Dean acorda mas não encontra o que esperava. Nem céu, nem inferno. Apenas o apartamento de um lobisomem e seu melhor amigo o olhando.

–-- Stiles? –-- Ele pergunta. Sam respira fundo e olha para o primo.

–-- Quando eu cheguei onde vocês estavam, você estava desmaiado no chão mas Stiles...

–-- Por que você fez isso? –-- Sam não entendeu a pergunta no começo. –-- Eu escolhi ficar. –-- Dean conseguia sentir seus olhos marejarem mas nenhuma lagrima escorreu por seu rosto. –-- Eu prometi a ele que não o deixaria de novo e você me tirou de lá! Eu escolhi morrer!

Dean se levanta e sai para a rua. A raiva que estava sentindo camuflava a dor em seu peito que nunca mais iria embora. Antes de entrar no carro, ele encontra Lydia, ela estava indo falar com ele.

–-- Você acordou. –-- Ela diz baixinho. –-- Estava com olheiras e seus olhos estavam muito vermelhos. Ela fitava o chão.

–-- Quanto tempo faz?

–-- Dois dias. –-- Ela limpa a garganta antes de continuar. –-- O enterro é amanhã as dez horas então... –-- As lágrimas começaram a escorrer e ela não conseguia mais segurar. –-- Eu nunca disse que o amava. –-- Ela o conta. –-- Desde que nós beijamos pela primeira vez, eu soube. Mas nunca o contei, e agora... –-- Dean a abraçou e ela chorou e gritou toda sua dor. Mesmo que isso não aliviasse o vazio que sentia.

As pessoas que passavam na rua os olhavam mas não importava. Porque Stiles não estava mais ali. E Lydia sentia que nunca mais ficaria bem de novo.

Dean não chorou. Ele foi forte por ela e a segurou até ela estar fraca demais para continuar gritando.

–-- Não importa. –-- Ele mente. –-- Ele sabia que você o amava. Ele me disse que estava feliz só por saber que um dia você o amou.

...

Todos abraçavam Dean e o Xerife dizendo que sentiam muito. Mas, enquanto o pai de Stiles chorava junto, Dean continuava firme. Ele odiava a pena nos olhos das pessoas.

Isso é inútil. Ele pensava.

Dean e Elena foram os únicos que não se aproximaram do caixão. Os dois não haviam chorado ou demonstrado sua dor e sabiam que se o vissem daquele jeito, desmoronariam.

Dean não escutou nenhum dos discursos que foram feitos e recusou a fazer um. À noite, depois que todos foram embora, ele voltou ao túmulo. Era uma noite quente e ele suava dentro do terno.

–-- Eu fico me perguntando... e se nós tivéssemos ido atrás de você quando descobrimos que tinha algo errado ao invés de esperar? E se, Lydia tivesse morrido? Você ainda estaria vivo? E se... –-- Ele ri para si mesmo. –-- Não importa, não é? Porque você já ta morto. –-- Ao dizer aquelas palavras, Dean percebeu o poder delas. Ele estava morto. E não tinha nada que ele pudesse fazer. Ao lágrimas começaram a vir mas ele as limpava freneticamente. –-- Sabe, eu nunca entendi os funerais. Não é como se você estivesse lá para ouvir tudo que aquelas pessoas tinham a dizer sobre você. É ridículo.

–-- Isso é porque os funerais não são feitos para os mortos. –-- Dean se vira e vê Elena, ela ainda usava a roupa que estava no velório. Ela também tinha esperado todos irem para ficar sozinha com Stiles. –-- São feitos para os vivos. Para sentirmos conforto. –-- Ela se senta ao lado de Dean e o olha. –-- Como isso aliviasse o que sentimos, não é? –-- Ela sorri com seus olhos marejados.

–-- Deveria ter sido eu.

Elena o abraça e os dois não seguram mais suas dores. A força que eles estavam mostrando para os outros tinha ido embora e se afogaram em um mar de lágrimas.

...

–-- Você vai vir comigo? –-- Dean pergunta para Sam enquanto arruma suas malas.

–-- Só fez uma semana, Dean.

–-- fez uma semana, Sam. Eu preciso ir embora daqui. Dessa vez eu não vou estar abandonando nada. Porque eu não tenho mais nada.

–-- Tem certeza? –-- Sam pergunta e Dean suspira.

–-- Tenho. –-- Ele pega suas coisas e leva para o carro.

...

–-- Você poderia ir com a gente. –-- Diz Sam

–-- Ou você poderia ficar. –-- Responde Derek.

–-- Dean precisa de mim agora.

–-- Sinceramente, eu não acho que ele precise de ninguém. Fique. –-- Os dois se olharam e sorriram. A decisão estava feita.

...

Dean estava dentro do carro, olhando para a porta da casa há duas horas. Ninguém entrou ou saiu enquanto ele estava lá. Precisava ir embora mas tinha que fazer aquilo primeiro. Admitir para alguém que não fosse ele mesmo.

O calor estava quase insuportável e o sol o fazia olhar para baixo. Ele toca a campainha. Demora um pouco mas Elena abre a porta. Olhando por cima, ele conseguiu ver as caixas da mudança que ela faria. Ela o convida para entrar mas ele recusa.

–-- Eu vou embora. –-- Ele diz e ela consente.

–-- Quando? –-- Elena limpa um pouco do suor de sua testa e suspira.

–-- Agora, pra ser exato. –-- Ela fica decepcionada mas não pede para ele ficar, não dessa vez.

–-- Sam vai junto?

–-- Não, ele decidiu ficar.

–-- Então, isso é um adeus?

–-- Bem, Stiles me pediu para te dizer que ele amava você. –-- A voz dele falhou ao falar a frase no passado. –-- Não do jeito que você queria mas, ele amou você.

–-- Eu sei. –-- Ela respira fundo e continua. –-- Quer entrar? Tomar algo ou... sei lá.

–-- Não. A verdade é que... eu queria que você soubesse de uma coisa. –-- Ele pega em sua mão e a olha nos olhos. –-- Quando eu me imagino feliz, é com você. –-- Elena não esperava ouvir aquilo e não soube o que dizer. –-- Eu não espero que faça nada a respeito disso mas, eu não podia ir embora sem saber que você sabe. –-- Ele solta a mão dela e se vira.

–-- Dean... –-- Ela o chama e ele volta. –-- Eu preciso te mostrar uma coisa.

Os dois entram e vão até o escritório. Elena pega uma chave dentro de um livro e abre uma gaveta. De dentro ela tira um livro velho e surrado mas que Dean conhecia muito bem.

–-- O diário do meu pai. –-- Ele diz ao ver o objeto.

–-- Minha tia é a arquiteta da obra que demoliu sua antiga casa e ela achou isso escondido. Eu tô com ele a alguns dias, me desculpa. Eu só achei que fosse melhor esperar a poeira baixar um pouco mas já que você ta indo embora... –-- Ela entrega o diário para Dean e ele começa e olhar as folhas. Ele reconhecia a caligrafia, era muito parecida com a sua própria. Ele sorri com a lembrança e percebe que todas as pessoas que ele amou, agora são apenas isso. Lembranças. Todas, menos uma.

–-- Esse é o melhor presente que alguém poderia me dar. –-- Ela sorri.

–-- Não é um presente. Eu só estou te devolvendo algo que sempre foi seu. –-- Os dois se olham e percebem o quanto significam um pro outro. Eles respiram fundo e ficam um pouco constrangidos.

–-- É melhor eu ir.

Enquanto ele ia embora em seu carro e ela o olhava da porta, Elena sentiu como se parte sua tivesse ido junto com ele. Ela não estava errada. Quando se ama alguém, parte de você sempre será daquela pessoa. E assim como ela leva uma parte sua, você leva uma parte dela.

É claro que isso não significa que fica mais fácil.