Elena, Lydia e eu nos encontramos com Deaton e tenho que admitir que algo estava errado com Stiles. Tentei evitar o olhar de “eu te avisei” da Elena. Ela não quis contar porque começou a desconfiar e nós não insistimos. Armamos um plano para pega-lo e descobrir o que estava acontecendo no baile. Quando ele levasse Lydia para fazer o ritual, Sam, Elena e eu os seguiríamos. O que quer que fosse, nós daríamos conta. Aquilo não me preocupava.

Depois de combinar os detalhes nós vamos embora. Já estava quase escurecendo.

–-- Desculpe por não ter acreditado em você. –-- Eu digo para Elena assim que Lydia sai e nós ficamos sozinhos no estacionamento.

–-- Tudo bem. Eu provavelmente também não acreditaria em mim. –-- Ela responde e então me olha. –-- Eu preciso ficar bêbada. Quer me acompanhar? –-- Sem dúvida, pensei para mim mesmo.

–-- Acha uma boa ideia beber um dia antes do baile?

–-- Eu não vou. Não tenho mais meu acompanhante, então... –-- Ela responde, forçando um sorriso falso.

–-- Tenho certeza que você tem outras opções.

–-- Eu tenho. Mas não vejo porque ir e acho que você e Sam podem cuidar do Stiles sozinhos.

Nós seguimos até meu carro e vamos para um bar local.

–-- Duas cervejas. –-- Eu digo para a bartender.

–-- Uma cerveja e um shot de tequila, obrigada. –-- Elena se vira na cadeira para olhar para mim. –-- Eu quero ficar bêbada, não entediada. –-- Eu sorrio.

–-- Da última vez que ficou bêbada quase dormimos juntos. –-- Eu digo. Se Stiles não era ele mesmo, então aquele aviso para ficar longe da Elena não era mais válido.

–-- É, eu tenho uma vaga lembrança. –-- Nós rimos e bebemos. Eu mal tinha terminado minha segunda cerveja e ela já estava completamente bêbada. Eu recebo uma ligação de Sam e saio para atender enquanto Elena flertava com a garçonete para prender minha atenção. Eu aviso do plano e ele concorda.

Quando eu volto para o bar, Elena não estava mais sentada. Ela estava em cima de uma mesa e começava a tirar a camisa. Eu vou até a mesa, abrindo espaço entre o público que começava a se formar.

–-- Desce, agora! –-- Eu estico minha mão mas ela nem parece notar. Quando ela começa a tentar abrir o sutiã, em vão, eu a puxo para meu colo e a tiro de lá.

–-- Você é um estraga prazeres.–-- Ela diz quando a coloco no chão. Eu retiro minha jaqueta e a visto. Nós vamos em direção ao carro mas quando eu me viro para abrir a porta e ela sai correndo. Aquilo era muito estúpido e infantil mas eu a sigo do mesmo jeito.

–-- Nem mais um passo ou eu me jogo. –-- Ela diz enquanto se pendura no ferro de uma arquibancada velha que eu não fazia ideia do porque estava ali.

–-- Eu não tenho tempo pra isso, desce logo. –-- Eu digo impaciente.

–-- Eu não tenho ninguém pra ir no baile comigo. –-- Ela diz com cara de cachorrinho abandonado.

–-- Vai com qualquer um.

–-- Eu não quero qualquer um! Lydia vai aparecer com meu ex-namorado, se é que Stiles ainda ta lá dentro, então, eu não posso aparecer com qualquer pessoa!

–-- Olha, resolve isso amanhã, ta bom? –-- Eu digo me aproximando. –-- Agora desce dai. –-- Ela solta uma das mãos, se inclinando e eu paro.

–-- Sem mais um passo, eu avisei. –-- Ela da uma risada e franze a testa. –-- Como você fica de terno? –-- Eu arqueio a sobrancelha. –-- Quero fazer um acordo. Eu desço e volto sã e salva para casa, se você for meu par para amanhã. –-- Aquilo me faz rir.

–-- Não acha que eu tô um pouco velho para um baile?

–-- Acredite, isso me da crédito. –-- Ela me olha com um olhar inocente. –-- Então, Dean Winchester, quer ser meu acompanhante pro baile?

–-- Se você descer dai eu prometo pensar no assunto. –-- Ela fica brava e ameaça se jogar de novo então eu aceito. Ela desce e quase cai umas duas vezes mas eu a seguro.

–-- Não, espera. Você é que tem que me convidar. –-- Eu suspiro.

–-- Você já conseguiu o que queria então, vamos embora, ta? –-- Ela se afasta de mim.

–-- Se você não me pedir, eu vou começar a tirar a roupa.

–-- Você só consegue o que quer ameaçando? –-- Por algum motivo aquilo faz ela rir e eu rio junto. –-- Ok, Elena...

–-- Gilbert.

–-- Isso. Elena Gilbert, quer ir ao baile comigo? –-- Eu faço uma meia reverência, estico a mão a ela a pega.

–-- Eu adoraria. Agora me leva pra casa que você ta começando a girar.

...

Eu não conseguia acreditar que estava indo a um baile de colegial. Mas talvez valesse a pena. Sam iria nos esperar do lado de fora. Enquanto me arrumo na frente do espelho, percebo que o fato de Stiles não ter realmente me proibido de ficar com Elena tinha ocupado mais a minha cabeça do que o fato de que tinha algo errado com ele. Eu respiro fundo e saio de casa. Stiles já tinha saído à alguns minutos, mal nos vimos nos últimos dias apesar de termos saído algumas vezes.

Era uma noite fria demais para o verão. Eu tento aquecer minhas mãos enquanto toco a campainha da casa dos Gilberts. Elena manda eu entrar e a vejo me esperando no sofá.

–-- Wow! –-- Ela diz ao me ver.

Ela se levanta e vai até mim, começa a passas as mãos por meu terno.

–-- Não acho que terá problemas se nos atrasarmos um pouco. –-- Eu retiro suas mãos. Precisava ajudar meu irmão e a culpa já estava voltando.

–-- Acho melhor a gente acabar logo com isso. –-- Ela consente e nós vamos.

Antes de entrarmos, eramos obrigados a tirar uma foto. Apesar da minha relutância, acabo consentindo.

Nós nos sentamos e sou obrigado a ficar assistindo um bando de adolescentes dançando e tentando colocar álcool no ponche, em vão.

–-- Você ta se divertindo muito. –-- Diz Elena, sarcástica. –-- Estou ficando cansada só de olhar para você.

–-- Eu não tô vendo nem o Stiles, nem a Lydia.

–-- Ela disse que nos ligaria se percebesse que algo daria errado. O baile mal começou, vamos esperar mais um pouco e se não aparecerem, vamos procurar por eles. –-- Eu suspiro.

Os trinta minutos seguintes foram de completo silêncio em nossa mesa.

–-- Eu fiz algo que te... –-- Ela começa mas eu a interrompo.

–-- Você não fez nada. Só quero ajudar meu irmão de uma vez. –-- Ela começa a olhar ao redor do salão, batendo os dedos na mesa, impacientemente. –-- O que ele fez pra você desconfiar? –-- Ela fica surpresa com a pergunta.

–-- Isso é irrelevante.

–-- Bem, você vai com gente na hora? –-- Ela responde que não com a cabeça. –-- Elena, você pode me contar.

–-- Ok, você quer mesmo saber? –-- Seu tom de voz estava irritado. –-- Nós dormimos juntos e eu acreditei que tudo voltaria ao normal e ai... –-- Ela suspira e se levanta. –-- Eu quero dançar. Você vai vir comigo ou vai ficar ai sentado com cara de tédio? –-- Eu me levanto e a levo até o meio da pista, estava tocando uma música lenta. Ela coloca os braços em meus ombros e eu coloco minhas mãos em sua cintura. Quando eu começo a abrir a boca para falar, ela encosta a cabeça em meu peito e pede para que só dancemos, sem palavras. Por um segundo, esqueci de tudo. Me senti seguro e como se tivesse todo o tempo do mundo com ela. Era uma sensação estranha mas reconfortante.

Alguns minutos depois nós recebemos uma mensagem da Lydia nos dizendo onde encontra-la. Eles estavam em um hospital psiquiátrico chamada Eichen House. Eu tento convencer Elena a ir junto mas ela recusa. Então, Sam e eu entramos no carro e dirigimos até o local indicado.