Beast Hunters

13 Oficialmente, uma missão


Poucas horas depois, Vael acordou. Pelos relógios já eram duas horas da tarde e provavelmente já sabiam o que ele tinha feito.

Ying estava ali olhando seriamente, seus cabelos bicolores jogados pelos ombros e sua pose rígida com os braços cruzados.

Ele esperou Vael se sentar.

Com seus olhos notou que os cabelos de Vael cresceram um pouco... ou foram cortados de qualquer jeito como improviso.

— Vael... Você saiu hoje cedo né?

— Acho que todo mundo sabe agora...

O guaxinim esfregou os olhos. O panda seguiu até o amigo e bagunçou seus cabelos.

— Apesar de ter sido algo possivelmente perigoso, você trouxe duas crianças em segurança aqui... e uma pessoa importante. E o melhor de tudo, meu guaxinim preferido está bem.

— Achei que fosse me dar algum tipo de bronca, Pandinha.

— Era a intenção. Mas a intenção agora de verdade é dar a você o comunicado de sua irmã. Nós vamos sair para uma missão.

Vael se levantou, foi até a pia do quarto para lavar o rosto e voltou ao panda.

— Que missão? — perguntou visivelmente ansioso e animado.

— Calma... — Ele colocou uma esfera no chão. Ela emitiu uma luz com um holograma plano de um mapa. — Nesta marcação com ondas vermelhas é de onde vem o sinal. Pelo que diz a mensagem de voz, ele quer ajuda para descobrir quem está acabando com as plantações.

— Esta região é uma fazenda?

— Sim, uma aliada. Eles nos fornecem comida em troca de equipamentos.

— Mas como vocês têm o suficiente para armar os cidadãos e emprestar soldados?

— Você mesmo viu, Vael. Antes achava que bênção era uma ideia maluca, mas agora que Anúbis pessoalmente apareceu, tudo parece real.

— Então... algo está atacando plantações... ou uma específica. Talvez alguém que more na região então.

— Já pensei nisso também. É só esta das fazendas aliadas que sofre com o tipo de ataque que descreveu. Algo ataca apenas pela noite e destrói tudo. Se fossem os soldados, eles levariam as colheitas.

— Entendi... Então, nós vamos investigar?

— Sim... — Ying agachou, estendeu a mão e pegou o objeto, cessando o holograma. — Pode me passar aquela mala? — pediu caminhando até um canto do quarto.

— Claro — respondeu fitando o objeto, um olhar pensativo com o dedo coçando o queixo. — Estranho, eu não notei ela aqui antes. Acho que é porque acordei há pouco tempo.

Vael pegou pela alça e arrastou com as rodinhas no chão ainda intrigado em como deixou passar despercebido o objeto escuro.

— É normal. Você sempre foi distraído assim, Vael.

Sua atenção se dispersou da mala. Não estava mais nela agora que seu amigo havia lhe chamado a atenção e no mesmo momento em que o viu, sentiu seu rosto ficar vermelho por baixo dos pelos. O panda, apenas vestindo uma cueca agora, agrupava os cabelos enquanto seus lábios gentilmente abocanhavam um elástico. Seus dedos separavam as mechas de cabelos, alinhavam lentamente os fios e logo após pegaram o objeto de sua boca para prender seu rabo de cavalo.

— O que foi? — Olhou para o amigo guaxinim que estava com olhos arregalados e rosto avermelhado. Pegou a mala pela alça. — Oh... por isso... — Ele corou levemente. — Se troque também, qualquer coisa que seja boa para irmos a uma missão.

Ying pegou suas roupas de dentro dela, vestiu começando pelo traje escuro e colado seguindo para cintos, botas, luvas e proteção e por fim, pegou sua besta equipada com um pente de dardos e mira red dot.

— Uau! — exclamou Vael.

— Que foi? Isso aqui é uma boa para furtividade... Besta, faca... — Apanhou de dentro da mala a sua rapieira, tirou da bainha e colocou na bainha das costas em seu colete. — Uma espada também pode ser útil. Tem algo além dos machados de escalada?

Ele já sabia que sua resposta seria não.

Empurrou a mala com o pé e com as mãos a virou para baixo deixando o restante que havia lá dentro cair e lá estava. Uma pistola com silenciador embutido.

— Se quiser ir com essa arma para segurança. Só vão querer ela de volta. Não temos muitas dessa. Conseguiram roubar um carregamento e claro, depois de falharem por serem pego e ter uma troca de tiros, muitas armas foram destruídas e temos umas dez dessas pistolas agora...

— Não tem como roubarem mais?

— Já viu aviões, Vael? Os aviões que estão voando nos últimos anos.

Vael logo se lembrou dos barulhos que ouvia. Dos aviões voando a cada meio ano.

— O reino é enorme. Não apenas recebem armas de traficantes e outros governos igualmente imundos que se dizem democráticos, mas transportam para seus soldados por todo o reino. Munições eles têm sem falta.

— Então uma de suas missões é roubar um desses aviões?

O panda riu.

Vael não imaginava o porquê de ser engraçado, mas algumas opções passavam pela cabeça. Opções como a de o avião ser bem protegido, blindado ou qualquer coisa do tipo. Tudo feito para que o transporte fosse seguro.

— E também disse que uma das pessoas que eu trouxe era importante. Pode me dizer quem era?

O panda segurou um ombro do guaxinim delicadamente, olhou em seu rosto e disse com um sorriso:

— Não, ainda não... Para a segurança dela, ela está andando por aí com o capuz e uma máscara. Apenas os superiores sabem dela... E bom, eu... Eu a recebi quando mandaram que os novatos falassem com a sua irmã.

— Entendi... E só preciso de mais uma coisa, Ying.

— Diga.

— Que uniforme eu poderia usar?

— Eu deixei a surpresa do lado da sua cama, Guaxinim. Vai ver lá.

Os olhos de Vael brilharam num instante, suprimiu um suspiro e correu e lá estava, uma caixa metálica com cor de ferro. Ele pressionou o botão que via na abertura com o espaço das senhas vazio e em um segundo, a mala se abriu revelando um traje dobrado debaixo de cintos.

— Acho que você já deve estar com seu lançador de arpéu, né? Mas tenta estes aí dentro, os braceletes protegem mais seus braços dessas cordas.

— Verdade! — exclamou Vael enquanto analisava cuidadosamente cada um dos objetos. — Couro bem feito... Cordas metálicas...

Vael fez o mesmo que Ying. Despiu-se deixando apenas sua roupa íntima à mostra para seu traje caber e não haver nada em seu corpo para atrapalhar os movimentos.

A coloração da roupa parecia combinar um pouco com suas cores, um cinzento com partes em negro que mostrava bem os contornos de seu corpo. Vestiu por cima, uma jaqueta com a frente aberta, presa nas pontas por tiras de couro e fivelas, tapando parte do abdômen com uma proteção básica. Levantou a máscara que continuava de seu pescoço que tapava a boca e o nariz, mas de alguma forma permitia uma perfeita respiração como se o próprio tecido fosse feito para filtrar o ar.

— Bom, resquícios de tecnologia de espionagem... É o único traje que sobrou, Vael, mas parece que combinou com você.

— Sério? — Abaixou a máscara. — Eu odeio essa coisa na minha cara, a sensação é ruim demais.

— Sim, faz sentido... Use só quando for precisar então, okay? Mas tirando isso, as cores combinam com você e... Essa parte preta em volta dos seus olhos ainda, fica perfeito para camuflar no escuro.

Ying arrastou o pobre amigo pelo braço, segurando-o firme, ansioso para que ele visse o mesmo que ele na frente de um espelho. Segurou o amigo ansiosamente pelos braços, sorrindo pelo belo resultado que haviam conquistado.

E Vael se sentia como se fosse um personagem de ficção.

— Bom, Pandinha... Para a missão?

— Para a missão! — Ying concordou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.