Be my valentine
1 Parte I
Notas iniciais
Primeiro, "Happy Valentine's Day"! Sei que não comemoramos o dia dos namorados nessa data, mas como na europa sim, resolvi postar hoje mesmo.
Originalmente essa fic era pra ser uma "one", mas acho que eu me animei e ficou grande demais... hehe
Por isso, colocarei em duas partes.
Agora chega de enrolar!
Lily sentiu o rosto fumegar de ódio. James Potter havia conseguido mais uma vez irritá-la como ninguém era capaz. Desde seu primeiro dia em Hogwarts, Potter parecia ter uma fixação na moça nunca perdendo uma oportunidade de azucriná-la. Para maior desespero da ruiva, o garoto gostava de implicar com seu melhor amigo, Severus Snape. Lily nunca entendeu o problema de James com o garoto calado e tímido da Sonserina que sempre a acompanhava, mas achava um absurdo o fato dele sempre agir em grupo junto com Sirius Black, Remus Lupin e Peter Pettigrew. Eles se autonomeavam de “marotos” e sempre se chamavam por apelidos estranhos que nem Lily nem ninguém conseguia entender.
Virando o corredor, Lily viu a cabeleira loira de sua melhor amiga, Marlene McKinnon, e correu para alcança-la.
— Lene! – gritou se aproximando da amiga que virou ouvindo sua voz.
— Lily, por Merlin! Onde você estava? Eu e Dorcas estamos atrás de você pela escola inteira! – disse Marlene quase gritando com a ruiva – Lily, você está sumida há horas!
— Não foi minha culpa! O estúpido do Potter explodiu minha poção propositalmente na cara da professora McGonagall enquanto eu voltava da minha aula extra com o professor Slughorn. Graças a ele, dois dias de trabalho duro junto com muitos ingredientes foram parar no lixo! Sem contar na conversa embaraçosa com a professora McGonagall coberta de uma gosma amarela e cheirando a trasgo! – reclamou.
— Será possível? – a voz grossa fez Lily sentir a raiva voltar ainda mais forte. Será que ele nunca a deixaria em paz? — Nem assim você consegue ficar longe de mim, heim Lils? – rui James passando pelo corredor junto de Sirius que aproveitou o caminho para dar um beijo rápido em Marlene fazendo Lily revirar os olhos.
— Eu já falei, é EVANS para você, Potter.— rosnou falando o nome do garoto com desgosto.
— Ficará muito mais bonito quando eu tiver que te chamar de Senhora Potter, Lírio. – riu mais uma vez virando para trás e mandando um beijo para a ruiva no ar – Te vejo mais tarde, minha linda! – e continuou andando deixando-a a beira de ter um ataque.
— Como assim “te vejo mais tarde”? – perguntou Marlene rindo da cara da amiga.
— Graças ao Potter, terei que limpar a sala de poções como castigo por ficar andando com uma poção “tão perigosa” pela escola. Por mais que o próprio professor Slughorn tenha me feito prepará-la.
— Que poção é essa, afinal?
— Um dia eu te falo, agora vamos que Dorcas deve estar desesperada para almoçar. – assim as duas correram para encontrar a amiga.
Já estavam andando há 15 minutos e não achavam Dorcas em lugar nenhum. Tudo bem que a morena tinha “um parafuso a menos” e poderia simplesmente ter esquecido que procurava por Lily. Entre amigas, elas brincavam que colocariam um rastreador em Dorcas para que fosse mais fácil encontra-la. Passavam pela porta da biblioteca quando viram a amiga acompanhada de Remus saindo do local. O garoto segurava uma pilha de livros e ria com os olhos brilhando para a garota, que correspondia o olhar. Os dois eram um casal fofo. Talvez, se não fossem tão tímidos poderiam dar certo.
— DORQUINHAS, AÍ É QUE VOCÊ ESTÁ! – gritou Marlene fazendo o casal pular com o susto.
— PELAS BARBAS DE MERLIN, MARLENE! – gritou de volta – Era preciso gritar assim comigo?
— Bem, vamos logo que estou com fome. Tchau Remus! – respondeu a loira puxando Dorcas.
— Como vai, Remus? – Lily gostava do garoto. Remus era diferente de seus outros amigos. Era calmo e extremamente inteligente, trazendo uma afinidade entre os dois, que tinham uma boa quantidade de aulas juntos. Quando conversavam, poderiam passar horas que o assunto nunca sessava.
— Estou ótimo, Lily, e você? – perguntou de volta sorrindo tímido.
— Estaria melhor se seu amiguinho Potter não tivesse acabado com minha poção e me rendido uma tarde que era para ser livre, tornando-a uma tarde para limpar e arrumar a sala de poções.
— Eu já te falei, Lily... James é louco por você. Ele faz essas coisas para poder ficar mais tempo com a sua companhia. – riu – E eu sei, que você já me contou que apesar de tudo você nutre um sentimento por ele. – era verdade. Por mais que Lily se escondesse por detrás da máscara de ódio, ela gostava daquele sem-noção chamado James Potter desde o dia em que o viu pela primeira vez.
— Bobagem, Remus. Tenho que ir, as meninas devem estar me esperando. – despediu-se.
— Até mais, Lily! Divirta-se no seu “encontro”!
— Babaca! – riu de volta.
A garota andou pelos corredores sem pressa. O clima frio do inverno que já estava quase no seu final traziam um sentimento de calma para seu interior. Estava quase no Salão Principal quando ouviu vozes conhecidas. Prestou atenção nos passos para não fazer nenhum barulho quando identificou a voz de Severus, seu melhor amigo, e de um garoto que ela julgava conhecer.
— Escute o que eu estou te falando, Snape. – falou o garoto que Lily ainda não reconhecera — O Lord não irá esperá-lo por muito mais tempo.
— Eu sei, Lestrange, mas ainda não quero dar minha resposta. Por que eu? Tem tantos outros sonserinos, foram escolher logo eu? – logo a garota reconheceu. Rabastan Lestrange, irmão de Rodolphus, noivo de Bellatrix Black que por um acaso era prima de Sirius.
— Existe um motivo do Lord querê-lo. E se eu fosse você, não contrariaria suas vontades sem saber que iria lidar com as consequências. – respondeu apreensivo. Lily ficou ainda mais confusa com aquela história. Quem era esse tal “Lord”? E o que ele queria com Snape? Achando que aquela conversa já estava durando demais, a ruiva decidiu fazer-se presente.
— Severus! – chamou assustando o melhor amigo.
— Lily! O que faz aqui? – perguntou visivelmente preocupado.
— Estava te procurando! – sorriu – Vamos, já está na hora do almoço! – estendeu a mão para o garoto que rapidamente foi ao seu encontro, mas antes virando para Rabastan.
— Conversamos depois. Prometo te dar uma resposta ainda essa semana. – respondeu antes de ir com Lily.
— O que vocês estavam falando lá? – perguntou curiosa quando já estavam longe o bastante do local.
— Nada demais. O que houve com você? Soube que terá que passar a tarde limpando a sala de poções! – tentou mudar de assunto.
— Ah, o Potter derrubou minha poção na professora McGonagall. Aquela que eu vinha trabalhando há dias! – ela havia percebido a mudança, mas achou melhor fingir que não para não pressionar ainda mais o melhor amigo.
O almoço passou rápido. Logo foi anunciado que o baile do dia dos namorados seria no dia seguinte. Como foi uma surpresa, todas as garotas corriam para conseguir arrumar vestidos e pares para o baile. Lily não deu muita importância a isso. Nunca fora muito chagada a esse tipo de evento. Não tinha um namorado nem um par para o baile. Por mais que quase metade de Hogwarts quisesse ir com ela, a garota recusava todos. Aquela não era realmente a coisa que mais gostava de fazer.
O sino badalou indicando que as torturantes horas trabalhando na limpeza junto com James Potter logo começariam. Lily respirou fundo e foi em direção à sala. Quando estava quase chegando ao seu destino, professor Slughorn a intercedeu, falando que tinha um importante compromisso e pedira para que o castigo fosse transferido para o dia seguinte. Lily suspirou aliviada, não teria que lidar com James durante toda a tarde. Com isso, resolveu procurar Severus. O garoto havia pedido auxilio em alguns deveres e agora ela poderia ajudá-lo. Enquanto ia em direção ao jardim, pode ouvir o grito de seu melhor amigo e as risadas que tão bem conhecia. Sentiu o sangue ferver e passou a correr para chegar o mais rápido possível e acabar com aquela palhaçada.
— Olha só como ele grita! Igual a uma menininha! – ria Peter apontando para Snape, que estava de cabeça para baixo flutuando sem controle no ar – Faça ele ir mais alto, Sirius! – gritava o garoto entusiasmado.
— Assim? – perguntou Sirius apontando cada vez mais alto com Severus, que gritou mais uma vez, fazendo todos que aquilo assistiam gargalharem.
— O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – gritou Lily possessa. Odiava qualquer tipo de bullying, ainda mais com seu melhor amigo – PARE AGORA, BLACK! COLOQUE-O NO CHÃO!
— Com prazer. – riu sacana sacudindo a varinha e quebrando o encanto, fazendo Severus cair duramente no chão. Lily correu para socorrer o amigo.
— Sev, você está bem? – perguntou ajudando-o a se levantar.
— Não encoste em mim, Evans. – respondeu magoado saindo brutalmente de perto da garota – Nunca mais encoste em mim.
— O que? – ela não entendia. Não havia feito nada, então por que ele a tratava assim?
— Eu sei me virar sozinho, não preciso de você tomando conta de mim. – olhou fundo em seus olhos, que o fitavam confusa.
— Sev... do que você está falando?
— ESTOU FALANDO QUE EU NÃO PRECISO DE UMA MENINA ME RONDANDO E ME DEFENDENDO TODA VEZ QUE ALGO ACONTECE! NÃO SOU UM BEBÊ! – todos ali estavam surpresos sem entender o que estava acontecendo.
— Olha como você fala com ela, Snape. – disse James incomodado com a atitude do garoto – Ela estava tentando te ajudar, como sempre fez.
— EXATAMENTE! EU NÃO QUERO UMA SANGUE-RUIM ME CIRCUNDANDO! – gritou. Suas palavras foram como facadas no coração de Lily. Seu melhor amigo havia a ofendido da pior forma possível. Ela sentiu-se fraca e sem reação. O que estava acontecendo com seu Sev? O garoto doce que mostrou-a a beleza da magia? Ela não reconhecia a pessoa que estava ali, ofendendo-a sem motivos.
— O que você disse? – as palavras finalmente saíram de sua boca.
— ISSO MESMO! UMA SANGUE-RUIM! A DESGRAÇA QUE ARRUINARÁ NOSSO SANGUE, NOSSOS CUSTUMES! – gritou ainda mais algo – VOCÊ É UMA...
Ele não conseguiu terminar a frase. O soco que James acertou em seu rosto foi o bastante para fazer o magro garoto cair no chão mais uma vez. Assim que Severus caiu, James pegou a mão de Lily, que ainda estava parada no lugar sem conseguir se mexer.
— Vem, Lils, vamos sair daqui. – falou puxando-a. Lily deixou-se ser levada por James. Estava em choque e não conseguia ter nenhuma reação a nada. Sentia-se traída, machucada.
Andaram rápido pelo castelo, ela não conseguia ver por onde iam, só seguia o garoto que ainda segurava firmemente sua mão. Logo pararam em frente a uma porta gigantesca, ela nunca havia visto aquilo antes. A sala possuía uma decoração aconchegante. A lareira estava acesa com um grande sofá em sua frente. A mesa de madeira rústica no outro canto da sala, junto de uma pequena cozinha. Ela foi guiada até o sofá, onde James sentou-a. Aos poucos foi saindo do modo que se encontrava e sentiu as lágrimas virem. Não demorou muito para o menino aproximar-se e conforta-la em seu abraço. Ela chorou mais ainda. Não sabia o motivo, mas o fato de James estar ali com ela a deixou mais calma. Depois de uns 10 minutos chorando, começou a se recuperar.
— Tome, isso vai te acalmar. – disse James entregando-a uma xícara.
— O que é isso?
— Chá de camomila, apenas tome, Lily. – ela pegou a xícara de sua mão e tomou. Depois de alguns minutos sentiu-se bem o bastante para falar.
— Não entendo o motivo de Severus ter agido daquela forma comigo. Somos amigos há anos, nada nunca foi um problema para nós. Do nada ele começa a gritar comigo? Ele estava normal mais cedo.
— Há dias que ele está assim, Lils. Não sei se você sabe, mas ele está sendo recrutado para o exército de um homem que quer “limpar o sangue bruxo” eliminando todos os trouxas e nascidos-trouxas do mundo mágico. – A informação foi como um tapa em Lily. Então Severus estava envolvido nisso?
— Como assim “recrutado”?
— Os Black, Malfoy, Lestrange e mais algumas famílias puro-sangue da Sonserina simpatizam com a ideia e decidiram acompanhá-lo. Eles são chamados de “Comensais da morte”. – o simples nome fez Lily tremer. A ideia de pessoas que se autodenominavam como morte era assustador – Pelo que eu ouvi, Snape ficou de responder ainda essa semana para Rabastan se aceitava ou não.
— Então quer dizer que era sobre isso que eles conversavam. – tudo se explicava. A conversa estranha com Lestrange, a mudança forçada de assunto... tudo.
— O que você quer dizer com isso?
— Hoje mais cedo eu ouvi Sev...Snape conversado com Rabastan Lestrange. Quando perguntei sobre o que era, ele mudou de assunto.
— Bem, com certeza era isso. – disse ele com firmeza – Mas nada justifica a forma com que ele te tratou, Lils. Se você quiser acabo com a raça dele em minutos.
— Por que você está fazendo isso? – não dava mais para segurar a curiosidade. Afinal, o que ele estava fazendo ali, ajudando-a?
— Porque eu me importo com você, ruivinha. – sorriu tímido. Lily sentiu seu coração pular. “Péssima hora para certos sentimentos voltarem!” brigou com ela mesma.
— Você não precisa fazer nada disso, sei e posso cuidar de mim mesma sozinha. – respondeu sendo mais seca do que gostaria. James abriu um sorriso e deu uma gargalhada gostosa, trazendo uma sensação estranha dentro dela. Sempre ignorou qualquer sentimento por James porque nunca foi a favor de suas atitudes, mas vê-lo ali, uma outra face de James Potter trouxe à tona coisas escondidas.
— Eu sei disso, Lils. Mas isso não quer dizer que eu não possa cuidar de você! – surpreendeu-a.
Talvez ela estivesse muito frágil pelas coisas que haviam acabado de acontecer, mas em questão de segundos, Lily Evans estava pendurada no pescoço de James Potter beijando-o como se fosse o último momento de sua vida. E por alguns segundos, quis que fosse. Era intenso, forte e cheio de emoções. Ele beijava-a de volta com o mesmo entusiasmo.
O beijo durou pouco, mas o suficiente. O suficiente para ambos se olharem assustados com o que acabara de acontecer. Lily colocou as mãos na boca, tentando de alguma forma se esconder do que fizera. Ela havia o beijado do nada e nem sabia exatamente o motivo disso. De olhos arregalados, levantou-se e começou a correr para fora da sala que nem sabia qual era. Correu o mais rápido que pode para seu dormitório. Precisava se esconder do mundo, ela beijara James Potter! E o pior, havia gostado disso!
Passados alguns minutos, James ainda se encontrava paralisado no mesmo local. Ele não acreditava no que havia acabado de fazer. Ele beijara Lily Evans! A mesma garota que fez sua vida ficar de pernas pro ar sem saber. Desde o primeiro dia que a vira no castelo, sentiu o coração perder uma batida. Ela era perfeita. Com o passar do tempo, esse estranho sentimento para um garoto de 12 anos ficou cada vez maior. Nada o deixava mais irritado do que vê-la com Snape. O garoto a olhava com admiração de uma forma que James sabia muito bem o que se passava dentro dele. Ele sentia-se da mesma forma. Lily despertava nele coisas que ninguém mais conseguia. Talvez com essa gana de tirar a menina do controle dele mesmo, James se portava como um perfeito babaca. Era um galinha. Sabia que era bonito e todas as garotas de Hogwarts dariam tudo para estar ao lado dele. Bem, quase todas.
Aos poucos James se recuperou e saiu da sala. Chegando no corredor, virou para trás vendo a porta sumir aos poucos. Havia descoberto a Sala Precisa ainda em seu primeiro ano e ela nunca o deixara na mão. Continuou a andar com um sorriso no rosto que logo se dissipou ao lembrar de Snape. Tinha coisas a fazer e um assunto para resolver. Um assunto que esperava de coração que Lily não soubesse.
—-
Lily subiu as escadas com pressa. Não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer! Ela e James Potter se beijaram! Entrou no quarto como um furacão batendo a porta com força.
— POR MERLIN, LILY! ASSIM VAI QUEBRAR A PORTA! – disse Marlene assustada depois de ser desperta de seu sono.
— Desculpe, Lene! Estou desesperada! – foi em direção a cama da amiga – EU ACABEI DE BEIJAR JAMES POTTER! – gritou sem conseguir ainda acreditar em suas próprias palavras.
— VOCÊ O QUE?! – gritaram Marlene e Dorcas, que saira do banheiro ainda enrolada na toalha, devido aos gritos.
— SIM! – respondeu jogando-se na cama.
— Mas o que houve para isso acontecer? – Dorcas sentou-se ao lado da ruiva ainda de olhos arregalados.
— Bom, eu vi Sirius implicando com Sev e corri para ajuda-lo, como sempre fiz. Só que não sei o que aconteceu com ele hoje, mas Sev ficou possesso e me chamou de “sangue-ruim” – as duas amigas arregalaram mais ainda seus olhos – Sim. Ele disse isso. E continuou gritando comigo, eu estava sem reação nenhuma quando James apareceu e acertou um soco em Severus.
— James o que?!
— Me deixe terminar, Marlene. – cortou-a – Eu ainda estava sem reação, então James me puxou e me tirou dali. Não sei aonde fomos, mas quando percebi, estava numa sala sentada em um sofá com James me consolando enquanto eu chorava. A partir daí... Só aconteceu.
— Merlin! E depois do beijo? – perguntou Dorcas dando pulinhos na cama.
— Eu corri. Fiquei desesperada e fugi dele.
— Lily Evans... quem diria que logo você finalmente cairia pelos “encantos Potter”! – riu Marlene.
— Cale a boca, McKinnon!
— Mas Lily... e o Snape? – a atmosfera do quarto pesou. Com toda a adrenalina, a ruiva não chegara a pensar direito no acontecimento.
— Estou destruída. Não quero falar sobre ele e nem olhar na cara dele. Severus me conhece há anos, nada poderia me machucar tanto quanto o que ele me fez. – foi firme.
—-
Depois de algumas horas, Lily ainda estava no quarto. Se recusara de ir jantar dizendo que não queria encontrar com Snape e nem com o Potter. Suas amigas foram para o salão contrariadas em deixa-la sozinha. Ela só queria paz. Sem Marlene andando freneticamente pelo quarto escolhendo que vestido usar no baile da noite seguinte. E também sem Dorcas em seu mundo particular falando coisas que ninguém mais era capaz de entender.
Estava deitada em sua cama lendo um de seus muitos livros trouxas favoritos quando ouviu o barulho de alguém batendo na porta. Levantou-se bufando e reclamando de Marlene que nunca sabia aonde estava sua chave. Mas assim que abriu a porta, não tinha ninguém. Suspirou pesadamente irritada com os primeiristas que achavam muito engraçado bater em portas e correrem. Fechou a porta mais uma vez girando a chave. Seus livros eram muito mais interessantes. Assim que virou-se, prendeu um grito. James Potter estava sentado na sua cama foleando o exemplar da garota.
— Potter! O que faz aqui? – perguntou assustada.
— Precisava falar com você, mas não te achei no Salão Principal, então Marlene me contou que você estava aqui. – analisou-a – Por falar nisso, belo pijama. – riu fazendo Lily olhar e examinar exatamente o que estava vestindo, instantaneamente culpando-se por escolher shorts tão curtos e uma blusa tão decotada.
— Droga, Potter! – correu pegando um roupão, fazendo o garoto soltar uma gargalhada.
— Por favor, não termine com meu privilégio de vê-la assim!
— Vai pro inferno! – estava púrpura de raiva e vergonha – O que você tinha de tão importante para falar comigo que não podia esperar para amanhã? – perguntou segurando o pano com força.
— Porque não daria mais tempo. – sua postura mudou, ele ficara mais sério – Primeiro, me desculpe pelo beijo. Você estava frágil e eu me aproveitei. Segundo, eu sei, por mais que eu não entenda, que você é amiga daquele sonserino seboso e se importa com ele. Me desculpe por todas as vezes que eu te fiz ficar irritada comigo e por fazer aquelas coisas com ele. Mas por hoje eu não me desculpo. Não iria ficar vendo-o machucá-la daquela maneira. Pode não parecer, Lily Evans, mas eu gosto de você, sempre gostei. Não sei o que você está fazendo comigo nem o que eu mesmo estou fazendo aqui no seu quarto agora falando coisas que estão guardadas comigo há anos, mas você liberta alguma coisa em mim que eu não sei o que é. – ele falava tudo de uma vez, deixando a garota estática e sem reação – Então, depois de muito pensar sobre, você poderia me dar uma chance? – perguntou visivelmente tenso.
Lily demorou alguns segundos para digerir o que estava acontecendo naquele exato momento. James Potter, o mesmo que implicava com ela todos os dias estava ali, na sua frente pedindo por uma chance. Muitas coisas passaram pela cabeça da garota naquele momento.
— Lírio? – pronto, todo o controle que ela tinha sumiu.
— James... o que você está falando? – perguntou num fio de voz.
— Estou pedindo que você me dê a chance de te mostrar um lado de mim que eu escondo. – ele avançou um passo.
— Eu não sei... – respondeu recuando.
— Por favor, Lily. Vamos pelo menos tentar algo diferente?
— Como o que?
— Me acompanha amanhã no baile de dia dos namorados? – ela congelou. O que responder? Talvez ela devesse ceder um pouco... ou não. Deveria manter-se firme. Deveria? Aquilo tudo estava sendo demais para a cabeça dela. – Lily, não é nada demais. Só me acompanhar... o que me diz? – sorriu levemente.
— Ok. – respondeu depois de mais alguns segundos – Mas isso não quer dizer que teremos nada. Vamos ao baile e é tudo, entendeu, Potter? – completou, mas James não ouvia mais nada. Ela aceitou. Ele iria ao baile com Lily Evans. O sorriso de vitória em seu rosto assustou-a.
— Prometo não te decepcionar. – deu um beijo rápido em sua bochecha e correu para fora do quarto, sumindo.
Lily ficou parada com a mão aonde ele acabara de beijar. Logo a realidade bateu na garota. Onde estava com a cabeça? E o que estava acontecendo com aquele dia que trouxera tantas revelações? Desistiu de ler e deitou para dormir. Porém um par de olhos castanho-esverdeados tomaram posse de seus pensamentos, tirando qualquer resquício de cansaço de Lily. James Potter ainda acabaria com seus nervos e sua sanidade.
Notas finais
Não esqueçam dos comentários!
Caso tenha algum erro, por favor me avisem.
Quero saber se amaram, odiaram, qualquer coisa!
Beijos ♥
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