviu perfeitamente bem.
Kenpachi perdeu a paciência com a lengalenga do Kuchiki. Todas as terminações nervosas do seu corpo pareceram reagir de imediato à impertinência. Outras coisas também começaram a reagir com a mesma eficácia, notou, sentindo algo despertar entre as pernas. Em outras circunstâncias avançaria para parti-lo ao meio e ver o sangue esguichar.
Mas ao invés disso atacou Byakuya ainda segurando-o contra a parede. Prensou-o com seus músculos enormes, sem se importar se ele acabaria com uma ou duas costelas quebradas. O Kuchiki limitou-se ao esforço de conseguir ar para aguentar toda aquela pressão. Tentou buscar uma maneira de esvaziar a mente para tornar tudo aquilo mais suportável, mas não teve sucesso por muito tempo.
Zaraki pareceu ler seus pensamentos. Uma das mãos que o prendiam desceu para desatar o obi. Byakuya acompanhou a movimentação engolindo em seco. Depois, impacientemente, o haori e o yukata foram arrancados do seu corpo aos golpes, na mesma sede que um animal anseia por rasgar as entranhas de sua presa para sentir o gosto do sangue. Com a exceção de que... bem, nenhuma. Kenpachi era de fato uma besta e ele, Kuchiki, havia se transformado em seu brinquedinho naquela noite.
Suas bochechas inflamaram-se como se todo o sangue que tivesse nas veias concentrasse ali. Sentia que a qualquer instante fosse explodir. Não como uma tola suspeita, mas como uma certeza real. A única peça que ainda vestia era o fundoshi. A nudez, mesmo que parcial, fazia-o se sentir vulnerável. Zaraki se ateve para aquele detalhe e comeu Byakuya com o olho descoberto, aprovando a visão que estava tendo. Ele era realmente formidável.
— O que tem debaixo da sua roupa é bem melhor de se ver do que essa sua cara lambida. — Afrouxou a mão que ainda o prendia, testando se haveria resistência, mas Byakuya limitou-se a largar os braços frouxamente para baixo.
Zaraki esparramou as mãos pelo seu corpo sentindo a pele arfar, alerta e em estado de ansiedade. Os músculos do Kuchiki eram pouco desenvolvidos, mas os que tinha eram firmes e agradáveis ao toque. Enquanto a mão deslizava sentia-a a textura arrepiada nos braços. A palidez lânguida atrai-o. A pele era tão clara que os veios de sangue ficavam visíveis através dela. E a iluminação mortiça que irradiava das chouchins tornava seu aspecto ainda mais atraente.
Kenpachi forçou-o a virar-se de costas, encostando seu rosto contra a parede. Firmou as mãos sobre seus ombros e a partir dali correu com elas pelo restante da extensão do corpo. Enquanto explorava-o, Zaraki mexia seus quadris de encontro ao traseiro do Kuchiki. A ereção roçava no vão onde a tira única do fundoshi cobria-o ali atrás.
Kenpachi afastou os cabelos lisos da nuca para prová-lo ali. Baixou uma mão para a parte interna das coxas e apertou-o com força enquanto o lambia e sugava. Byakuya estremeceu, denunciando que suas sensibilidades estavam cada vez mais aguçadas. Zaraki mordeu-o na lateral do pescoço, que ficou carimbada por marcas de dentes nada discretas. A boca vagou a esmo, ora espreitando-o detrás das orelhas, ora dando chupões na largura das costas, deixando uma assinatura avermelhada pelo caminho.
Ele viu que Byakuya mantinha os olhos fechados, bem apertados. Mas os lábios estavam entreabertos, deixando escapar a rouquidão dos gemidos que tentava engolir. Puxou a cabeça dele contra si, virando o pescoço para alcançar-lhe a boca. Byakuya encarou-o de perto com astenia no olhar. Zaraki sentiu vontade de surrá-lo por isso. Contrariando o ímpeto, tencionou-se para reclamar um beijo. O Kuchiki tentou desviar da investida, mas Kenpachi segurou-o dolorosamente pelo queixo tornando a tentativa inevitável.
As línguas então se encontraram, mas não estavam em sintonia. Apenas uma movia-se, solitária, sôfrega, apressada. Enquanto que a outra só se empenhava em fugir. Byakuya grunhiu e empurrou a parede com as mãos, como se isso fosse o livrar de alguma coisa. Zaraki prensava-o pelas costas, depositando uma força desumana. Achava excitante como a relutância do Kuchiki intensificava ainda mais o contato e o calor entre eles. Abriu um espaço no beijo para respirar e logo avançou com mais fome, querendo fisgá-lo, perseguindo cada canto onde sua língua alcançava. Mas o Kuchiki estava decidido a não colaborar.
Kenpachi virou-o de frente, mantendo-o colado ao seu corpo.
— Que é que foi? Deveria estar acostumado com isso. Aquele seu tenente vira-lata deve te dar uma canseira das boas. E eu ainda nem comecei. Gosto de foder como gosto de lutar, se acabar depressa não tem graça.
Abraçou-o com os braços imensos e fortes, invadindo seus lábios outra vez. Desceu com as mãos pelas costas, para os quadris, onde tinha mais carne para apertar. Ou estapear. Na dúvida tentou os dois e descobriu que o Kuchiki tinha um traseiro melhor do que imaginava. Repetiu a “brincadeira” com mais ênfase, divertindo-se bastante com aquilo. Foi bem aí que Byakuya gemeu. Alto, por assim dizer. Zaraki não soube se de incômodo ou se era o corpo que roubava a voz e falava por ele. Provavelmente a segunda opção com pequena influência da primeira, decidiu, abrindo um sorriso.
Tomou a mão do Kuchiki e conduziu-a de encontro ao próprio peito, pousando-a na fenda do yukata que deixava a pele à mostra. Deslizou sua palma suave e macia sobre os músculos resistentes, de vigor absoluto. Depois passou para as cicatrizes, ásperas e rugosas tiras saltadas em vergões grosseiros sobre o tórax. Byakuya nunca imaginou que alguém pudesse ter uma pele tão quente, tão rija. Lutar contra ele era uma coisa; mas ao tocá-lo e senti-lo conseguia captar um viés inédito de sensações. Não compreendia mais como pôde um dia considerar vencê-lo. Por Deus, como é que alguém poderia?
— Tá vendo essa aqui, Kuchiki? — Zaraki afrouxou o yukata revelando um pouco mais do tórax até o umbigo. Fez Byakuya colocar a mão numa cicatriz vertical que começava na altura das costelas e terminava além do baixo-ventre. — Essa é obra sua e daquela merdinha de espada cintilante.
A faixa de pele retorcida transformou-se numa chuva de sangue nas memórias do Kuchiki. Lembrava claramente do momento em que o gume de senbonzakura bebia o sangue do rival. A ferida jorrou por toda a parte. O solo e as roupas dos dois empaparam-se da viscosidade vermelha. No entanto, Kenpachi continuou a lutar como se a visão sangrenta servisse de estímulo.
De volta ao presente, Zaraki fazia sua mão percorrer a cicatriz por completo, como se lhe exibisse um troféu. Sempre descendo, perigosamente adentrando-se no tecido, descendo mais e mais. Byakuya engoliu litros de saliva sucessivamente. Finalmente os dedos alcançaram algo. Era um inchaço grande e de uma rigidez assustadora.
— Parece que isso aí também é obra sua. — Ele disse, fazendo o Kuchiki estimular sua ereção, apertando-a, deixando com que sentisse todo seu tamanho e excitação.
Byakuya abriu a boca para chupar o ar e esvaziou os pulmões expirando aos tropeços. A garganta havia sido fisgada e tomada de um secura árida. O estômago foi revestido por uma camada de gelo. Sua virilha contraiu-se enchendo de comichões e palpitações. Kenpachi baixou os olhos para aquele lugar em específico, notando a protuberância intumescida contra o tecido. Byakuya foi coberto de rubor, as entranhas revirando, queria cobrir-se, encolher-se no canto mais escuro daquele quarto.
Zaraki libertou sua mão. Ergueu-o pelos quadris como se o Kuchiki fosse uma pluma. Encaixou o corpo entre as pernas dele e seu peso foi o suficiente para sustentá-los naquela posição. Mas Byakuya foi obrigado a apoiar as mãos sobre os ombros largos do homem e a enlaçar as pernas em volta dele se não quisesse cair.
Os tecidos raspavam um contra o outro, uma barreira fina, que não chegava de fato a incomodar. Byakuya derramou um suspiro, e mais outro um pouco menos tímido. Kenpachi movimentou-se sentindo o membro do Kuchiki roçá-lo, aumentando o volume e a rigidez. Esmagou-o com mais força então, dando a ele o que precisava, e o nobre homem contraiu-se lubricamente ao atrito de corpos. Mas apressou-se em compensar a escapulida com uma tromba de indiferença.
Zaraki notou os calcanhares afundando contra si e as unhas enterradas em seus ombros. Assim foi percebendo que aos poucos o maldito correspondia aos seus estímulos, apesar de que sua teimosia os rejeitasse. Até nisso ele tinha de ser desobediente, mesmo quando as evidências apontavam para o óbvio. Ao invés de excitá-lo, aquela indolência passiva e relutante o irritava. Via e sentia em todas as vibrações do corpo do Kuchiki que ele necessitava um alívio. Era inútil insistir na mentira.
— Você mente tão mal que se eu tivesse perdido a luta pra te deixar ganhar soaria mais convincente. — Kenpachi largou Byakuya no chão de qualquer jeito e afastou-se. — Não te chamei aqui pra me matar de tédio, Kuchiki.
Disse isso e caminhou pelo quarto. Apanhou a garrafa do que bebia mais cedo e continuou andando, de costas para o outro. Sentou-se na cadeira, apoiou uma perna sobre a outra e sorveu longos e silenciosos goles. Byakuya abaixou-se para pegar as roupas caídas no chão. Era um alívio que aquele animal finalmente desistira e tirara as garras de cima dele. Embora ainda estivesse aterrorizado demais para esquecer o trauma.
Notas finais
(calma, sério, não acabou, lol)
Obrigadinha aos leitores que apareceram e os já conhecidos!
Até o próximo e último capítulo.
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