Beacon Falls: Parte 1
13 Elena
Eu não sabia porque havia pedido para Dean entrar. A presença dele me deixava desconfortável mas me fazia sentir segura ao mesmo tempo.
–-- Quer beber alguma coisa? –-- Eu pergunto. Estava prestes a tirar meu casaco quando lembrei que só estava de sutiã por baixo e com uma faixa envolvendo minha barriga.
–-- Se você tiver algo com álcool. --- Ele responde e se senta na cadeira da bancada. Eu vou até a geladeira buscar duas cervejas mas percebo que precisamos de algo mais forte então vou até o esconderijo da minha tia e pego seu whisky. Não era um esconderijo muito bom. Eu sirvo em dois copos e me sento na cadeira na frente dele.
–-- Sinto muito que tenha visto aquilo. –-- Ele se referia a Sam atirando na cabeça da minha cópia. –-- Saúde.
–-- Tudo bem. Seria menos estranho se ela não fosse igualzinha a mim. –-- A bebida queimava minha garganta mas me distraia dos meus machucados que voltaram a doer. Eu devia estar horrível. Estava com curativos no lado direito de meu braço, minha jaqueta estava com o sangue de Stiles na manga e eu sentia meu cabelo embaraçado.
–-- Ela não tem nada a ver com você. –-- Ele responde e olha pra mim. –-- Você é muito mais linda. –-- Eu sou pega de surpresa. Aquilo era a última coisa que eu esperava que ele dissesse mas por dentro eu sorri e por fora, ignorei. –-- Então, você terminou com o Stiles?
–-- Não, eu... eu ainda não sei o que fazer.
–-- Deveria terminar com ele. Assim poderia ficar comigo. –-- Seus olhos me olhavam como se eu estivesse nua. Ele não podia estar bêbado, mal tinha tocado no copo. Eu não entendia o que estava acontecendo.
–-- Não fala assim. Não está certo. –-- Eu digo. Eu estava começando a sentir um pouco de calor, talvez o aquecedor estivesse ligado, então prendo meu cabelo em um rabo de cavalo.
–-- Eu sei que você também me quer. Ta na cara. Porque não admite? –-- Ele pega uma caneta que estava em cima da mesa e começa a morder a ponta.
–-- O que você ta fazendo? –-- Eu pergunto e ele me da um sorriso malicioso. Como ele podia dizer aquelas coisas e me olhar daquele jeito?

–-- Eu tô fazendo o que você quer que eu faça. –-- Ele responde e então se levanta, contornando a mesa e indo até mim. Eu me levanto e vou me afastando. Ele continua indo em minha direção até que eu bato com as costas na parede, onde ele apoia a mão, me impedindo de sair.
–-- Não podemos fazer isso. –-- Mesmo que algo dentro mim quisesse muito, eu ainda estava com Stiles.
Enquanto um lado meu me dizia para sair dali, outro me dizia que se só nos beijássemos, Stiles e eu ficaríamos quites. Era um pensamento ridículo, eu sabia. Mas aquele calor dentro de mim estava começando a esvaziar a minha mente. Ele se aproxima, pressiona seu corpo contra o meu e passa os dedos por meus lábios. Eu engulo em seco e sinto minha respiração ficar pesada.
–-- Admita. –-- Ele diz e eu fecho os olhos.
–-- Admitir o que?
–-- Que você quer ele. –-- Outra voz diz e eu abro meus olhos. Era Stiles.
–-- O que você ta fazendo aqui? –-- Eu vejo uma mão passar por seu pescoço e Lydia aparece atrás dele, beijando sua nuca. Ele se vira e começa a beija-la bem na minha frente.
–-- Parem! –-- Eu grito e então vejo Dean.
Ainda sentado do outro lado da mesa. Ainda de copo vazio. Me olhando confuso.
–-- Você ta bem? –-- Ele pergunta. Eu olho para baixo e vejo que ainda nem abri o whisky. Aquilo não fazia sentido. Eu tinha sonhado acordada ou algo assim? E por que meu sonho tinha que ter sido logo esse...
–-- Tô, eu só... –-- Eu o olho e percebo que aquele calor que eu estava sentindo quando ele estava prestes a me beijar ainda está dentro de mim. –-- Você precisa ir embora. –-- Não queria ser grossa mas não podia arriscar.
–-- Eu fiz alguma coisa pra você ou...
–-- Não, não. Eu só... tô muito cansada e suja. Preciso dormir e eu não bebo. –-- Eu começo a guardar a bebida e ele se levanta.
–-- Ok... –-- Ele estava confuso. Eu me desculparia depois. –-- Eu talvez vá embora amanhã, então...
–-- O que? –-- Eu o interrompo. –-- Mas logo agora que você tem uma chance de se acertar com seu irmão? Isso não faz sentido. –-- Eu digo, seria mais fácil se ele fosse embora mas eu não queria que ele fosse.
–-- Eu não acho que isso vai acontecer. –-- Ele estava triste, dava pra sentir. Eu quis abraça-lo, como fiz mais cedo mas não queria sentir o que senti de novo. –-- Não tem mais nada pra mim aqui.
–-- Você não tão forte quanto eu pensei. –-- Eu deixo escapar. Não queria dizer aquilo mas apenas saiu e talvez ele precisasse ouvir então, eu continuo. –-- Eu achava que você tinha ido embora porque achou que seria a escolha certa para seu irmão mas... você só pensa em você mesmo. –-- Ele me olha, chocado. Realmente não esperava que eu dissesse aquilo. –-- Você finalmente ganha uma segunda chance e o que você faz? Foge. –-- Eu cruzo meus braços mas desfaço quando sinto meu machucado latejar.
–-- Não é bem assim...
–-- É claro que é, aqui é seu lar.
–-- Essa cidade já deixou de ser meu lar há muito tempo, garota. –-- Eu sabia que ele tinha dito “garota” no intuito de me dizer que não era matura o suficiente.
–-- Mas ainda pode ser. –-- Eu digo, me aproximando. –-- Você só precisa tentar. –-- Eu não deveria estar insistindo tanto mas...
Ele me olha e se aproxima. Por um momento, eu penso que ele vai me beijar. Se ele tentasse, eu deixaria. Mas, ao invés, ele beija minha testa. –-- Você precisa dormir. –-- E então vai embora.
Quando me viro para subir as escadas, olho e vejo que estou no corredor da escola. Era de manhã, minhas roupas estavam trocadas e limpas e eu carregava minha bolsa. Os corredores estavam quase vazios então ninguém notou minha confusão. E eu não tinha a mínima ideia de como havia chegado ali.
Fale com o autor