Os Keller tinham preparado mais um verão de diversão para as famílias tradicionais que costumavam passar as férias por lá. Jogos, gincanas, danças, música e outras atrações que entreteriam os clientes pelo verão inteiro. O elenco de funcionários era quase sempre o mesmo, até os contratados por temporada. Frances chegou ao seu quarto e jogou a mala no chão, olhando os móveis empoeirados. “Estamos aqui mais uma vez”, pensou. Uma batida na porta; era Jordan que aparecia para cumprimentá-la.

— Francie! — Jordan abraçou e beijou a amiga.

— Jordan, que bom revê-lo. — Frances mentiu. Ela amava Jordan, por isso detestava magoá-lo. E ela sempre o magoava, mais cedo ou mais tarde, quando Dominic aparecia. Revê-lo era bom, mas era doloroso assim mesmo. — Como foram as coisas este ano?

— Uma droga. — Jordan desabou na poltrona. O pó tornou o ar turvo. — Não fiz nada, ninguém anda interessado no meu trabalho. Estou pensando em ser dançarino de turnês.

— Você sempre detestou isso. — Frances começou a tirar as roupas da mala. Pelo menos as gavetas não estavam encardidas.

— Bem, eu não detestaria se tivesse você ao meu lado.

Frances fechou os olhos. Sentia-se a pior das pessoas toda vez que Jordan tocava naquele assunto. Ele não podia evitar, ela entendia. Mas ele sabia. Seu coração pertencia ao homem mais desprezível de sua convivência. Ela não podia evitar, também. Olhou para a janela. O sol brilhava tímido do lado de fora. Fazia um calor típico do verão de Pompano Beach. Ela olhou Jordan sentado. Ele era lindo demais. Os cabelos negros, ondulados, permitiam que suaves madeixas caíssem pelos ombros, nus. Sem camisa, ele conseguia fazer qualquer mulher perder o fôlego. Até mesmo ela.

— Sabe que não posso, Jordan. Eu... sou uma cantora, preciso cantar.

— E eu sei também que essa não é a razão da sua recusa.

Jordan aproximou-se de Frances. Tocou seus cabelos com os dedos. Enrolou-os em cachos perolados. Levou-os próximo ao nariz, para sentir o cheiro do perfume que exalavam. Frances virou-se. Ficaram próximos, por um instante. A respiração de Frances era ofegante. A porta novamente se abriu e Dominic entrou.

— Interrompo alguma coisa? — Seu sorriso era devastador. Jordan baixou os olhos e afastou-se de Frances. Ela tinha as batidas do coração descoordenadas.

— Claro que não, Dominic. Bem vindo, mais uma vez. — Frances tentou ser simpática. Ela sentia amor e ódio, paixão e raiva, prazer e dor, toda vez que via Dominic. Naquele instante, seus olhos se iluminaram. Dominic aproximou-se de Frances e a beijou na face.

— Cada dia mais linda. — Disse, sussurrando em seus ouvidos. — Quando vai aceitar aquele meu convite para jantar?

— Um dia, quem sabe. — Frances dissimulou. — Agora os senhores poderiam me dar licença? Quero tomar um banho e me preparar, logo começam a chegar os clientes. E o Sr. Keller faz questão de que os recebamos.

Jordan e Dominic se estranharam ao passarem pela porta. Rosnaram como cães, um para o outro. Frances fechou a porta, deixando os brigões para o lado de fora. Ela precisava respirar. E a presença de ambos a deixava nervosa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.