Be Giving
1 Be Giving
Notas iniciais
Se tinha uma coisa que Ellariel não tinha, essa coisa era paciência para quem estava começando!
Como aquela gente podia ser tão... Não conseguia encontrar a palavra certa... Desligada? Estúpida? Sem sentido? Definitivamente não entendia como as pessoas viviam suas vidas feito bobas alegres que não tinham maiores objetivos na vida, tinha nojo daquele tipo de gente que, com certeza, nunca havia tido trabalho nem mesmo em fazer a própria comida!
Não chegava a odiar pessoas, mas também não era capaz de amá-las sem um bom, ou melhor, EXCELENTE, motivo, afinal, como amar alguém com uma história tão diferente da dela? Era impossível passar por coisas tão ruins e continuar a ser feliz naquele mundo, ou pelo menos era assim que ela pensava até conhecer alguém.
Uma estranha maga de cabelo vinho com mechas prateadas.
Aquilo havia acontecido exatamente um ano após fugir de casa. Deveria ter imaginado que algo assim iria acontecer, afinal, não é como se uma criança fosse capaz de sobreviver por muito tempo sozinha sem despertar a atenção de ninguém com pensamentos malignos na cabeça.
Fora capturada.
Segundo o que estava entendendo da conversa de seus captores, tanto ela quanto a menina ao seu lado seriam vendidas como escravas em alguma feira do submundo e sabe-se-lá o que aconteceria em seguida. Estava chorando, não de medo, mas de ódio; ódio daquelas pessoas que não tinham uma pilha de louça pra lavar e se dedicavam a f*der a vida dos outros daquela forma!
As algemas selavam a sua magia e isso a deixava impossibilitava de tentar qualquer coisa, pudera, se estivesse em plena posse dos seus poderes mágicos não deixaria um fio de cabelo deles para contar história! Para precisar se utilizar daquele tipo de artifício contra duas crianças, o rank deles deveria ser algo abaixo do D!
A floresta era escura e, para ela, assustadora. Vez ou outra topavam com animais selvagens que eram varridos do caminho por tiros desferidos sem dó, e quanto mais o tempo passava e mais se embrenhavam, mas ela se perguntava se ainda conseguiria sair dali, mesmo que escapasse.
E foi então que ela a viu... Ou melhor, ouviu.
–Shooting Star... Acid Meteor Bubble!
O som de uma enorme bolha explodindo quebrou o silêncio da floresta e os dois sequestradores gritaram enquanto perdiam o movimento dos membros e sentiam o ácido corroer seus corpos lentamente. Encolheu-se junto da outra garota por instinto enquanto das árvores descia uma figura estranha: Seus olhos possuíam cores diferentes um do outro e seu rosto e corpo eram marcados por tatuagens, na escuridão, enquanto se aproximava a passos lentos, parecia cada vez mais assustadora, mas para a sua surpresa ela apenas se aproximou, acariciou levemente sua cabeça e sorriu cheia de paz.
–Fechem os olhos, ok? Isso não vai ser nem um pouco bonito.
A garota ao seu lado fechou, porém Ellariel não conseguiu segurar a curiosidade e, assim que a garota virou de costas, abriu os olhos e observou enquanto ela invocava um enorme pilar de ácido que reduziu a cinzas os corpos dos criminosos. A falta de reação fez a menina de cabelos ondulados perceber o óbvio: A dupla tinha morrido no ataque da bolha.
Apenas uma dúvida atormentava sua mente: Quem era aquela pessoa? E porque ela se ajoelhou e fez uma prece pela alma daqueles homens? Eles sem dúvida mereciam o inferno!
–Quem... quem é você e porque nos ajudou? — Perguntou arisca, nunca tinha recebido socorro de graça e não achava que começaria a receber agora.
–Eu sou uma filha da natureza nascida nas estrelas, eu sou Twinkle! — Sorriu com os olhos arregalados como se não tivesse matado duas pessoas há poucos minutos — E vocês, quem são?
–Jéssica — A garota ao seu lado falou numa voz quase inaudível — Jéssica... Lockheart — Caiu no chão tremendo e chorando alto. O medo e o alívio sendo colocados para fora.
–Ellariel — Falou ressabiada — Não tenho sobrenome. E você ainda não disse porque nos ajudou.
–São nomes bonitos — Sorriu — Bem, eu sou uma viajante guiada pelos cosmos e eles me levaram até a sua aldeia, Jéssica. Eu estava passando vendendo algumas pulseiras quando vi sua mãe chorando, perguntei o que houve e ela me falou que você havia desaparecido, então eu vim te procurar e acabei aqui, que bom que nos encontramos, não?!
Enquanto os olhos de Jéssica expressavam cada vez mais gratidão e esperança, Ellariel era mais racional e desconfiava de tudo aquilo. Era impossível tantas coincidências num espaço de tempo tão curto!
–Acha mesmo que eu vou acreditar nisso?! Tá na cara que você deve ser de outra dark guild e quer enganar a gente!
–Não sou de dark guild — Twinkle falou fazendo um bico decepcionado — E por que seria estranho nos encontrarmos? Nós estamos no universo e tudo o que está no universo está conectado, incluindo eu e você!
–E essas tatuagens estranhas aí?!
–São do meu bando! Isso é preconceito, sabia?!
–... Gente — A voz de Jéssica quase não foi ouvida — Eu... eu só quero ir pra casa, por favor... — Pôs a cabeça entre os joelhos enquanto o volume da voz diminuía — Por favor...
Ambas imediatamente pararam de discutir e voltaram as suas atenções para a menor. Jéssica deveria ter entre 7 e 8 anos pelas suas contas. Twinkle foi a primeira a falar.
–Nós podemos esperar amanhecer ou irmos agora. As estrelas vão nos guiar de qualquer forma.Apesar do cansaço, a vontade da menina de ver a família falou mais alto e optaram por ir imediatamente. Ellariel concordou porque, caso aquela garota estranha fizesse qualquer movimento suspeito, iria desaparecer na escuridão sem olhar para trás!
Não soube dizer exatamente quanto tempo se passou até que Jéssica dormisse e Twinkle continuasse a viagem carregando-a nos braços.
–Então... Twinkle, não é? Quantos anos você tem?
–16... 18! — Se corrigiu rapidamente e Ellariel ergueu uma sobrancelha. Que tipo de pessoa mentalmente afetada não sabia a própria idade — E você, Ellariel?
–14 — Falou sem mais detalhes — Aquela magia que você usou... É ácido?
–Sim sim. Sou maga de ácido desde de... Desde que nasci, acho, considerando que nasci com a magia — Riu — E você?
–Maga de água.
–Uoou, legal! Água é um elemento essencial para a vida, então com certeza é uma magia que você deve se orgulhar de saber.
...Droga, por que raios tinha sorrido? E por que diabos aquela maluca tinha aquela aura ao redor como se o mundo vivesse em paz?!Twinkle pareceu perceber sua frustração, pois estava rindo. Rindo. da sua. Cara!
–Ah, cala a boca!
–HAHAHAHAHAHAHA, ai ai — Falou tirando as lágrimas dos olhos — Desculpa, desculpa, é que eu entendo seu sentimento, afinal... — Jogou os cabelos numa pose dramática enquanto um pôr-do-sol surgia sabe-se-lá-de-onde como fundo — ...A solidão me fez roqueira, gótica, rara e diferente também.
–... — Ok, sem palavras para tamanha babaquice — Vamos logo com isso.
Quanto mais rápido chegassem na vila de Jéssica, mais rápido se livraria daquela doida.
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